4.6.09

Processos democráticos

Por causa desta história do Provedor, têm surgido propostas no sentido de evitar que isto volte a acontecer. Há quem sugira que, em última instância, devia caber ao Presidente da República a possibilidade de arbitrar futuros impasses. Outros propõem que, verificada a impossibilidade de se recolher uma maioria qualificada como a dos dois terços dos deputados, se deveria prever uma derradeira votação, desta feita com uma maioria menos exigente. Espanta-me que um sistema que tem funcionado ao longo de três décadas de democracia seja prontamente posto em causa ao seu primeiro bloqueio. Não pretendo minimizar as consequências desta situação mas temo que esta busca pelo sistema perfeito, isento de falhas, ignore dois aspectos fundamentais. Por um lado, qualquer uma das propostas poderá solucionar a questão do impasse mas introduz no processo factores que hoje não existem, nomeadamente constituindo poderosos desincentivos a um consenso alargado, na medida em que os players (teve graça, não?) incorporão, como é natural, no processo essa possibilidade de desbloqueio. Por outras palavras, julgo que é a ameaça do bloqueio que serve, pelo menos em parte, de móbil à negociação. Por outro lado, parece-me que a forma como este processo tem decorrido, e as críticas a que tem dado origem, consistirá, por muitos anos, no maior estímulo a que uma situação análoga não se repita. Mais do que qualquer alteração normativa.

Consta que o PCP irá apresentar queixa do calendário gregoriano à ERC

"Entre outras situações, foi particularmente evidente e escandaloso o papel a que se prestou a RTP na (...) recuperação de acontecimentos com 20 anos, nas vésperas das eleições, como os ocorridos em 1989 na República Popular da China.»

Avante de hoje

via Hoje há conquilhas...

Accountability

Acabo de ouvir a carta de renúncia que o Provedor de Justiça entregou ontem no Parlamento. Espelha, de forma veemente e pungente, o estado a que o Parlamento deixou chegar este processo. Já deixei aqui (por diversas vezes) a minha opinião sobre o assunto, nomeadamente sobre a repartição de responsabilidades (de forma desigual, porém) pelos partidos políticos. No entanto, quanto à atitude do PSD, julgo que ela encontra-se bem ilustrada na reacção da sua líder ao facto de a carta de renúncia do Provedor imputar uma “responsabilidade política dos dirigentes partidários” pelo impasse institucional criado.

«Uma responsabilidade ontem descartada por Manuela Ferreira Leite. "Não sou deputada", disse aos jornalistas (…)». Público, de 4 de Junho de 2009.

Quando a seriedade parece ceder ante o tacticismo eleitoral

Sobre esta reacção da Ana Drago, dir-se-ia que ela tem menos a ver com o teor da resposta da ministra do que com a tentativa de cair nas graças de um certo tipo de eleitorado.



ps: sobre este episódio, vale a pena ler o post do Miguel Cabrita no País Relativo.

"Home"

Estreia mundial amanhã, Dia do Ambiente, do filme "Home", a longa-metragem realizada por Yann Arthus-Bertrand e produzida por Luc Besson. Além de poder ser visto nos cinemas (e numa projecção gratuita à noite no Largo Camões) e em DVD e BlueRay, o filme estará disponível aqui e, pelas 20.30, na RTP2.

2.6.09

A democracia na Coreia do Norte

Kim Jong-il escolhe filho mais novo para lhe suceder

Parece tão evidente. Mas porque é que nos esquecemos disto tão rapidamente?

"Porque é depois das eleições que nos devemos esforçar. Votar ainda é como o outro. O que importa é não nos esquecermos, durante quatro anos, que os deputados portugueses estão lá. Pagos por nós. A representar-nos. E é nosso dever chateá-los. E espremê-los. E pô-los a dançar a nossa música. Que nem uns bailarinos". Miguel Esteves Cardoso, Público de hoje.

Das estações do ano

Alguém que diga ao Pedro Magalhães que estão quase 30 graus lá fora?

Política no tempo das novas tecnologias


A campanha presidencial de Obama recorreu de forma inédita às novas tecnologias. Dos blogues às redes sociais; dos mails aos sms. Michael Walzer e McKenzie Wark reflectem no site da Dissent Magazine sobre as potencialidades da Internet para mudar a forma como se faz hoje política, bem como nos seus efeitos ao nível da participação política. O primeiro mostra-se céptico sobre as virtualidades deste novo mundo, comparado com as formas tradicionais de fazer política. O segundo revela-se um pouco mais optimista. Um pequeno excerto deste último, sobre blogs:

1.6.09

Myzena toma conta da homepage do Publico online

Antes de mais, devo alertar: começo a tomar o gosto a esta coisa do oficiosismo. Nem era minha intenção, como verão, mas a verdade é que os pretextos surgem com demasiada facilidade. Desta vez foi assim. Consulto o Publico online para acompanhar a actualidade política ao longo do dia. Tanto quanto me dei conta (margem de erro desta apreciação: brutal), de acordo com a homepage deste diário as notícias mais relevantes do dia (julgo que é este critério que preside à escolha da notícia para a homepage) foram: Passos Coelho diz que vitória do PSD nas europeias é essencial para as legislativas (de manhã), Rangel diz que Governo é o Xerife de Nottingham da agricultura e PSD o Robin Hood (início da tarde), Rangel assinala silêncio de Sócrates sobre "ataques" de Vital Moreira (meio da tarde). PSD+Rangel+Rangel. Ter-se-ia dado o caso de as restantes campanhas se terem acigarrado e aproveitado o dia da criança para folgar? Fui consultar a secção de política do mesmo site e é lá que verifico, com algum espanto, que há notícias para todos os gostos: Vital Moreira elogia revolução no ensino; Ilda Figueiredo leva caso de discriminação no trabalho à União Europeia; CDS critica desadequação de programas de investimento face à realidade empresarial; Miguel Portas acusa Governo de desperdiçar recursos UE para reabilitar antigas minas de urânio. Entre muitas outras, conforme podem confirmar aqui. Agora é só imaginarem uma tirada final espirituosa para este post e podem dá-lo por concluído. A colocar aqui. Tenho de ir.

29.5.09

Evitar mal-entendidos

Eu não sou este, nem este.

Regresso aos clássicos

 Chico Buarque de Holanda - Teresinha

For the record: eu também não

Deputada do PS Maria de Belém "não se revê" nas declarações de Vital Moreira sobre BPN.

Ainda o Provedor - Final act

O PCP parece ter decidido não apoiar nenhum candidato a Provedor de Justiça. Desta forma, a eleição ainda nesta legislatura parece estar definitivamente comprometida. Conforme tentei chamar a atenção aqui (de forma um pouco desajeitada, reconheço), acredito sinceramente que, face à situação que foi criada, a única solução que ainda podia dignificar a Assembleia da República e evitar danos maiores na sua credibilidade, bem como na figura do Provedor, seria a eleição hoje de um novo Provedor. Jorge Miranda é o único candidato em condições de recolher os dois terços dos votos exigidos e oferece garantias (julgo que a todos os quadrantes políticos) de que iria desempenhar um mandato com a dignidade que o cargo merece. É verdade que a situação a que se assiste hoje não foi criada pelo PCP ou pelos partidos mais pequenos. Foi fundamentalmente pelo PS e PSD, que tinham a obrigação de se entenderem, pois esse é, de algum modo, o pressuposto implícito na exigência desta maioria qualificada. Gorado esse entendimento, os únicos que podiam contribuir para ultrapassar este impasse e evitar o adiamento da eleição para a próxima legislatura eram os partidos mais pequenos. Julgo que o BE compreendeu isto. Os deputados do PCP (e, ainda que em menor medida, os do CDS) preferiram privilegiar os interesses partidários em detrimento do que, a meu ver, era exigido pelo interesse de todos. Em vez de escolherem ser parte da solução preferem o dividendo político imediato (mas necessariamente fugaz) e apontar o dedo pelo falhanço da eleição ao PS e ao PSD, que consideram os verdadeiros responsáveis por esta situação, talvez sem perceber que, desta forma, passaram a ser tão responsáveis por esta situação como aqueles partidos. Com este novo e penoso adiamento para a próxima legislatura, o processo de negociação do próximo Provedor colocar-se-á, julgo que com naturalidade, novamente numa lógica de acordo entre PS e PSD, que é precisamente o que tanto é criticado neste processo pelos outros partidos. No final de contas, todos sairão a perder.

27.5.09

BPN (First Season)



Encaro esta novela do caso BPN como se de um episódio do Dr. House se tratasse. Interesso-me por identificar os actores principais, se são ou não culpados, e, quanto à trama, fico-me pelos highlights, não esquecendo naturalmente aqueles factos que, ocasionalmente, pontuam a narrativa com o objectivo de comic relief, como aquela do outro achar que B.I era Bilhete de Identidade (hilariante). Tudo o resto, serve apenas para dar ritmo à série e não é realmente para compreender. MRI, offshore, lombar punction, imparidade.

Conferência de Copenhaga: contagem decrescente

He said he expected America to act before China in the run-up to the crucial UN climate change talks in Copenhagen in December. "I remain optimistic. The US should act first. Using China as an excuse not to act is no longer [appropriate]. If the US does act, we hope China will follow. The Chinese leadership knows about the consequences of climate change," he said.

But he warned against expecting too much of the US too soon. "We have to make a transition. If one does this very suddenly then there would be huge disruption. You need a lot of incentives, and some regulation. There is not one single policy that will save us."

"He" é Steven Chu, secretário da Energia dos EUA

26.5.09

Offshore it is


Sou só eu ou este enredo do BPN é o escândalo mais xaroposo do mundo?

Sonia Sotomayor


E pronto. Obama escolheu o episódio 15 do West Wing (1.ª série).

Eleições europeias: aprender com os outros

"Ontem, durante uma visita à Academia Portuguesa de História, o Presidente da República pediu aos partidos uma campanha «serena, esclarecedora e que mobilize os portugueses» para as eleições europeias. Sampaio não diria melhor. Do ponto de vista da serenidade, a dormência é de regra. Do lado do esclarecimento, como sempre, zero. As pessoas, a larga maioria das pessoas, não faz a mínima ideia das competências do Parlamento Europeu. Os partidos perdem pouco tempo com tais minudências. Talvez fosse mais útil Cavaco apelar directamente ao sentido cívico da Comissão Nacional de Eleições para que esta promova a difusão, nas rádios e televisões, de spots publicitários, curtos e objectivos, com informação concreta sobre em que medida a Europa interfere com o nosso quotidiano. De outro modo, ninguém percebe o que está em jogo. E metade do país vai mandar o escrutínio às urtigas." Eduardo Pitta, Da Literatura.

Como também já tentei defender aqui, os partidos deveriam ser, assim, os primeiros a querer tornar a mensagem eleitoral mais simples para o eleitorado. E simplicidade não significa tratar com superficialidade as matérias em causa, como demonstra exemplarmente o texto de Miguel Poiares Maduro a que se faz referência no post anterior.

E agora para algo completamente diferente

Miguel Poiares Maduro escreve hoje no i o melhor texto sobre as eleições europeias que li até agora. É estranha e inesperadamente claro, instrutivo, fluido e isento de qualquer espécie de eurocratês, o que, achava eu, violava uma qualquer norma comunitária. Mais importante, fala sobre política. E termina com uma referência - escrita e fotográfica - a Woody Allen. E está disponível online. Aqui.

25.5.09

La pipe reste



Ainda que sujeitas a um cardápio de exigências que ainda me parece um pouco excessivo, as liberdades acabaram, apesar de tudo, por prevalecer.

Cada um tem o seu "Chega de Saudade"

E foi com esta música que um dia João Gilberto chegou até mim e como que me segredou: Tiago, é isto a Bossa Nova. Ainda hoje, quando oiço esta "Doralice", recordo o arrepio da revelação.

Afinal havia mais notícias para além daquele post

Acusaram-me este fim-de-semana de ter aqui no blog uma linha demasiado oficiosa do poder socialista. Não concordo, embora admita que entre a minha percepção e a de quem me lê (escrito sem me rir) possa ir uma distância razoável. Mas só para fazer o gosto a esses leitores (serão dezenas? centenas?) aqui vai uma pequena tentativa deliberada de oficiosismo:

No Arrastão, exultam com a indiferença com que dizem que os media espanhóis trataram a presença de Sócrates no comício com Zapatero. Como isto, suponho:

"José Sócrates, primer ministro de Portugal y secretario general del Partido Socialista de Portugal, amplió el campo de juego. En perfecto castellano [é grande a tentação de pôr a bold esta parte, mas resistirei], Sócrates recordó cómo los socialistas portugueses y españoles siempre apostaron por Europa, por la cohesión, por los derechos sociales. Desde Felipe González y Mario Soares, que firmaron juntos la integración en la Unión Europea en 1985, hasta el momento presente, "con ese gran líder europeo que es Rodríguez Zapatero". Sócrates aportó dimensión global a las elecciones europeas: "Frente a los valores ultraliberales que tanto daño han hecho a Europa y todo el mundo, los socialistas apostamos por una Europa más fuerte, una Europa necesaria para construir un mundo mejor"." (itálico meu)

Deverá ainda dizer-se que, além dá imprensa nacional e espanhola, outros optaram por ignorar a presença do primeiro-ministro português. Como estes:

"Le chef du gouvernement espagnol, José Luis Rodriguez Zapatero, et le premier ministre portugais, José Socrates, ont appelé samedi à voter lors des élections européennes, à l'occasion de deux meetings communs à Valence, en Espagne, et à Coimbra, au Portugal."

que ainda acharam por bem ilustrar a sua indiferença com esta imagem:

Modelo Nórdico

Pela liberdade no uso da Internet. Suécia: Partido Pirata tem quase garantido assento no Parlamento Europeu.

Tal como um bofetão não é o mesmo do que um aperto de mão

IR DE ENCONTRO



é diferente de IR AO ENCONTRO

22.5.09

Provedor de Justiça: tempo de os partidos assumirem as suas responsabilidades


A eleição de um novo Provedor de Justiça poderá estar para breve. Hoje, o Parlamento realizou uma primeira votação, tendo Jorge Miranda sido o candidato mais votado. A segunda volta deverá realizar-se para a semana. E deveria ser do interesse de todos, nomeadamente dos partidos representados no hemiciclo, que este processo fosse encerrado de vez. Até este momento poderá dizer-se que os partidos desempenharam o seu papel, tentando condicionar e influenciar os nomes dos candidatos ao cargo. No caso dos dois maiores partidos até se poderá considerar que terão esticado ao limite a sua margem negocial. Dependendo do ângulo por onde se esteja a avaliar atribuir-se-á maior responsabilidade neste processo, cuja morosidade já ultrapassou os limites do razoável, ao PS ou ao PSD.

Agora, porém, a situação é outra. Os nomes que passaram à segunda volta foram os de Jorge Miranda (indicado pelo PS) e de Maria da Glória Garcia (indicada pelo PSD). O primeiro com 113 votos e a segunda com cerca de metade, 59. Julgo que o tempo de discutir o perfil de um e de outro (ou de qualquer outro) já passou. Foi o tempo que antecedeu a apresentação dos candidatos e o que imediatamente se lhe seguiu e que culminou na audição dos mesmos pelos deputados, uma inovação do actual Regimento com evidentes benefícios em termos de escrutínio público deste processo. Neste momento, o tempo é para a Assembleia da República assumir com responsabilidade e sentido prático quais as alternativas que se lhe colocam: eleger um novo provedor para a semana, ainda que com um ano de atraso relativamente ao termo do mandato do actual Provedor, mas salvando apesar de tudo a dignidade dos envolvidos e, mais importante, da instituição; ou recusar esta solução, a única que poderia conduzir à eleição do Provedor ainda nesta legislatura, e atirar para outros e, pior, para um futuro distante (nunca antes do final de 2009), a resolução desta situação, cujo arrastamento - não é difícil de adivinhar - terá tendência para agravar. Esta última hipótese parece-me insustentável a vários níveis, quer pelo que significa de desresponsabilização dos partidos políticos, quer por conter o enorme perigo de degradar fortemente a figura e a autoridade do Provedor. A meu ver, Jorge Miranda é o candidato ideal para explorar todas as potencialidades deste órgão de defesa dos cidadãos, nomeadamente por esta e esta razão, para além do que ficou bem patente na sua audição parlamentar. Mas tão importante quanto isto neste momento é que, admitindo que se mantêm as votações obtidas pelos dois candidatos na primeira volta, Jorge Miranda parece ser o único candidato em condições de ser eleito para a semana (o mesmo é dizer ainda nesta legislatura) e de recolher o apoio de dois terços dos deputados. Esperemos que os deputados saibam estar à altura das suas responsabilidades.

21.5.09

Os riscos de não ter secções fixas



Foi impressão minha ou o I falhou ontem a notícia da Ida, a extraordinária descoberta do pequeno fóssil com 47 milhões de anos, que revela o elo perdido entre os primatas e animais mais primitivos e que fez a manchete de tantos jornais pelo mundo fora e, por cá, pelo menos do Publico e do DN?

20.5.09

Aviso: post com ponto de exclamação

Apre, que já não aguento ouvir dizer que este senhor foi o primeiro presidente do Parlamento a demitir-se em 300 anos! Também acho que foi o primeiro a pesar 96 kg, com três dentes chumbados e a ter recebido à luz a 3 de Julho de 1945. Em mais de 300 anos! É impressionante, como diria um dos mais afamados políticos/bloggers da nossa praça.

Ah, agora já percebemos o que queriam dizer

Afinal o Nuno Melo (será com um ou dois "éles"?) tinha razões para fazer o aviso. Pelos vistos há quem tenha andado a brincar aos políticos, como se pode ver aqui, aqui ou aqui (em nu integral. Assustaram-se? Pronto, é só integral).

Obama avant la lettre



Na sua obra “A Origem das Espécies”, Darwin dedica um capítulo a enunciar as fragilidades da sua tese, antecipando muitos dos problemas que surgiriam na mente do leitor, problemas que haviam atormentado o próprio Darwin. Este capítulo sobre dificuldades contribuiu em grande medida para que a sua obra fosse bem acolhida, mesmo entre parte dos seus críticos, que viram neste gesto um sinal de honestidade intelectual de Darwin.

Tanto barulho por um pedaço de bacon


Já não é a primeira vez que Vasco Graça Moura (VGM) confunde as suas expectativas (por legítimas que sejam) com a realidade. Disso já tivemos oportunidade de dar conta aqui. Agora e a propósito de uma petição contra o acordo ortográfico que o Parlamento discute hoje, o poeta articulista insiste em vir tecer uma série de considerações que, para dizer o mínimo, revelam um total desconhecimento sobre o instrumento das petições e respectiva tramitação. Em resumo, VGM confunde a posição da comissão parlamentar com a opinião do relator (Feliciano Barreiras Duarte), a qual, ainda que fazendo parte do relatório, não é objecto de votação e, quando muito, vincula apenas o próprio. A única parte do relatório que foi sujeita à votação e que mereceu a unanimidade dos deputados da comissão foi o parecer, que se resume a isto (clicar para aumentar):



A partir daqui VGM escreve coisas como:

Em 8 de Abril, o relatório do deputado Feliciano Barreiras Duarte foi aprovado por unanimidade na reunião daquela Comissão. Para já, esta é uma situação de importantíssimo alcance político, uma vez que "o relator é da opinião que as preocupações e os alertas dos peticionários devem ser tidos em conta, do ponto de vista técnico e político, a curto e a médio prazo" e que essa opinião foi partilhada por todos os membros da Comissão.

Estas e outras confusões estavam hoje de manhã a ser difundidas pela rádio, nomeadamente a delirante consideração de que o relatório vincula a Assembleia da República a rever o Acordo. Isto até poderia ser vagamente cómico, não fosse VGM andar também a divulgar estas coisas lá fora, como aqui (Estadão) ou aqui (BBC Brasil).

Está visto que ainda temos de comer muita papa (eu prefiro choc X) até percebermos isto da coisa pública


Hoje de manhã, no habitual comentário da actualidade no RCP, Luís Osório mostrava-se surpreendido ter sido “por uma ninharia como o mau uso dos dinheiros públicos que [o presidente da Câmara dos Comuns] foi demitido”.

Da série fazer sexo não é o mesmo que comer uma sandes de queijo II

Da série fazer sexo não é o mesmo que comer uma sandes de queijo I

19.5.09

Isto não é um post sobre orgias

Choca imaginar o que terá acontecido realmente nas aulas desta professora. A violência da linguagem, que subentende uma total desconsideração pelos alunos e pelos seus direitos, é muito grave, independentemente da matéria que se estiver a abordar. Estando a falar sobre sexualidade a desadequação da linguagem é particularmente chocante. Importa, contudo, reter que isto nada tem que ver com educação sexual nas escolas mas apenas com uma professora que, no mínimo, não parece estar nas melhores condições psicológicas para desempenhar as funções de docente.

18.5.09

Ninguém é ilegal


Imigração. Admito que seja dos problemas mais complexos para uma comunidade política resolver. E a este nível temo que o meu contributo seja nulo. Porque o meu ponto de partida é absolutamente incompatível com a ideia de qualquer política restritiva de imigração. Porque, para colocar isto em termos muito simples, não me considero com mais direito a viver nesta terra (Portugal), onde por acaso nasci, do que alguém que nasceu num país onde há fome, guerra, ou onde simplesmente não há recursos. Sinto que isto de nascer num ou noutro lugar do mundo é talvez a maior lotaria da nossa existência e que a condiciona de forma indelével. Nascer e poder viver num país onde, em condições normais, temos garantidas condições mínimas de sobrevivência, é, pois, um verdadeiro luxo e uma pura questão de sorte. E o contrário o maior dos azares. Algo sobre o qual não temos a mais pequena responsabilidade. Acho por isso que a circulação de alguém à procura de sustento, que é o que parece constituir a maior parte da imigração, é um direito natural, inato à condição do ser humano, que nenhum Estado devia poder comprimir. Quando um Estado se acha no direito de impedir a entrada de um imigrante apenas devido à sua naturalidade, o que eu interpreto não anda muito longe disto: “tivesses nascido noutro lugar”. Mas isto sou eu, com os meus botões e a cómoda inconsequência das minhas crenças. Reconheço que de um responsável político por esta área exigir-se-á que pense e aja de outra forma, que seja permeável à crueza do pragmatismo. Não lhes invejo este papel.

cópula-a-porter


Oiço, no Fórum da TSF, vários intervenientes a manifestarem o seu desacordo sobre a distribuição gratuita de preservativos na escola. Consideram que o Estado está, por esta via, a incentivar a prática de relações sexuais. Convirá talvez explicar que a distribuição de contraceptivos não inclui um parceiro com quem, digamos, realizar a dita cópula.

Num país a sério


Vale muito a pena assistir ao K.O que Pedro Magalhães faz hoje* ao artigo "Se Portugal fosse um país a sério...", de Pacheco Pereira.
* e que em breve deverá aparecer publicado aqui

17.5.09

Múltipla personalidade

Por vezes, tenho dificuldade em rever-me em posts relativamente aos quais há apenas umas poucas horas atrás me terei dito "ora aí está uma bela ideia para um post" (mas lá que tinha cara de choninhas, tinha).

16.5.09

First impressions


Preparo-me para ler "Da democracia na América" (disseram-me que tinha capítulos pequenos). Primeira impressão: o Tocqueville tinha ar de choninhas.

15.5.09

Este blog está "just" em forma, percebem, forma justa (ah ah ah ah, este Cavaco é demais)


Graças a este, este e este link, este blog tem vindo a consolidar um aumento de visitas nas últimas semanas, tendo atingido hoje o seu máximo histórico e chegado quase à idade da minha avó.

13.5.09

A inveja é uma coisa feia mas porque não tenho eu uma voz como a destes senhores? ou o talento? ou um bigode? A vida não é justa



Gostava mesmo que me esclarecessem sobre isto


Acontece-me sempre o mesmo. Quando preciso de saber algo sobre alguma das competências do Presidente da República vou ao respectivo site oficial e encontro tudo menos o que procuro. Nomeadamente sobre uma das suas competências-chave, a de promulgar os decretos do Parlamento e do Governo e do outro direito que lhe está associado, o do veto. Não encontro nenhuma razão válida para não estarem disponíveis pelo menos os diplomas que o Presidente acaba de promulgar. E mesmo relativamente aos decretos que se encontram para promulgação, julgo que também aí deveria valer um princípio de transparência e ser-nos dado a conhecer, de forma actualizada, quais os diplomas em apreciação. Tal como faria sentido que o site tivesse uma lista dos diplomas vetados, com as respectivas fundamentações. E tocando noutras matérias, como as petições dirigidas ao Presidente da República, não deveria o site prestar informação sobre as petições que lhe são dirigidas, obrigação que é, inclusivamente, exigida pela lei?

Artigo 14.º
Controlo informático e divulgação da tramitação

Os órgãos de soberania, de governo próprio das Regiões Autónomas e das autarquias locais, bem como os departamentos da Administração Pública onde ocorra a entrega de instrumentos do exercício do direito de petição, organizarão sistemas de controlo informático de petições, bem como de divulgação das providências tomadas, nos respectivos sítios da Internet.

Qu'elle est belle la liberté

Desde o fim-de-semana que esta música não me sai da cabeça.

12.5.09

Lei Hadopi aprovada pela Assembleia Nacional francesa (post resgatado dos rascunhos de ontem)

A controversial French bill which could disconnect people caught downloading content illegally three times has been passed by the National Assembly.

Para além dos aspectos mais controversos, esta lei (que ainda terá de passar no Senado) pode estar a abrir a porta a que a pirataria de que hoje a indústria discográfica se queixa passe a ter como alvo os utilizadores da Internet, que poderão ver as suas contas e identidades colonizadas pelos piratas. Desta forma, esta lei pode trazer um acréscimo considerável de insegurança para os cidadãos nas ligações à Internet. Conforme disse o deputado socialista Patrick Bloche, esta lei "é perigosa, inútil, ineficiente e comporta muitos riscos para nós cidadãos". Por vezes, os velhos esquemas argumentativos da reacção fazem todo o sentido*.

* Tenho a certeza que há uma tradução portuguesa desta obra mas o Google está a embirrar comigo e não me dá nada

Onde está um Manuel Alegre quando precisamos dele?



Não há um Manuel Alegre que se indigne com as declarações do Manuel Alegre!

11.5.09

Boas pessoas

Há uns anos, quando estava a acabar a faculdade, foi surpreendido pelo comentário de um amigo que disse achar que ele era, fundamentalmente, uma boa pessoa. Gostou de se ver assim resumido: uma pessoa boa. A partir desse momento passou a avaliar grande parte dos seus actos à luz do que um homem bom faria. Tornou-se num bonzinho fajuto. Os anos passaram e esta tentação encontra-se hoje consideravelmente mitigada. Não sei se ainda será (se é que alguma vez foi) um homem bom. Mas se for o caso, por favor, não lho digam.

Damn you, news

Repudio veementemente esta notícia, que revelou total desconsideração por este blog, nomeadamente por este último post. Se o objectivo era embaraçar-me e reduzir ao ridículo o ponto que tentei aí fazer, obrigadinho. Conseguiram.

8.5.09

Assumir as suas ideias


Mudar de opinião até que é uma coisa saudável, tanto para os homens e mulheres, como para os partidos. Isso não significa que qualquer mudança de opinião seja de saudar. Há, por exemplo, aquelas pessoas que têm o irritante hábito de começar uma conversa a defender uma posição e a meio já estão a dizer o oposto, como se sempre o tivessem feito. Ora, não chegando a este ponto, intriga-me este hábito que o PSD tem vindo a consolidar no que toca a algumas das suas votações no Parlamento, nomeadamente de iniciativas legislativas fundamentais para a democracia portuguesa, como é o caso do financiamento partidário. Num momento o PSD está a votar a iniciativa num determinado sentido, uns dias depois já está a recuar e a querer mexer no seu articulado. Foi também o que aconteceu com a votação do estatuto político-administrativo dos Açores, onde o mesmo PSD que votou favoravelmente o diploma já estava, uns dias passados e perante as críticas do Presidente, a questionar as escolhas feitas. Supondo que o sentido de voto do partido liderado por Ferreira Leite não é fruto do acaso mas sim de reflexão e ponderação, espantam-me estas tergiversações quando chega o momento de, face às críticas, fundamentar as suas escolhas.

Quando a arte antecipa a realidade


A escolha de um juiz para o Supremo Tribunal constitui um dos momentos altos do mandato de um Presidente americano, tendo em conta a influência deste órgão enquanto último intérprete das leis e da Constituição e do legado dos Founding Fathers. A provável saída de David Souter daqui a uns meses permitirá, de forma algo inesperada, que Obama proceda à sua primeira escolha (de duas ou três, no máximo) para o Supremo Tribunal. O Rui Branco já explicou de forma exemplar como o percurso de Obama parece decalcado de um guião do West Wing. Com esta nomeação que se perspectiva, Obama vai poder uma vez mais buscar inspiração na série de Sorkin, Resta saber qual o episódio que escolherá seguir: este ou este?

7.5.09

i já saiu o novo jornal diário

Apraz-me ver que, ainda que por curta margem, os leitores do novo jornal diário i parecem ter mais bom senso do que sindicatos, patrões e Governo, os quais, de acordo com a primeira capa do jornal, estarão todos de acordo quanto a querer menos imigrantes.

Resultados do inquérito
Portugal deve ter menos imigrantes para combater o desemprego?

NÃO: 51%
SIM: 49%

Votos: 325
Período: 06-05-2009 ate 07-05-2009 (às 16.40)

6.5.09

Breves (bem, mais ou menos) comentários às séries da minha vida


Identificadas as séries da minha vida, um ou outros comentários. Les Cités D’Or. As fabulosas aventuras de três amigos (Tao, Esteban e Zia) e o primeiro contacto com o exótico mundo da América sob o domínio de Castela. Adrian Mole foi uma antecipação do que viria a ser a tragicomédia que é a adolescência. Starsky & Hutch e os Soldados da Fortuna: pura adrenalina e, no meu caso, um sabor a transgressão, pois tinha de fingir ir deitar-me para que a minha irmã mais nova não quisesse ficar a assistir ao que se tornara uma prerrogativa de irmão mais velho. Dempsey e Makepeace, bem... Makepeace.

Segunda fase. Com Norte e Sul terei tomado pela primeira vez contacto com a Guerra Civil americana, assim como com os generosos decotes dos espartilhos da época. Hitchcock. Acho que, antes dos filmes, foi com estas séries que conheci as primeiras obras do mestre do suspense, com histórias que ainda hoje dou por mim a perguntar a amigos: “e lembras-te daquela da tentativa de fuga de um prisioneiro que acaba enterrado vivo no caixão?”. All in the family, que achava que tinha um humor esperto, sobretudo na relação entre o magnífico Archie Bunker e o cunhado de origens polacas (que é igualzinho ao Rob Reiner com menos 70 quilos).

Bem, isto já caminha para o aranzel, por isso, abrevio: Family Ties, terno; Yes Minister, inteligente e, juntamente com o Black Adder himself, deu-nos um dos melhores cínicos do seriado televisivo, Humphrey. Black Adder, a última das minhas séries A.S (Antes de Seinfeld). Seinfeld e Larry David, uma espécie de Darwins do humorismo. Nada ficou igual depois deles.

West Wing devia ser dado nas aulas da faculdade sobre o sistema de Governo americano. Também foi a mais empolgante das séries que vi, tendo facilmente sido contagiado pelo seu idealismo. Idealismo que, a meu ver, está exactamente na dose justa. Mais um grama e o copo transbordaria. Acho que foi isso que aconteceu quando tentei ver a seguir o Studio 60 on the Sunset Strip, também do Aaron Sorkin. É um West Wing que, em vez da Casa Branca, passa-se nos bastidores de um estúdio de televisão. E desta vez acho que o copo transbordou.

Estava criado o terreno ideal para o The Wire, uma espécie de negativo do West Wing. Em vez do idealismo deste, temos o desencanto; em vez da nítida distinção entre o bem e o mal, temos uma amálgama de valores, que se reflecte nas personagens, as mais complexas de todas as séries. Partilha com o West Wing o título da melhor série que vi.

Posto isto, passo esta corrente ao A.R, se para isso tiver paciência, e ao Tiago Antunes. Se os conhecesse, passaria ainda a corrente ao Daniel Oliveira, ao Tomás Vasques e ao Eduardo Pitta, os bloggers que, de momento, além do remetente desta corrente, sigo com mais gosto.

Boas notícias (actualizado)

Les députés européens ont confirmé, mercredi 6 mai, leur opposition à toute coupure administrative de l'accès à l'Internet en cas de téléchargements illégaux. Ce vote montre une nouvelle fois l'opposition du Parlement européen au projet de loi Création et Internet, actuellement discuté en France.

Adenda: o voto dos eurodeputados portugueses (retirado daqui)

407 votos a favor

GUE/NGL: Ilda Figueiredo, Miguel Portas, Pedro Guerreiro PPE-DE: Ribeiro e CastroPSE: Ana Gomes, Armando França, Edite Estrela, Elisa Ferreira, Emanuel Jardim Fernandes, Francisco Assis, Jamila Madeira, Joel Hasse Ferreira, Manuel dos Santos, Paulo Casaca

57 votos contra

PPE-DE: Assunção Esteves, João de Deus Pinheiro, Vasco Graça Moura

171 abstenções

PPE-DE: Duarte Freitas, Luís Queiró, Sérgio Marques, Silva Peneda

5.5.09

Séries da minha consistentíssima vida

O Pedro Adão e Silva passou-me uma corrente. E logo sobre séries. Fez o meu dia. Vamos a isso, então. Assim de repente, e reservando um comentário sobre algumas delas para quando despachar o expediente de hoje (bem, todo não, talvez só o mais urgente), aqui vão as 15 séries que, admitindo – sem conceder – que a minha vida tem algo a que se possa chamar consistência, a elas também se deve.

As séries da infância
– Les Mystérieuses Cités d'Or
– Adrian Mole
- Starsky & Hutch
– Os Soldados da Fortuna
- Dempsey e Makepeace

As séries da adolescência
– Norte e Sul
- Hitchcock apresenta
– All in the Family
– Family Ties
- Yes Minister e Prime Minister

As séries da adolescência tardia
– Black Adder
– Seinfeld

As series do presente, seja lá que fase é esta
– Curb your Enthusiasm
– The West Wing
– The Wire

ps: agora vou pensar sobre como vou passar esta corrente a alguém, se não conheço praticamente nenhum blogger.

4.5.09

Olhem quem está de volta: o Chris de blhurc

Enquanto medito nisto e a gripe mexicana está no intervalo (o Prós e Contras, quero eu dizer) e passeio os olhos pelos anúncios em modo mute, não resisto ao apelo para escrever um dos nomes incontornáveis do panorama musical dos anos 80 e, provavelmente, o artista mais mal aconselhado no que à escolha de nomes artísticos diz respeito.

Vasco Granja - 1925-2009 (revisto)

Graças a ele, a generalidade das crianças da minha geração puderam contactar com uma parte do universo do cinema de animação que ía muito além dos personagens da Disney. Lembro-me de gostar dos filmes do Tex Avery e de me aborrecer tremendamente com o cinema de animação checoslovaco - à data, como hoje, um dos expoentes desta arte. O que eu tenho pena é que quando cheguei à idade adulta e me senti finalmente apto a absover os ensinamentos dos Jiri Bartas e dos Jiri Trincas, o Vasco Granja e o seu saber enciclopédico sobre cinema de animação, que parecia viver com um entusiasmo pueril, já não passassem em nenhum canal de televisão. Entusiasmo e generosidade, é o que me fica deste homem, a quem um dia (talvez há uns dez anos) um grupo de amigos, que se iniciava no gosto por esta arte, perguntou se estaria interessado em assistir, em casa de um deles, a uns filmes de animação. Convite ao qual respondeu prontamente que sim e que, infelizmente, acabaria por não acontecer por motivos de saúde do próprio, conforme amavelmente nos explicou na altura a sua mulher. Talvez assim descrito isto não pareça particularmente digno de se registar no dia do seu desaparecimento mas a sua disponibilidade e a alegria com que pareceu fazê-lo deixou em mim a ideia de alguém francamente generoso. E eu gosto de pessoas generosas.

Anacronismos

Bem sei que isto de andar entusiasmado com o blog e querer falar sobre isso faz tanto sentido nos dias que correm como chegar aqui e pôr-me a dissertar sobre as maravilhas da televisão a cores. Dito isto, e depois de um fim-de-semana alargado longe da Internet, queria apenas dizer o seguinte: tive saudades tuas bloguinho.

30.4.09

Dicas para embalar bebés de 7 meses que insistem em achar que 06.00 é uma boa hora para acordar

Música para todas as idades

É comum dizer-se que não há boa nem má música específica para as crianças mas que há apenas boa e má música. Ponto. Nesta ideia parece subentender-se que é a boa (ou má) música para os adultos que é igualmente boa (ou má) para as crianças. Menos usual, porém, é entender-se o contrário, que existem músicas dirigidas para as crianças que são excelentes obras para um público qualquer idade. É o caso desta fantástica trilogia da bicharada: “Caracol”, “Borboleta” e “Galinha Pedrês”, que, por mais de uma vez, dei por mim a ouvir, sozinho, no carro. A edição é da criativa Companhia de Música Teatral e o seu autor Paulo Maria Rodrigues, o único doutorado em Bioquímica e Genética Aplicada pela Universidade de East Anglia que ouvimos lá por casa.





29.4.09

Perfect lines. So inspired. So well written, Yet so simple

JERRY: So as you can see, I've got a little problem here.
GEORGE: Well if I'm hearing you correctly. And I think that I do, my advice to you is finish your meal, pay your check, leave here, and never speak this to anyone again.
JERRY: Can't be done, huh?
GEORGE: "The Switch?"
JERRY: "The Switch."
GEORGE: (Shakes head) Can't be done.
JERRY: I wonder.
GEORGE:(Pounds table.) Do you realize in the entire history of western civilization no one has successfully accomplished the Roommate Switch? In the Middle Ages, you could get locked up for even suggesting it.
JERRY: They didn't have roommates in the Middle Ages.
GEORGE: How do you know?
JERRY: Well, for one thing, they didn't have apartments.
GEORGE: Well, I'm sure at some point between the years 800 and 1200, somewhere there were two women living together.
JERRY: The point is I intend to undertake this. And I'll do it with or without you. So if you're scared, if you haven't got the stomach for this, let's get it out right now! And I'll go on my own. If not, you can get on board and we can get to work! Now what's it going to be?
GEORGE: All right, dammit, I'm in.
JERRY: I couldn't do it without you.


JERRY: All right. So I tell Sandy that I want to have a ménage à trois with her and her roommate.

GEORGE: That's right.
JERRY: And you believe this course of action will have a two-pronged effect. Firstly, the very mention of the idea will cause Sandy to recoil in disgust, whereupon she will insist that I remove myself from the premises.
GEORGE: Keep going.
JERRY: At this point, it is inevitable that she will seek out the roommate to apprise her of this abhorrent turn of events.
GEORGE: Continue.
JERRY: The roommate will then offer her friend the requisite sympathy even as part of her cannot help but feel somewhat flattered by her inclusion in the unusual request.
{George takes over.}
GEORGE: A few days go by and a call is placed at a time when Sandy is known to be busy at work. Once the initial awkwardness is relieved with a little playful humor, which she (Laura) of course cannot resist, an invitation to a friendly dinner is proffered.
JERRY: Huh. Well, it all sounds pretty good. There's only one flaw in it: They're roommates. She'd have to go out with me behind Sandy's back. She's not gonna do that.
{Another pregnant pause. George?}
GEORGE: You disappoint me, my friend. Sandy wants nothing to do with you. She tells Laura, "If you want to waste your time with that pervert, that's your problem."
{Final pause. Jerry?}
JERRY: It's a perfect plan. So inspired. So devious. Yet so simple.
GEORGE: {George, finger in the peanut butter jar}: This is what I do.

Seinfeld, "The Switch", episódio 97.

28.4.09

Sabedoria Seinfeld

À espera de um sentimento de culpa


Vi recentemente “O Leitor”, de Stephen Daldry. Neste filme, Hanna Schmitz (Kate Winslet) é uma ex-guarda de um campo de concentração (Auschwitz), que se envolve, 13 anos depois do fim da guerra, com um rapaz de 15 anos. Aparentemente, Schmitz vive o seu dia-a-dia sem ponta de remorso pelo seu passado. Esta ideia parece confirmada pela atitude que revela durante o julgamento, onde a sua defesa se resume à invocação de que sacrificou dezenas, centenas de vidas humanas em nome de uma ideia para ela suprema, a da ordem, da ausência do caos. Mas depois há aqueles banhos, que alguns dizem ser uma mera manifestação de um forte sentido de higiene pequeno-burguês, recentemente adquirido pela classe baixa e média alemã. Não consigo, no entanto, de deixar de ver nesses banhos, com contornos obsessivos, uma manifestação do sentimento de culpa subconsciente de Schmitz. Como em "À espera dos Bárbaros”, de Coetzee, onde a figura de um juiz, que vive num lugar pacato na periferia de um império, é confrontada com a prática das maiores crueldades pelas mãos de um carrasco que age, precisamente, em nome do império que o juiz representou durante toda a sua vida. Neste despertar, o juiz questiona-se sobre o que faria aquele carrasco, que executa com aparente desprendimento as mais cruéis tarefas, no regresso a casa para junto da sua família: “lavaria cuidadosamente as mãos antes de lhes tocar”, perguntava-se? E depois há a forma como o juiz parece expiar a culpa pela sua cumplicidade com aquele regime, acolhendo sob a sua protecção uma das vítimas do carrasco, uma jovem bárbara (o inimigo), violentamente agredida e a quem lhe roubaram a visão e assassinaram o pai. Para além de a alimentar, durante meses (ou anos), o juiz passava as noites a lavar as feridas desta jovem. Demorada e minuciosamente. Com persistente obsessão. De alguma forma como Schmitz, pareceu-me. Será talvez uma espécie de recusa minha em aceitar a amoralidade com que Schmitz parece encarar o seu papel na máquina da Solução Final? Ou de um quadro de valores em que de um lado está a ordem (o bem) e do outro o caos (o mal), o que seria visível na reacção facial de asco com que Schmitz reagiu a um cenário em que a consequência do seu acto seria, precisamente, a desordem e o caos? Admito que sim. Mas no fundo, no fundo, no fundo, no fundo, ela tinha uma noção do mal em que estava a participar.

Autárquicas Lisboa, ainda a sondagem

O Pedro Adão e Silva diz que a sondagem para o município de Lisboa divulgada pelo Correio da Manhã no passado fim-de-semana permite-nos “de algum modo antecipar os efeitos de uma eventual candidatura de Alegre às legislativas, fora do PS”, verificando, com eventual surpresa, que o partido mais prejudicado pelo “efeito Alegre” é o BE e não o PS.

Olhando para trás, parece-me que esse efeito já era de alguma forma perceptível no resultado da eleição intercalar, na qual o BE obteve 6,82% dos votos, menos 2% dos votos obtidos em Lisboa nas eleições legislativas de 2005, num cenário em que tinha como cabeça de lista um independente e que, por isso, deveria, em tese, alargar a sua base eleitoral, e pelo facto de haver uma outra candidatura independente, a disputar o mesmo terreno ideológico (se assim se pode dizer).

A crer na sondagem do CM, dir-se-ia, por um lado, que se acentuou a competição entre estas duas candidaturas, com vantagem para a de Roseta (apesar de também registar uma queda da intenções de voto), o que poderá também acusar a ruptura entre o BE e o independente Sá Fernandes, que continuou a apoiar o executivo de António Costa. Por outro lado, dois anos após aquelas eleições, o PS parece recuperar uma parte do eleitorado que, em 2007, apoiou as listas encabeçadas por Sá Fernandes e Roseta, dado que é o único partido que regista um significativo aumento nas intenções de voto.

27.4.09

H1N1

É interessante notar que uma parte da blogosfera (pelo menos a que leio com regularidade e que está referida aí ao lado), tão lesta a comentar os mais ínfimos detalhes da actualidade, pareça tão desinteressada do que tem todos os sinais de ser uma preocupante ameaça à saúde dos habitantes do planeta, de consequências potencialmente devastadoras. Será por não se tratar de um assunto político, grande catalisador de textos por estas bandas? Mas não é política saber como deve ser feita a prevenção numa situação destas, como é que as autoridades públicas devem gerir a informação e que iniciativas devem ser adoptadas, em que cenário se justifica o fecho de fronteiras (gostava que me explicassem isto)? Acho um verdadeiro mistério o silêncio a que esta blogosfera votou esta matéria.

Ps: apenas ouvi falar disto no Banco Corrido.

26.4.09

Mudam-se os tempos mas não as vontades (musicalmente falando)

Finda a euforia musical-intervencionista de Abril, regresso aos clássicos.

Gould


E este fabuloso Waits, romântico e melancólico até à medula, hereticamente esquecido há meses, senão mesmo anos, na gaveta dos cd's, até que ontem alguém disse numa festa (sim, fui a uma festa, com filhos mas era uma festa, tenho a certeza) que era o disco da sua vida. Em boa hora.

Waits

E entretanto o solzinho baril a ir-se embora

O post anterior era para se resumir ao último parágrafo.

Autárquicas Lisboa: contagem decrescente


Sondagem da Aximage para o Correio da Manhã:
PS (António Costa) — 36,1%
PSD+CDS-PP+PPM+PMT (Pedro Santana Lopes) — 29,6%
CDU (Ruben de Carvalho)— 8,4%
Cidadãos por Lisboa (Helena Roseta )— 7,1%
BE (Luís Fazenda ) — 3,8%

Estes são os resultados da sondagem da Aximage para o Correio da Manhã, que primeiro vi aqui. De acordo com o jornal, o PS conseguiria 8 vereadores. A coligação PSD+CDS-PP+PPM+PMT obteria 7. Isto quer dizer que, se este cenário se confirmasse no dia das eleições, António Costa ficaria a apenas um vereador da maioria absoluta.

Comparando com o resultado das últimas eleições intercalares, importa assinalar o seguinte: crescimento considerável do PS (teve 29.9% em 2007) e ligeira diminuição da percentagem de votos à direita (em 2007, o PSD teve 15,85%, Carmona 16,65% e o CDS 3,72%, mais 0,3% e 0,8% do MPT e do PPM, respectiavamente). Ligeira queda de Helena Roseta (10,26% em 2007) mas o suficiente para lhe retirar um vereador (actualmente tem dois). Queda mais acentuada teria o BE, que perderia o único vereador eleito em 2007 (com 6,82% dos votos), o independente Sá Fernandes, a quem durante o actual mandato foi-lhe retirada a confiança política. Finalmente, a CDU manteria mais ou menos os mesmos valores (9,48% em 2007) mas neste cenário também perderia um vereador (ficaria com apenas um).

Valendo o que valem as sondagens e devendo ter-se sempre presente até ao dia das eleições o aviso que aqui é feito, não deixa de ser um sinal sobre a forma como os lisboetas estão a avaliar o mandato de António Costa, como se sabe, contextualizado por condições particularmente difíceis, quer pela catastrófica situação económica-financeira que encontrou, como pela necessidade de coexistir com uma Assembleia Municipal, controlada pela direita, que resulta ainda das eleições de 2005.

Também se poderá dizer que a manutenção ou ligeira queda da direita relativamente a 2007 (ano em que foi particularmente penalizada) poderá encontrar explicação no facto de ser encabeçada pelo principal rosto do despesismo que marcou o mandato da direita na CML entre os anos de 2001 e 2007 (para não mencionar da trágica experiência à frente do Governo português).

Quanto ao BE, é verdade que só apresentou o seu candidato há muito pouco tempo mas também poderá reflectir a ausência de Sá Fernandes da sua lista e a forma como se afastou deste durante o presente mandato.

Dito isto, achei divertida a forma como o Correio da Manhã apresenta esta notícia na sua edição electrónica: i) o título é que Costa ganha com dificuldades; ii) o lead é que António Costa obtém na sondagem "apenas uma diferença de 6,5 pontos percentuais face ao candidato social-democrata Pedro Santana Lopes".

23.4.09

Suponho que para as legislativas o PSD propõe uma "regressão geracional"

É uma “candidatura forte”, representa uma “renovação geracional” quanto ao perfil do provedor e uma personalidade que está “ligada aos novos temas do direito”, como o ambiente. Paulo Rangel, no anúncio da candidatura de Maria da Glória Garcia a provedor de Justiça.

Sinal dos tempos

Há bem poucos anos atrás, criticavam-se os Governos por priviligiarem os órgãos de comunicação social para o anúncio das suas políticas, relegando para segundo plano o Parlamento. Ontem, na RTPN, Zita Seabra criticava o primeiro-ministro precisamente pelo contrário, por aproveitar os debates na Assembleia da República para fazer o anúncio de medidas políticas. Inadvertidamente, a deputada do PSD deu conta do significativo reforço do Parlamento como primeiro palco do debate político nacional, mudança que ocorreu muito graças à recente reforma da Assembleia da República e do seu regimento, que, diga-se em abono da verdade, contou com os votos favoráveis de todos os partidos menos do PSD.

22.4.09

Posts que vão nascer na praia

Ir recolhendo as várias previsões políticas que se vão fazendo - na blogosfera e nos media - acerca do ciclo eleitoral que está a começar para depois confrontá-las com a realidade.

1 - Este conflito [entre PR e Governo] vai, infelizmente, ser o centro do debate político nos próximos tempos e mais que previsivelmente vai-se arrastar até depois das legislativas, Pedro Marques Lopes, DN e união-de-facto

Posts que morreram na praia

Sobre o (muito) que dizem as fotografias que as pessoas escolhem para se identificar no Twitter e nas redes sociais.

21.4.09

E ainda por cima não tenho de dividir com ninguém

Já só me faltam 99.980 e é desta que vou passar férias às Maldivas.

Discriminações

A propósito da conferência das Nações Unidas sobre o racismo dei por mim a pensar que, em termos de humor, sou um valente racista, pois discrimino todos os que não sejam judeus.







Inversão da prova do ónus

Conheço mais pessoas casadas do que unidas-de-facto (não confundir com unhas-de-gato, como faz o corrector ortográfico). Curiosamente, as relações mais duradouras que conheço acontecem, maioritariamente, entre este segundo grupo. Tendo em conta algumas preocupações do episcopado português, até seria lógico que fosse com as relações que se preocupassem mais e não tanto com a estabilidade de um contrato.

20.4.09

Esquizofrenia mediática

Todos os dias os media declaram que estamos a viver a pior crise económica desde, provavelmente, a Grande Depressão dos anos 30 do século passado. No entanto, todos os dias parecem estar à espera da notícia de que a retoma já começou.

A tensão democrática


As declarações de Cavaco foram críticas? Acho muito bem. Concordando ou não (e não concordo, genericamente) com o seu teor, a figura do Presidente também serve para fazer política. Aliás, é legítimo e positivo que o faça, atendendo à legitimidade que lhe advém da sua eleição por sufrágio directo e universal. O Governo reagiu, discordando, das críticas? É normal, sobretudo quando são diferentes as linhas político-ideológicas que professam. Isto é mau para a democracia? Não. Voltamos sempre a isto, parece que muito do nosso jornalismo e opinionismo não vê a crítica, a controvérsia, a polémica, o contraditório, como naturais em - e à - democracia. Como se fosse uma patologia desta e não fosse assim que ela se enriquece e se cumpre plenamente. A sua ausência é que nos remete para uma ideia de passado, em que a discórdia era anátema.

19.4.09

Corrupção, ai eu sou contra


Ou temos andado entretidos com questões acessórias ou distraídos com o que não importa. Jornalistas, colunistas, especialistas e políticos tornados especialistas vêm frequentemente a público avisar-nos que temos andado a trilhar o caminho errado no combate à corrupção. Subentendido está sempre que a corrupção está como está porque não se fez o que propunham ou, pior, que não se fez não se sabe o quê que insinuam que (eles e todos nós) sabem mas que nunca é dito. Por detrás disto está uma terrível demagogia, que consiste em fazer passar a ideia de que o fim da corrupção depende apenas da vontade de quem está no poder e do pretenso poder milagrento dos seus decretos.

18.4.09

A Igreja sempre teve uma certa queda para o humor


"Será verosímil que um nabo se esforçe por se tornar um homem?", indagava Samuel Wilberforce, bispo de Oxford, em 1860, pouco depois da publicação de "A Origem das Espécies", de Darwin

A franqueza é algo claramente sobrevalorizado

"O teu blog é um bocado seca", confidenciava-me, há momentos, um leitor.

Porque isto das indignações também tem dias



Menos dado a indignações, hoje seria menos tremendista (que exagero, aquele post) e diria, em tom nitidamente menos preocupado, que foi apenas néscia a actuação dos serviços jurídicos que fizeram aquela esdrúxula (por pouco não escrevia isto com um x) interpretação, que se auto-ridiculariza a si mesma.

Agência dos EUA considera que o CO2 é um poluente

Apesar das agruras da crise económica, esta notícia deve ser saudada e as preocupações que a motivam deveriam constituir uma prioridade de todos os governos. Que esta crise internacional não nos distraia a todos desta necessidade.

Modelo Nórdico

A sesta poderá vir a ser obrigatória na Dinamarca. A medida foi adoptada em 1800 empresas e, para já, será apenas aplicada a título experimental. A sesta será remunerada e não poderá ultrapassar os vinte minutos diários. Foi ainda consagrado o direito a um dia de baixa por morte de animais domésticos.

17.4.09

Ceci était une pipe





Depois de terem feito o mesmo com Sartre e Malraux, o fascismo higienista continua, como o bicho da madeira - lentamente mas com um sentido trágico de inexorabilidade -, a carcomer as nossas democracias.

Desta vez foram os serviços jurídicos do Ratp e Sncf (metro e comboios) que, peregrinamente, acharam que o cachimbo de Tati que ilustra a exposição sobre o cineasta na Cinemateca Francesa atentava contra a lei Evian, que proibe a publicidade, directa ou indirecta, ao tabaco. O resultado é o que se vê em cima, tendo ainda o responsável da exposição tentado argumentar que o cachimbo de Tati nunca tinha sido aceso (mas que importa isso!).

16.4.09

Back to the basics


O último inquérito Eurobarómetro diz-nos que apenas 34% dos eleitores da UE pretendem votar nas próximas eleições para o Parlamento Europeu. Quanto a Portugal, o desinteresse parece ser ainda maior. Apenas 24% se manifestam dispostos a ir votar. Uma maioria dos inquiridos portugueses (56%) diz “não ter interesse” por esta eleição. Uma esmagadora maioria (71%) confessa “não conhecer razoavelmente o papel do Parlamento Europeu”. E uma igualmente impressiva maioria (72%) considera “não estar suficientemente informado para ir votar”. Na mesma página do Diário de Notícias onde leio esta notícia consta a informação de que o Estado, através do Instituto da Juventude e do Ministério da Administração Interna, pretende, através de SMS, sensibilizar para o voto os 300 mil novos eleitores cujo recenseamento ocorreu automaticamente.

Os dados do Eurobarómetro permitem especular se o principal obstáculo ao exercício do direito de voto nestas eleições não consistirá, em primeira instância, na enorme ignorância sobre o fundamental do que está em causa nestas eleições, a começar pelo papel desempenhado por este órgão na política comunitária. E isto combate-se através de informação, destinada a eleitores que, assumidamente, conhecem muito pouco sobre aquilo que são chamados a votar. Esta componente não devia ser descurada pelas campanhas dos diversos partidos. A discussão em torno do Tratado de Lisboa e da forma como se deve organizar o poder no seio da UE poderia constituir uma boa oportunidade para esta pedagogia. Se esta não for feita, está-se apenas a tentar incentivar as pessoas a irem votar em algo que desconhecem, o que não augura grandes possibilidades de sucesso.

Claro que o melhor era que este trabalho fosse feito, com as devidas adaptações, a este nível (com a devida vénia pelo exemplar trabalho que a ex-juíza do Supremo Tribunal dos EUA tem feito nesta área).

14.4.09

Preocupações

Hoje foram conhecidos indicadores preocupantes. Mas não os que interessam a Sócrates este ano. Eram indicadores económicos, não era a última sondagem.

Outros parecem ver nas notícias da crise apenas mais uma oportunidade para atacar o primeiro-ministro. É apenas isto que parece, muitas vezes, preocupá-los.

Variações de Goldberg, BWV 988

Bach-Werke-Verzeichnis ("Catálogo de Obras de Bach" em alemão) é o sistema de numeração usado para identificar obras musicais de Johann Sebastian Bach, agrupadas tematicamente, não cronologicamente. Mas claro, BWV, Bach-Werke-Verzeichnis. Como pude não perceber!

Critérios

Acho curioso que, numa época em que existe tanto jornalismo opinativo ou interpretativo, alguma imprensa sinta necessidade de usar aspas (citando) para qualificar como obscena a campanha que colaboradores de Gordon Brown estavam a preparar para caluniar a liderança conservadora.

13.4.09

Histórias


Há tempos, contaram-me que os americanos tinham enviado para o espaço uma colecção com obras representativas do melhor que o ser humano foi capaz de fazer no século XX. Ícones da cultura terrestre do século passado para um eventual encontro imediato de terceiro grau. Ou então seria para salvar estes marcos culturais de uma possível catástrofe, nomeadamente nuclear. Já não me recordo mas esta última parece fazer, mesmo assim, mais sentido. Onde é que eu tinha a cabeça! Bem, disseram-me que um desses ícones era o sublime “Variações de Goldberg”, de Bach, interpretadas pelo excelso Glenn Gould. Tendo procurado saber um pouco mais sobre esta obra, assim como sobre o magnífico intérprete canadiano, não encontrei uma única referência a esta viagem espacial. Fui então ao grande oráculo do século XXI e o resultado foi o mesmo, o que, se não elimina, diminui drasticamente as possibilidades da história ter, efectivamente, ocorrido. Pior para os alienígenas. Melhor para mim, que ganhei uma bela história.

Sinal dos tempos II



Julgo que a forma de uma pessoa se vestir deve, tal como os bons dias quando chegamos de manhã ao trabalho, ficar na disponibilidade e ao livre arbítrio de cada um, que optará, ou não (e neste caso sujeitando-se à eventual censura social), por se acomodar a estas regras de convivência social. Apesar de tudo, nestas situações confio mais na sensatez destas regras e na margem que concedem para acomodar a diferença e a excepção do que na rigidez da norma administrativamente imposta.

12.4.09

Sinal dos tempos

Manuel Alegre reagiu, e bem, à imposição de regras de vestuário na Loja do Cidadão de Faro, dizendo que “é uma coisa de cariz fascizante, totalitário, contra a liberdade individual”. Mas acrescenta um alerta "para um clima cultural que está a tomar espaço no país". E frisa que “estas coisas são sinais” e “multiplicam-se estes sinais”. Isto é que tenho mais dificuldade em aceitar, pois episódios destes têm sido frequentes em democracia, como aconteceu há uns anos com as regras de vestuário que um banco (a CGD?) tentou, ou conseguiu mesmo, adoptar, e que ia ao ponto de definir a cor das meias que os homens deviam usar. E quem andou em faculdades públicas como, por exemplo, ali para os lados do Campo Grande, na área das ciências, digamos, jurídicas, sabe bem que estes são sinais, mas de tempos que vêm de longe.