30.4.09

Dicas para embalar bebés de 7 meses que insistem em achar que 06.00 é uma boa hora para acordar

Música para todas as idades

É comum dizer-se que não há boa nem má música específica para as crianças mas que há apenas boa e má música. Ponto. Nesta ideia parece subentender-se que é a boa (ou má) música para os adultos que é igualmente boa (ou má) para as crianças. Menos usual, porém, é entender-se o contrário, que existem músicas dirigidas para as crianças que são excelentes obras para um público qualquer idade. É o caso desta fantástica trilogia da bicharada: “Caracol”, “Borboleta” e “Galinha Pedrês”, que, por mais de uma vez, dei por mim a ouvir, sozinho, no carro. A edição é da criativa Companhia de Música Teatral e o seu autor Paulo Maria Rodrigues, o único doutorado em Bioquímica e Genética Aplicada pela Universidade de East Anglia que ouvimos lá por casa.





29.4.09

Perfect lines. So inspired. So well written, Yet so simple

JERRY: So as you can see, I've got a little problem here.
GEORGE: Well if I'm hearing you correctly. And I think that I do, my advice to you is finish your meal, pay your check, leave here, and never speak this to anyone again.
JERRY: Can't be done, huh?
GEORGE: "The Switch?"
JERRY: "The Switch."
GEORGE: (Shakes head) Can't be done.
JERRY: I wonder.
GEORGE:(Pounds table.) Do you realize in the entire history of western civilization no one has successfully accomplished the Roommate Switch? In the Middle Ages, you could get locked up for even suggesting it.
JERRY: They didn't have roommates in the Middle Ages.
GEORGE: How do you know?
JERRY: Well, for one thing, they didn't have apartments.
GEORGE: Well, I'm sure at some point between the years 800 and 1200, somewhere there were two women living together.
JERRY: The point is I intend to undertake this. And I'll do it with or without you. So if you're scared, if you haven't got the stomach for this, let's get it out right now! And I'll go on my own. If not, you can get on board and we can get to work! Now what's it going to be?
GEORGE: All right, dammit, I'm in.
JERRY: I couldn't do it without you.


JERRY: All right. So I tell Sandy that I want to have a ménage à trois with her and her roommate.

GEORGE: That's right.
JERRY: And you believe this course of action will have a two-pronged effect. Firstly, the very mention of the idea will cause Sandy to recoil in disgust, whereupon she will insist that I remove myself from the premises.
GEORGE: Keep going.
JERRY: At this point, it is inevitable that she will seek out the roommate to apprise her of this abhorrent turn of events.
GEORGE: Continue.
JERRY: The roommate will then offer her friend the requisite sympathy even as part of her cannot help but feel somewhat flattered by her inclusion in the unusual request.
{George takes over.}
GEORGE: A few days go by and a call is placed at a time when Sandy is known to be busy at work. Once the initial awkwardness is relieved with a little playful humor, which she (Laura) of course cannot resist, an invitation to a friendly dinner is proffered.
JERRY: Huh. Well, it all sounds pretty good. There's only one flaw in it: They're roommates. She'd have to go out with me behind Sandy's back. She's not gonna do that.
{Another pregnant pause. George?}
GEORGE: You disappoint me, my friend. Sandy wants nothing to do with you. She tells Laura, "If you want to waste your time with that pervert, that's your problem."
{Final pause. Jerry?}
JERRY: It's a perfect plan. So inspired. So devious. Yet so simple.
GEORGE: {George, finger in the peanut butter jar}: This is what I do.

Seinfeld, "The Switch", episódio 97.

28.4.09

Sabedoria Seinfeld

À espera de um sentimento de culpa


Vi recentemente “O Leitor”, de Stephen Daldry. Neste filme, Hanna Schmitz (Kate Winslet) é uma ex-guarda de um campo de concentração (Auschwitz), que se envolve, 13 anos depois do fim da guerra, com um rapaz de 15 anos. Aparentemente, Schmitz vive o seu dia-a-dia sem ponta de remorso pelo seu passado. Esta ideia parece confirmada pela atitude que revela durante o julgamento, onde a sua defesa se resume à invocação de que sacrificou dezenas, centenas de vidas humanas em nome de uma ideia para ela suprema, a da ordem, da ausência do caos. Mas depois há aqueles banhos, que alguns dizem ser uma mera manifestação de um forte sentido de higiene pequeno-burguês, recentemente adquirido pela classe baixa e média alemã. Não consigo, no entanto, de deixar de ver nesses banhos, com contornos obsessivos, uma manifestação do sentimento de culpa subconsciente de Schmitz. Como em "À espera dos Bárbaros”, de Coetzee, onde a figura de um juiz, que vive num lugar pacato na periferia de um império, é confrontada com a prática das maiores crueldades pelas mãos de um carrasco que age, precisamente, em nome do império que o juiz representou durante toda a sua vida. Neste despertar, o juiz questiona-se sobre o que faria aquele carrasco, que executa com aparente desprendimento as mais cruéis tarefas, no regresso a casa para junto da sua família: “lavaria cuidadosamente as mãos antes de lhes tocar”, perguntava-se? E depois há a forma como o juiz parece expiar a culpa pela sua cumplicidade com aquele regime, acolhendo sob a sua protecção uma das vítimas do carrasco, uma jovem bárbara (o inimigo), violentamente agredida e a quem lhe roubaram a visão e assassinaram o pai. Para além de a alimentar, durante meses (ou anos), o juiz passava as noites a lavar as feridas desta jovem. Demorada e minuciosamente. Com persistente obsessão. De alguma forma como Schmitz, pareceu-me. Será talvez uma espécie de recusa minha em aceitar a amoralidade com que Schmitz parece encarar o seu papel na máquina da Solução Final? Ou de um quadro de valores em que de um lado está a ordem (o bem) e do outro o caos (o mal), o que seria visível na reacção facial de asco com que Schmitz reagiu a um cenário em que a consequência do seu acto seria, precisamente, a desordem e o caos? Admito que sim. Mas no fundo, no fundo, no fundo, no fundo, ela tinha uma noção do mal em que estava a participar.

Autárquicas Lisboa, ainda a sondagem

O Pedro Adão e Silva diz que a sondagem para o município de Lisboa divulgada pelo Correio da Manhã no passado fim-de-semana permite-nos “de algum modo antecipar os efeitos de uma eventual candidatura de Alegre às legislativas, fora do PS”, verificando, com eventual surpresa, que o partido mais prejudicado pelo “efeito Alegre” é o BE e não o PS.

Olhando para trás, parece-me que esse efeito já era de alguma forma perceptível no resultado da eleição intercalar, na qual o BE obteve 6,82% dos votos, menos 2% dos votos obtidos em Lisboa nas eleições legislativas de 2005, num cenário em que tinha como cabeça de lista um independente e que, por isso, deveria, em tese, alargar a sua base eleitoral, e pelo facto de haver uma outra candidatura independente, a disputar o mesmo terreno ideológico (se assim se pode dizer).

A crer na sondagem do CM, dir-se-ia, por um lado, que se acentuou a competição entre estas duas candidaturas, com vantagem para a de Roseta (apesar de também registar uma queda da intenções de voto), o que poderá também acusar a ruptura entre o BE e o independente Sá Fernandes, que continuou a apoiar o executivo de António Costa. Por outro lado, dois anos após aquelas eleições, o PS parece recuperar uma parte do eleitorado que, em 2007, apoiou as listas encabeçadas por Sá Fernandes e Roseta, dado que é o único partido que regista um significativo aumento nas intenções de voto.

27.4.09

H1N1

É interessante notar que uma parte da blogosfera (pelo menos a que leio com regularidade e que está referida aí ao lado), tão lesta a comentar os mais ínfimos detalhes da actualidade, pareça tão desinteressada do que tem todos os sinais de ser uma preocupante ameaça à saúde dos habitantes do planeta, de consequências potencialmente devastadoras. Será por não se tratar de um assunto político, grande catalisador de textos por estas bandas? Mas não é política saber como deve ser feita a prevenção numa situação destas, como é que as autoridades públicas devem gerir a informação e que iniciativas devem ser adoptadas, em que cenário se justifica o fecho de fronteiras (gostava que me explicassem isto)? Acho um verdadeiro mistério o silêncio a que esta blogosfera votou esta matéria.

Ps: apenas ouvi falar disto no Banco Corrido.

26.4.09

Mudam-se os tempos mas não as vontades (musicalmente falando)

Finda a euforia musical-intervencionista de Abril, regresso aos clássicos.

Gould


E este fabuloso Waits, romântico e melancólico até à medula, hereticamente esquecido há meses, senão mesmo anos, na gaveta dos cd's, até que ontem alguém disse numa festa (sim, fui a uma festa, com filhos mas era uma festa, tenho a certeza) que era o disco da sua vida. Em boa hora.

Waits

E entretanto o solzinho baril a ir-se embora

O post anterior era para se resumir ao último parágrafo.

Autárquicas Lisboa: contagem decrescente


Sondagem da Aximage para o Correio da Manhã:
PS (António Costa) — 36,1%
PSD+CDS-PP+PPM+PMT (Pedro Santana Lopes) — 29,6%
CDU (Ruben de Carvalho)— 8,4%
Cidadãos por Lisboa (Helena Roseta )— 7,1%
BE (Luís Fazenda ) — 3,8%

Estes são os resultados da sondagem da Aximage para o Correio da Manhã, que primeiro vi aqui. De acordo com o jornal, o PS conseguiria 8 vereadores. A coligação PSD+CDS-PP+PPM+PMT obteria 7. Isto quer dizer que, se este cenário se confirmasse no dia das eleições, António Costa ficaria a apenas um vereador da maioria absoluta.

Comparando com o resultado das últimas eleições intercalares, importa assinalar o seguinte: crescimento considerável do PS (teve 29.9% em 2007) e ligeira diminuição da percentagem de votos à direita (em 2007, o PSD teve 15,85%, Carmona 16,65% e o CDS 3,72%, mais 0,3% e 0,8% do MPT e do PPM, respectiavamente). Ligeira queda de Helena Roseta (10,26% em 2007) mas o suficiente para lhe retirar um vereador (actualmente tem dois). Queda mais acentuada teria o BE, que perderia o único vereador eleito em 2007 (com 6,82% dos votos), o independente Sá Fernandes, a quem durante o actual mandato foi-lhe retirada a confiança política. Finalmente, a CDU manteria mais ou menos os mesmos valores (9,48% em 2007) mas neste cenário também perderia um vereador (ficaria com apenas um).

Valendo o que valem as sondagens e devendo ter-se sempre presente até ao dia das eleições o aviso que aqui é feito, não deixa de ser um sinal sobre a forma como os lisboetas estão a avaliar o mandato de António Costa, como se sabe, contextualizado por condições particularmente difíceis, quer pela catastrófica situação económica-financeira que encontrou, como pela necessidade de coexistir com uma Assembleia Municipal, controlada pela direita, que resulta ainda das eleições de 2005.

Também se poderá dizer que a manutenção ou ligeira queda da direita relativamente a 2007 (ano em que foi particularmente penalizada) poderá encontrar explicação no facto de ser encabeçada pelo principal rosto do despesismo que marcou o mandato da direita na CML entre os anos de 2001 e 2007 (para não mencionar da trágica experiência à frente do Governo português).

Quanto ao BE, é verdade que só apresentou o seu candidato há muito pouco tempo mas também poderá reflectir a ausência de Sá Fernandes da sua lista e a forma como se afastou deste durante o presente mandato.

Dito isto, achei divertida a forma como o Correio da Manhã apresenta esta notícia na sua edição electrónica: i) o título é que Costa ganha com dificuldades; ii) o lead é que António Costa obtém na sondagem "apenas uma diferença de 6,5 pontos percentuais face ao candidato social-democrata Pedro Santana Lopes".

23.4.09

Suponho que para as legislativas o PSD propõe uma "regressão geracional"

É uma “candidatura forte”, representa uma “renovação geracional” quanto ao perfil do provedor e uma personalidade que está “ligada aos novos temas do direito”, como o ambiente. Paulo Rangel, no anúncio da candidatura de Maria da Glória Garcia a provedor de Justiça.

Sinal dos tempos

Há bem poucos anos atrás, criticavam-se os Governos por priviligiarem os órgãos de comunicação social para o anúncio das suas políticas, relegando para segundo plano o Parlamento. Ontem, na RTPN, Zita Seabra criticava o primeiro-ministro precisamente pelo contrário, por aproveitar os debates na Assembleia da República para fazer o anúncio de medidas políticas. Inadvertidamente, a deputada do PSD deu conta do significativo reforço do Parlamento como primeiro palco do debate político nacional, mudança que ocorreu muito graças à recente reforma da Assembleia da República e do seu regimento, que, diga-se em abono da verdade, contou com os votos favoráveis de todos os partidos menos do PSD.

22.4.09

Posts que vão nascer na praia

Ir recolhendo as várias previsões políticas que se vão fazendo - na blogosfera e nos media - acerca do ciclo eleitoral que está a começar para depois confrontá-las com a realidade.

1 - Este conflito [entre PR e Governo] vai, infelizmente, ser o centro do debate político nos próximos tempos e mais que previsivelmente vai-se arrastar até depois das legislativas, Pedro Marques Lopes, DN e união-de-facto

Posts que morreram na praia

Sobre o (muito) que dizem as fotografias que as pessoas escolhem para se identificar no Twitter e nas redes sociais.

21.4.09

E ainda por cima não tenho de dividir com ninguém

Já só me faltam 99.980 e é desta que vou passar férias às Maldivas.

Discriminações

A propósito da conferência das Nações Unidas sobre o racismo dei por mim a pensar que, em termos de humor, sou um valente racista, pois discrimino todos os que não sejam judeus.







Inversão da prova do ónus

Conheço mais pessoas casadas do que unidas-de-facto (não confundir com unhas-de-gato, como faz o corrector ortográfico). Curiosamente, as relações mais duradouras que conheço acontecem, maioritariamente, entre este segundo grupo. Tendo em conta algumas preocupações do episcopado português, até seria lógico que fosse com as relações que se preocupassem mais e não tanto com a estabilidade de um contrato.

20.4.09

Esquizofrenia mediática

Todos os dias os media declaram que estamos a viver a pior crise económica desde, provavelmente, a Grande Depressão dos anos 30 do século passado. No entanto, todos os dias parecem estar à espera da notícia de que a retoma já começou.

A tensão democrática


As declarações de Cavaco foram críticas? Acho muito bem. Concordando ou não (e não concordo, genericamente) com o seu teor, a figura do Presidente também serve para fazer política. Aliás, é legítimo e positivo que o faça, atendendo à legitimidade que lhe advém da sua eleição por sufrágio directo e universal. O Governo reagiu, discordando, das críticas? É normal, sobretudo quando são diferentes as linhas político-ideológicas que professam. Isto é mau para a democracia? Não. Voltamos sempre a isto, parece que muito do nosso jornalismo e opinionismo não vê a crítica, a controvérsia, a polémica, o contraditório, como naturais em - e à - democracia. Como se fosse uma patologia desta e não fosse assim que ela se enriquece e se cumpre plenamente. A sua ausência é que nos remete para uma ideia de passado, em que a discórdia era anátema.

19.4.09

Corrupção, ai eu sou contra


Ou temos andado entretidos com questões acessórias ou distraídos com o que não importa. Jornalistas, colunistas, especialistas e políticos tornados especialistas vêm frequentemente a público avisar-nos que temos andado a trilhar o caminho errado no combate à corrupção. Subentendido está sempre que a corrupção está como está porque não se fez o que propunham ou, pior, que não se fez não se sabe o quê que insinuam que (eles e todos nós) sabem mas que nunca é dito. Por detrás disto está uma terrível demagogia, que consiste em fazer passar a ideia de que o fim da corrupção depende apenas da vontade de quem está no poder e do pretenso poder milagrento dos seus decretos.

18.4.09

A Igreja sempre teve uma certa queda para o humor


"Será verosímil que um nabo se esforçe por se tornar um homem?", indagava Samuel Wilberforce, bispo de Oxford, em 1860, pouco depois da publicação de "A Origem das Espécies", de Darwin

A franqueza é algo claramente sobrevalorizado

"O teu blog é um bocado seca", confidenciava-me, há momentos, um leitor.

Porque isto das indignações também tem dias



Menos dado a indignações, hoje seria menos tremendista (que exagero, aquele post) e diria, em tom nitidamente menos preocupado, que foi apenas néscia a actuação dos serviços jurídicos que fizeram aquela esdrúxula (por pouco não escrevia isto com um x) interpretação, que se auto-ridiculariza a si mesma.

Agência dos EUA considera que o CO2 é um poluente

Apesar das agruras da crise económica, esta notícia deve ser saudada e as preocupações que a motivam deveriam constituir uma prioridade de todos os governos. Que esta crise internacional não nos distraia a todos desta necessidade.

Modelo Nórdico

A sesta poderá vir a ser obrigatória na Dinamarca. A medida foi adoptada em 1800 empresas e, para já, será apenas aplicada a título experimental. A sesta será remunerada e não poderá ultrapassar os vinte minutos diários. Foi ainda consagrado o direito a um dia de baixa por morte de animais domésticos.

17.4.09

Ceci était une pipe





Depois de terem feito o mesmo com Sartre e Malraux, o fascismo higienista continua, como o bicho da madeira - lentamente mas com um sentido trágico de inexorabilidade -, a carcomer as nossas democracias.

Desta vez foram os serviços jurídicos do Ratp e Sncf (metro e comboios) que, peregrinamente, acharam que o cachimbo de Tati que ilustra a exposição sobre o cineasta na Cinemateca Francesa atentava contra a lei Evian, que proibe a publicidade, directa ou indirecta, ao tabaco. O resultado é o que se vê em cima, tendo ainda o responsável da exposição tentado argumentar que o cachimbo de Tati nunca tinha sido aceso (mas que importa isso!).

16.4.09

Back to the basics


O último inquérito Eurobarómetro diz-nos que apenas 34% dos eleitores da UE pretendem votar nas próximas eleições para o Parlamento Europeu. Quanto a Portugal, o desinteresse parece ser ainda maior. Apenas 24% se manifestam dispostos a ir votar. Uma maioria dos inquiridos portugueses (56%) diz “não ter interesse” por esta eleição. Uma esmagadora maioria (71%) confessa “não conhecer razoavelmente o papel do Parlamento Europeu”. E uma igualmente impressiva maioria (72%) considera “não estar suficientemente informado para ir votar”. Na mesma página do Diário de Notícias onde leio esta notícia consta a informação de que o Estado, através do Instituto da Juventude e do Ministério da Administração Interna, pretende, através de SMS, sensibilizar para o voto os 300 mil novos eleitores cujo recenseamento ocorreu automaticamente.

Os dados do Eurobarómetro permitem especular se o principal obstáculo ao exercício do direito de voto nestas eleições não consistirá, em primeira instância, na enorme ignorância sobre o fundamental do que está em causa nestas eleições, a começar pelo papel desempenhado por este órgão na política comunitária. E isto combate-se através de informação, destinada a eleitores que, assumidamente, conhecem muito pouco sobre aquilo que são chamados a votar. Esta componente não devia ser descurada pelas campanhas dos diversos partidos. A discussão em torno do Tratado de Lisboa e da forma como se deve organizar o poder no seio da UE poderia constituir uma boa oportunidade para esta pedagogia. Se esta não for feita, está-se apenas a tentar incentivar as pessoas a irem votar em algo que desconhecem, o que não augura grandes possibilidades de sucesso.

Claro que o melhor era que este trabalho fosse feito, com as devidas adaptações, a este nível (com a devida vénia pelo exemplar trabalho que a ex-juíza do Supremo Tribunal dos EUA tem feito nesta área).

14.4.09

Preocupações

Hoje foram conhecidos indicadores preocupantes. Mas não os que interessam a Sócrates este ano. Eram indicadores económicos, não era a última sondagem.

Outros parecem ver nas notícias da crise apenas mais uma oportunidade para atacar o primeiro-ministro. É apenas isto que parece, muitas vezes, preocupá-los.

Variações de Goldberg, BWV 988

Bach-Werke-Verzeichnis ("Catálogo de Obras de Bach" em alemão) é o sistema de numeração usado para identificar obras musicais de Johann Sebastian Bach, agrupadas tematicamente, não cronologicamente. Mas claro, BWV, Bach-Werke-Verzeichnis. Como pude não perceber!

Critérios

Acho curioso que, numa época em que existe tanto jornalismo opinativo ou interpretativo, alguma imprensa sinta necessidade de usar aspas (citando) para qualificar como obscena a campanha que colaboradores de Gordon Brown estavam a preparar para caluniar a liderança conservadora.

13.4.09

Histórias


Há tempos, contaram-me que os americanos tinham enviado para o espaço uma colecção com obras representativas do melhor que o ser humano foi capaz de fazer no século XX. Ícones da cultura terrestre do século passado para um eventual encontro imediato de terceiro grau. Ou então seria para salvar estes marcos culturais de uma possível catástrofe, nomeadamente nuclear. Já não me recordo mas esta última parece fazer, mesmo assim, mais sentido. Onde é que eu tinha a cabeça! Bem, disseram-me que um desses ícones era o sublime “Variações de Goldberg”, de Bach, interpretadas pelo excelso Glenn Gould. Tendo procurado saber um pouco mais sobre esta obra, assim como sobre o magnífico intérprete canadiano, não encontrei uma única referência a esta viagem espacial. Fui então ao grande oráculo do século XXI e o resultado foi o mesmo, o que, se não elimina, diminui drasticamente as possibilidades da história ter, efectivamente, ocorrido. Pior para os alienígenas. Melhor para mim, que ganhei uma bela história.

Sinal dos tempos II



Julgo que a forma de uma pessoa se vestir deve, tal como os bons dias quando chegamos de manhã ao trabalho, ficar na disponibilidade e ao livre arbítrio de cada um, que optará, ou não (e neste caso sujeitando-se à eventual censura social), por se acomodar a estas regras de convivência social. Apesar de tudo, nestas situações confio mais na sensatez destas regras e na margem que concedem para acomodar a diferença e a excepção do que na rigidez da norma administrativamente imposta.

12.4.09

Sinal dos tempos

Manuel Alegre reagiu, e bem, à imposição de regras de vestuário na Loja do Cidadão de Faro, dizendo que “é uma coisa de cariz fascizante, totalitário, contra a liberdade individual”. Mas acrescenta um alerta "para um clima cultural que está a tomar espaço no país". E frisa que “estas coisas são sinais” e “multiplicam-se estes sinais”. Isto é que tenho mais dificuldade em aceitar, pois episódios destes têm sido frequentes em democracia, como aconteceu há uns anos com as regras de vestuário que um banco (a CGD?) tentou, ou conseguiu mesmo, adoptar, e que ia ao ponto de definir a cor das meias que os homens deviam usar. E quem andou em faculdades públicas como, por exemplo, ali para os lados do Campo Grande, na área das ciências, digamos, jurídicas, sabe bem que estes são sinais, mas de tempos que vêm de longe.

Fim-de-semana nas cordas II

Fim-de-semana nas cordas (arigato)

Freeport, o sonho de qualquer político

"José Sócrates utiliza o (caso) Freeport dia sim dia sim em seu favor".

Daniel Oliveira, há pouco, no Eixo do Mal.

10.4.09

Autárquicas 2009

Almada, Sintra e Porto. Tenho pena de não poder votar também nestes concelhos.

Unwind

It´s not a bird, nor a plane, it’s the ombudsman

A propósito da recente polémica da eleição do Provedor de Justiça muitos foram os que se dedicaram a dissertar sobre a quase irrelevância do seu papel. Gostaria de repetir algo evidente. Não me parece que exista outro órgão com uma natureza fiscalizadora que tenha a autoridade para interpelar a Administração, em termos tão amplos (são funções do Provedor de Justiça a garantia dos princípios da legalidade, da justiça, da constitucionalidade e do correcto funcionamento dos serviços públicos, isto no quadro de uma função principal que é a de defender e promover os direitos, liberdades, garantias e interesses dos cidadãos), sem estar minimamente condicionado ou comprometido por uma agenda de apoio ou oposição ao poder político. Assim como não existe outro órgão ao qual os cidadãos possam apelar, nomeadamente para pôr em causa a constitucionalidade de uma determinada norma, sem que o seu pedido passe por um qualquer crivo politico ou partidário. Este é o papel ímpar que o Provedor desempenha no quadro da organização do poder político em Portugal.

8.4.09

Confusão

Pedro Sales, neste texto, faz uma enorme confusão entre liberdade de voto (que deve ser excepcional, em benefício da disciplina partidária) e liberdade em se exprimir posições diferentes das do partido. São coisas distintas. Não há, por isso, qualquer contradição entre a defesa destes dois princípios, que podem coexistir pacificamente. E, a meu ver, é esta a forma mais democrática de se fazer política partidária.

Vergonhoso?

No debate quinzenal com o primeiro-ministro, Paulo Rangel acaba de defender a ideia peregrina de que, a poucos meses das eleições, um Governo deveria considerar diminuída a sua legitimidade para lançar grandes obras (mesmo que essas obras constem, como é o caso, no programa eleitoral do PS), numa espécie de passagem automática a um governo de gestão, pelo simples decurso do tempo, conceito não apenas estranho mas contrário à Constituição. Paulo Rangel considerou mais, que o lançamento dessas obras é um acto “vergonhoso”. Não direi vergonhoso mas lamentável o contorcionismo argumentativo a que o líder parlamentar do PSD se presta apenas para se fingir chocado com a actuação do Governo. Há no mercado das ideias políticas dissenso suficiente para o PSD se distinguir do PS, sem ter de procurar, em permanência, essa distinção no plano moral.

Calaceiro

calaceiro adj. s. m.
1ª pess. sing. pres. ind. de calaceirar

calaceiro

adj. s. m.
1. Mandrião; frascário.
2. Pessoa que corre à procura do que gosta.

calaceirar - Conjugar

v. intr.
O mesmo que calacear.

Antigamente é que era bom

O DN de hoje recorda-nos um momento de bom vernáculo parlamentar entre o então deputado Francisco Sousa Tavares e Jerónimo de Sousa, na altura em que este ainda era um “badameco” (DAR 1190, I SÉRIE – N.º 54, de 18-02-1982), decorria o ano de 1982. Disse Sousa Tavares, em reacção a expressões do deputado comunista que considerou ofensivas: “Olhe, vá à merda! Idiota! Mandrião! Vá trabalhar, que foi aquilo que nunca fez na vida! Calaceiro!". Uma pesquisa pelo termo “merda” no Diário da Assembleia da República permite-nos uma descoberta interessante: aparentemente, apenas na I e na II legislaturas (i.e, de 1976 a 1983) esse termo foi usado, ainda que com moderação (uma vez na I e três vezes na II Legislatura – duas por Sousa Tavares e uma por Mário Tomé). Face a isto, hesito entre duas conclusões: ou os nossos deputados ficaram, como alguns diriam, mais educados ou os diaristas do Parlamento ficaram mais puritanos.

adenda: palhaço, idiota e imbecil, adjectivos bastante populares nos anos 80, têm hoje bastante menos sáída.

7.4.09

Da inversão do ónus da prova e não só

Enquanto Vasco Pulido Valente se entretém com imaginárias ameaças à liberdade dos cidadãos, no Hoje há Conquilhas fala-se do que verdadeiramente nos deveria preocupar.

Leis que fazem toda a diferença

Aborto: infecções e perfurações de órgãos deixaram de existir com nova lei.

As minhas músicas (já que inventaram tudo estes romanos, não podiam ter também inventado o zero?)

A cumprir escrupulosamente a receita médica, entretenho-me a revisitar mentalmente as músicas que mais me marcaram e as diferentes fases por que passei. Noto que ter um gosto musical muito pouco heterogéneo tem pelo menos uma vantagem: é fácil de resumir sem ter de deixar nada de significativo de fora. As imagens e os sons surgem nitidamente mas por ordem não cronológica. E é por essa ordem aleatória (bonito e banal oxímoro) que tent(ar)ei traduzi-los em posts. No final, tratarei de recolher e ordenar os cacos.

Diplomacia de princípios

Era uma matéria mais discreta na agenda do Presidente norte-americano mas era também uma das mais espinhosas e delicadas. A forma como Obama lidou com a questão do genocídio arménio pelos turcos no início do século XX, no final do império otomano – genocídio que, em campanha, disse que iria reconhecer quando eleito –, revelou o melhor que a diplomacia pode oferecer: a conjugação de uma política de princípios com as necessidades a que os mais cínicos chamariam de realpolitik, mas que passa também por, neste caso, dar prioridade à efectiva reaproximação destas duas nações e não tanto a meras declarações proclamatórias, por mais justas que sejam. As declarações de Obama na Turquia parecem, assim, ter agradado a turcos e arménios, numa prova de grande habilidade diplomática, como se enaltece aqui. Bem diferente do pessimismo veiculado aqui.

6.4.09

Damn you ABBA

Quando já nada o fazia prever, dou por mim a ver o “Mamma Mia” na sexta-feira passada. Tremenda imprudência. Desde então, não paro de ouvir, neste infinito ipod que é o nosso cérebro, o “Dancing Queen”, num enlouquecedor modo repeat.

5.4.09

As minhas músicas I

Acho que tudo começou com o que se ouvia em casa, que era fundamentalmente Música Popular Brasileira, sobretudo - são os que me lembro melhor - Chico Buarque, Vinicius, Bethânia e a menos erudita e mais popular Alcione. Não gostava nem deixava de gostar. Estava lá. Como uma espécie de banda sonora da minha infância.

4.4.09

As minhas músicas XI

Poderia ter sido um daqueles momentos de viragem e ter começado aí a minha verdadeira educação da música jazz. Mas não foi. Havia gosto e entusiasmo. Mas também muita preguiça. E um certo conservadorismo, uma resistência natural por músicas e autores novos, que hoje se mantém. E assim fui-me mantendo, auto-suficiente com o Miles Davis e pouco mais, que ouvi quase até à exaustão. O “Giant Steps”, do John Coltrane. O “Money Jungle”, do Duke Ellington. Dois do Dizzy Guillespie (o outro era o “Diz and Stan”).E um duplo CD, organizado pelo José Duarte, que desgraçadamente perdi, que continha uma sinopse do melhor Jazz de sempre, entre os quais constava o magnífico “Night in Tunisia”, tema que conhecia apenas na excelente versão improvisada do Bobby Mc Ferryn.

As minhas músicas X

E depois, tinha eu uns 18 ou 19 anos, quando mão amiga me ofereceu o “Kind of Blue”, do Miles Davis. Sempre tinha gostado de Jazz mas era um gosto difuso. Entusiasmava-me quando ouvia mas não conhecia quase nada e o que conhecia era secundário. Como Joshua Redman. Por isso, quando o ouvi foi como uma espécie de revelação. Como se, pela primeira vez, me tivessem dado acesso à prateleira onde estavam os livros dos crescidos. Pa ran pa ran pa ran, pa ran pan, paan pan.

Mais um momento Homer Simpson

Pior mesmo do que ter insónias é tentar evitá-las


Oiço na rádio (TSF, creio) uma médica dar conselhos sobre como acabar com as insónias. Sugere que, sobretudo ao serão, se evite: ingerir cafeína, bebidas alcoólicas, fumar nas 6 horas anteriores a ir para a cama, ver TV, fazer exercício físico. E ainda: esforços intelectuais (como estudar) e ler.
No final do programa oiço-a dizer: “se estiver com insónias, levante-se e vá ver televisão, leia, até ficar ensonado e poder voltar para a cama”. Bastante divertido este programa.

Valeu a pena

a denúncia firme, por parte dos principais partidos políticos, de uma situação que, não sendo ilegal, ultrapassava todos os limites da ética política, sendo justo reconhecer que, se o ar nesta latrina (salvo seja) ficou, ainda que microscopicamente, um pouco mais respirável, isso se deve, em grande parte, a José Sá Fernandes.

3.4.09

Trocando por míudos

Relativamente aos pequenos partidos, foi isto que eu tentei dizer aqui. Só que usei mais caracteres. É assim, sou um pródigo.

"Se o eurocepticismo hoje está desactualizado perante os desenvolvimentos económicos internacionais é importante compreender porque é que o PCP e o BE se assumem enquanto tal. Este eurocepticismo é em certa medida ideológico, mas também é estratégico. (…) Mas nem todo o eurocepticismo é assumido por princípio. Ele também é usado estrategicamente: (…) para congregar apoios de todos aqueles que se sentem insatisfeitos com o governo nacional."

Marina Costa Lobo, O eurocepticismo do PCP e do BE (via Câmara Corporativa)

1.4.09

A minha pescadinha de rabo na boca ou uma evidente lapalissada


Se bem compreendi o que aqui se diz (Margens de Erro), recorrendo a um excerto do artigo "Punishment or Protest? Understanding European Parliament Elections", de Simon Hix e Michael Marsh, nas eleições para o Parlamento Europeu os eleitores optam quase sempre por utilizar o voto como forma de punir o Governo em exercício no seu país. Isto traduz-se numa distorção do que deveriam ser estas eleições: uma forma de adesão ou não às posições dos partidos sobre as principais matérias europeias, assim como uma avaliação do desempenho dos deputados europeus cessantes e da confiança que merecem os novos candidatos. Como aquele estudo refere, esta ligação entre os eleitores e os deputados europeus é muito fraca. Este artigo também diz que os pequenos partidos são os mais beneficiados neste processo. E que, ainda que tenuemente, as posições antieuropeias tenderão a ser premiadas.

Ou seja, admitindo que os partidos podem fazer alguma coisa no sentido de contrariar a correlação descrita e considerando a responsabilidade dos partidos na condução da campanha e na definição da sua agenda, interessaria ao Partido Socialista, enquanto partido de governo, centrar o debate político nas questões europeias e não nas questões domésticas. Esta situação seria também a que deveria interessar mais na perspectiva do desejável reforço daquela ligação entre o mandato democrático europeu e o voto dos cidadãos. No entanto, do lado dos outros partidos, sobretudo dos mais pequenos, é-lhes favorável precisamente o contrário: centramento (esta palavra não surge no dicionário da Texto Editora, não sei porquê) da discussão nas questões internas e, referindo-se às matérias europeias, utilização de um discurso mais anti-europeu (ainda que muitas vezes o possam fazer de forma ambígua).

Fiquei com uma dúvida: aos grandes partidos mas que não estão no Governo, como o PSD, o que lhes interessa?

Dias Loureiro, num conto absurdo tipicamente gogoliano

Comemoram-se hoje os 200 anos do nascimento de Nicolai Gogol (ano de luxo, este). Numa das suas principais obras, o “Nariz”, essa hilariante sátira, o major Kovaliov acorda um dia, perplexo, ao perceber que o seu nariz tinha fugido. Mais tarde, foi encontrá-lo disfarçado na pessoa de um Conselheiro de Estado. Para grande consternação do major, o dito Conselheiro de Estado acabou, uma vez mais, por se esquivar depois de este o ter abordado. De facto, é só mesmo procurar nos russos: está lá tudo.

31.3.09

As capas da imprensa de hoje

Frederico Gil é o mais bem sucedido perdedor de Portugal.

A difícil aprendizagem da democracia (ou lei penal ≠ lei fiscal)

"O inimitável Augusto Santos Silva explicou este fim-de-semana que isso seria intolerável, porque representaria a "inversão do ónus da prova", um pormenor que não preocupa os serviços fiscais mas incomoda todos os políticos que, na Assembleia, votaram contra a proposta do socialista João Cravinho que introduzia na lei portuguesa essa figura jurídica". José Manuel Fernandes, em editorial do Público de ontem.

ps: creio que a questão da inversão do ónus da prova também incomodou os autores daquele inimitável texto da Declaração Universal dos Direitos do Homem, nomeadamente quando escreveram o seu inimitável artigo 11.º.

Momento auto-crítico

Este blog não está nada mal servido de títulos pomposos (e pressinto que vem aí outro já a seguir).

A difícil aprendizagem da democracia

"Não posso ter a certeza absoluta que Sócrates não é culpado".

Luís Osório, hoje de manhã, no RCP.

Flying Circus

“Santana Lopes está prestes a fechar o acordo com Paulo Portas para irem juntos em Lisboa, mas a sua grande prioridade é, a partir de agora, jogar à esquerda”. Expresso, de 28 de Março de 2009.

Sem vir isto a propósito de algo em concreto mas

não gosto de editoriais não assinados.

Regresso aos clássicos, numa das mais belas criações sobre a paternidade

Chico Buarque - O Filho que eu quero ter


Letra de Vinicius e música de Toquinho

30.3.09

Perfil do Provedor de Justiça


Sintonizado no Rádio Clube Português, oiço a agora deputada não inscrita Luísa Mesquita dizer que ainda não foi contactada por qualquer partido para discutir o perfil do futuro Provedor de Justiça. Ora, há aqui um equívoco que importa esclarecer (ou sobrepujar, como queiram): o perfil do Provedor de Justiça está definido no seu estatuto: “A designação recai em cidadão que preencha os requisitos de elegibilidade para a Assembleia da República e goze de comprovada reputação de integridade e independência.” (n.º 2 do artigo 5.º). E estes deveriam ser os únicos critérios a orientar a escolha do provedor. O que sobra para discutir são mesmo os nomes.

Diálogos imaginários

No pediatra, um pai com o filho bebé com uma valente bronquiolite:

- Então, vou receitar-lhe Ventilan, Atrovent, Celestone (em caso de emergência) e, para o nariz, muito soro e Biopenthal.
- É tudo, Dr.?
- Já tem um blog?
- Uh!? Não.
- Então vou receitar-lhe um. Para ter com que entreter o espírito nas longas horas em que estiver com o bebé ao colo de madrugada. Pode ser Blogger, Sapo ou Tubarão Esquilo (lamento, mas não há genérico). Tem preferência?

Política Justa

Respeito pelo adversário político
“A experiência da sua adversária política, Maria Emília, a actual presidente [da Câmara Municipal de Almada], que se recandidata e a quem o candidato socialista reconhece a empatia que cultivou com os munícipes”

"(…) e até deixa o elogio à sua principal adversária: ‘quem geriu Almada nos últimos anos deu o melhor de si’. Porém, considera que ‘o filão está esgotado’".

Críticas
“A presidente da autarquia comporta-se como uma governadora da cidade que mantém uma relação desconfiada com o dinamismo económico e avessa à economia do investimento”

“A cidade não potenciou a circunstância de beneficiar, relativamente a Lisboa, ‘de um diferencial de preços’ que deveriam servir como factor catalisador”

“Pedroso critica o planeamento urbanístico de ‘uma cidade partida’ e ‘com um centro moribundo’, onde a população vive de ‘costas voltadas’ e ‘temerosa do seu vizinho’

Quatro prioridades
- Animação do centro urbano e compatibilização da rede de transporte;
- Reforço das condições de segurança e prolongamento da cidade a todo o concelho;
- Reconquista do rio e do mar;
- Maior atenção à política social local.

As citações são de Paulo Pedroso, candidato do PS à Câmara Municipal de Almada (Expresso, 28 de Março de 2009)

Tão diferente disto.

29.3.09

Era uma vez

Era uma vez
um conde e um bispo
passaram p'la ponte
não sei mais que isto.

Rita Andrade / texto tradicional, in Sementes de Música para bebés e crianças, 2008 (Caminho)

É urgentemente urgente fazer qualquer coisa


Este pequeno vídeo recorda-nos uma conclusão dramática: o planeta só tem sobrevivido graças à pobreza da maioria da sua população. Como ali se diz , se todos os habitantes do planeta vivessem como um europeu médio, precisaríamos de três planetas; se vivessem como um norte-americano médio, precisaríamos de cinco. Quer isto dizer que a ajuda, cada vez mais urgente, das economias mais ricas aos países menos desenvolvidos se deve fazer a par de um investimento sem precedentes em políticas de protecção do ambiente. Como o exemplo da China e da Índia no-lo (uau!) mostra.

28.3.09

Porque é que ter este blog é importante?

"Porque é que escrever é importante? Suponho que é sobretudo uma manifestação de egotismo. Porque quero ser essa 'persona', uma escritora, e não porque exista qualquer coisa que eu tenha de dizer" (Reborn: early diaries 1947-1964, de Susan Sontag, citado na Ípsilon, de 27-03).

Hora do Planeta

Hoje janta-se à luz das velas.

Mais uma inquietação democrática para a mesa 5, s.f.f


Tenho algumas dúvidas se é líquido dizer, como aqui, que, verdadeiro ou falso, isto seria investigado em qualquer país do mundo. Pelo menos em qualquer estado de direito do mundo. Também admito que o contrário não seja verdade. A única certeza que tenho é que nenhuma posição que se adopte sobre o assunto “é clara”, como parece pensar o Daniel Oliveira. Dos dois lados da balança (olha, outra vez a balança) desta questão existem princípios e direitos que devem ser assegurados. De um lado, a preservação do bom nome de José Sócrates, como qualquer cidadão, bem como a salvaguarda da idoneidade de qualquer investigação e da presunção de inocência; ainda deste lado da balança, a garantia que o chefe de Governo não é atingido por meios facilmente manipuláveis (duvido muito que um qualquer dvd ou cd onde se ouve uma voz a dizer que este ou aquele é corrupto ofereça garantias mínimas de veracidade). Do outro deste prato, um dos princípios estruturantes de uma sociedade livre, o da liberdade de informação. Algum destes princípios é mais importante? Não sei responder. O que temos assistido nestes últimos anos é que a tentativa de compatibilização destes princípios em conflito não se parece fazer sem que um – ou alguns - deles seja esmagado, o que é inaceitável. Como sobrepujar (a ah, Vital Moreira) este dilema, desconheço, mas como diria uma professora que tive em tempos, isto da democracia é algo que requer uma permanente aprendizagem.

27.3.09

When you dream, when you dream...

Desde que postei isto e isto que ando a precisar de pastilhas para a garganta.

Se não querem a coligação bastava dizê-lo

Ontem, no evento destinado a anunciar as listas da CDU às próximas eleições autárquicas, Ruben de Carvalho, actual vereador municipal e António Modesto Navarro, deputado na Assembleia Municipal de Lisboa, comentaram assim a actual gestão de António Costa à frente da Câmara Municipal de Lisboa:

"Vem aí um inimigo do poder local"
“Uma nulidade clamorosa no essencial”
Perigo diário para a cidade”
"Não sabem [António Costa e Sá Fernandes], nem sonham, nem querem saber do que deve ser o poder local democrático em Lisboa"

Estou cansado. Talvez por isso estas palavras que Ruben de Carvalho dirigiu ao responsável socialista à frente da Câmara de Lisboa me tenham incomodado tanto. Porque o exercício do jogo democrático deveria ser feito de outra forma. Com mais respeito. Sobretudo pelas ideias de quem pensa politicamente de forma diferente. Este respeito, que nada tem a ver com o respeitinho, é inerente ao exercício do jogo democrático, que tem necessariamente diferentes actores com perspectivas diferentes de como gerir a coisa pública. Respeito pelas leis mas também por todos os eleitores que optaram por confiar o seu voto nas forças políticas visadas pelas suas críticas. Esta forma de tentar vingar no debate político por via da desconsideração e do achincalhamento dos adversários políticos só prejudica, a breve e a longo prazo, a democracia.

Curioso é que, no final da notícia que deveria ser dedicada à apresentação das listas da CDU às próximas eleições autárquicas, fiquei sem saber quais as medidas em concreto que Ruben de Carvalho critica na gestão camarária, nem quais as suas propostas para a cidade.

25.3.09

Dramas da crise


O crescimento de 10% dos pedidos de asilo no mundo industrializado, não por causa da crise mas devido ao agravamento dos conflitos, que, em 2008, aumentaram cerca de 30% em todo o mundo. Este cenário é particularmente preocupante se, em época de crise económica profunda, os países industrializados se tornarem menos receptivos a estes pedidos, tentação que deve ser activamente combatida. Vale, pois, a pena recordar os fundamentos para a concessão do direito de asilo (em Portugal, neste caso):

1 - É garantido o direito de asilo aos estrangeiros e aos
apátridas perseguidos ou gravemente ameaçados de perseguição,
em consequência de actividade exercida no Estado
da sua nacionalidade ou da sua residência habitual em favor
da democracia, da libertação social e nacional, da paz entre
os povos, da liberdade e dos direitos da pessoa humana.

2 - Têm ainda direito à concessão de asilo os estrangeiros
e os apátridas que, receando com fundamento ser
perseguidos em virtude da sua raça, religião, nacionalidade, opiniões políticas ou integração em certo grupo social, não possam ou, por esse receio, não queiram voltar ao Estado da sua nacionalidade ou da sua residência habitual.

Para desfazer equívocos que, inadvertidamente, possa estar a alimentar

Este blog não é da Sophia de Mello Breyner Andersen.

Mau sinal

Quando, ao telefone, a assistente da pediatra precisa apenas de uma fracção de segundo para nos identificar pela voz.

E por falar em grandes finais... (II)

Dos primeiros anos da minha adolescência, recordo este como um dos preferidos (e não posso jurar que não tenha havido uma lágrima ou outra):

24.3.09

E por falar em grandes finais...

Californication

"At the end of the day, it's all about her".
Começou assim-assim; acabou em grande a segunda época.

Provedor de Justiça


Quem quiser saber para que serve o Provedor de Justiça, como é que os portugueses têm usado este direito ou qual a eficácia da sua intervenção deveria ler o estudo “O exercício do direito de queixa como forma de participação política”, da autoria de Meirinho Martins e Jorge de Sá, disponível aqui. Estas e outras vertentes deste direito são detalhadamente analisadas nesta obra, cujas conclusões contrariam em muito a leitura precipitada que aqui se fez, a partir do relatório da provedoria relativo a 2007. A isto espero voltar.

Adenda: vale, no entanto, muito a pena seguir a interessante discussão na caixa de comentários deste post do Blasfémias, entre o seu autor (PMF) e o Pedro Delgado Alves

23.3.09

E não sou eu dado a música nem a outras pops

Se soubesse, gostaria de colocar neste blog este excelente "recado", d'«os quais», a banda de Jacinto Lucas Pires. Não sendo o caso, posso apenas lincar para aqui. É a segunda faixa.

Política mundana

Medina Carreira e António Barreto contam-se entre as vozes mais pessimistas sobre a forma como se faz política hoje em Portugal. Um dos pontos vista que partilham é o do mau funcionamento do sistema parlamentar, nomeadamente por responsabilidade dos partidos políticos (ver artigo de Barreto no Publico de domingo passado). Advogam por isso uma visão mirífica do papel do Presidente da República, que deveria, assim, ver os seus poderes reforçados. Na base deste entendimento está uma desconfiança sobre o funcionamento da democracia dos partidos, dominada pela política comezinha do dia-a-dia. Curiosamente – ou talvez não – o Presidente surge, aos seus olhos, como imune a esta tentação da política mundana. Como figura que actua acima – e não ao lado – dos partidos e dos seus interesses. Se alguma coisa a história nos mostra, é que a Presidência serve igualmente para fazer política e que o mito do presidente asceta é isso mesmo, um mito. Foi o que aconteceu por cá e também no berço do semi-presidencialismo, a V República francesa. Também De Gaulle via no reforço dos poderes presidenciais a forma de superar as pechas do parlamentarismo; o Presidente, idealizado como figura tutelar do regime; De Gaulle e Michel Debré chegaram a ponderar que o mandato presidencial fosse único, de dez anos, de forma a prevenir quaisquer tentações mundanas para se fazer reeleger. Ora, o mínimo que se pode dizer é que a experiência da V República – de De Gaulle a Mitterrand, de D’Estaing a Chirac – nos mostra que os presidentes são políticos iguais aos outros, para o bem e para o mal. Eu diria é que a mundanidade da sua política foi mais bem mascarada.

22.3.09

Política justa

Ministro da Cultura vai analisar críticas de Carrilho

Voto de congratulação

Pela abolição da pena de morte em mais um estado norte-americano (já "só" restam 35), conforme se assinala aqui. A razão para a decisão do governador do Novo México deveu-se não a uma oposição de princípio (Bill Richardson admite ser em teoria favorável à pena de morte) mas ao facto de não confiar no funcionamento da justiça criminal estadual quando se trata de decidir quem deve morrer pelos crimes que cometeu. Ainda que considere que o argumento decisivo contra a pena de morte assenta numa base filosófica, este é uma entre as várias razões invocáveis contra a injustiça desta pena.

18.3.09

Trapalhices

Escreve Francisco José Viegas, na crónica de ontem do Correio da Manhã, reproduzida aqui:

O ministro da Cultura, Pinto Ribeiro, anunciou em Cabo Verde que o Acordo Ortográfico entraria em vigor, em Portugal, no segundo semestre de 2009. No Brasil já está na rua: os jornais já se publicam com a «nova ortografia» e começam a ser distribuídos os primeiros manuais escolares especificamente dedicados à ortografia. Acontece que, em Portugal, há um abaixo-assinado para reenviar a lei ao Parlamento. Ao ultrapassar as cem mil assinaturas, esta petição pública obriga os deputados a reapreciar toda a lei. De modo que o anúncio da entrada em vigor do Acordo pode ser uma má decisão política (...)

Muito sinceramente, gostaria de saber onde é que Francisco José Viegas, autor que respeito e admiro – foi buscar a ideia que o Parlamento vai ter de reapreciar a resolução (não a lei) que aprova o Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa? E de onde é que vem o número das cem mil assinaturas? A Lei do Exercício do Direito de Petição apenas confere aos peticionários um direito a um procedimento, que se traduz na exigência de que a petição seja apreciada, ponderada, e o resultado desta vertido num relatório final. Nunca dá lugar a qualquer deliberação ou votação. Aliás, a lei proíbe-o expressamente. Ou seja, uma petição nunca dá origem a qualquer processo legislativo, nem pode obrigar os deputados a reapreciar qualquer acto que seja. Quando muito, pode sugerir ou propor a adopção de determinadas medidas (sendo esta a sua principal função enquanto direito de participação política) mas não há qualquer direito a uma deliberação, em sentido favorável ou desfavorável.

Quanto às assinaturas, para além da audição dos peticionários, a lei apenas prevê que, acima das quatro mil assinaturas, as petições devem ser obrigatoriamente discutidas em plenário. Isto é, o objecto da petição é sujeito ao contraditório político mas, volto a insistir, sem que haja lugar a qualquer tomada de posição formal.

Reparo, entretanto, que Vasco Graça Moura, em crónica do passado dia 4, repete, como ele diria, as mesmas trapalhices.

17.3.09

Joga bosta na Geni

Correndo o risco de cometer uma daquelas heresias - a da comparação abusiva -, ver, por esse mundo fora, tantas e tão importantes empresas, antes tão prontas a denunciar o Estado almofada/prestador/garantístico, agora de mão estendida a pedir ajuda a este mesmo Estado, faz-me lembrar a forma como o povo tratava a Geni, naquela música de Chico Buarque. Numa outra versão, para certas pessoas o Estado passou de besta a bestial, até ao dia em que voltará a ser a besta.

Realidade virtual

Perguntam-me se já pus o sitemeter. Acabei, ainda que com algumas reservas – será que queria mesmo saber que quase ninguém me lê? -, por registar-me no tal medidor de sites. Estava, por isso, à espera do pior. Mas não estava preparado para isto:

Será que sonhei que fiz um blog?