Tendo em conta o que aqui escrevi, não admira que Cavaco espere que, das próximas legislativas, saia um governo de maioria relativa do PS. Bom para Cavaco, mau para o país.
16.3.09
A estabilidade de Cavaco
Tendo em conta o que aqui escrevi, não admira que Cavaco espere que, das próximas legislativas, saia um governo de maioria relativa do PS. Bom para Cavaco, mau para o país.
15.3.09
Um post sobre a disciplina de voto
Mais uma crónica, desta vez na Visão, sobre Manuel Alegre. Enaltece-se o seu inconformismo, liberdade de espírito, o não deixar-se amordaçar pela força da maioria absoluta do seu partido. Compreendo que, sobretudo num tempo que cultiva uma certa menorização dos políticos, estas características sejam bastante sexy (como diria, com piada, um amigo). O que tenho mais dificuldade em compreender é que muito raramente se reflicta sobre o que está no outro prato da balança, nomeadamente a disciplina de voto. É que sem esta dificilmente um partido consegue pôr em prática o programa que submeteu ao escrutínio eleitoral. De igual modo, a sua ausência dificulta a responsabilização de um partido pelas políticas adoptadas, não lhe sendo reconhecida a capacidade para determinar o sentido de voto dos seus deputados. Qualquer reflexão sobre este assunto deverá, necessariamente, passar por uma ponderação destes (e de outros) aspectos, independemente da conclusão a que se chegue. Enfim, importa lembrar que se houve momentos na história parlamentar nacional em que a não submissão de um deputado à disciplina de voto poderá ter revelado coragem política e inspirado admiração, também é verdade que permitiu os queijos limiano. E talvez devêssemos pensar no seguinte: quereríamos mesmo um parlamento em que todos fossem indisciplinados partidários?
14.3.09
E o melhor do mundo são as crianças (e são mesmo)
13.3.09
Poderá isto acontecer a qualquer um?
Os poderes do Presidente
12.3.09
Formas de Portugal, regionalização e outras coisas que gostava de compreender
Portugal é um pequeno país comparado com os restantes países europeus? Não. E em termos de população? Também não. Esta é uma das conclusões a que chega Manuel Lima, num dos vários exercícios que se encontram disponíveis no muito interessante Formas de Portugal. Manuel Lima foi recentemente considerado por uma revista americana como uma das 50 mentes mais criativas e influentes de 2009, a par de personalidades como David Fincher, Jeff Bezos (fundador da Amazon) ou David Axelrod. O seu mais recente trabalho de investigação está disponível em VisualComplexity.com e consiste numa compilação de centenas de projectos de visualização de redes complexas, em áreas como a biologia, redes sociais, Internet, transportes, etc. Fui espreitar o site e do seu conteúdo apenas posso dizer que é fascinante, embora (ainda, ou assim espero) tenha percebido muito pouco do que lá está.Voltando ao Formas de Portugal, num outro exercício, este dedicado às divisões administrativas de Portugal, podemos ver que “a distribuição dos distritos portugueses é bastante homogénea, sendo que o maior distrito (Beja) é apenas 4.6 vezes superior ao menor distrito (Viana do Castelo), o que comprova em parte a desadequação à actual estrutura do país, que apresenta uma distribuição da população e do PIB em nada semelhantes”. Esta é, aliás, uma das razões para a necessidade de uma reorganização administrativa do país (e em nome da qual se têm feito alguns progressos, como a aprovação de uma nova lei do associativismo municipal) e, naturalmente, da regionalização.
11.3.09
Futebol de Causas
Este documentário, realizado por Ricardo Antunes Martins, é sobre a Académica e, a partir do caso da final da Taça de Portugal de 1969, no Jamor, reflecte sobre a forma como este clube esteve ligado às questões políticas e sociais que desembocaram na crise de 69 e, de certa forma, constituiram um prenúncio do 25 de Abril. Enfim, I looked at the trailer e fiquei com curiosidade de ver mais.
Chico Buarque (Trocando em miúdos)
Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim
Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim ?
Trocando em miúdos, pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós
10.3.09
Thank you speech

ps: um obrigado também ao link para este blog que foi feito aqui
Não sou eu que penso assim, é o povo
“Na hora do voto, o que os lisboetas vão pensar é simples: este [Santana Lopes] sempre fez o túnel do Marquês; aquele não fez nada, senão acrescentar o caos.”
Portanto, destes excertos da crónica de Sousa Tavares (Expresso de sábado passado) devemos retiramos o seguinte:
1) Um presidente de câmara devia ajustar o timing das intervenções necessárias à cidade em função das eleições;
2) De pouco serve, por exemplo, a um presidente da câmara sanear as finanças do município, saldar uma parte da monumental dívida (herdada) aos fornecedores, regularizar a situação laboral de centenas de trabalhadores em situação precária ou ilegal, se não tiver pelo menos uma obra de betão (quanto maior, melhor) que possa ser usada pelos comentadores da praça para sintetizar o mandato. Infelizmente, o critério do betão parece ser o que ainda prevalece na avaliação que estes fazem dos mandatos políticos autárquicos.
Aprender com as crianças
- A fazer a barba, não vês?
- Não, tu estás é a desfazer a barba. Percebes?
9.3.09
Uma vez mais, Obama (e o elogio da franqueza)
Questionado numa entrevista sobre se os EUA e os aliados estão a ganhar a guerra no Afeganistão, Obama responde com um inequívoco "não". Barack Obama continua - agora que é a valer e a posse foi tomada - a surpreender pela franqueza e clareza com que assume as sua posições. Dir-se-á - e com alguma razão, suponho - que não é assim tão difícil reconhecer os problemas herdados dos outros. Difícil é admitir os próprios erros e limitações e só daqui a 4 anos, quando fizer o balanço do seu primeiro (sim, antes do segundo) mandato, é que poderemos ver se Obama é assim tão diferente. Até lá, é justo reconhecer que a forma como Obama explicou e assumiu a responsabilidade pelas várias trapalhadas que marcaram a constituição do seu gabinete não é habitual em política e faz-me antecipar o melhor.
8.3.09
Obama dá luz verde à investigação com células estaminais embrionárias
7.3.09
Para quem tem mais olhos que barriga, hi hi hi hi...
* cartaz de 20086.3.09
Defesa da bipolarização
Em suma, e admitindo (sem conceder, como se costuma dizer) a leitura que esta esquerda faz da globalidade da governação socialista, seria, se bem percebo, ter aquilo que consideram negativo (e, provavelmente, numa versão ainda pior) sem as políticas com que se identificam. E é com isto que, goste-se ou não, uma parte do eleitorado de esquerda vai ter de se confrontar nas próximas eleições legislativas.
5.3.09
4.3.09
3.3.09
No they souldn't
Julgo que foi também na recusa desta forma de fazer política que Obama marcou a diferença.
1.3.09
PS e BE
27.2.09
26.2.09
Frost e Nixon

25.2.09
Aposto que dizes isso de todos
O quê? Tu não sabes quem foi o Courbet!?
Dito isto, este episódio chama a atenção para uma questão que não me parece nada pacífica. A imagem da controvérsia não é pornográfica porque é do Courbet, isto é, porque é arte? Se assim for, este domínio exclusivo da arte sobre a imagética da nudez e do sexo não constitui, em si mesmo, uma limitação da liberdade?
Dito isto – e também aquilo, claro –, não deixa de ser espantoso que neste, como em casos semelhantes, tantos venham prontamente indignar-se, ou contristar-se, com o iletrismo cultural dos portugueses – e em particular dos polícias! –, logo se demarcando os próprios como pessoas de muita, muita cultura. É que se a cultura dos cidadãos é algo que deve ser valorizado e incentivado por uma sociedade de homens livres, ela nunca deve servir para lançar o labéu sobre os que a não tenham, o que quer que isso possa significar.
Dito isto - e também aquilo e aqueloutro -, eu também não saberia identificar um Courbet.
20.2.09
18.2.09
Cartão de cidadão e o recenseamento eleitoral
Embora não seja o caso de Pacheco Pereira, presumo que a maioria daquelas situações ocorre no caso das pessoas que vão residir para os grandes centros urbanos (é, pelo menos, essa a realidade que intuo a partir de vários casos que conheço), permanecendo recenseados na morada afectiva. Sabendo-se que, no caso das eleições legislativas, o número de deputados eleitos por círculo varia em função do número de eleitores (Lei Eleitoral da AR, art. 13, n.º2), esta correcção introduzida por via do cartão de cidadão não terá efeitos a este nível?
17.2.09
Bizarro world
* formulação que traduz a ideia de que, frequentemente, os actores políticos em melhores condições para prosseguir uma determinada reforma são, precisamente, aqueles que a ela se opunham.
Darwinismo para crianças
9.10.08
Boston Legal
Tenho amigos que nutrem grande entusiasmo por Boston Legal. Rasgam elogios ao Shatner. E ao Spader. Também gosto deles, embora me irritem alguns tiques da série, como o overacting (eu sei que é intencional, mas ainda assim...) que marca alguns dos seus momentos-chave, como nas reacções faciais dos actores que denunciam o brilhantismo das alegações em julgamento). Mas o que Boston Legal tem de melhor é a absolutamente contagiante música com que abre cada epísódio: téu néu, téu téu téu téu téu (mais agudo) néu… Foi ela que me fez ultrapassar as resistências iniciais à série.
Que fique claro, no entanto, que não é comparável ao superlativo absoluto sintético do magnífico "frolic", de Luciano Michelini.
8.10.08
MONSIEUR JEAN
6.10.08
WHEN POLITICS IMITATES ART...
Luís Fernando Veríssimo conta numa crónica a deliciosa história de uma mulher que, movendo-se num círculo de pessoas de razoável cultura, tinha o inconveniente de, quando falava, revelar, aos olhos daqueles, e de forma pungente, a sua ignorância. Foi então que passou a ficar silente, dizendo o menos possível o que lhe ia na cabeça, limitando-se a acenar, de forma cortês, aos que com ela privavam. Rapidamente passou a adquirir, perante os mesmos que a consideraram ignara, a aura de “alguém interessante”, cujo silêncio indiciava a existência de pensamentos fascinantes.
Ia jurar que esta história vinha a propósito de algo mas não estou bem a ver...
3.6.08
"déficit d’avenir"
Frases que são todo um programa…
3.5.08
A FORMA JUSTA
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos - se ninguém atraiçoasse - proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
- Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo
Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo








