30.4.09

Dicas para embalar bebés de 7 meses que insistem em achar que 06.00 é uma boa hora para acordar

Música para todas as idades

É comum dizer-se que não há boa nem má música específica para as crianças mas que há apenas boa e má música. Ponto. Nesta ideia parece subentender-se que é a boa (ou má) música para os adultos que é igualmente boa (ou má) para as crianças. Menos usual, porém, é entender-se o contrário, que existem músicas dirigidas para as crianças que são excelentes obras para um público qualquer idade. É o caso desta fantástica trilogia da bicharada: “Caracol”, “Borboleta” e “Galinha Pedrês”, que, por mais de uma vez, dei por mim a ouvir, sozinho, no carro. A edição é da criativa Companhia de Música Teatral e o seu autor Paulo Maria Rodrigues, o único doutorado em Bioquímica e Genética Aplicada pela Universidade de East Anglia que ouvimos lá por casa.





29.4.09

Perfect lines. So inspired. So well written, Yet so simple

JERRY: So as you can see, I've got a little problem here.
GEORGE: Well if I'm hearing you correctly. And I think that I do, my advice to you is finish your meal, pay your check, leave here, and never speak this to anyone again.
JERRY: Can't be done, huh?
GEORGE: "The Switch?"
JERRY: "The Switch."
GEORGE: (Shakes head) Can't be done.
JERRY: I wonder.
GEORGE:(Pounds table.) Do you realize in the entire history of western civilization no one has successfully accomplished the Roommate Switch? In the Middle Ages, you could get locked up for even suggesting it.
JERRY: They didn't have roommates in the Middle Ages.
GEORGE: How do you know?
JERRY: Well, for one thing, they didn't have apartments.
GEORGE: Well, I'm sure at some point between the years 800 and 1200, somewhere there were two women living together.
JERRY: The point is I intend to undertake this. And I'll do it with or without you. So if you're scared, if you haven't got the stomach for this, let's get it out right now! And I'll go on my own. If not, you can get on board and we can get to work! Now what's it going to be?
GEORGE: All right, dammit, I'm in.
JERRY: I couldn't do it without you.


JERRY: All right. So I tell Sandy that I want to have a ménage à trois with her and her roommate.

GEORGE: That's right.
JERRY: And you believe this course of action will have a two-pronged effect. Firstly, the very mention of the idea will cause Sandy to recoil in disgust, whereupon she will insist that I remove myself from the premises.
GEORGE: Keep going.
JERRY: At this point, it is inevitable that she will seek out the roommate to apprise her of this abhorrent turn of events.
GEORGE: Continue.
JERRY: The roommate will then offer her friend the requisite sympathy even as part of her cannot help but feel somewhat flattered by her inclusion in the unusual request.
{George takes over.}
GEORGE: A few days go by and a call is placed at a time when Sandy is known to be busy at work. Once the initial awkwardness is relieved with a little playful humor, which she (Laura) of course cannot resist, an invitation to a friendly dinner is proffered.
JERRY: Huh. Well, it all sounds pretty good. There's only one flaw in it: They're roommates. She'd have to go out with me behind Sandy's back. She's not gonna do that.
{Another pregnant pause. George?}
GEORGE: You disappoint me, my friend. Sandy wants nothing to do with you. She tells Laura, "If you want to waste your time with that pervert, that's your problem."
{Final pause. Jerry?}
JERRY: It's a perfect plan. So inspired. So devious. Yet so simple.
GEORGE: {George, finger in the peanut butter jar}: This is what I do.

Seinfeld, "The Switch", episódio 97.

28.4.09

Sabedoria Seinfeld

À espera de um sentimento de culpa


Vi recentemente “O Leitor”, de Stephen Daldry. Neste filme, Hanna Schmitz (Kate Winslet) é uma ex-guarda de um campo de concentração (Auschwitz), que se envolve, 13 anos depois do fim da guerra, com um rapaz de 15 anos. Aparentemente, Schmitz vive o seu dia-a-dia sem ponta de remorso pelo seu passado. Esta ideia parece confirmada pela atitude que revela durante o julgamento, onde a sua defesa se resume à invocação de que sacrificou dezenas, centenas de vidas humanas em nome de uma ideia para ela suprema, a da ordem, da ausência do caos. Mas depois há aqueles banhos, que alguns dizem ser uma mera manifestação de um forte sentido de higiene pequeno-burguês, recentemente adquirido pela classe baixa e média alemã. Não consigo, no entanto, de deixar de ver nesses banhos, com contornos obsessivos, uma manifestação do sentimento de culpa subconsciente de Schmitz. Como em "À espera dos Bárbaros”, de Coetzee, onde a figura de um juiz, que vive num lugar pacato na periferia de um império, é confrontada com a prática das maiores crueldades pelas mãos de um carrasco que age, precisamente, em nome do império que o juiz representou durante toda a sua vida. Neste despertar, o juiz questiona-se sobre o que faria aquele carrasco, que executa com aparente desprendimento as mais cruéis tarefas, no regresso a casa para junto da sua família: “lavaria cuidadosamente as mãos antes de lhes tocar”, perguntava-se? E depois há a forma como o juiz parece expiar a culpa pela sua cumplicidade com aquele regime, acolhendo sob a sua protecção uma das vítimas do carrasco, uma jovem bárbara (o inimigo), violentamente agredida e a quem lhe roubaram a visão e assassinaram o pai. Para além de a alimentar, durante meses (ou anos), o juiz passava as noites a lavar as feridas desta jovem. Demorada e minuciosamente. Com persistente obsessão. De alguma forma como Schmitz, pareceu-me. Será talvez uma espécie de recusa minha em aceitar a amoralidade com que Schmitz parece encarar o seu papel na máquina da Solução Final? Ou de um quadro de valores em que de um lado está a ordem (o bem) e do outro o caos (o mal), o que seria visível na reacção facial de asco com que Schmitz reagiu a um cenário em que a consequência do seu acto seria, precisamente, a desordem e o caos? Admito que sim. Mas no fundo, no fundo, no fundo, no fundo, ela tinha uma noção do mal em que estava a participar.

Autárquicas Lisboa, ainda a sondagem

O Pedro Adão e Silva diz que a sondagem para o município de Lisboa divulgada pelo Correio da Manhã no passado fim-de-semana permite-nos “de algum modo antecipar os efeitos de uma eventual candidatura de Alegre às legislativas, fora do PS”, verificando, com eventual surpresa, que o partido mais prejudicado pelo “efeito Alegre” é o BE e não o PS.

Olhando para trás, parece-me que esse efeito já era de alguma forma perceptível no resultado da eleição intercalar, na qual o BE obteve 6,82% dos votos, menos 2% dos votos obtidos em Lisboa nas eleições legislativas de 2005, num cenário em que tinha como cabeça de lista um independente e que, por isso, deveria, em tese, alargar a sua base eleitoral, e pelo facto de haver uma outra candidatura independente, a disputar o mesmo terreno ideológico (se assim se pode dizer).

A crer na sondagem do CM, dir-se-ia, por um lado, que se acentuou a competição entre estas duas candidaturas, com vantagem para a de Roseta (apesar de também registar uma queda da intenções de voto), o que poderá também acusar a ruptura entre o BE e o independente Sá Fernandes, que continuou a apoiar o executivo de António Costa. Por outro lado, dois anos após aquelas eleições, o PS parece recuperar uma parte do eleitorado que, em 2007, apoiou as listas encabeçadas por Sá Fernandes e Roseta, dado que é o único partido que regista um significativo aumento nas intenções de voto.

27.4.09

H1N1

É interessante notar que uma parte da blogosfera (pelo menos a que leio com regularidade e que está referida aí ao lado), tão lesta a comentar os mais ínfimos detalhes da actualidade, pareça tão desinteressada do que tem todos os sinais de ser uma preocupante ameaça à saúde dos habitantes do planeta, de consequências potencialmente devastadoras. Será por não se tratar de um assunto político, grande catalisador de textos por estas bandas? Mas não é política saber como deve ser feita a prevenção numa situação destas, como é que as autoridades públicas devem gerir a informação e que iniciativas devem ser adoptadas, em que cenário se justifica o fecho de fronteiras (gostava que me explicassem isto)? Acho um verdadeiro mistério o silêncio a que esta blogosfera votou esta matéria.

Ps: apenas ouvi falar disto no Banco Corrido.

26.4.09

Mudam-se os tempos mas não as vontades (musicalmente falando)

Finda a euforia musical-intervencionista de Abril, regresso aos clássicos.

Gould


E este fabuloso Waits, romântico e melancólico até à medula, hereticamente esquecido há meses, senão mesmo anos, na gaveta dos cd's, até que ontem alguém disse numa festa (sim, fui a uma festa, com filhos mas era uma festa, tenho a certeza) que era o disco da sua vida. Em boa hora.

Waits

E entretanto o solzinho baril a ir-se embora

O post anterior era para se resumir ao último parágrafo.

Autárquicas Lisboa: contagem decrescente


Sondagem da Aximage para o Correio da Manhã:
PS (António Costa) — 36,1%
PSD+CDS-PP+PPM+PMT (Pedro Santana Lopes) — 29,6%
CDU (Ruben de Carvalho)— 8,4%
Cidadãos por Lisboa (Helena Roseta )— 7,1%
BE (Luís Fazenda ) — 3,8%

Estes são os resultados da sondagem da Aximage para o Correio da Manhã, que primeiro vi aqui. De acordo com o jornal, o PS conseguiria 8 vereadores. A coligação PSD+CDS-PP+PPM+PMT obteria 7. Isto quer dizer que, se este cenário se confirmasse no dia das eleições, António Costa ficaria a apenas um vereador da maioria absoluta.

Comparando com o resultado das últimas eleições intercalares, importa assinalar o seguinte: crescimento considerável do PS (teve 29.9% em 2007) e ligeira diminuição da percentagem de votos à direita (em 2007, o PSD teve 15,85%, Carmona 16,65% e o CDS 3,72%, mais 0,3% e 0,8% do MPT e do PPM, respectiavamente). Ligeira queda de Helena Roseta (10,26% em 2007) mas o suficiente para lhe retirar um vereador (actualmente tem dois). Queda mais acentuada teria o BE, que perderia o único vereador eleito em 2007 (com 6,82% dos votos), o independente Sá Fernandes, a quem durante o actual mandato foi-lhe retirada a confiança política. Finalmente, a CDU manteria mais ou menos os mesmos valores (9,48% em 2007) mas neste cenário também perderia um vereador (ficaria com apenas um).

Valendo o que valem as sondagens e devendo ter-se sempre presente até ao dia das eleições o aviso que aqui é feito, não deixa de ser um sinal sobre a forma como os lisboetas estão a avaliar o mandato de António Costa, como se sabe, contextualizado por condições particularmente difíceis, quer pela catastrófica situação económica-financeira que encontrou, como pela necessidade de coexistir com uma Assembleia Municipal, controlada pela direita, que resulta ainda das eleições de 2005.

Também se poderá dizer que a manutenção ou ligeira queda da direita relativamente a 2007 (ano em que foi particularmente penalizada) poderá encontrar explicação no facto de ser encabeçada pelo principal rosto do despesismo que marcou o mandato da direita na CML entre os anos de 2001 e 2007 (para não mencionar da trágica experiência à frente do Governo português).

Quanto ao BE, é verdade que só apresentou o seu candidato há muito pouco tempo mas também poderá reflectir a ausência de Sá Fernandes da sua lista e a forma como se afastou deste durante o presente mandato.

Dito isto, achei divertida a forma como o Correio da Manhã apresenta esta notícia na sua edição electrónica: i) o título é que Costa ganha com dificuldades; ii) o lead é que António Costa obtém na sondagem "apenas uma diferença de 6,5 pontos percentuais face ao candidato social-democrata Pedro Santana Lopes".

23.4.09

Suponho que para as legislativas o PSD propõe uma "regressão geracional"

É uma “candidatura forte”, representa uma “renovação geracional” quanto ao perfil do provedor e uma personalidade que está “ligada aos novos temas do direito”, como o ambiente. Paulo Rangel, no anúncio da candidatura de Maria da Glória Garcia a provedor de Justiça.

Sinal dos tempos

Há bem poucos anos atrás, criticavam-se os Governos por priviligiarem os órgãos de comunicação social para o anúncio das suas políticas, relegando para segundo plano o Parlamento. Ontem, na RTPN, Zita Seabra criticava o primeiro-ministro precisamente pelo contrário, por aproveitar os debates na Assembleia da República para fazer o anúncio de medidas políticas. Inadvertidamente, a deputada do PSD deu conta do significativo reforço do Parlamento como primeiro palco do debate político nacional, mudança que ocorreu muito graças à recente reforma da Assembleia da República e do seu regimento, que, diga-se em abono da verdade, contou com os votos favoráveis de todos os partidos menos do PSD.

22.4.09

Posts que vão nascer na praia

Ir recolhendo as várias previsões políticas que se vão fazendo - na blogosfera e nos media - acerca do ciclo eleitoral que está a começar para depois confrontá-las com a realidade.

1 - Este conflito [entre PR e Governo] vai, infelizmente, ser o centro do debate político nos próximos tempos e mais que previsivelmente vai-se arrastar até depois das legislativas, Pedro Marques Lopes, DN e união-de-facto

Posts que morreram na praia

Sobre o (muito) que dizem as fotografias que as pessoas escolhem para se identificar no Twitter e nas redes sociais.

21.4.09

E ainda por cima não tenho de dividir com ninguém

Já só me faltam 99.980 e é desta que vou passar férias às Maldivas.

Discriminações

A propósito da conferência das Nações Unidas sobre o racismo dei por mim a pensar que, em termos de humor, sou um valente racista, pois discrimino todos os que não sejam judeus.







Inversão da prova do ónus

Conheço mais pessoas casadas do que unidas-de-facto (não confundir com unhas-de-gato, como faz o corrector ortográfico). Curiosamente, as relações mais duradouras que conheço acontecem, maioritariamente, entre este segundo grupo. Tendo em conta algumas preocupações do episcopado português, até seria lógico que fosse com as relações que se preocupassem mais e não tanto com a estabilidade de um contrato.