2.10.09
Quem diz Haydn diz maradona
Aqui considera-se que ninguém deveria sair da escola sem ouvir Haydn. Eu saí. Tonnerre de Brest! Descubro-o agora, já na casa dos intas, pela mão do excelso, formidável e supra-magnífico Glenn Gould. A vossa atenção, por favor...
1.10.09
A língua das crianças
Enquanto preparo o banho das crianças, a mais velha (4 anos) alerta-me: "Papá, a banheira não pode ficar muito encha. Por causa do maninho!".
Sobe e desce
Bem sei que esta história das avaliações positivas ou negativas feitas pelos jornais é uma ciência obscura e, inevitavelmente, sujeita ao critério subjectivo de quem as faz. No entanto, não deixa de me causar uma certa perplexidade a atribuição, como aparece hoje na última página do Público, de uma seta para baixo a Noronha de Nascimento, por o órgão a que preside ter sido objecto de uma crítica de uma entidade como a associação sindical dos juízes, que acusou o CSM de "vulnerabilidade a pressões políticas". A minha dúvida é saber se aquela seta exprime a adesão do jornalista (ou do jornal, quando não assinado) aos argumentos expendidos por uma das partes, caso em que deveria ser muito mais claro o enquadramento deste espaço como de opinião, afastando-se o logro que é apresentarem-nos este espaço como algo que espelha um daqueles juízos quase incontestados, que quase se confundem com o facto em si (tipo ganhar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos é positivo; ser-se condenado por um crime é negativo); ou se se limita a dar conta da circunstância de esse órgão ter sido alvo de uma crítica, associando-se sempre - e apenas por essa razão - o alvo ou objecto da crítica a um juízo negativo, independemente da sua credibilidade ou sustentação factual. E obrigaria, no exemplo referido da seta negativa de Noronha de Nascimento, a colocá-lo amanhã para cima por ter sido hoje defendido pelo Bastonário da Ordem Advogados. Esta hipótese é, convenhamos, um exercício sem qualquer interesse para os leitores e, no seu automatismo, bastante estúpido. E o que daí acaba por resultar é, demasiadas vezes, uma confusão daqueles planos e passar-se por informação e objectivo aquilo que mais não é do que a opinião dos seus autores. Mas isso imagino que eles saibam.
30.9.09
Bem, pelos vistos às vezes esquecemos (e ainda bem)
Quero dizer, não me lembrava da "fantástica" interpretação deste senhor, que até pelo canto do olho dá para ver que o que ele faz é apenas remotamente semelhante com representar. Não é que não goste dele, até porque esteve em dois dos meus filmes preferidos de guerra. Poderia até dizer que é dos meus piores actores favoritos.
Nunca esquecemos a nossa primeira vez...

cinematograficamente falando, desta vez. Para mim, o filme "Doze indomáveis patifes" (afeiçoo-me quase sempre aos títulos em português e este é, sem dúvida, um granda título, tão bom ou melhor do que o original "Dirty dozen") ficou para sempre associado à primeira vez que vi Donald Sutherland. Um actor do caraças.
Feelings... nothing more than feelings

Havia quem alimentasse a esperança que, face a um governo minoritário, o Presidente da República viesse a desempenhar um papel nevrálgico na construção de pontes e entendimentos com outros partidos com vista à formação das necessárias maiorias. Julgo que o que quer que tenha sido aquilo ontem coloca, muito provavelmente, um ponto final sobre esta possibilidade. Mas é também um pouco da máscara do Presidente árbitro, do presidente moderador que caiu ontem à noite. Nunca se viu um presidente tão abertamente hostil a um governo (ou, melhor dizendo, ao partido do governo). Mais, esta hostilização ocorre num cenário de um provável governo minoritário, condições que podem remeter a coabitação Soares/Cavaco para uma brincadeira de crianças. E se um Presidente pode incomodar um governo de maioria absoluta, pode incomodar muito, muito mais um governo minoritário. Palpita-me que estamos a assistir a um novo capítulo da história do semi-presidencialismo português, que poderá ver, nesta nova coabitação, testados os seus limites.
29.9.09
Mafalda

Mafalda faz hoje 45 anos. Ela, que nos ensina tudo o que quisermos, do bem que faz a sopa (e do mal que sabe), ao mal da burocracia; das inúmeras razões para o pessimismo, à secreta esperança na mudança*. Acho que é isto que eu sinto relativamente aos tempos políticos que se avizinham: inúmeras razões para o pessimismo (excruciantemente enfatizado por todos), à secreta esperança na mudança. Bem, agora já não é assim tão secreta, pois não?
*Mariana Vieira da Silva, País Relativo
Se é assim no modelo nórdico, imagino por cá
A missão do jornalista económico era investigar e denunciar os tubarões da finança capazes de provocar deliberadamente crises bolsistas para lucrar na especulação e malbaratar as poupanças dos pequenos investidores, escrutinar as administrações das empresas com o mesmo implacável zelo com que os jornalistas políticos perseguem os mais pequenos deslizes dos ministros e membros do Parlamento. Não conseguira, por mais que se esforçasse, compreender como podiam tantos jornalistas económicos influentes tratar jovens gestores de terceira categoria como se fossem estrelas de cinema.
Stieg Larsson, "Os homens que odeiam as mulheres" (Millenium 01)
Stieg Larsson, "Os homens que odeiam as mulheres" (Millenium 01)
23.9.09
O longo rabo da verdade
Numa célebre entrevista já com alguns anos, o líder da bancada parlamentar do PCP, Bernardino Soares, disse não estar certo de que a Coreia do Norte não fosse uma democracia. Para muitos, ter-se-ia tratado apenas de um lapso, mas que não deixava de revelar o conceito de democracia para os comunistas portugueses. Na entrevista que Jerónimo de Sousa deu anteontem aos Gato Fedorento, o líder do PCP foi confrontado com esta questão. Preferia viver na Suécia, Noruega ou Coreia do Norte? Depois de um instante hesitativo, Jerónimo chutou para canto, respondendo que preferiria sempre viver em Portugal. Hábil. Mas não o suficiente para esconder o indisfarçável rabo da verdade: que o modelo "democrático" da Coreia do Norte continua a inspirar admiração na Soeiro Pereira Gomes.
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