29.5.09

Evitar mal-entendidos

Eu não sou este, nem este.

Regresso aos clássicos

 Chico Buarque de Holanda - Teresinha

For the record: eu também não

Deputada do PS Maria de Belém "não se revê" nas declarações de Vital Moreira sobre BPN.

Ainda o Provedor - Final act

O PCP parece ter decidido não apoiar nenhum candidato a Provedor de Justiça. Desta forma, a eleição ainda nesta legislatura parece estar definitivamente comprometida. Conforme tentei chamar a atenção aqui (de forma um pouco desajeitada, reconheço), acredito sinceramente que, face à situação que foi criada, a única solução que ainda podia dignificar a Assembleia da República e evitar danos maiores na sua credibilidade, bem como na figura do Provedor, seria a eleição hoje de um novo Provedor. Jorge Miranda é o único candidato em condições de recolher os dois terços dos votos exigidos e oferece garantias (julgo que a todos os quadrantes políticos) de que iria desempenhar um mandato com a dignidade que o cargo merece. É verdade que a situação a que se assiste hoje não foi criada pelo PCP ou pelos partidos mais pequenos. Foi fundamentalmente pelo PS e PSD, que tinham a obrigação de se entenderem, pois esse é, de algum modo, o pressuposto implícito na exigência desta maioria qualificada. Gorado esse entendimento, os únicos que podiam contribuir para ultrapassar este impasse e evitar o adiamento da eleição para a próxima legislatura eram os partidos mais pequenos. Julgo que o BE compreendeu isto. Os deputados do PCP (e, ainda que em menor medida, os do CDS) preferiram privilegiar os interesses partidários em detrimento do que, a meu ver, era exigido pelo interesse de todos. Em vez de escolherem ser parte da solução preferem o dividendo político imediato (mas necessariamente fugaz) e apontar o dedo pelo falhanço da eleição ao PS e ao PSD, que consideram os verdadeiros responsáveis por esta situação, talvez sem perceber que, desta forma, passaram a ser tão responsáveis por esta situação como aqueles partidos. Com este novo e penoso adiamento para a próxima legislatura, o processo de negociação do próximo Provedor colocar-se-á, julgo que com naturalidade, novamente numa lógica de acordo entre PS e PSD, que é precisamente o que tanto é criticado neste processo pelos outros partidos. No final de contas, todos sairão a perder.

27.5.09

BPN (First Season)



Encaro esta novela do caso BPN como se de um episódio do Dr. House se tratasse. Interesso-me por identificar os actores principais, se são ou não culpados, e, quanto à trama, fico-me pelos highlights, não esquecendo naturalmente aqueles factos que, ocasionalmente, pontuam a narrativa com o objectivo de comic relief, como aquela do outro achar que B.I era Bilhete de Identidade (hilariante). Tudo o resto, serve apenas para dar ritmo à série e não é realmente para compreender. MRI, offshore, lombar punction, imparidade.

Conferência de Copenhaga: contagem decrescente

He said he expected America to act before China in the run-up to the crucial UN climate change talks in Copenhagen in December. "I remain optimistic. The US should act first. Using China as an excuse not to act is no longer [appropriate]. If the US does act, we hope China will follow. The Chinese leadership knows about the consequences of climate change," he said.

But he warned against expecting too much of the US too soon. "We have to make a transition. If one does this very suddenly then there would be huge disruption. You need a lot of incentives, and some regulation. There is not one single policy that will save us."

"He" é Steven Chu, secretário da Energia dos EUA

26.5.09

Offshore it is


Sou só eu ou este enredo do BPN é o escândalo mais xaroposo do mundo?

Sonia Sotomayor


E pronto. Obama escolheu o episódio 15 do West Wing (1.ª série).

Eleições europeias: aprender com os outros

"Ontem, durante uma visita à Academia Portuguesa de História, o Presidente da República pediu aos partidos uma campanha «serena, esclarecedora e que mobilize os portugueses» para as eleições europeias. Sampaio não diria melhor. Do ponto de vista da serenidade, a dormência é de regra. Do lado do esclarecimento, como sempre, zero. As pessoas, a larga maioria das pessoas, não faz a mínima ideia das competências do Parlamento Europeu. Os partidos perdem pouco tempo com tais minudências. Talvez fosse mais útil Cavaco apelar directamente ao sentido cívico da Comissão Nacional de Eleições para que esta promova a difusão, nas rádios e televisões, de spots publicitários, curtos e objectivos, com informação concreta sobre em que medida a Europa interfere com o nosso quotidiano. De outro modo, ninguém percebe o que está em jogo. E metade do país vai mandar o escrutínio às urtigas." Eduardo Pitta, Da Literatura.

Como também já tentei defender aqui, os partidos deveriam ser, assim, os primeiros a querer tornar a mensagem eleitoral mais simples para o eleitorado. E simplicidade não significa tratar com superficialidade as matérias em causa, como demonstra exemplarmente o texto de Miguel Poiares Maduro a que se faz referência no post anterior.

E agora para algo completamente diferente

Miguel Poiares Maduro escreve hoje no i o melhor texto sobre as eleições europeias que li até agora. É estranha e inesperadamente claro, instrutivo, fluido e isento de qualquer espécie de eurocratês, o que, achava eu, violava uma qualquer norma comunitária. Mais importante, fala sobre política. E termina com uma referência - escrita e fotográfica - a Woody Allen. E está disponível online. Aqui.

25.5.09

La pipe reste



Ainda que sujeitas a um cardápio de exigências que ainda me parece um pouco excessivo, as liberdades acabaram, apesar de tudo, por prevalecer.

Cada um tem o seu "Chega de Saudade"

E foi com esta música que um dia João Gilberto chegou até mim e como que me segredou: Tiago, é isto a Bossa Nova. Ainda hoje, quando oiço esta "Doralice", recordo o arrepio da revelação.

Afinal havia mais notícias para além daquele post

Acusaram-me este fim-de-semana de ter aqui no blog uma linha demasiado oficiosa do poder socialista. Não concordo, embora admita que entre a minha percepção e a de quem me lê (escrito sem me rir) possa ir uma distância razoável. Mas só para fazer o gosto a esses leitores (serão dezenas? centenas?) aqui vai uma pequena tentativa deliberada de oficiosismo:

No Arrastão, exultam com a indiferença com que dizem que os media espanhóis trataram a presença de Sócrates no comício com Zapatero. Como isto, suponho:

"José Sócrates, primer ministro de Portugal y secretario general del Partido Socialista de Portugal, amplió el campo de juego. En perfecto castellano [é grande a tentação de pôr a bold esta parte, mas resistirei], Sócrates recordó cómo los socialistas portugueses y españoles siempre apostaron por Europa, por la cohesión, por los derechos sociales. Desde Felipe González y Mario Soares, que firmaron juntos la integración en la Unión Europea en 1985, hasta el momento presente, "con ese gran líder europeo que es Rodríguez Zapatero". Sócrates aportó dimensión global a las elecciones europeas: "Frente a los valores ultraliberales que tanto daño han hecho a Europa y todo el mundo, los socialistas apostamos por una Europa más fuerte, una Europa necesaria para construir un mundo mejor"." (itálico meu)

Deverá ainda dizer-se que, além dá imprensa nacional e espanhola, outros optaram por ignorar a presença do primeiro-ministro português. Como estes:

"Le chef du gouvernement espagnol, José Luis Rodriguez Zapatero, et le premier ministre portugais, José Socrates, ont appelé samedi à voter lors des élections européennes, à l'occasion de deux meetings communs à Valence, en Espagne, et à Coimbra, au Portugal."

que ainda acharam por bem ilustrar a sua indiferença com esta imagem:

Modelo Nórdico

Pela liberdade no uso da Internet. Suécia: Partido Pirata tem quase garantido assento no Parlamento Europeu.

Tal como um bofetão não é o mesmo do que um aperto de mão

IR DE ENCONTRO



é diferente de IR AO ENCONTRO

22.5.09

Provedor de Justiça: tempo de os partidos assumirem as suas responsabilidades


A eleição de um novo Provedor de Justiça poderá estar para breve. Hoje, o Parlamento realizou uma primeira votação, tendo Jorge Miranda sido o candidato mais votado. A segunda volta deverá realizar-se para a semana. E deveria ser do interesse de todos, nomeadamente dos partidos representados no hemiciclo, que este processo fosse encerrado de vez. Até este momento poderá dizer-se que os partidos desempenharam o seu papel, tentando condicionar e influenciar os nomes dos candidatos ao cargo. No caso dos dois maiores partidos até se poderá considerar que terão esticado ao limite a sua margem negocial. Dependendo do ângulo por onde se esteja a avaliar atribuir-se-á maior responsabilidade neste processo, cuja morosidade já ultrapassou os limites do razoável, ao PS ou ao PSD.

Agora, porém, a situação é outra. Os nomes que passaram à segunda volta foram os de Jorge Miranda (indicado pelo PS) e de Maria da Glória Garcia (indicada pelo PSD). O primeiro com 113 votos e a segunda com cerca de metade, 59. Julgo que o tempo de discutir o perfil de um e de outro (ou de qualquer outro) já passou. Foi o tempo que antecedeu a apresentação dos candidatos e o que imediatamente se lhe seguiu e que culminou na audição dos mesmos pelos deputados, uma inovação do actual Regimento com evidentes benefícios em termos de escrutínio público deste processo. Neste momento, o tempo é para a Assembleia da República assumir com responsabilidade e sentido prático quais as alternativas que se lhe colocam: eleger um novo provedor para a semana, ainda que com um ano de atraso relativamente ao termo do mandato do actual Provedor, mas salvando apesar de tudo a dignidade dos envolvidos e, mais importante, da instituição; ou recusar esta solução, a única que poderia conduzir à eleição do Provedor ainda nesta legislatura, e atirar para outros e, pior, para um futuro distante (nunca antes do final de 2009), a resolução desta situação, cujo arrastamento - não é difícil de adivinhar - terá tendência para agravar. Esta última hipótese parece-me insustentável a vários níveis, quer pelo que significa de desresponsabilização dos partidos políticos, quer por conter o enorme perigo de degradar fortemente a figura e a autoridade do Provedor. A meu ver, Jorge Miranda é o candidato ideal para explorar todas as potencialidades deste órgão de defesa dos cidadãos, nomeadamente por esta e esta razão, para além do que ficou bem patente na sua audição parlamentar. Mas tão importante quanto isto neste momento é que, admitindo que se mantêm as votações obtidas pelos dois candidatos na primeira volta, Jorge Miranda parece ser o único candidato em condições de ser eleito para a semana (o mesmo é dizer ainda nesta legislatura) e de recolher o apoio de dois terços dos deputados. Esperemos que os deputados saibam estar à altura das suas responsabilidades.

21.5.09

Os riscos de não ter secções fixas



Foi impressão minha ou o I falhou ontem a notícia da Ida, a extraordinária descoberta do pequeno fóssil com 47 milhões de anos, que revela o elo perdido entre os primatas e animais mais primitivos e que fez a manchete de tantos jornais pelo mundo fora e, por cá, pelo menos do Publico e do DN?