20.5.09

Aviso: post com ponto de exclamação

Apre, que já não aguento ouvir dizer que este senhor foi o primeiro presidente do Parlamento a demitir-se em 300 anos! Também acho que foi o primeiro a pesar 96 kg, com três dentes chumbados e a ter recebido à luz a 3 de Julho de 1945. Em mais de 300 anos! É impressionante, como diria um dos mais afamados políticos/bloggers da nossa praça.

Ah, agora já percebemos o que queriam dizer

Afinal o Nuno Melo (será com um ou dois "éles"?) tinha razões para fazer o aviso. Pelos vistos há quem tenha andado a brincar aos políticos, como se pode ver aqui, aqui ou aqui (em nu integral. Assustaram-se? Pronto, é só integral).

Obama avant la lettre



Na sua obra “A Origem das Espécies”, Darwin dedica um capítulo a enunciar as fragilidades da sua tese, antecipando muitos dos problemas que surgiriam na mente do leitor, problemas que haviam atormentado o próprio Darwin. Este capítulo sobre dificuldades contribuiu em grande medida para que a sua obra fosse bem acolhida, mesmo entre parte dos seus críticos, que viram neste gesto um sinal de honestidade intelectual de Darwin.

Tanto barulho por um pedaço de bacon


Já não é a primeira vez que Vasco Graça Moura (VGM) confunde as suas expectativas (por legítimas que sejam) com a realidade. Disso já tivemos oportunidade de dar conta aqui. Agora e a propósito de uma petição contra o acordo ortográfico que o Parlamento discute hoje, o poeta articulista insiste em vir tecer uma série de considerações que, para dizer o mínimo, revelam um total desconhecimento sobre o instrumento das petições e respectiva tramitação. Em resumo, VGM confunde a posição da comissão parlamentar com a opinião do relator (Feliciano Barreiras Duarte), a qual, ainda que fazendo parte do relatório, não é objecto de votação e, quando muito, vincula apenas o próprio. A única parte do relatório que foi sujeita à votação e que mereceu a unanimidade dos deputados da comissão foi o parecer, que se resume a isto (clicar para aumentar):



A partir daqui VGM escreve coisas como:

Em 8 de Abril, o relatório do deputado Feliciano Barreiras Duarte foi aprovado por unanimidade na reunião daquela Comissão. Para já, esta é uma situação de importantíssimo alcance político, uma vez que "o relator é da opinião que as preocupações e os alertas dos peticionários devem ser tidos em conta, do ponto de vista técnico e político, a curto e a médio prazo" e que essa opinião foi partilhada por todos os membros da Comissão.

Estas e outras confusões estavam hoje de manhã a ser difundidas pela rádio, nomeadamente a delirante consideração de que o relatório vincula a Assembleia da República a rever o Acordo. Isto até poderia ser vagamente cómico, não fosse VGM andar também a divulgar estas coisas lá fora, como aqui (Estadão) ou aqui (BBC Brasil).

Está visto que ainda temos de comer muita papa (eu prefiro choc X) até percebermos isto da coisa pública


Hoje de manhã, no habitual comentário da actualidade no RCP, Luís Osório mostrava-se surpreendido ter sido “por uma ninharia como o mau uso dos dinheiros públicos que [o presidente da Câmara dos Comuns] foi demitido”.

Da série fazer sexo não é o mesmo que comer uma sandes de queijo II

Da série fazer sexo não é o mesmo que comer uma sandes de queijo I

19.5.09

Isto não é um post sobre orgias

Choca imaginar o que terá acontecido realmente nas aulas desta professora. A violência da linguagem, que subentende uma total desconsideração pelos alunos e pelos seus direitos, é muito grave, independentemente da matéria que se estiver a abordar. Estando a falar sobre sexualidade a desadequação da linguagem é particularmente chocante. Importa, contudo, reter que isto nada tem que ver com educação sexual nas escolas mas apenas com uma professora que, no mínimo, não parece estar nas melhores condições psicológicas para desempenhar as funções de docente.

18.5.09

Ninguém é ilegal


Imigração. Admito que seja dos problemas mais complexos para uma comunidade política resolver. E a este nível temo que o meu contributo seja nulo. Porque o meu ponto de partida é absolutamente incompatível com a ideia de qualquer política restritiva de imigração. Porque, para colocar isto em termos muito simples, não me considero com mais direito a viver nesta terra (Portugal), onde por acaso nasci, do que alguém que nasceu num país onde há fome, guerra, ou onde simplesmente não há recursos. Sinto que isto de nascer num ou noutro lugar do mundo é talvez a maior lotaria da nossa existência e que a condiciona de forma indelével. Nascer e poder viver num país onde, em condições normais, temos garantidas condições mínimas de sobrevivência, é, pois, um verdadeiro luxo e uma pura questão de sorte. E o contrário o maior dos azares. Algo sobre o qual não temos a mais pequena responsabilidade. Acho por isso que a circulação de alguém à procura de sustento, que é o que parece constituir a maior parte da imigração, é um direito natural, inato à condição do ser humano, que nenhum Estado devia poder comprimir. Quando um Estado se acha no direito de impedir a entrada de um imigrante apenas devido à sua naturalidade, o que eu interpreto não anda muito longe disto: “tivesses nascido noutro lugar”. Mas isto sou eu, com os meus botões e a cómoda inconsequência das minhas crenças. Reconheço que de um responsável político por esta área exigir-se-á que pense e aja de outra forma, que seja permeável à crueza do pragmatismo. Não lhes invejo este papel.

cópula-a-porter


Oiço, no Fórum da TSF, vários intervenientes a manifestarem o seu desacordo sobre a distribuição gratuita de preservativos na escola. Consideram que o Estado está, por esta via, a incentivar a prática de relações sexuais. Convirá talvez explicar que a distribuição de contraceptivos não inclui um parceiro com quem, digamos, realizar a dita cópula.

Num país a sério


Vale muito a pena assistir ao K.O que Pedro Magalhães faz hoje* ao artigo "Se Portugal fosse um país a sério...", de Pacheco Pereira.
* e que em breve deverá aparecer publicado aqui

17.5.09

Múltipla personalidade

Por vezes, tenho dificuldade em rever-me em posts relativamente aos quais há apenas umas poucas horas atrás me terei dito "ora aí está uma bela ideia para um post" (mas lá que tinha cara de choninhas, tinha).

16.5.09

First impressions


Preparo-me para ler "Da democracia na América" (disseram-me que tinha capítulos pequenos). Primeira impressão: o Tocqueville tinha ar de choninhas.

15.5.09

Este blog está "just" em forma, percebem, forma justa (ah ah ah ah, este Cavaco é demais)


Graças a este, este e este link, este blog tem vindo a consolidar um aumento de visitas nas últimas semanas, tendo atingido hoje o seu máximo histórico e chegado quase à idade da minha avó.

13.5.09

A inveja é uma coisa feia mas porque não tenho eu uma voz como a destes senhores? ou o talento? ou um bigode? A vida não é justa



Gostava mesmo que me esclarecessem sobre isto


Acontece-me sempre o mesmo. Quando preciso de saber algo sobre alguma das competências do Presidente da República vou ao respectivo site oficial e encontro tudo menos o que procuro. Nomeadamente sobre uma das suas competências-chave, a de promulgar os decretos do Parlamento e do Governo e do outro direito que lhe está associado, o do veto. Não encontro nenhuma razão válida para não estarem disponíveis pelo menos os diplomas que o Presidente acaba de promulgar. E mesmo relativamente aos decretos que se encontram para promulgação, julgo que também aí deveria valer um princípio de transparência e ser-nos dado a conhecer, de forma actualizada, quais os diplomas em apreciação. Tal como faria sentido que o site tivesse uma lista dos diplomas vetados, com as respectivas fundamentações. E tocando noutras matérias, como as petições dirigidas ao Presidente da República, não deveria o site prestar informação sobre as petições que lhe são dirigidas, obrigação que é, inclusivamente, exigida pela lei?

Artigo 14.º
Controlo informático e divulgação da tramitação

Os órgãos de soberania, de governo próprio das Regiões Autónomas e das autarquias locais, bem como os departamentos da Administração Pública onde ocorra a entrega de instrumentos do exercício do direito de petição, organizarão sistemas de controlo informático de petições, bem como de divulgação das providências tomadas, nos respectivos sítios da Internet.

Qu'elle est belle la liberté

Desde o fim-de-semana que esta música não me sai da cabeça.

12.5.09

Lei Hadopi aprovada pela Assembleia Nacional francesa (post resgatado dos rascunhos de ontem)

A controversial French bill which could disconnect people caught downloading content illegally three times has been passed by the National Assembly.

Para além dos aspectos mais controversos, esta lei (que ainda terá de passar no Senado) pode estar a abrir a porta a que a pirataria de que hoje a indústria discográfica se queixa passe a ter como alvo os utilizadores da Internet, que poderão ver as suas contas e identidades colonizadas pelos piratas. Desta forma, esta lei pode trazer um acréscimo considerável de insegurança para os cidadãos nas ligações à Internet. Conforme disse o deputado socialista Patrick Bloche, esta lei "é perigosa, inútil, ineficiente e comporta muitos riscos para nós cidadãos". Por vezes, os velhos esquemas argumentativos da reacção fazem todo o sentido*.

* Tenho a certeza que há uma tradução portuguesa desta obra mas o Google está a embirrar comigo e não me dá nada

Onde está um Manuel Alegre quando precisamos dele?



Não há um Manuel Alegre que se indigne com as declarações do Manuel Alegre!