"José Sócrates utiliza o (caso) Freeport dia sim dia sim em seu favor".
Daniel Oliveira, há pouco, no Eixo do Mal.
12.4.09
10.4.09
It´s not a bird, nor a plane, it’s the ombudsman
A propósito da recente polémica da eleição do Provedor de Justiça muitos foram os que se dedicaram a dissertar sobre a quase irrelevância do seu papel. Gostaria de repetir algo evidente. Não me parece que exista outro órgão com uma natureza fiscalizadora que tenha a autoridade para interpelar a Administração, em termos tão amplos (são funções do Provedor de Justiça a garantia dos princípios da legalidade, da justiça, da constitucionalidade e do correcto funcionamento dos serviços públicos, isto no quadro de uma função principal que é a de defender e promover os direitos, liberdades, garantias e interesses dos cidadãos), sem estar minimamente condicionado ou comprometido por uma agenda de apoio ou oposição ao poder político. Assim como não existe outro órgão ao qual os cidadãos possam apelar, nomeadamente para pôr em causa a constitucionalidade de uma determinada norma, sem que o seu pedido passe por um qualquer crivo politico ou partidário. Este é o papel ímpar que o Provedor desempenha no quadro da organização do poder político em Portugal.
9.4.09
8.4.09
Confusão
Pedro Sales, neste texto, faz uma enorme confusão entre liberdade de voto (que deve ser excepcional, em benefício da disciplina partidária) e liberdade em se exprimir posições diferentes das do partido. São coisas distintas. Não há, por isso, qualquer contradição entre a defesa destes dois princípios, que podem coexistir pacificamente. E, a meu ver, é esta a forma mais democrática de se fazer política partidária.
Vergonhoso?
No debate quinzenal com o primeiro-ministro, Paulo Rangel acaba de defender a ideia peregrina de que, a poucos meses das eleições, um Governo deveria considerar diminuída a sua legitimidade para lançar grandes obras (mesmo que essas obras constem, como é o caso, no programa eleitoral do PS), numa espécie de passagem automática a um governo de gestão, pelo simples decurso do tempo, conceito não apenas estranho mas contrário à Constituição. Paulo Rangel considerou mais, que o lançamento dessas obras é um acto “vergonhoso”. Não direi vergonhoso mas lamentável o contorcionismo argumentativo a que o líder parlamentar do PSD se presta apenas para se fingir chocado com a actuação do Governo. Há no mercado das ideias políticas dissenso suficiente para o PSD se distinguir do PS, sem ter de procurar, em permanência, essa distinção no plano moral.
Calaceiro
calaceiro adj. s. m.
1ª pess. sing. pres. ind. de calaceirar
calaceiro
adj. s. m.
1. Mandrião; frascário.
2. Pessoa que corre à procura do que gosta.
calaceirar - Conjugar
v. intr.
O mesmo que calacear.
1ª pess. sing. pres. ind. de calaceirar
calaceiro
adj. s. m.
1. Mandrião; frascário.
2. Pessoa que corre à procura do que gosta.
calaceirar - Conjugar
v. intr.
O mesmo que calacear.
Antigamente é que era bom
O DN de hoje recorda-nos um momento de bom vernáculo parlamentar entre o então deputado Francisco Sousa Tavares e Jerónimo de Sousa, na altura em que este ainda era um “badameco” (DAR 1190, I SÉRIE – N.º 54, de 18-02-1982), decorria o ano de 1982. Disse Sousa Tavares, em reacção a expressões do deputado comunista que considerou ofensivas: “Olhe, vá à merda! Idiota! Mandrião! Vá trabalhar, que foi aquilo que nunca fez na vida! Calaceiro!". Uma pesquisa pelo termo “merda” no Diário da Assembleia da República permite-nos uma descoberta interessante: aparentemente, apenas na I e na II legislaturas (i.e, de 1976 a 1983) esse termo foi usado, ainda que com moderação (uma vez na I e três vezes na II Legislatura – duas por Sousa Tavares e uma por Mário Tomé). Face a isto, hesito entre duas conclusões: ou os nossos deputados ficaram, como alguns diriam, mais educados ou os diaristas do Parlamento ficaram mais puritanos.
adenda: palhaço, idiota e imbecil, adjectivos bastante populares nos anos 80, têm hoje bastante menos sáída.
adenda: palhaço, idiota e imbecil, adjectivos bastante populares nos anos 80, têm hoje bastante menos sáída.
7.4.09
Da inversão do ónus da prova e não só
Enquanto Vasco Pulido Valente se entretém com imaginárias ameaças à liberdade dos cidadãos, no Hoje há Conquilhas fala-se do que verdadeiramente nos deveria preocupar.
As minhas músicas (já que inventaram tudo estes romanos, não podiam ter também inventado o zero?)
A cumprir escrupulosamente a receita médica, entretenho-me a revisitar mentalmente as músicas que mais me marcaram e as diferentes fases por que passei. Noto que ter um gosto musical muito pouco heterogéneo tem pelo menos uma vantagem: é fácil de resumir sem ter de deixar nada de significativo de fora. As imagens e os sons surgem nitidamente mas por ordem não cronológica. E é por essa ordem aleatória (bonito e banal oxímoro) que tent(ar)ei traduzi-los em posts. No final, tratarei de recolher e ordenar os cacos.
Diplomacia de princípios
Era uma matéria mais discreta na agenda do Presidente norte-americano mas era também uma das mais espinhosas e delicadas. A forma como Obama lidou com a questão do genocídio arménio pelos turcos no início do século XX, no final do império otomano – genocídio que, em campanha, disse que iria reconhecer quando eleito –, revelou o melhor que a diplomacia pode oferecer: a conjugação de uma política de princípios com as necessidades a que os mais cínicos chamariam de realpolitik, mas que passa também por, neste caso, dar prioridade à efectiva reaproximação destas duas nações e não tanto a meras declarações proclamatórias, por mais justas que sejam. As declarações de Obama na Turquia parecem, assim, ter agradado a turcos e arménios, numa prova de grande habilidade diplomática, como se enaltece aqui. Bem diferente do pessimismo veiculado aqui.
6.4.09
Damn you ABBA
Quando já nada o fazia prever, dou por mim a ver o “Mamma Mia” na sexta-feira passada. Tremenda imprudência. Desde então, não paro de ouvir, neste infinito ipod que é o nosso cérebro, o “Dancing Queen”, num enlouquecedor modo repeat.
5.4.09
As minhas músicas I
Acho que tudo começou com o que se ouvia em casa, que era fundamentalmente Música Popular Brasileira, sobretudo - são os que me lembro melhor - Chico Buarque, Vinicius, Bethânia e a menos erudita e mais popular Alcione. Não gostava nem deixava de gostar. Estava lá. Como uma espécie de banda sonora da minha infância.
4.4.09
As minhas músicas XI
Poderia ter sido um daqueles momentos de viragem e ter começado aí a minha verdadeira educação da música jazz. Mas não foi. Havia gosto e entusiasmo. Mas também muita preguiça. E um certo conservadorismo, uma resistência natural por músicas e autores novos, que hoje se mantém. E assim fui-me mantendo, auto-suficiente com o Miles Davis e pouco mais, que ouvi quase até à exaustão. O “Giant Steps”, do John Coltrane. O “Money Jungle”, do Duke Ellington. Dois do Dizzy Guillespie (o outro era o “Diz and Stan”).E um duplo CD, organizado pelo José Duarte, que desgraçadamente perdi, que continha uma sinopse do melhor Jazz de sempre, entre os quais constava o magnífico “Night in Tunisia”, tema que conhecia apenas na excelente versão improvisada do Bobby Mc Ferryn.
As minhas músicas X
E depois, tinha eu uns 18 ou 19 anos, quando mão amiga me ofereceu o “Kind of Blue”, do Miles Davis. Sempre tinha gostado de Jazz mas era um gosto difuso. Entusiasmava-me quando ouvia mas não conhecia quase nada e o que conhecia era secundário. Como Joshua Redman. Por isso, quando o ouvi foi como uma espécie de revelação. Como se, pela primeira vez, me tivessem dado acesso à prateleira onde estavam os livros dos crescidos. Pa ran pa ran pa ran, pa ran pan, paan pan.
Pior mesmo do que ter insónias é tentar evitá-las

Oiço na rádio (TSF, creio) uma médica dar conselhos sobre como acabar com as insónias. Sugere que, sobretudo ao serão, se evite: ingerir cafeína, bebidas alcoólicas, fumar nas 6 horas anteriores a ir para a cama, ver TV, fazer exercício físico. E ainda: esforços intelectuais (como estudar) e ler.
No final do programa oiço-a dizer: “se estiver com insónias, levante-se e vá ver televisão, leia, até ficar ensonado e poder voltar para a cama”. Bastante divertido este programa.
No final do programa oiço-a dizer: “se estiver com insónias, levante-se e vá ver televisão, leia, até ficar ensonado e poder voltar para a cama”. Bastante divertido este programa.
Valeu a pena
a denúncia firme, por parte dos principais partidos políticos, de uma situação que, não sendo ilegal, ultrapassava todos os limites da ética política, sendo justo reconhecer que, se o ar nesta latrina (salvo seja) ficou, ainda que microscopicamente, um pouco mais respirável, isso se deve, em grande parte, a José Sá Fernandes.
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