Questionado numa entrevista sobre se os EUA e os aliados estão a ganhar a guerra no Afeganistão, Obama responde com um inequívoco "não". Barack Obama continua - agora que é a valer e a posse foi tomada - a surpreender pela franqueza e clareza com que assume as sua posições. Dir-se-á - e com alguma razão, suponho - que não é assim tão difícil reconhecer os problemas herdados dos outros. Difícil é admitir os próprios erros e limitações e só daqui a 4 anos, quando fizer o balanço do seu primeiro (sim, antes do segundo) mandato, é que poderemos ver se Obama é assim tão diferente. Até lá, é justo reconhecer que a forma como Obama explicou e assumiu a responsabilidade pelas várias trapalhadas que marcaram a constituição do seu gabinete não é habitual em política e faz-me antecipar o melhor.
9.3.09
Uma vez mais, Obama (e o elogio da franqueza)
Questionado numa entrevista sobre se os EUA e os aliados estão a ganhar a guerra no Afeganistão, Obama responde com um inequívoco "não". Barack Obama continua - agora que é a valer e a posse foi tomada - a surpreender pela franqueza e clareza com que assume as sua posições. Dir-se-á - e com alguma razão, suponho - que não é assim tão difícil reconhecer os problemas herdados dos outros. Difícil é admitir os próprios erros e limitações e só daqui a 4 anos, quando fizer o balanço do seu primeiro (sim, antes do segundo) mandato, é que poderemos ver se Obama é assim tão diferente. Até lá, é justo reconhecer que a forma como Obama explicou e assumiu a responsabilidade pelas várias trapalhadas que marcaram a constituição do seu gabinete não é habitual em política e faz-me antecipar o melhor.
8.3.09
Obama dá luz verde à investigação com células estaminais embrionárias
Mais um crime da Administração Bush a que Obama pôs fim.
7.3.09
Para quem tem mais olhos que barriga, hi hi hi hi...
* cartaz de 2008A Monstra é um excelente festival de cinema de animação. Um pouco por acaso, tive a sorte de ter ido a uma das suas primeiras edições (já lá vão uns 8 anos), no teatro Taborda, onde, se não me engano, Jiri Barta e Jiri Trinka eram os homenageados. Este último facto parece ser de pouca relevância mas não é todos os dias que nos surge a oportunidade de escrever o nome de dois mestres da animação checa (saravá, Vasco Granja). Isto a propósito do seu site. O festival, que entretanto se foi profissionalizando, começa depois de amanhã e ainda se encontram em branco partes do programa, como a Monstrinha, dedicada aos mais novos. Com alguma surpresa, acabo por encontrar alguma coisa não no site oficial mas aqui. Já agora, faz algum sentido que a quase totalidade destas sessões seja em horário de trabalho - que têm como alvo as escolas, suponho - e praticamente não haja sessões a horas a que os pais possam ir com os filhos?
6.3.09
Defesa da bipolarização
Imaginemos por um momento que o PS não tinha tido a maioria dos votos em 2005, mas a direita (PSD sozinho ou PSD+CDS/PP). De acordo com a esquerda mais radical teríamos tido, de um modo geral, as mesmas políticas. Agora esquece-se de dizer o que, seguramente, nunca teríamos tido: a lei que descriminaliza a IVG (pois não teria havido referendo); a lei da paridade; a lei da procriação medicamente assistida; o maior aumento do salário mínimo de há muito; uma reforma da segurança social que recusou a ideia de entregar uma parte das reformas aos privados; o alargamento do abono de família; o complemento solidário para idosos; a lei da nacionalidade, que permitiu a legalização de milhares de cidadãos estrangeiros; a nova lei do divórcio; o aprofundamento dos direitos das uniões-de-facto, entre muitos outros exemplos.
Em suma, e admitindo (sem conceder, como se costuma dizer) a leitura que esta esquerda faz da globalidade da governação socialista, seria, se bem percebo, ter aquilo que consideram negativo (e, provavelmente, numa versão ainda pior) sem as políticas com que se identificam. E é com isto que, goste-se ou não, uma parte do eleitorado de esquerda vai ter de se confrontar nas próximas eleições legislativas.
Em suma, e admitindo (sem conceder, como se costuma dizer) a leitura que esta esquerda faz da globalidade da governação socialista, seria, se bem percebo, ter aquilo que consideram negativo (e, provavelmente, numa versão ainda pior) sem as políticas com que se identificam. E é com isto que, goste-se ou não, uma parte do eleitorado de esquerda vai ter de se confrontar nas próximas eleições legislativas.
5.3.09
4.3.09
3.3.09
No they souldn't
Compreendo que o desemprego e os seus números constituam um importante activo argumentativo em política. Mas há qualquer coisa que incomoda no indisfarçável regozijo dos que vêm nestas estatísticas apenas mais uma oportunidade para atacar o Governo. Assim como o há na forma como, do lado do poder, se rejubila com as revisões em baixa das projecções económicas internacionais, que servem para mostrar a falibilidade de todas as projecções feitas há uns meses, e não apenas das do Governo. Ou até com a forma como se chama a atenção para a subida do desemprego em Espanha, como se se lançasse para a mesa um poker de ases, indiferente à preocupante situação a que se alude.
Julgo que foi também na recusa desta forma de fazer política que Obama marcou a diferença.
Julgo que foi também na recusa desta forma de fazer política que Obama marcou a diferença.
1.3.09
PS e BE
Infelizmente, julgo que António Costa tem razão quando denuncia a falta de confiança que este BE inspira como potencial parceiro de coligação. Se a experiência na Câmara de Lisboa falhou, não vejo como é que, na actual conjuntura política, pode haver qualquer entendimento duradouro e de sucesso entre os dois partidos. Isto porque o entendimento que havia em Lisboa parecia, a todos os níveis, vantajoso para o BE. Mais, no pouco tempo que durou, parte das medidas lançadas foram da área do seu vereador, Sá Fernandes. Apesar disto, o BE preferiu, ao romper com o entendimento que tinha com o PS para Lisboa, desbaratar este capital político, que podia, legitimamente, reclamar como também seu. Ao invés, optou por trilhar a via do tacticismo com vista ao combate eleitoral de 2009. Ora, se é legítima esta escolha, é também ela que dá razão a António Costa, quando diz que «o Bloco de Esquerda é completamente alérgico a assumir qualquer responsabilidade e riscos de governação". Para quem tantas vezes acusa o PS e o primeiro-ministro de arrogância, esta absoluta falta de resiliência política, esta incapacidade de tolerar a mínima das contrariedades em relação aos compromissos assumidos, é, para mim, a suprema das arrogâncias em política.
27.2.09
26.2.09
Frost e Nixon

Vejo, por acaso, um excerto da entrevista que David Frost fez a Nixon, que tem estado a ser exibida na SIC Notícias. Do filme, ficara com a ideia que Nixon fez de Frost o que quis durante a quase totalidade da entrevista e que este apenas conseguiu impor-se na questão do Watergate, forçando Nixon a sair do seu monólogo encantatório. O excerto que vi da entrevista era sobre a política dos EUA em relação à América Latina e Frost esteve muito bem. Não deixou que a discussão se resumisse à simplificação do perigo vermelho que Cuba e o Chile representavam para os interesses dos EUA na região (dos económicos à segurança) mas confrontando-o com o significado das escolhas da política externa americana, como a do apoio ao derrube de um governo eleito democraticamente (Allende), em benefício de uma ditadura de direita. O critério era apenas o do interesse dos EUA, interpretado, a cada momento, pelo seu Presidente, o seu juiz derradeiro. Ou seja, o mesmo que orientou sua actuação no caso Watergate, como o próprio confessou a Frost, na famosa frase: “when the president does it that means that it is not illegal”.
25.2.09
Aposto que dizes isso de todos
Ao reler o último texto, fico com a ideia que estou a justificar-me por não saber quem era o Courbet... Já me tinham dito que isto dos blogues era como vermo-nos ao espelho. Mas neste caso em particular até que não é verdade.
O quê? Tu não sabes quem foi o Courbet!?
Do que leio parece que a intervenção da PSP de Braga foi despropositada a todos os níveis. Agiram “para evitar desacatos”? Mas então, se algum papel cabia à polícia neste episódio, não era precisamente o de assegurar o legítimo exercício de direitos, nomeadamente o de expor, em liberdade, aquelas obras? Tudo indica, assim, que o juízo da polícia foi de concordância com os queixosos, que consideraram a obra em causa pornográfica – e que, por essa razão, não devia estar exposto ao público.
Dito isto, este episódio chama a atenção para uma questão que não me parece nada pacífica. A imagem da controvérsia não é pornográfica porque é do Courbet, isto é, porque é arte? Se assim for, este domínio exclusivo da arte sobre a imagética da nudez e do sexo não constitui, em si mesmo, uma limitação da liberdade?
Dito isto – e também aquilo, claro –, não deixa de ser espantoso que neste, como em casos semelhantes, tantos venham prontamente indignar-se, ou contristar-se, com o iletrismo cultural dos portugueses – e em particular dos polícias! –, logo se demarcando os próprios como pessoas de muita, muita cultura. É que se a cultura dos cidadãos é algo que deve ser valorizado e incentivado por uma sociedade de homens livres, ela nunca deve servir para lançar o labéu sobre os que a não tenham, o que quer que isso possa significar.
Dito isto - e também aquilo e aqueloutro -, eu também não saberia identificar um Courbet.
Dito isto, este episódio chama a atenção para uma questão que não me parece nada pacífica. A imagem da controvérsia não é pornográfica porque é do Courbet, isto é, porque é arte? Se assim for, este domínio exclusivo da arte sobre a imagética da nudez e do sexo não constitui, em si mesmo, uma limitação da liberdade?
Dito isto – e também aquilo, claro –, não deixa de ser espantoso que neste, como em casos semelhantes, tantos venham prontamente indignar-se, ou contristar-se, com o iletrismo cultural dos portugueses – e em particular dos polícias! –, logo se demarcando os próprios como pessoas de muita, muita cultura. É que se a cultura dos cidadãos é algo que deve ser valorizado e incentivado por uma sociedade de homens livres, ela nunca deve servir para lançar o labéu sobre os que a não tenham, o que quer que isso possa significar.
Dito isto - e também aquilo e aqueloutro -, eu também não saberia identificar um Courbet.
20.2.09
18.2.09
Cartão de cidadão e o recenseamento eleitoral
O cartão do cidadão vem, finalmente, pôr fim à bizarra situação de haver pessoas que estão recenseadas num local diferente do da sua residência. Como Vital Moreira chama a atenção, o local do recenseamento eleitoral nunca foi de livre escolha. É, por isso, surpreendente quando ouvimos certas pessoas dizer que consideram alterar o local de recenseamento em função da simpatia que têm, ou não, pelos candidatos locais.
Embora não seja o caso de Pacheco Pereira, presumo que a maioria daquelas situações ocorre no caso das pessoas que vão residir para os grandes centros urbanos (é, pelo menos, essa a realidade que intuo a partir de vários casos que conheço), permanecendo recenseados na morada afectiva. Sabendo-se que, no caso das eleições legislativas, o número de deputados eleitos por círculo varia em função do número de eleitores (Lei Eleitoral da AR, art. 13, n.º2), esta correcção introduzida por via do cartão de cidadão não terá efeitos a este nível?
Embora não seja o caso de Pacheco Pereira, presumo que a maioria daquelas situações ocorre no caso das pessoas que vão residir para os grandes centros urbanos (é, pelo menos, essa a realidade que intuo a partir de vários casos que conheço), permanecendo recenseados na morada afectiva. Sabendo-se que, no caso das eleições legislativas, o número de deputados eleitos por círculo varia em função do número de eleitores (Lei Eleitoral da AR, art. 13, n.º2), esta correcção introduzida por via do cartão de cidadão não terá efeitos a este nível?
17.2.09
Bizarro world
O oposto da conhecida expressão da ciência política "when Nixon goes to China"* é o muito nosso "em casa de ferreiro espeto de pau".
* formulação que traduz a ideia de que, frequentemente, os actores políticos em melhores condições para prosseguir uma determinada reforma são, precisamente, aqueles que a ela se opunham.
* formulação que traduz a ideia de que, frequentemente, os actores políticos em melhores condições para prosseguir uma determinada reforma são, precisamente, aqueles que a ela se opunham.
Darwinismo para crianças
No outro dia, decidi explicar à minha filha de 3 anos e meio a teoria da evolução. A minha abordagem passava por tentar que compreendesse que nem sempre o homem tinha andado direito e que, há muito muito tempo, andava curvado e se assemelhava a um macaco. Ela perguntou-me se também eu tinha sido assim! Recorri então ao Youtube, à procura de auxílio. E ele surgiu nesta magnífica animação.
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