Não fôssemos estar esquecidos, o PSD de Lisboa fez o favor de nos recordar os melhores tempos das trapalhices santanistas.
O PSD viabilizou por engano na Assembleia Municipal de Lisboa o Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade e Zonas Envolventes (PUALZE), que pretendia chumbar, reconheceu hoje o líder da bancada social-democrata.
15.7.09
14.7.09
De como dizer por mais e piores palavras o que outros já exprimiram com tanta clareza
É minha convicção que, contrariamente ao que tem acontecido nas últimas décadas, as próximas eleições não se vão ganhar ao centro. Pelo menos para o PS. Por um lado, temos a situação anómala que foi evidenciada nos resultados das últimas europeias e de que o Pedro Adão e Silva deu conta em devida altura aqui: a existência (efémera ou nem por isso) de três blocos (PSD+CDS; PS; e BE+PCP), sendo que o PSD não beneficiou quase nada de uma descida sem precedentes do PS e o bloco mais à esquerda a representar cerca de 20% do eleitorado, ultrapassando largamente os melhores resultados do PCP, em redor dos 18% em 1979 e 1983. Ou seja, o potencial de crescimento eleitoral do PS encontra-se, ao invés do que tem sido hábito na nossa democracia, à sua esquerda. Isto leva-nos ao "por outro lado" ou, mais propriamente, a um "acresce que": é que uma parte deste eleitorado é constituído por pessoas que - tal como explicou Miguel Vale de Almeida no seu excelente texto - "no espectro político-partidário, tal como ele se apresenta (e não o que idealizaríamos), se colocam entre o PS e o Bloco". Pessoas que não gostam "do PS-centrão, com políticas neo-liberais no trabalho e na economia, e com um séquito de pessoas predispostas ao tráfico de influências". Mas que gostam "do PS quando se apresenta do lado da igualdade, da liberdade, da modernidade". E que gostam do BE pelas mesmas razões mas que não gostam "quando descai para a demagogia, quando arrebanha as pulsões populistas, ou quando aposta no “correr por fora” desresponsabilizando-se do governo da coisa pública". É este eleitorado que deve, e pode (e não é bom quando estes dois verbos se juntam para este efeito?), dar a vitória ao PS nas próximas legislativas. Este eleitorado, que percebe que só o PS pode impedir que a direita volte, em Setembro, a governar Portugal.
Enfim, o melhor mesmo é ler o texto todo do Miguel Vale de Almeida, de que se deixa aqui um excerto:
"(...) neste momento em que o PS pode (e deve) ver-se obrigado a pensar à esquerda e a pensar em diálogos com muitos cidadãos e cidadãs das várias esquerdas, é o momento de escolher por onde passa a linha divisória entre esquerda e direita. Pessoalmente não acredito que ela passe entre o PS e o Bloco. Acredito que ela passa entre o PSD e o PS. Não quero o regresso do PSD, muito menos do PSD personificado por Manuela Ferreira Leite ou Santana Lopes. Não concordo com várias das políticas deste governo PS que agora termina. Não vi, ainda, o Bloco sair da lógica do “quanto mais dificuldades e tensões sociais melhor”, que o leva a apostar mais no “correr por fora” do que a valorizar as ideias e modos de uma das suas correntes fundadores (a que pertenci), a Política XXI. Mas vejo pela primeira vez, no PS e sobretudo em Sócrates, sinais de um projecto de modernização para o país que se diferencia quer da tentação miserabilista da maior parte da direita, quer da tentação revolucionária da maior parte da esquerda. Justamente num dos piores momentos por que aquele partido passa, e sem qualquer intenção de aderir de novo, enquanto filiado, a um partido, votarei pela primeira vez na vida no PS."
Enfim, o melhor mesmo é ler o texto todo do Miguel Vale de Almeida, de que se deixa aqui um excerto:
"(...) neste momento em que o PS pode (e deve) ver-se obrigado a pensar à esquerda e a pensar em diálogos com muitos cidadãos e cidadãs das várias esquerdas, é o momento de escolher por onde passa a linha divisória entre esquerda e direita. Pessoalmente não acredito que ela passe entre o PS e o Bloco. Acredito que ela passa entre o PSD e o PS. Não quero o regresso do PSD, muito menos do PSD personificado por Manuela Ferreira Leite ou Santana Lopes. Não concordo com várias das políticas deste governo PS que agora termina. Não vi, ainda, o Bloco sair da lógica do “quanto mais dificuldades e tensões sociais melhor”, que o leva a apostar mais no “correr por fora” do que a valorizar as ideias e modos de uma das suas correntes fundadores (a que pertenci), a Política XXI. Mas vejo pela primeira vez, no PS e sobretudo em Sócrates, sinais de um projecto de modernização para o país que se diferencia quer da tentação miserabilista da maior parte da direita, quer da tentação revolucionária da maior parte da esquerda. Justamente num dos piores momentos por que aquele partido passa, e sem qualquer intenção de aderir de novo, enquanto filiado, a um partido, votarei pela primeira vez na vida no PS."
13.7.09
Especulações pós-eleitorais
Em conversa com um amigo no fim-de-semana, este chamou-me a atenção para o programa eleitoral do Bloco de Esquerda. O ponto dele era que, num cenário de maioria relativa do PS na próxima legislatura, o Bloco surgirá como o parceiro natural, de governo (versão hard-core) ou para um entendimento de incidência parlamentar, que permitisse viabilizar os orçamentos e algumas políticas consideradas fundamentais (versão soft, para os mais enfermiços de coração). O I de hoje entrega-se a um exercício interessante: “E se o Bloco de Esquerda fosse governo?”. E nomeia 14 propostas sobre sete áreas fundamentais, que vão da Política Externa à Educação, passando pela Saúde e Segurança Social. Destas políticas, não tenho dificuldade em rever-me em cerca de metade: regionalização, casamento entre pessoas do mesmo sexo, reforço das energias renováveis, aumento do salário mínimo, a aprovação do testamento vital e a legalização da morte assistida. Outras, parecem-me inaceitáveis, como a retirada de Portugal da NATO. Outras, ainda, eu diria que poderão ser repensadas no sentido de convergir com algumas das reivindicações do BE, como a taxação das transacções na bolsa. Num eventual cenário pós-eleitoral de maioria relativa do PS, a possibilidade deste entendimento à esquerda deveria ser explorada até ao seu limite. A alternativa será, intuimo-lo, o bloco central, panaceia última da estabilidade governativa.
Cidadão de mau humor
"(...) É claro que não tenho nada contra os humoristas que nos fazem rir e passar momentos de boa disposição. Mas já tenho muito contra os humoristas que fazem política de uma forma desproporcionada e desonesta. Cidadania e humor são actividades exclusivas: para ter o seu lugar dentro da sociedade, o homem deve desempenhar um papel responsável; para desempenhar o papel de bobo, o homem deve situar-se explicitamente fora dela.
Nuno Lobo, O Cachimbo de Magritte
Nuno Lobo, O Cachimbo de Magritte
11.7.09
Bizarro World II

Ontem, em declarações à agência Lusa, Alegre disse que a “razão principal” para a sua saída da lista de deputados para as próximas legislativas foi a aprovação do Código do Trabalho pelo PS. É bastante irónico que a medida mais negativa deste governo segundo Alegre venha de um dos seus ministros mais à esquerda. Neste caso, Nixon ir à China pode não ter sido suficiente.
9.7.09
A política é um lugar tramado

Ao participar no jantar de despedida a Manuel Pinho, António Chora quis prestar homenagem a alguém que considera que fez muito pela empresa onde trabalha. Fica-lhe bem.
Como é natural, do lado do PS não se deixou passar em branco que um destacado dirigente bloquista (foi deputado e é membro da comissão política) tivesse vindo a terreiro elogiar as políticas e o empenho de um membro do Governo. Fez bem.
Igualmente natural foi a reacção do BE, pela voz de Francisco Louçã, demarcando-se do gesto de um seu dirigente, que, ainda que justificada do ponto de vista pessoal e profissional, constitui, obviamente, um embaraço para o BE e um engulho com que o partido terá de lidar a partir de agora no combate política nesta área. Louçã fez, por isso, bem em demarcar-se do seu colega de partido.
Como é natural, do lado do PS não se deixou passar em branco que um destacado dirigente bloquista (foi deputado e é membro da comissão política) tivesse vindo a terreiro elogiar as políticas e o empenho de um membro do Governo. Fez bem.
Igualmente natural foi a reacção do BE, pela voz de Francisco Louçã, demarcando-se do gesto de um seu dirigente, que, ainda que justificada do ponto de vista pessoal e profissional, constitui, obviamente, um embaraço para o BE e um engulho com que o partido terá de lidar a partir de agora no combate política nesta área. Louçã fez, por isso, bem em demarcar-se do seu colega de partido.
A política é um lugar tramado.
A Zelig* da política portuguesa

"Nós vamos rasgar e romper com todas as soluções que têm estado a ser adoptadas em termos de política económica e social, para que tenhamos resultados diferentes", disse Manuela Ferreira Leite, no dia 25 de Junho, durante um jantar com o grupo parlamentar do PSD.
"Não há nenhuma medida anunciada por este Governo com a qual eu discorde. Eu nunca disse que rasgaria políticas sociais”, disse, hoje, a líder do PSD, em declarações aos jornalistas, a meio de uma sessão do "Fórum Portugal de Verdade".
"Não há nenhuma medida anunciada por este Governo com a qual eu discorde. Eu nunca disse que rasgaria políticas sociais”, disse, hoje, a líder do PSD, em declarações aos jornalistas, a meio de uma sessão do "Fórum Portugal de Verdade".
8.7.09
A democracia é, de facto, uma maçada em véspera de eleições

Cavaco avisou Governo e partidos para terem cuidado com leis na pré-campanha. Em que é que consiste este cuidado sugerido pelo Presidente da República? Em não ser aconselhável - diz ele - que o chefe do Estado "seja confrontado, durante o mês de Agosto, quando a pré-campanha já está em curso", com decisões sobre diplomas que sejam "objecto de fortes divisões partidárias, que provoquem fracturas na sociedade portuguesa ou que dêem lugar a elevados encargos orçamentais no futuro". Não se deve legislar sobre questões que onerem gravemente orçamentos futuros ou que sejam fracturantes, diz o Presidente. Não subscrevo esta visão mas ainda consigo admitir alguma razoabilidade no argumento. Mas Cavaco defende mais, que só se pode legislar por consenso nos meses que antecedem as eleições, o que constitui uma grave entorse ao princípio democrático da maioria. E, mesmo que assim não fosse, está bom de ver que em vésperas de eleições o consenso entre os partidos é pouco menos que uma utopia. Eis a verdadeira suspensão da democracia durante uns meses, de que ainda há pouco tempo nos falava Ferreira leite.
6.7.09
Post mais ou menos tautológico
"Estamos convencidos de que há um gravíssimo problema de governabilidade em Portugal. E esse problema chama-se maiorias absolutas, poder absoluto (...)", disse ontem, de acordo com o DN, Francisco Louçã, na apresentação do programa eleitoral do Bloco de Esquerda. Com esta passagem, o dirigente (não se pode mesmo dizer líder?) do BE dá a entender mais do que parece. Com efeito, a ameaça de uma maioria absoluta do PS é o cenário que mais convém ao BE, pois permite que se apresente ao eleitorado como a força que pressionará por mais esquerda nas políticas, o que pressupõe que o PS seja governo. O problema é que a insistência da ameaça da maioria absoluta no discurso do BE vai, neste momento, contra todas as evidências. Como se foi tornando notório nas semanas que se seguiram à eleições europeias, o que vai estar em causa nas próximas legislativas não é qual a dimensão da vitória do PS, e se tem ou não maioria absoluta, mas quem vai governar o país nos próximos quatro anos, o PS ou o PSD. E, como reconheceu o próprio Louçã na entrevista de ontem à SICN, as políticas do PS são criticáveis, mas "o PSD faria pior". E a esquerda não devia ser indiferente a isto.
5.7.09
O paradoxo do BE
Entrevistado ontem na SICN, Francisco Louçã afirmou que pretende aumentar o número de votos nas próximas legislativas para, assim, poder "influenciar as políticas". Mas influenciar as políticas de quem? De um governo PSD ou PSD-CDS, se chegarem ao poder? Eis, a meu ver, o grande paradoxo do Bloco de Esquerda: combate eleitoralmente o único partido que tem capacidade de influenciar, o PS.
Os posts (irritantemente bons) dos outros
"Da seriedade política
Enquando o mundo passa pela maior crise económica desde a grande depressão, Louçã lembra-se de acusar o Governo de ter rasgado a sua principal promessa eleitoral: a criação de 150 mil empregos. Isto é demagogia em estado puro. Infelizmente, tiradas deste calibre fazem parte do foguetório rasteiro a que se convencionou chamar luta política. Ser oposição é uma actividade performativa formal, sem qualquer conteúdo. Não interessa o que se diz, desde que se diga. Louçã, o mesmo que supostamente pensa a crise, é, enquanto deputado e líder do BE, um simples demagogo, que não tem qualquer pudor em recorrer a artifícios retóricos desonestos para atingir os seus fins políticos (leia-se: atacar, com ou sem razão, quem está no poder). Das duas, uma: ou Louçã acha que um ataque se justifica a si próprio ou então toma-nos a todos por parvos. A primeira opção reduz a política a um combate de boxe, onde a razão pouco importa; a segunda é mais grave, porque insulta a inteligência dos portugueses. Em democracia a palavra pode ser uma arma, mas não é um martelo. Ou melhor, não devia."
João Galamba, Jugular
Enquando o mundo passa pela maior crise económica desde a grande depressão, Louçã lembra-se de acusar o Governo de ter rasgado a sua principal promessa eleitoral: a criação de 150 mil empregos. Isto é demagogia em estado puro. Infelizmente, tiradas deste calibre fazem parte do foguetório rasteiro a que se convencionou chamar luta política. Ser oposição é uma actividade performativa formal, sem qualquer conteúdo. Não interessa o que se diz, desde que se diga. Louçã, o mesmo que supostamente pensa a crise, é, enquanto deputado e líder do BE, um simples demagogo, que não tem qualquer pudor em recorrer a artifícios retóricos desonestos para atingir os seus fins políticos (leia-se: atacar, com ou sem razão, quem está no poder). Das duas, uma: ou Louçã acha que um ataque se justifica a si próprio ou então toma-nos a todos por parvos. A primeira opção reduz a política a um combate de boxe, onde a razão pouco importa; a segunda é mais grave, porque insulta a inteligência dos portugueses. Em democracia a palavra pode ser uma arma, mas não é um martelo. Ou melhor, não devia."
João Galamba, Jugular
4.7.09
3.7.09
Eu, maluquinho das petições me confesso
É que é bastante confrangedor ver que os jornalistas dão notícias sobre as quais não percebem o suficiente, para dizer o mínimo. Escreve o Público (eu sei, é sempre este jornal, mas, apesar de tudo, é o que eu mais gosto): "Petição de apoio a iniciativas culturais passa no Parlamento". Ora, o que isto sugere é que o Parlamento aderiu ao pedido dos peticionários. Mas não é isso que se passa. Este direito confere aos peticionários um direito a um procedimento e, obviamente, a que as suas pretensões sejam ponderadas. Mas não há no final da análise da petição qualquer votação no sentido de aderir ou contrariar o pedido da petição. Assim, o relatório (disponível aqui) a que se alude na notícia e que justifica o seu título é apenas o documento que enquadra o objecto e relata o processo da petição (diligências efectuadas, etc.), culminando neste caso com o seu envio para discussão em plenário. A comissão parlamentar não fez qualquer juízo valorativo sobre o pedido formulado pelos peticionários, como se sugere na notícia. Não está, a meu ver, impedida de o fazer, o que acontece raramente, mas não o fez.
O direito de petição, nomeadamente perante o Parlamento, é talvez o principal instrumento que os cidadãos têm de aceder directamente aos seus representantes. Funciona melhor do que se pensa mas é importante que se compreenda exactamente para que serve e quais os seus limites, sob pena de alguma da frustração em relação ao sistema resultar, em parte, de uma deficiente compreensão dos seus institutos. E a comunicação social tem uma responsabilidade fundamental neste plano, pois é, em grande medida, através dela que os cidadãos tomam conhecimento da existência destes instrumentos de participação política, influenciando, naturalmente, a sua percepção relativamente a eles.
O direito de petição, nomeadamente perante o Parlamento, é talvez o principal instrumento que os cidadãos têm de aceder directamente aos seus representantes. Funciona melhor do que se pensa mas é importante que se compreenda exactamente para que serve e quais os seus limites, sob pena de alguma da frustração em relação ao sistema resultar, em parte, de uma deficiente compreensão dos seus institutos. E a comunicação social tem uma responsabilidade fundamental neste plano, pois é, em grande medida, através dela que os cidadãos tomam conhecimento da existência destes instrumentos de participação política, influenciando, naturalmente, a sua percepção relativamente a eles.
Revelações da imagem revelada

Ainda que o estudo da SEDES (disponível aqui)também se debruçe sobre os baixos níveis de confiança nos políticos que os representam, não deixa de ser sintomático que a notícia do Público "Maior problema da democracia é o descrédito da Justiça" seja ilustrada com uma imagem do... Parlamento.
O legado de Manuel Pinho
Numa altura em que se fala tanto de onerar as gerações futuras com investimentos presentes (e mal, a meu ver), o legado que Manuel Pinho deixa, com a inequívoca aposta nas energias renováveis, é um investimento presente que beneficiará, sobretudo, as gerações vindouras. Se quisesse ser dramático, diria mesmo que é um investimento indispensável para que os nossos netos cheguem lá, ao futuro.
Iniciativa legislativa dos cidadãos, uma primeira experiência de sucesso
Foi hoje publicada a Lei n.º 31/2009, de 3 de Julho, que "aprova o regime jurídico que estabelece a qualificação profissional exigível aos técnicos responsáveis pela elaboração e subscrição de projectos, pela fiscalização de obra e pela direcção de obra, que não esteja sujeita a legislação especial, e os deveres que lhes são aplicáveis e revoga o Decreto n.º 73/73, de 28 de Fevereiro".
No meio da prolixa produção legislativa nacional será natural que este diploma passe despercebido. Mas não deve. Por duas razões, que devem ser sublinhadas.
Por um lado, por revogar o Decreto n.º 73/73, diploma criado há mais de 30 anos para vigorar provisoriamente e que previa que os projectos de arquitectura fossem assinados por não arquitectos, numa altura em que o país não tinha arquitectos suficientes. A revisão deste regime obsoleto, durante tantos anos prometida e adiada, foi finalmente concretizada com esta lei. O mínimo que se pode esperar é que, de ora em diante, os projectos e a edificação em Portugal dêem um salto em termos de qualidade e segurança.
Mas igualmente relevante é o facto de esta lei ter tido origem na primeira iniciativa legislativa dos cidadãos da história da democracia portuguesa. Aliás, o processo que levou à aprovação desta lei foi o resultado de uma notável complementaridade entre democracia representativa e democracia participativa. Assim, este processo teve origem num projecto de lei apresentado pelos cidadãos, que impulsionou e balizou todo o processo que se seguiu e que foi aprovada no Parlamento por unanimidade. Foi objecto de um longo e aprofundado trabalho na especialidade, que, além do envolvimento dos deputados de todos os partidos, contou com a participação e os contributos de muitos, nomeadamente dos próprios cidadãos subscritores da iniciativa dos cidadãos, assim como do Governo, complementado pela participação das associações representantes da maioria dos profissionais do sector.
Destes contributos surgiu uma lei mais profunda e mais vasta do que a iniciativa que lhe deu origem, que consagra a arquitectura como acto próprio dos arquitectos, mas indo mais além e regulamentando os actos próprios dos engenheiros, engenheiros técnicos e agentes técnicos de arquitectura e engenharia e todo o quadro legal atinente.
É inegável que vivemos num tempo marcado por algum descrédito da democracia representativa, que nem sempre tem sabido corresponder ao desejo de maior participação dos cidadãos, para além do voto nas eleições. Isto mesmo tem sido várias vezes denunciado, por especialistas ou nos media. Por isso, não devia passar despercebida esta primeira experiência participativa dos cidadãos no âmbito da iniciativa legislativa, que foi um sucesso e cujo principal beneficiário foi o sistema político.
No meio da prolixa produção legislativa nacional será natural que este diploma passe despercebido. Mas não deve. Por duas razões, que devem ser sublinhadas.
Por um lado, por revogar o Decreto n.º 73/73, diploma criado há mais de 30 anos para vigorar provisoriamente e que previa que os projectos de arquitectura fossem assinados por não arquitectos, numa altura em que o país não tinha arquitectos suficientes. A revisão deste regime obsoleto, durante tantos anos prometida e adiada, foi finalmente concretizada com esta lei. O mínimo que se pode esperar é que, de ora em diante, os projectos e a edificação em Portugal dêem um salto em termos de qualidade e segurança.
Mas igualmente relevante é o facto de esta lei ter tido origem na primeira iniciativa legislativa dos cidadãos da história da democracia portuguesa. Aliás, o processo que levou à aprovação desta lei foi o resultado de uma notável complementaridade entre democracia representativa e democracia participativa. Assim, este processo teve origem num projecto de lei apresentado pelos cidadãos, que impulsionou e balizou todo o processo que se seguiu e que foi aprovada no Parlamento por unanimidade. Foi objecto de um longo e aprofundado trabalho na especialidade, que, além do envolvimento dos deputados de todos os partidos, contou com a participação e os contributos de muitos, nomeadamente dos próprios cidadãos subscritores da iniciativa dos cidadãos, assim como do Governo, complementado pela participação das associações representantes da maioria dos profissionais do sector.
Destes contributos surgiu uma lei mais profunda e mais vasta do que a iniciativa que lhe deu origem, que consagra a arquitectura como acto próprio dos arquitectos, mas indo mais além e regulamentando os actos próprios dos engenheiros, engenheiros técnicos e agentes técnicos de arquitectura e engenharia e todo o quadro legal atinente.
É inegável que vivemos num tempo marcado por algum descrédito da democracia representativa, que nem sempre tem sabido corresponder ao desejo de maior participação dos cidadãos, para além do voto nas eleições. Isto mesmo tem sido várias vezes denunciado, por especialistas ou nos media. Por isso, não devia passar despercebida esta primeira experiência participativa dos cidadãos no âmbito da iniciativa legislativa, que foi um sucesso e cujo principal beneficiário foi o sistema político.
2.7.09
Para uma interpelação à mesa
Será talvez uma coisa geracional mas, se alguém me fizesse o que Manuel Pinho fez no Parlamento, eu não saberia como reagir. Em matéria de insultos gestuais, conheço apenas o manguito, nas suas várias declinações: mão (todos); composição a dois braços (Zé Povinho); sequência tronco e membros (vide Michael Jackson). Admito ainda que haja um gesto para o cornudo (terá sido este?). Fora deste rol, alego ignorância. Preciso de me (des)actualizar.
Le roi est mort, vive le...
Quem será o próximo ministro da Economia... Pode ser uma oportunidade para o PS dar um sinal sobre a forma como vê o futuro governo.
Sophia de Mello Breyner Andresen

A Forma Justa
Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos - se ninguém atraiçoasse - proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
- Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo
Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo
Sophia de Mello Breyner Andresen
in O Nome das Coisas (1977)
1.7.09
Só mais um (mandato)
Manuela Ferreira Leite não nos dá a conhecer as suas ideias para o futuro do país. O pouco que nos adianta é que pretende destruir as principais políticas do PS. A alternância é própria da democracia, valorizando-a. E se os eleitores conferirem, nas urnas, um mandato a um governo de cor diferente, é legítimo que este mude as políticas que entender. Mesmo que seja, tanto quanto sabemos até ao momento, apenas para destruir, para “rasgar” (o Magalhães? O Inglês no primeiro ciclo?), nas palavras da líder do PSD. Nalgumas matérias poderá ser irresponsável (pois a estabilidade das políticas também é um valor a ter em conta em democracia), noutras poderá ser, para quem perfilha uma determinada visão da sociedade, profundamente injusto, como seria se se acabasse com medidas como o CSI ou o RSI (recorde-se que uma das primeiras medidas quando a coligação de direita chegou ao poder em 2002 foi mexer nos direitos sociais, como o Rendimento Mínimo Garantido). Mas o meu ponto é outro. É genericamente aceite que o PS empreendeu nesta legislatura uma série de reformas estruturais, como talvez nunca um governo tenha tentado em democracia. A questão é que, como é próprio das reformas desta natureza, os resultados não são imediatos, mesmo se ignorarmos (como parece ser o caso de Ferreira Leite) que o mundo enfrenta a mais grave crise económica dos últimos 80 anos. Alguns resultados começam já a aparecer, como o aumento de alunos no ensino secundário e universitário, a diminuição das pendências nos tribunais, a diminuição (ainda que ligeira) das desigualdades de rendimentos entre os portugueses, ou ainda o aumento substancial da participação de mulheres em cargos electivos, como podemos ver nos recém-eleitos deputados europeus, com 36% de mulheres, contra 25% no final do anterior mandato. A maior parte dos resultados surgirá nos próximos anos. O PS ganhou as eleições de 2005 com um projecto de modernização para o país, fundamental para corrigir o nosso atraso estrutural relativamente à generalidade dos países da União Europeia. Este processo, apesar de todas as vicissitudes económicas mundiais, está em curso. Interromper agora este caminho seria desperdiçar os sacrifícios que qualquer mudança modernizadora exige. É como quando alguém está a tentar deixar de fumar. Interromper o esforço dos primeiros meses (os mais penosos) pode parecer a via para a libertação mas o mais certo é que agrave o problema (de saúde, neste caso) e que todo o caminho para deixar de fumar tenha de ser retomado, desperdiçando todo o esforço anterior. Os governos devem naturalmente prestar contas nas urnas pelo trabalho que fazem. Este está a meio caminho de um projecto de modernização para o país, que merece ser concluído. Daqui a quatro anos far-se-á o verdadeiro balanço deste governo.
30.6.09
O homem vai ficar sem o mais precioso dos direitos, a liberdade, mas o que parece "chocar" muita gente é a sentença de pobreza
“Madoff vai viver o resto dos seus dias (…) longe da vida luxuosa a que estava habituado”. Legenda do DN à notícia da sentença de Madoff.
Justiça dos homens
Cento e cinquenta anos de prisão pela maior burla financeira de sempre. Pergunto-me quantos homens teria Madoff de matar para receber pena análoga?
29.6.09
Jornalismo self-service
É óptimo que a comunicação social cumpra a sua função de fiscalização do poder, informando, esclarecendo, oferecendo luz sobre as matérias que, sem essa intermediação, dificilmente seriam objecto de escrutínio. O problema é que isto é um pack. Deve denunciar, mas com fundamento, que deve ser explicado. Na notícia que faz hoje a manchete do Público "Portal para a transparência das obras públicas adjudicado sem concurso" fica-me a sensação que se está a denunciar algo, mas não me dizem o quê. Nem na capa nem no interior do jornal, que até dedica uma págima inteira à questão. O pack vem incompleto. À falta de informação fica, assim, a insinuação, de que esta adjudicação é ilegal. Só que, uma vez mais, não encontro na notícia um único facto que sustente ou até que levemente aponte para esta conclusão. Tanto quanto sei (que é quase nada) sobre as regras de contratação pública, o ajuste directo é uma das formas para se lançar um procedimento contratual público, tão legítimo quanto o concurso público. Tem é regras diferentes, que se encontram na lei. Por isso, uma notícia como este teor tem obrigatoriamente que se debruçar sobre estas regras e se estão, ou não, a ser cumpridas. A não ser assim, em vez de jornalismo temos uma espécie de snack-bar, no qual o jornal se limita a disponibilizar aos seus leitores uma série de ingredientes que estes, depois, compôem a seu gosto numa espécie de notícia. Tipo isto:
27.6.09
Homenagem a Michael Jackson
Eu: Avó, já sabes que o Michael Jackson morreu, aquele do "thriller"?
Avó: Coitadinho. Foi por causa daquela dança. Eu gostava muito mas era muito exigente e puxava demasiado por ele.
Avó: Coitadinho. Foi por causa daquela dança. Eu gostava muito mas era muito exigente e puxava demasiado por ele.
O debate público, segundo JMF
Assim de repente, e com um bebé ao colo, contei pelo menos 36 economistas, quase todos com carreiras académicas, entre os signatários do manifesto "O debate deve ser centrado em prioridades: só com emprego se pode reconstruir a economia". Além destes, o manifesto conta com o apoio de prestigiados politólogos, geógrafos, engenheiros, sociólogos, gestores, psicólogos, etc.. Mas José Manuel fernandes, que se queixa de o manifesto dos 28 economistas ter sido atacado, não pelo seu contéudo, mas pelos seus subscritores, vem dizer que o novo manifesto é um documento muito mais político do que técnico, pois entre os seus subscritores abundam os sociólogos, politólogos, engenheiros agrónomos e (pasme-se), um psicólogo social. Além disso, ficamos a saber que para o director do Público a evidência do carácter político do manifesto reside em ter sido assinado, por exemplo, pelo líder do BE, mas já a subscrição do manifesto dos 28 por ex-ministros, quase todos oriundos da direita, é prova do seu carácter técnico. Viva o debate público, de acordo com a estranha noção de JMF.
26.6.09
Depois queixem-se
O conselheiro e ex-presidente do Tribunal de Contas Alfredo José de Sousa será o novo provedor de Justiça, por proposta conjunta do PS e PSD. Para além do desgaste que todo este processo terá causado na imagem do Parlamento e dos partidos, e, ainda que em menor medida, na instituição da Provedoria, os partidos pequenos desperdiçaram, a meu ver, uma oportunidade de ouro (ou oiro, se preferirem) de mostrar que é possível construir maiorias de dois terços alternativas à lógica de Bloco Central - que tanto criticam. Seria um precedente interessante, que, acredito, condicionaria a forma como são discutidos e negociados os apoios para votações que exigem maiorias qualificadas desta natureza. Dito de outra forma, os pequenos partidos (com a excepção do BE, que se portou exemplarmente neste processo) deram, desta forma, um notável contributo para a perpetuação da bloco-centralização da vida política nacional.
O perigo dos ovos todos no mesmo cesto

Admitindo, sem conceder, que o PSD ganha as próximas eleições, poderia ocorrer em Portugal uma mudança de sistema de governo. Explico. Pela primeira, teríamos um Presidente da República (que tem, tradicionalmente, a reeleição garantida) com um enorme ascendente sobre o partido e, mais relevante, sobre o chefe de Governo. Isto seria inédito no nosso sistema e teria, muito provavelmente, como consequência a instituição de um semi-presidencialismo à francesa, em que o Presidente é o verdadeiro líder do Governo, sem ser, porém, responsabilizado por tal. Basta pensar que o Parlamento (uma das vítimas desta mudança de sistema) deixa de poder questionar o verdadeiro chefe do Executivo. Nem o Presidente é responsabilizado pelo poder que tem nem se pode verdadeiramente pedir contas aos seus primeiros-ministros, que agem na prática como seus comissários políticos. Pessoalmente, e até pelo que temos visto nos últimos dias, julgo que este cenário seria uma quase inevitabilidade se Ferreira Leite vencesse as próximas legislativas.
25.6.09
Calças brancas
Hoje visto umas calças brancas (são, na realidade, creme, mas é só tecnicamente). Não me sinto nada confortável nesta pele, de alguém que veste umas calças brancas. Todo o meu ser hoje se define pelas calças brancas que visto. Creio que deviam fazer testes de personalidade antes de venderem umas calças brancas a alguém.
Democrática pescadinha de rabo na boca
“Os professores não votam em candidatos ou em partidos políticos que não assumam, publicamente, o seu compromisso de rejeição da divisão da carreira docente e a suspensão do actual modelo de avaliação”, é o que consta de um documento com que três movimentos de professores pretendem obter um contrato público com vários partidos políticos contra as políticas de educação do PS.
Admito que seja ingenuidade minha mas não deveria o voto de cada um traduzir mais do que um mero reflexo do juízo que faz sobre as políticas que o atingem pessoalmente? Não deveria ser, acima de tudo, uma apreciação sobre quem está em melhores condições para governar o país, que incluirá naturalmente um balanço sobre a generalidade da actividade política desenvolvida? Devo basear a minha escolha de voto no que acho que é o interesse geral ou tendo em conta a estrita medida dos meus interesses? Ainda que seja inevitável a contaminação destes dois critérios, diria que os eleitores portugueses têm revelado, em diversas ocasiões, sageza na forma como têm exercido o direito de voto, mostrando-se sensíveis a factores de interesse geral. Pois é a ausência desta dimensão e a simplificação extrema dos termos apresentados (os professores não votam em partidos que defendem estas políticas), que tem sido visível em muitos momentos da contestação dos professores à política de educação deste governo, o que me causa alguma apreensão. Não sendo, inclusivamente, indiferente ao facto de isto vir de uma classe de quem esperaria outra pedagogia. O corolário desta visão será a legitimação da ideia de que os governos que pretendem ser reeleitos não devem adoptar as medidas que consideram as melhores para o país mas aquelas que afectem (negativamente) menos eleitores. E para que isto não aconteça, todos temos a responsabilidade de mostrar que não é isso que queremos.
Admito que seja ingenuidade minha mas não deveria o voto de cada um traduzir mais do que um mero reflexo do juízo que faz sobre as políticas que o atingem pessoalmente? Não deveria ser, acima de tudo, uma apreciação sobre quem está em melhores condições para governar o país, que incluirá naturalmente um balanço sobre a generalidade da actividade política desenvolvida? Devo basear a minha escolha de voto no que acho que é o interesse geral ou tendo em conta a estrita medida dos meus interesses? Ainda que seja inevitável a contaminação destes dois critérios, diria que os eleitores portugueses têm revelado, em diversas ocasiões, sageza na forma como têm exercido o direito de voto, mostrando-se sensíveis a factores de interesse geral. Pois é a ausência desta dimensão e a simplificação extrema dos termos apresentados (os professores não votam em partidos que defendem estas políticas), que tem sido visível em muitos momentos da contestação dos professores à política de educação deste governo, o que me causa alguma apreensão. Não sendo, inclusivamente, indiferente ao facto de isto vir de uma classe de quem esperaria outra pedagogia. O corolário desta visão será a legitimação da ideia de que os governos que pretendem ser reeleitos não devem adoptar as medidas que consideram as melhores para o país mas aquelas que afectem (negativamente) menos eleitores. E para que isto não aconteça, todos temos a responsabilidade de mostrar que não é isso que queremos.
23.6.09
Mandatos políticos II
É óbvio que a questão da duração dos mandatos vai muito além disto. Estará sobretudo relacionada com o necessário decurso de tempo para que as políticas possam ser implementadas (viva os neologismos) o mais eficazmente possível, assim como com a necessidade de refrescamento da legitimidade para representar o povo. O decurso do tempo tem efeitos inversos numa e noutra: aumenta a probabilidade de eficácia mas diminui a legitimidade. Como alguém me dizia, a duração do mandato estará idealmente situada onde estas duas linhas se cruzarem. O meu ponto era o seguinte: o ritmo de desgaste a que os governos estão sujeitos hoje em dia não influencia tanto uma como a outra daquelas linhas?
22.6.09
Mandatos políticos
Nas últimas duas décadas, e sobretudo na última, o ritmo a que tudo acontece aumentou de forma impressionante, caracterizando aquilo a que muitos chamam a pós-modernidade. No que à política diz respeito, isto parece particularmente verdadeiro. O desgaste a que os governos estão sujeitos hoje em dia tem muito pouco a ver com o que acontecia há 20 anos atrás. Desde então, surgiram os canais de televisão privada (em Portugal), canais de notícias 24 horas por dia e, tão ou mais importante, a Internet, com as notícias quase em tempo real, os blogues, o youtube, o twitter, etc. No entanto, é curioso pensar que a duração dos mandatos políticos, tanto por cá como por esse mundo fora (a única excepção que conheço é a alteração do mandato presidencial em França, de sete para cinco anos, mas que se deve a outras razões), se mantém inalterada - seja do governo, deputados, ou no poder local e regional - e indiferente a este fenómeno. O meu ponto é o seguinte (estou seriamente a considerar que, a partir de agora, todos os meus posts terminem com o meu ponto é o seguinte): faria sentido que a duração dos mandatos electivos reflectisse esta mudança de ritmo das sociedades modernas?
ps: aliás, julgo que os cerca de seis meses a mais de mandato do actual governo explicam grande parte do seu desgaste mais recente, visível no resultado das últimas eleições.
ps: aliás, julgo que os cerca de seis meses a mais de mandato do actual governo explicam grande parte do seu desgaste mais recente, visível no resultado das últimas eleições.
Irão: convicções mais ou menos fundamentadas
Infelizmente, tenho acompanhado um pouco por alto estas eleições no Irão e a crise que se lhe sucedeu. Do pouco que li (e sublinho este pouco, pois todo o juízo que se segue poderá estar deficientemente enformado por ele), fica-me, no entanto, uma impressão um tanto estranha, que consiste na ideia difundida de que com esta crise pudemos, finalmente, perceber que o Irão não se reduz à ideia de um país de fundamentalistas fiéis e ayatollahs e que a realidade, nomeadamente social e política, é um pouco mais complexa. Ora, vendo as coisas, pelo menos assim à superfície, quase todos os elementos do que se está a assistir agora já estiveram presentes nos anos 90, quando Khatami chegou ao poder e, sobretudo, na altura da sua reeleição, em 2000. Também na altura se afrontou o poder dos fundamentalistas, com manifestações, fortemente reprimidas, onde se clamava por mais liberdade e democracia. Recordo a importância que os media iranianos tiveram na altura, que beneficiaram de uma relativa liberdade, pois eram das poucas áreas ministeriais que tinham ficado na alçada de Khatami, sendo que o poder decisório sobre as questões fundamentais para o país como a justiça, as tropas, as polícias, estavam nas mãos dos fundamentalistas. Até os personagens são os mesmos: Rajsanjani, convertido em semi-reformista, o carismático e surpreendentemente lúcido Montazeri, Khamenei, etc. Por sua vez Mousavi parece representar a mudança que Khatami representava. O meu ponto é o seguinte: tal como o mundo ocidental parece ter despertado, sobretudo em 2000, para a complexidade do regime iraniano, nomeadamente para a forte presença de ideias democráticas numa parte da sociedade e na organização institucional do poder, quanto tempo demorará até nos esquecermos disto e nos voltarmos a surpreender com tudo outra vez?
17.6.09
História de um post que só queria dizer ziggy

Bloguinho,
Não leves a mal o pouco que te tenho ligado ultimamente. Mas tenho andado afogado em trabalho. Bem, tens razão, na semana passada houve aqueles cinco dias de praia, piscina e 80 paginas seguidas, ininterruptas (children free, em inglês), de um romance, mas agora é mesmo trabalho. E que trabalho, inquires tu? Bem, já que perguntas... Estou a finalizar a revisão da minha tese de mestrado para ver se a publico. E porque achaste que toda a gente precisava de saber isso, retorques (que rima com são torpes) tu? Bem, apenas para ter um pretexto para dizer que, mais do que o escrutínio público que me deixa, como direi, aterrado, aquilo que verdadeiramente me tira o sono é se, lá pelo meio, tenho algum ziggy.
16.6.09
Os limites do razoável
Mais de 65 milhões de dólares, foi o que Harrison Ford recebeu, no último ano, à conta do último "Indiana Jones: o Reino da Caveira de Cristal". Aguardamos para saber o que o Presidente da República, Cavaco Silva, pensa sobre este negócio.
11.6.09
O regresso do Gato Fedorento
A posição de Rangel quanto à lei do financiamento dos partidos (e não só) faz lembrar aquela rábula sobre a posição do Professor Marcelo quanto à IVG. Votou a favor? Sim. Então quer dizer que concorda com a lei? Não.
9.6.09
É mais forte que eu...
Cavaco Silva veta lei de financiamento dos partidos. . Enquanto se aguardam as reacções dos partidos, imaginamos desde já qual será o comentário da líder do PSD: "Não tenho responsabilidades nenhumas nisso. Eu nem sou deputada".
8.6.09
Action, réaction!
Não sou dado a tiradas impulsivas e falta-me o talento para a escrita estilo chave na mão (viram?), imediata, sem necessidade de retiques e retoques. Por isto, sempre que escrevo posts como estes últimos, num intervalo de qualquer coisa, sem tempo mínimo de escrita ou de reflexão, fica-me assim como que uma espécie de moinha no estômago. Pensarei mesmo isto? fico a questionar-me. Este estado de espírito requer é um espairecimento animativo, com uns pozinhos de Django Reinhardt. Isto mesmo:
Erros que se pagam caro (pelos outros)
Ministério Público atribuiu ao mandato de Sampaio casos do executivo de Abecassis.
Parece-me inaceitável a forma aparentemente leviana com que os investigadores do Ministério público lançam lama para cima da reputação de outros. Suponho que seja o preço a pagar pela independência da magistratura. Mas tem mesmo de ser assim?
Parece-me inaceitável a forma aparentemente leviana com que os investigadores do Ministério público lançam lama para cima da reputação de outros. Suponho que seja o preço a pagar pela independência da magistratura. Mas tem mesmo de ser assim?
Ressaca europeia, impressões avulsas
Em relação às eleições, tenho pouco a dizer. Parabéns aos vencedores, julgo que todas as forças políticas menos o PS. O ambiente político mudou. É verdade que a extrapolação deste resultado para as legislativas é estapafúrdio (bonita palavra). Mas o que aconteceu ontem muda os termos do jogo que começou ontem e que só acabará em Setembro/Outubro. Algumas impressões, dúvidas e perplexidades:
- O PS parece ainda não ter digerido bem os resultados. Terá de reagir, tirando ilações do que aconteceu ontem. Eu não sei o que aconteceu mas palpita-me que o desfecho das eleições legislativas dependerá, em muito, da adequada interpretação dos resultados de ontem e da sua (PS) capacidade de reacção.
- O meu único palpite quando ao rumo a seguir consiste na seguinte evidência: os votos perdidos pelo PS foram para a abstenção e para o BE (que teve cerca de mais 200 mil votos do que nas últimas europeias, diferença inferior à que separa o PS do PSD). Não para o PSD. No entanto, a ameaça de a direita voltar ao poder é, a partir de ontem, uma realidade política. Neste cenário, julgo que é inevitável a dramatização do apelo à bipolarização. Particularmente quando se vive uma crise económica com a dimensão da actual. Custa-me a acreditar que os eleitores de esquerda achem que é indiferente uma crise com estas características ser enfrentada por um governo de centro-esquerda ou de direita, este último certamente muito mais insensível aos custos sociais que a crise inevitavelmente implica.
- À primeira vista, o centro esquerda foi fortemente penalizado por essa Europa (com excepção do PASOK, da Grécia), quer estivesse no Governo ou na oposição. Quais as razões para isto acontecer, quando o contexto da crise deveria favorecer também esta esquerda, que, mais ou menos timidamente, foi chamando a atenção para as pechas do neoliberalismo?
- Ou o que se diz no parágrafo anterior foi uma mera coincidência e os resultados europeus não têm uma grelha de leitura única, sendo explicáveis casuisticamente?
- O caso BPN não perece ter chamuscado o PSD.
- Para uma análise a sério sobre os resultados das eleições europeias, à luz das próximas legislativas, ver o Banco Corrido.
- O PS parece ainda não ter digerido bem os resultados. Terá de reagir, tirando ilações do que aconteceu ontem. Eu não sei o que aconteceu mas palpita-me que o desfecho das eleições legislativas dependerá, em muito, da adequada interpretação dos resultados de ontem e da sua (PS) capacidade de reacção.
- O meu único palpite quando ao rumo a seguir consiste na seguinte evidência: os votos perdidos pelo PS foram para a abstenção e para o BE (que teve cerca de mais 200 mil votos do que nas últimas europeias, diferença inferior à que separa o PS do PSD). Não para o PSD. No entanto, a ameaça de a direita voltar ao poder é, a partir de ontem, uma realidade política. Neste cenário, julgo que é inevitável a dramatização do apelo à bipolarização. Particularmente quando se vive uma crise económica com a dimensão da actual. Custa-me a acreditar que os eleitores de esquerda achem que é indiferente uma crise com estas características ser enfrentada por um governo de centro-esquerda ou de direita, este último certamente muito mais insensível aos custos sociais que a crise inevitavelmente implica.
- À primeira vista, o centro esquerda foi fortemente penalizado por essa Europa (com excepção do PASOK, da Grécia), quer estivesse no Governo ou na oposição. Quais as razões para isto acontecer, quando o contexto da crise deveria favorecer também esta esquerda, que, mais ou menos timidamente, foi chamando a atenção para as pechas do neoliberalismo?
- Ou o que se diz no parágrafo anterior foi uma mera coincidência e os resultados europeus não têm uma grelha de leitura única, sendo explicáveis casuisticamente?
- O caso BPN não perece ter chamuscado o PSD.
- Para uma análise a sério sobre os resultados das eleições europeias, à luz das próximas legislativas, ver o Banco Corrido.
6.6.09
Unas fotos de interés global?
Parece-me um pouco infeliz a tentativa que o "El Pais" faz para justificar a publicação das polémicas fotos de Berlusconi. Primeiro, a ligação abusiva entre a necessidade de mostrar as fotos para pôr em causa o estatuto das viagens particulares do primeiro-ministro italiano, que no ano passado passaram a ser consideradas oficiais. Não vejo a relação com a publicação das fotos. A haver, seria provavelmente no pressuposto de que haveria graus de privacidade que tornariam ainda mais grave o carácter oficial das viagens. Sendo as festas um verdadeiro deboche (não vi as fotos mas foi o que me pareceu que se pretendia sugerir, com as descrições de mulheres de tanga, etc.) seria o mais escandaloso possível. Se fosse para assistir à ópera já seria menos grave, suponho. Julgo que a gravidade consistirá apenas na classificação de oficiais de viagens que são particulares. E para atacar esta medida basta discuti-la no seu plano ético e normativo. Quando muito discutindo o que jaz nas fronteiras destas duas esferas. Depois, há a sugestão de que a divulgação das fotos seria em parte legitimada pelo invulgar interesse despertado pelo mundo fora, conforme faz o El Pais aqui, parecendo vangloriar-se do número sem precedentes de visitas que xuxitou.
4.6.09
Processos democráticos
Por causa desta história do Provedor, têm surgido propostas no sentido de evitar que isto volte a acontecer. Há quem sugira que, em última instância, devia caber ao Presidente da República a possibilidade de arbitrar futuros impasses. Outros propõem que, verificada a impossibilidade de se recolher uma maioria qualificada como a dos dois terços dos deputados, se deveria prever uma derradeira votação, desta feita com uma maioria menos exigente. Espanta-me que um sistema que tem funcionado ao longo de três décadas de democracia seja prontamente posto em causa ao seu primeiro bloqueio. Não pretendo minimizar as consequências desta situação mas temo que esta busca pelo sistema perfeito, isento de falhas, ignore dois aspectos fundamentais. Por um lado, qualquer uma das propostas poderá solucionar a questão do impasse mas introduz no processo factores que hoje não existem, nomeadamente constituindo poderosos desincentivos a um consenso alargado, na medida em que os players (teve graça, não?) incorporão, como é natural, no processo essa possibilidade de desbloqueio. Por outras palavras, julgo que é a ameaça do bloqueio que serve, pelo menos em parte, de móbil à negociação. Por outro lado, parece-me que a forma como este processo tem decorrido, e as críticas a que tem dado origem, consistirá, por muitos anos, no maior estímulo a que uma situação análoga não se repita. Mais do que qualquer alteração normativa.
Consta que o PCP irá apresentar queixa do calendário gregoriano à ERC
"Entre outras situações, foi particularmente evidente e escandaloso o papel a que se prestou a RTP na (...) recuperação de acontecimentos com 20 anos, nas vésperas das eleições, como os ocorridos em 1989 na República Popular da China.»
Avante de hoje
via Hoje há conquilhas...
Avante de hoje
via Hoje há conquilhas...
Accountability
Acabo de ouvir a carta de renúncia que o Provedor de Justiça entregou ontem no Parlamento. Espelha, de forma veemente e pungente, o estado a que o Parlamento deixou chegar este processo. Já deixei aqui (por diversas vezes) a minha opinião sobre o assunto, nomeadamente sobre a repartição de responsabilidades (de forma desigual, porém) pelos partidos políticos. No entanto, quanto à atitude do PSD, julgo que ela encontra-se bem ilustrada na reacção da sua líder ao facto de a carta de renúncia do Provedor imputar uma “responsabilidade política dos dirigentes partidários” pelo impasse institucional criado.
«Uma responsabilidade ontem descartada por Manuela Ferreira Leite. "Não sou deputada", disse aos jornalistas (…)». Público, de 4 de Junho de 2009.
«Uma responsabilidade ontem descartada por Manuela Ferreira Leite. "Não sou deputada", disse aos jornalistas (…)». Público, de 4 de Junho de 2009.
Quando a seriedade parece ceder ante o tacticismo eleitoral
Sobre esta reacção da Ana Drago, dir-se-ia que ela tem menos a ver com o teor da resposta da ministra do que com a tentativa de cair nas graças de um certo tipo de eleitorado.
ps: sobre este episódio, vale a pena ler o post do Miguel Cabrita no País Relativo.
ps: sobre este episódio, vale a pena ler o post do Miguel Cabrita no País Relativo.
"Home"
Estreia mundial amanhã, Dia do Ambiente, do filme "Home", a longa-metragem realizada por Yann Arthus-Bertrand e produzida por Luc Besson. Além de poder ser visto nos cinemas (e numa projecção gratuita à noite no Largo Camões) e em DVD e BlueRay, o filme estará disponível aqui e, pelas 20.30, na RTP2.
2.6.09
Parece tão evidente. Mas porque é que nos esquecemos disto tão rapidamente?
"Porque é depois das eleições que nos devemos esforçar. Votar ainda é como o outro. O que importa é não nos esquecermos, durante quatro anos, que os deputados portugueses estão lá. Pagos por nós. A representar-nos. E é nosso dever chateá-los. E espremê-los. E pô-los a dançar a nossa música. Que nem uns bailarinos". Miguel Esteves Cardoso, Público de hoje.
Política no tempo das novas tecnologias

A campanha presidencial de Obama recorreu de forma inédita às novas tecnologias. Dos blogues às redes sociais; dos mails aos sms. Michael Walzer e McKenzie Wark reflectem no site da Dissent Magazine sobre as potencialidades da Internet para mudar a forma como se faz hoje política, bem como nos seus efeitos ao nível da participação política. O primeiro mostra-se céptico sobre as virtualidades deste novo mundo, comparado com as formas tradicionais de fazer política. O segundo revela-se um pouco mais optimista. Um pequeno excerto deste último, sobre blogs:
1.6.09
Myzena toma conta da homepage do Publico online
Antes de mais, devo alertar: começo a tomar o gosto a esta coisa do oficiosismo. Nem era minha intenção, como verão, mas a verdade é que os pretextos surgem com demasiada facilidade. Desta vez foi assim. Consulto o Publico online para acompanhar a actualidade política ao longo do dia. Tanto quanto me dei conta (margem de erro desta apreciação: brutal), de acordo com a homepage deste diário as notícias mais relevantes do dia (julgo que é este critério que preside à escolha da notícia para a homepage) foram: Passos Coelho diz que vitória do PSD nas europeias é essencial para as legislativas (de manhã), Rangel diz que Governo é o Xerife de Nottingham da agricultura e PSD o Robin Hood (início da tarde), Rangel assinala silêncio de Sócrates sobre "ataques" de Vital Moreira (meio da tarde). PSD+Rangel+Rangel. Ter-se-ia dado o caso de as restantes campanhas se terem acigarrado e aproveitado o dia da criança para folgar? Fui consultar a secção de política do mesmo site e é lá que verifico, com algum espanto, que há notícias para todos os gostos: Vital Moreira elogia revolução no ensino; Ilda Figueiredo leva caso de discriminação no trabalho à União Europeia; CDS critica desadequação de programas de investimento face à realidade empresarial; Miguel Portas acusa Governo de desperdiçar recursos UE para reabilitar antigas minas de urânio. Entre muitas outras, conforme podem confirmar aqui. Agora é só imaginarem uma tirada final espirituosa para este post e podem dá-lo por concluído. A colocar aqui. Tenho de ir.
29.5.09
Ainda o Provedor - Final act
O PCP parece ter decidido não apoiar nenhum candidato a Provedor de Justiça. Desta forma, a eleição ainda nesta legislatura parece estar definitivamente comprometida. Conforme tentei chamar a atenção aqui (de forma um pouco desajeitada, reconheço), acredito sinceramente que, face à situação que foi criada, a única solução que ainda podia dignificar a Assembleia da República e evitar danos maiores na sua credibilidade, bem como na figura do Provedor, seria a eleição hoje de um novo Provedor. Jorge Miranda é o único candidato em condições de recolher os dois terços dos votos exigidos e oferece garantias (julgo que a todos os quadrantes políticos) de que iria desempenhar um mandato com a dignidade que o cargo merece. É verdade que a situação a que se assiste hoje não foi criada pelo PCP ou pelos partidos mais pequenos. Foi fundamentalmente pelo PS e PSD, que tinham a obrigação de se entenderem, pois esse é, de algum modo, o pressuposto implícito na exigência desta maioria qualificada. Gorado esse entendimento, os únicos que podiam contribuir para ultrapassar este impasse e evitar o adiamento da eleição para a próxima legislatura eram os partidos mais pequenos. Julgo que o BE compreendeu isto. Os deputados do PCP (e, ainda que em menor medida, os do CDS) preferiram privilegiar os interesses partidários em detrimento do que, a meu ver, era exigido pelo interesse de todos. Em vez de escolherem ser parte da solução preferem o dividendo político imediato (mas necessariamente fugaz) e apontar o dedo pelo falhanço da eleição ao PS e ao PSD, que consideram os verdadeiros responsáveis por esta situação, talvez sem perceber que, desta forma, passaram a ser tão responsáveis por esta situação como aqueles partidos. Com este novo e penoso adiamento para a próxima legislatura, o processo de negociação do próximo Provedor colocar-se-á, julgo que com naturalidade, novamente numa lógica de acordo entre PS e PSD, que é precisamente o que tanto é criticado neste processo pelos outros partidos. No final de contas, todos sairão a perder.
28.5.09
27.5.09
BPN (First Season)

Encaro esta novela do caso BPN como se de um episódio do Dr. House se tratasse. Interesso-me por identificar os actores principais, se são ou não culpados, e, quanto à trama, fico-me pelos highlights, não esquecendo naturalmente aqueles factos que, ocasionalmente, pontuam a narrativa com o objectivo de comic relief, como aquela do outro achar que B.I era Bilhete de Identidade (hilariante). Tudo o resto, serve apenas para dar ritmo à série e não é realmente para compreender. MRI, offshore, lombar punction, imparidade.
Conferência de Copenhaga: contagem decrescente
He said he expected America to act before China in the run-up to the crucial UN climate change talks in Copenhagen in December. "I remain optimistic. The US should act first. Using China as an excuse not to act is no longer [appropriate]. If the US does act, we hope China will follow. The Chinese leadership knows about the consequences of climate change," he said.
But he warned against expecting too much of the US too soon. "We have to make a transition. If one does this very suddenly then there would be huge disruption. You need a lot of incentives, and some regulation. There is not one single policy that will save us."
"He" é Steven Chu, secretário da Energia dos EUA
But he warned against expecting too much of the US too soon. "We have to make a transition. If one does this very suddenly then there would be huge disruption. You need a lot of incentives, and some regulation. There is not one single policy that will save us."
"He" é Steven Chu, secretário da Energia dos EUA
26.5.09
Eleições europeias: aprender com os outros
"Ontem, durante uma visita à Academia Portuguesa de História, o Presidente da República pediu aos partidos uma campanha «serena, esclarecedora e que mobilize os portugueses» para as eleições europeias. Sampaio não diria melhor. Do ponto de vista da serenidade, a dormência é de regra. Do lado do esclarecimento, como sempre, zero. As pessoas, a larga maioria das pessoas, não faz a mínima ideia das competências do Parlamento Europeu. Os partidos perdem pouco tempo com tais minudências. Talvez fosse mais útil Cavaco apelar directamente ao sentido cívico da Comissão Nacional de Eleições para que esta promova a difusão, nas rádios e televisões, de spots publicitários, curtos e objectivos, com informação concreta sobre em que medida a Europa interfere com o nosso quotidiano. De outro modo, ninguém percebe o que está em jogo. E metade do país vai mandar o escrutínio às urtigas." Eduardo Pitta, Da Literatura.
Como também já tentei defender aqui, os partidos deveriam ser, assim, os primeiros a querer tornar a mensagem eleitoral mais simples para o eleitorado. E simplicidade não significa tratar com superficialidade as matérias em causa, como demonstra exemplarmente o texto de Miguel Poiares Maduro a que se faz referência no post anterior.
Como também já tentei defender aqui, os partidos deveriam ser, assim, os primeiros a querer tornar a mensagem eleitoral mais simples para o eleitorado. E simplicidade não significa tratar com superficialidade as matérias em causa, como demonstra exemplarmente o texto de Miguel Poiares Maduro a que se faz referência no post anterior.
E agora para algo completamente diferente
Miguel Poiares Maduro escreve hoje no i o melhor texto sobre as eleições europeias que li até agora. É estranha e inesperadamente claro, instrutivo, fluido e isento de qualquer espécie de eurocratês, o que, achava eu, violava uma qualquer norma comunitária. Mais importante, fala sobre política. E termina com uma referência - escrita e fotográfica - a Woody Allen. E está disponível online. Aqui.
25.5.09
La pipe reste

Ainda que sujeitas a um cardápio de exigências que ainda me parece um pouco excessivo, as liberdades acabaram, apesar de tudo, por prevalecer.
Cada um tem o seu "Chega de Saudade"
E foi com esta música que um dia João Gilberto chegou até mim e como que me segredou: Tiago, é isto a Bossa Nova. Ainda hoje, quando oiço esta "Doralice", recordo o arrepio da revelação.
Afinal havia mais notícias para além daquele post
Acusaram-me este fim-de-semana de ter aqui no blog uma linha demasiado oficiosa do poder socialista. Não concordo, embora admita que entre a minha percepção e a de quem me lê (escrito sem me rir) possa ir uma distância razoável. Mas só para fazer o gosto a esses leitores (serão dezenas? centenas?) aqui vai uma pequena tentativa deliberada de oficiosismo:
No Arrastão, exultam com a indiferença com que dizem que os media espanhóis trataram a presença de Sócrates no comício com Zapatero. Como isto, suponho:
"José Sócrates, primer ministro de Portugal y secretario general del Partido Socialista de Portugal, amplió el campo de juego. En perfecto castellano [é grande a tentação de pôr a bold esta parte, mas resistirei], Sócrates recordó cómo los socialistas portugueses y españoles siempre apostaron por Europa, por la cohesión, por los derechos sociales. Desde Felipe González y Mario Soares, que firmaron juntos la integración en la Unión Europea en 1985, hasta el momento presente, "con ese gran líder europeo que es Rodríguez Zapatero". Sócrates aportó dimensión global a las elecciones europeas: "Frente a los valores ultraliberales que tanto daño han hecho a Europa y todo el mundo, los socialistas apostamos por una Europa más fuerte, una Europa necesaria para construir un mundo mejor"." (itálico meu)
Deverá ainda dizer-se que, além dá imprensa nacional e espanhola, outros optaram por ignorar a presença do primeiro-ministro português. Como estes:
"Le chef du gouvernement espagnol, José Luis Rodriguez Zapatero, et le premier ministre portugais, José Socrates, ont appelé samedi à voter lors des élections européennes, à l'occasion de deux meetings communs à Valence, en Espagne, et à Coimbra, au Portugal."
que ainda acharam por bem ilustrar a sua indiferença com esta imagem:
No Arrastão, exultam com a indiferença com que dizem que os media espanhóis trataram a presença de Sócrates no comício com Zapatero. Como isto, suponho:
"José Sócrates, primer ministro de Portugal y secretario general del Partido Socialista de Portugal, amplió el campo de juego. En perfecto castellano [é grande a tentação de pôr a bold esta parte, mas resistirei], Sócrates recordó cómo los socialistas portugueses y españoles siempre apostaron por Europa, por la cohesión, por los derechos sociales. Desde Felipe González y Mario Soares, que firmaron juntos la integración en la Unión Europea en 1985, hasta el momento presente, "con ese gran líder europeo que es Rodríguez Zapatero". Sócrates aportó dimensión global a las elecciones europeas: "Frente a los valores ultraliberales que tanto daño han hecho a Europa y todo el mundo, los socialistas apostamos por una Europa más fuerte, una Europa necesaria para construir un mundo mejor"." (itálico meu)
Deverá ainda dizer-se que, além dá imprensa nacional e espanhola, outros optaram por ignorar a presença do primeiro-ministro português. Como estes:
"Le chef du gouvernement espagnol, José Luis Rodriguez Zapatero, et le premier ministre portugais, José Socrates, ont appelé samedi à voter lors des élections européennes, à l'occasion de deux meetings communs à Valence, en Espagne, et à Coimbra, au Portugal."
que ainda acharam por bem ilustrar a sua indiferença com esta imagem:
24.5.09
Fazer a diferença II
Por muito menos, em 2004, este senhor também teve a coragem de confrontar os jornalistas com as suas responsabilidades.
Versão integral aqui.
Versão integral aqui.
22.5.09
Provedor de Justiça: tempo de os partidos assumirem as suas responsabilidades

A eleição de um novo Provedor de Justiça poderá estar para breve. Hoje, o Parlamento realizou uma primeira votação, tendo Jorge Miranda sido o candidato mais votado. A segunda volta deverá realizar-se para a semana. E deveria ser do interesse de todos, nomeadamente dos partidos representados no hemiciclo, que este processo fosse encerrado de vez. Até este momento poderá dizer-se que os partidos desempenharam o seu papel, tentando condicionar e influenciar os nomes dos candidatos ao cargo. No caso dos dois maiores partidos até se poderá considerar que terão esticado ao limite a sua margem negocial. Dependendo do ângulo por onde se esteja a avaliar atribuir-se-á maior responsabilidade neste processo, cuja morosidade já ultrapassou os limites do razoável, ao PS ou ao PSD.
Agora, porém, a situação é outra. Os nomes que passaram à segunda volta foram os de Jorge Miranda (indicado pelo PS) e de Maria da Glória Garcia (indicada pelo PSD). O primeiro com 113 votos e a segunda com cerca de metade, 59. Julgo que o tempo de discutir o perfil de um e de outro (ou de qualquer outro) já passou. Foi o tempo que antecedeu a apresentação dos candidatos e o que imediatamente se lhe seguiu e que culminou na audição dos mesmos pelos deputados, uma inovação do actual Regimento com evidentes benefícios em termos de escrutínio público deste processo. Neste momento, o tempo é para a Assembleia da República assumir com responsabilidade e sentido prático quais as alternativas que se lhe colocam: eleger um novo provedor para a semana, ainda que com um ano de atraso relativamente ao termo do mandato do actual Provedor, mas salvando apesar de tudo a dignidade dos envolvidos e, mais importante, da instituição; ou recusar esta solução, a única que poderia conduzir à eleição do Provedor ainda nesta legislatura, e atirar para outros e, pior, para um futuro distante (nunca antes do final de 2009), a resolução desta situação, cujo arrastamento - não é difícil de adivinhar - terá tendência para agravar. Esta última hipótese parece-me insustentável a vários níveis, quer pelo que significa de desresponsabilização dos partidos políticos, quer por conter o enorme perigo de degradar fortemente a figura e a autoridade do Provedor. A meu ver, Jorge Miranda é o candidato ideal para explorar todas as potencialidades deste órgão de defesa dos cidadãos, nomeadamente por esta e esta razão, para além do que ficou bem patente na sua audição parlamentar. Mas tão importante quanto isto neste momento é que, admitindo que se mantêm as votações obtidas pelos dois candidatos na primeira volta, Jorge Miranda parece ser o único candidato em condições de ser eleito para a semana (o mesmo é dizer ainda nesta legislatura) e de recolher o apoio de dois terços dos deputados. Esperemos que os deputados saibam estar à altura das suas responsabilidades.
Agora, porém, a situação é outra. Os nomes que passaram à segunda volta foram os de Jorge Miranda (indicado pelo PS) e de Maria da Glória Garcia (indicada pelo PSD). O primeiro com 113 votos e a segunda com cerca de metade, 59. Julgo que o tempo de discutir o perfil de um e de outro (ou de qualquer outro) já passou. Foi o tempo que antecedeu a apresentação dos candidatos e o que imediatamente se lhe seguiu e que culminou na audição dos mesmos pelos deputados, uma inovação do actual Regimento com evidentes benefícios em termos de escrutínio público deste processo. Neste momento, o tempo é para a Assembleia da República assumir com responsabilidade e sentido prático quais as alternativas que se lhe colocam: eleger um novo provedor para a semana, ainda que com um ano de atraso relativamente ao termo do mandato do actual Provedor, mas salvando apesar de tudo a dignidade dos envolvidos e, mais importante, da instituição; ou recusar esta solução, a única que poderia conduzir à eleição do Provedor ainda nesta legislatura, e atirar para outros e, pior, para um futuro distante (nunca antes do final de 2009), a resolução desta situação, cujo arrastamento - não é difícil de adivinhar - terá tendência para agravar. Esta última hipótese parece-me insustentável a vários níveis, quer pelo que significa de desresponsabilização dos partidos políticos, quer por conter o enorme perigo de degradar fortemente a figura e a autoridade do Provedor. A meu ver, Jorge Miranda é o candidato ideal para explorar todas as potencialidades deste órgão de defesa dos cidadãos, nomeadamente por esta e esta razão, para além do que ficou bem patente na sua audição parlamentar. Mas tão importante quanto isto neste momento é que, admitindo que se mantêm as votações obtidas pelos dois candidatos na primeira volta, Jorge Miranda parece ser o único candidato em condições de ser eleito para a semana (o mesmo é dizer ainda nesta legislatura) e de recolher o apoio de dois terços dos deputados. Esperemos que os deputados saibam estar à altura das suas responsabilidades.
21.5.09
Os riscos de não ter secções fixas

Foi impressão minha ou o I falhou ontem a notícia da Ida, a extraordinária descoberta do pequeno fóssil com 47 milhões de anos, que revela o elo perdido entre os primatas e animais mais primitivos e que fez a manchete de tantos jornais pelo mundo fora e, por cá, pelo menos do Publico e do DN?
20.5.09
Aviso: post com ponto de exclamação
Apre, que já não aguento ouvir dizer que este senhor foi o primeiro presidente do Parlamento a demitir-se em 300 anos! Também acho que foi o primeiro a pesar 96 kg, com três dentes chumbados e a ter recebido à luz a 3 de Julho de 1945. Em mais de 300 anos! É impressionante, como diria um dos mais afamados políticos/bloggers da nossa praça.
Ah, agora já percebemos o que queriam dizer
Obama avant la lettre

Na sua obra “A Origem das Espécies”, Darwin dedica um capítulo a enunciar as fragilidades da sua tese, antecipando muitos dos problemas que surgiriam na mente do leitor, problemas que haviam atormentado o próprio Darwin. Este capítulo sobre dificuldades contribuiu em grande medida para que a sua obra fosse bem acolhida, mesmo entre parte dos seus críticos, que viram neste gesto um sinal de honestidade intelectual de Darwin.
Tanto barulho por um pedaço de bacon

Já não é a primeira vez que Vasco Graça Moura (VGM) confunde as suas expectativas (por legítimas que sejam) com a realidade. Disso já tivemos oportunidade de dar conta aqui. Agora e a propósito de uma petição contra o acordo ortográfico que o Parlamento discute hoje, o poeta articulista insiste em vir tecer uma série de considerações que, para dizer o mínimo, revelam um total desconhecimento sobre o instrumento das petições e respectiva tramitação. Em resumo, VGM confunde a posição da comissão parlamentar com a opinião do relator (Feliciano Barreiras Duarte), a qual, ainda que fazendo parte do relatório, não é objecto de votação e, quando muito, vincula apenas o próprio. A única parte do relatório que foi sujeita à votação e que mereceu a unanimidade dos deputados da comissão foi o parecer, que se resume a isto (clicar para aumentar):

A partir daqui VGM escreve coisas como:
Em 8 de Abril, o relatório do deputado Feliciano Barreiras Duarte foi aprovado por unanimidade na reunião daquela Comissão. Para já, esta é uma situação de importantíssimo alcance político, uma vez que "o relator é da opinião que as preocupações e os alertas dos peticionários devem ser tidos em conta, do ponto de vista técnico e político, a curto e a médio prazo" e que essa opinião foi partilhada por todos os membros da Comissão.
Estas e outras confusões estavam hoje de manhã a ser difundidas pela rádio, nomeadamente a delirante consideração de que o relatório vincula a Assembleia da República a rever o Acordo. Isto até poderia ser vagamente cómico, não fosse VGM andar também a divulgar estas coisas lá fora, como aqui (Estadão) ou aqui (BBC Brasil).
Em 8 de Abril, o relatório do deputado Feliciano Barreiras Duarte foi aprovado por unanimidade na reunião daquela Comissão. Para já, esta é uma situação de importantíssimo alcance político, uma vez que "o relator é da opinião que as preocupações e os alertas dos peticionários devem ser tidos em conta, do ponto de vista técnico e político, a curto e a médio prazo" e que essa opinião foi partilhada por todos os membros da Comissão.
Estas e outras confusões estavam hoje de manhã a ser difundidas pela rádio, nomeadamente a delirante consideração de que o relatório vincula a Assembleia da República a rever o Acordo. Isto até poderia ser vagamente cómico, não fosse VGM andar também a divulgar estas coisas lá fora, como aqui (Estadão) ou aqui (BBC Brasil).
Está visto que ainda temos de comer muita papa (eu prefiro choc X) até percebermos isto da coisa pública

Hoje de manhã, no habitual comentário da actualidade no RCP, Luís Osório mostrava-se surpreendido ter sido “por uma ninharia como o mau uso dos dinheiros públicos que [o presidente da Câmara dos Comuns] foi demitido”.
19.5.09
Isto não é um post sobre orgias
Choca imaginar o que terá acontecido realmente nas aulas desta professora. A violência da linguagem, que subentende uma total desconsideração pelos alunos e pelos seus direitos, é muito grave, independentemente da matéria que se estiver a abordar. Estando a falar sobre sexualidade a desadequação da linguagem é particularmente chocante. Importa, contudo, reter que isto nada tem que ver com educação sexual nas escolas mas apenas com uma professora que, no mínimo, não parece estar nas melhores condições psicológicas para desempenhar as funções de docente.
18.5.09
Ninguém é ilegal

Imigração. Admito que seja dos problemas mais complexos para uma comunidade política resolver. E a este nível temo que o meu contributo seja nulo. Porque o meu ponto de partida é absolutamente incompatível com a ideia de qualquer política restritiva de imigração. Porque, para colocar isto em termos muito simples, não me considero com mais direito a viver nesta terra (Portugal), onde por acaso nasci, do que alguém que nasceu num país onde há fome, guerra, ou onde simplesmente não há recursos. Sinto que isto de nascer num ou noutro lugar do mundo é talvez a maior lotaria da nossa existência e que a condiciona de forma indelével. Nascer e poder viver num país onde, em condições normais, temos garantidas condições mínimas de sobrevivência, é, pois, um verdadeiro luxo e uma pura questão de sorte. E o contrário o maior dos azares. Algo sobre o qual não temos a mais pequena responsabilidade. Acho por isso que a circulação de alguém à procura de sustento, que é o que parece constituir a maior parte da imigração, é um direito natural, inato à condição do ser humano, que nenhum Estado devia poder comprimir. Quando um Estado se acha no direito de impedir a entrada de um imigrante apenas devido à sua naturalidade, o que eu interpreto não anda muito longe disto: “tivesses nascido noutro lugar”. Mas isto sou eu, com os meus botões e a cómoda inconsequência das minhas crenças. Reconheço que de um responsável político por esta área exigir-se-á que pense e aja de outra forma, que seja permeável à crueza do pragmatismo. Não lhes invejo este papel.
cópula-a-porter

Oiço, no Fórum da TSF, vários intervenientes a manifestarem o seu desacordo sobre a distribuição gratuita de preservativos na escola. Consideram que o Estado está, por esta via, a incentivar a prática de relações sexuais. Convirá talvez explicar que a distribuição de contraceptivos não inclui um parceiro com quem, digamos, realizar a dita cópula.
Num país a sério
17.5.09
Múltipla personalidade
Por vezes, tenho dificuldade em rever-me em posts relativamente aos quais há apenas umas poucas horas atrás me terei dito "ora aí está uma bela ideia para um post" (mas lá que tinha cara de choninhas, tinha).
16.5.09
First impressions
14.5.09
13.5.09
Gostava mesmo que me esclarecessem sobre isto

Acontece-me sempre o mesmo. Quando preciso de saber algo sobre alguma das competências do Presidente da República vou ao respectivo site oficial e encontro tudo menos o que procuro. Nomeadamente sobre uma das suas competências-chave, a de promulgar os decretos do Parlamento e do Governo e do outro direito que lhe está associado, o do veto. Não encontro nenhuma razão válida para não estarem disponíveis pelo menos os diplomas que o Presidente acaba de promulgar. E mesmo relativamente aos decretos que se encontram para promulgação, julgo que também aí deveria valer um princípio de transparência e ser-nos dado a conhecer, de forma actualizada, quais os diplomas em apreciação. Tal como faria sentido que o site tivesse uma lista dos diplomas vetados, com as respectivas fundamentações. E tocando noutras matérias, como as petições dirigidas ao Presidente da República, não deveria o site prestar informação sobre as petições que lhe são dirigidas, obrigação que é, inclusivamente, exigida pela lei?
Artigo 14.º
Controlo informático e divulgação da tramitação
Os órgãos de soberania, de governo próprio das Regiões Autónomas e das autarquias locais, bem como os departamentos da Administração Pública onde ocorra a entrega de instrumentos do exercício do direito de petição, organizarão sistemas de controlo informático de petições, bem como de divulgação das providências tomadas, nos respectivos sítios da Internet.
Artigo 14.º
Controlo informático e divulgação da tramitação
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