Foi a melhor entrevista que vi até agora no novo programa dos Gato Fedorento. Independentemente de concordar com o que disse (e concordo com boa parte), Marinho Pinto foi o primeiro convidado que vi que não estava nervoso por estar a ser esmiuçado. Igual a si próprio, não tentou responder com graçolas a Ricardo Araújo Pereira e, sem deixar de demonstrar compreender o humor da pergunta que lhe era dirigida, tentava desmontar os seus pressupostos (como aconteceu quando enquadrou, do seu ponto de vista, o caso Bragaparques e a condenação por corrupção de Domingos Névoa). Das entrevistas que vi, foi a mais interessante e aquela que mais se aproximou do modelo original.
14.10.09
13.10.09
E os nossos filhos, terão saudades do quê?
Doze Anos
Ai, que saudades que eu tenho
Dos meus doze anos
Que saudade ingrata
Dar banda por aí
Fazendo grandes planos
E chutando lata
Trocando figurinha
Matando passarinho
Colecionando minhoca
Jogando muito botão
Rodopiando pião
Fazendo troca-troca
Ai, que saudades que eu tenho
Duma travessura
Um futebol de rua
Sair pulando muro
Olhando fechadura
E vendo mulher nua
Comendo fruta no pé
Chupando picolé
Pé-de-moleque, paçoca
E disputando troféu
Guerra de pipa no céu
Concurso de pipoca
Chico Buarque
Ai, que saudades que eu tenho
Dos meus doze anos
Que saudade ingrata
Dar banda por aí
Fazendo grandes planos
E chutando lata
Trocando figurinha
Matando passarinho
Colecionando minhoca
Jogando muito botão
Rodopiando pião
Fazendo troca-troca
Ai, que saudades que eu tenho
Duma travessura
Um futebol de rua
Sair pulando muro
Olhando fechadura
E vendo mulher nua
Comendo fruta no pé
Chupando picolé
Pé-de-moleque, paçoca
E disputando troféu
Guerra de pipa no céu
Concurso de pipoca
Chico Buarque
Afinal quem quer dialogar?
Noto com curiosidade que os mesmos que têm, ao longo destes últimos anos, exigido que José Sócrates seja mais dialogante, são os mesmos que agora acusam José Sócrates de soar a falso quando se mostra disponível para negociar. Dito de outro modo: faz algum sentido apelar ao diálogo se, quando ele se proprociona, se corre à procura do primeiro pretexto para o despromover? Dito ainda de outro modo: será que os que reclamam diálogo se servem deste apenas como arma de arremesso político ou estão mesmo interessados em sentar-se à mesa e, digamos, conversar?
Os sapatos dos outros

E não foi nada bonito o que aconteceu depois, Pedro. Jornalistas, com responsabilidades directivas nos respectivos órgão de informação, a tentarem desqualificar profissionalmente os outros, como quando o director do Expresso disse que João Marcelino não tinha 30 e tal anos de jornalismo político como ele, insinuando que fora um mero jornalista desportivo (soberba snobeira), tendo este comentário suscitado inclusivamente o uso da palavra pelo Provedor do Telespectador da RTP, que repudiou veementemente esta intervenção de Henrique Monteiro. Um director (JMF) que invocou várias vezes ter sido enganado quanto aos termos em que estava a decorrer o debate. O mesmo director que não conseguia, nem tentava, disfarçar o desprezo que sentia pelo director do DN, não cumprindo o mínimo de cordialidade a que obriga o debate democrático. Por várias vezes imaginei que Marcelino se iria levantar e pedir satisfações a JMF pelo seu inaceitável comportamento, como quando, a dada altura, o quase ex-director do Público disse qualquer coisa como (cito livremente e com quase certeza, pois a hora era longa) "eu não consigo estar aqui a debater com quem tem uma opinião daquelas". Enfim, muito haverá a dizer sobre o que aconteceu ontem. Para mim, foi um espectáculo no limite do grotesco. Ver pessoas que não hesitaram em recorrer à insinuação para salvar a pele. Pessoas que mostraram não saber lidar com o contraditório quando estão envolvidas as suas importantes pessoas. Pessoas que ganham a vida a fazer isso aos outros (e ainda bem, a maioria das vezes) e que são as primeiras a exigir correcção democrática aos visados, em nome da liberdade de informação. Aparentemente, alguns dos presentes não perceberam que ontem estavam do lado de lá. Dos escrutinados.
12.10.09
Resumiria assim a crónica de hoje de Rui Tavares (II)
Que interessa se as pessoas são mais felizes hoje ou se acreditam que o futuro nos reserva um mundo melhor. Obama tem de investir é em mais rotundas.
Resumiria assim a crónica de hoje de Rui Tavares

Sim mas, se excluirmos o facto de ser o "mais multilateralista dos presidentes americanos"; de ter "superado a guerra de civilizações entre o Ocidente e o Islão", tendo ganho um "notável respeito entre muçulmanos de todo o mundo"; de ter iniciado um novo ciclo nas relações com o Rússia que permitirá diminuir em muito o arsenal nuclear de ambos os países"; de ter acabado com o anti-americanismo que existia numa parte da Europa e do resto do mundo; o que é que ele fez para merecer o Nobel?
ps: com a devida vénia à Frente Sionista de Libertação ou Frente Popular de Libertação ou União para a Libertação Sionista, de a Vida de Brian.
ps: com a devida vénia à Frente Sionista de Libertação ou Frente Popular de Libertação ou União para a Libertação Sionista, de a Vida de Brian.
Desilusão
... pelo facto de o que me pareceu - à distância, é certo - uma extraordinária campanha eleitoral, com uma visão de futuro para o município, sustentada em ideias claras e um empenho invulgar em divulgá-las a todos cidadãos interessados (e, por essa mesma razão, em ancorar a campanha em torno daquelas), não ter sido recompensada pelos eleitores de Almada.
Viram, os lisboetas são capazes de tudo para se verem livres de mim (digam lá se não sou importante?)

"Santana atribui triunfo de Costa a eleitores da CDU e do BE que votaram nele só para a câmara" (Público de hoje). Com efeito, foi esta ideia que Santana decidiu desenvolver para explicar a sua derrota: que uma parte dos lisboetas queria tanto, tanto, tanto evitar que ganhasse a câmara que concentraram votos na única candidatura capaz de lha disputar.
9.10.09
Forma Justa
A maioria dos posts que se publicam neste blogue são sobre política. Os meus amigos de direita dizem que o que este blogue tem de melhor é a música. Os meus amigos de esquerda concordam.
Sarada

Haverá talvez uma explicação para o facto. Mas a verdade é que não alcanço como é que aquele que é, para mim, um dos melhores álbuns de sempre de língua espanhola (dos pelo menos 3 ou 4 que conheço), não está disponível no youtube. Nem uma musiquinha. Um cibinho. Pontos de exclamação. Há esta migalhita aqui, mas que é claramente insatisfatória.
Proponho que, daqui em diante, os legisladores tenham de soprar no balão sempre que aprovem uma lei eleitoral
O sistema eleitoral das autarquias locais é uma bizantinice, que não tem paralelo na generalidade dos sistemas eleitorais locais no resto da Europa. Se o sistema eleitoral nacional fosse feito à imagem do sistema municipal, teríamos, com base nos resultados das últimas eleições legislativas, um governo composto por 7 ministros do PS (um dos quais primeiro-ministro), 5 do PSD, 2 do CDS, 1 do BE e outro do PCP-PEV*.
O Governo responderia perante o Parlamento, que poderia votar moções de censura, que, todavia, não teriam qualquer efeito prático (ou mesmo jurídico). Apesar de ser o partido mais votado, o PS poderia não ter a maioria dos deputados, pois no Parlamento teriam ainda assento, com estauto idêntico aos deputados eleitos, os presidentes das câmaras municipais.
Em síntese; o Conselho de Ministros reuniria o governo mais os ministros da oposição, o Parlamento fiscalizaria o governo mas sem poderes para o responsabilizar (fazendo-o cair) e apenas em princípio, e com uma dose de sorte, o Parlamento reflectiria na sua composição os resultados eleitorais.
*Número de ministros (16) do actual Governo.
O Governo responderia perante o Parlamento, que poderia votar moções de censura, que, todavia, não teriam qualquer efeito prático (ou mesmo jurídico). Apesar de ser o partido mais votado, o PS poderia não ter a maioria dos deputados, pois no Parlamento teriam ainda assento, com estauto idêntico aos deputados eleitos, os presidentes das câmaras municipais.
Em síntese; o Conselho de Ministros reuniria o governo mais os ministros da oposição, o Parlamento fiscalizaria o governo mas sem poderes para o responsabilizar (fazendo-o cair) e apenas em princípio, e com uma dose de sorte, o Parlamento reflectiria na sua composição os resultados eleitorais.
*Número de ministros (16) do actual Governo.
Em terra de cegos quem tem olho nem sempre é rei

No noticiário das 10.00 da TSF, o correspondente em Oslo informa que Barack Obama acaba de ser galardoado com o prémio Nobel da Paz. Como ainda não havia declaração do Comité Nobel a informar das razões da escolha do Nobel da Paz de 2009 (que surgiu entretanto e pode ser lida aqui), a estação deu imediatamente a palavra ao comentador de política internacional José Carlos Barradas. Para espanto meu, o especialista em questões internacionais da TSF mostrou-se "absolutamente surpreso" com esta escolha, dando a entender não compreender as suas motivações. "Talvez a questão da desnuclearização", disse, demasiado hesitante, ou o seu envolvimento no combate às "alterações climáticas". De seguida, consegue a proeza de dedicar a maior parte do seu comentário aos preteridos da lista de candidatos para o prémio deste ano. E remata dizendo que "tem mesmo de se aguardar para saber as justificações do Comité Nobel". Que quero eu dizer com tudo isto? Que tenho a sensação que qualquer criança do segundo ciclo teria mais facilmente intuído as razões que levaram à escolha do nome de Obama para Nobel da Paz. Que ouvi um especialista encartado, que desfiava um impressionante rol de detalhes acerca dos candidatos preteridos, maioritariamente desconhecidos do grande público (o terreno preferido dos especialistas), mas que se mostrou incapaz de ver o óbvio, aquilo que todos vimos e sentimos, e que se pode sumariar nesta passagem: "The Committee has attached special importance to Obama's vision of and work for a world without nuclear weapons. Obama has as President created a new climate in international politics. Multilateral diplomacy has regained a central position, with emphasis on the role that the United Nations and other international institutions can play. Dialogue and negotiations are preferred as instruments for resolving even the most difficult international conflicts. (...) Only very rarely has a person to the same extent as Obama captured the world's attention and given its people hope for a better future."
8.10.09
My kind of president

Já tentei convocar todo o meu saber informático para colocar aqui o meu excerto favorito do debate de ontem entre os candidatos à Câmara de Lisboa. Em vão. Resta-me a alternativa de pedir que sigam este link e procurem o minuto 74.52 (mais coisa menos coisa) até ao minuto 75.09 (idem coisa menos coisa). Bem sei que todos os candidatos que lá estavam concordarão que o PNR é uma abjecção política (bem, todos será talvez abusivo; também lá estava aquele senhor do MMS que abandonou o debate a meio). Mas gosto de um candidato que lhes diz isso na cara.
Lisboa: debate autárquico

Gostei do debate que se realizou ontem (na RTP) com todos os candidatos à Câmara de Lisboa. Até as minhas pupilas aguentarem (passavam uns 20 minutos da meia-noite) discutiram-se questões fundamentais para a vida do município: trânsito e mobilidade, reabilitação urbana, revitalização económica, social e cultural da cidade, bairros sociais, frente ribeirinha, and so on. E também se discutiu o aeroporto da Portela. Ora, nem me demorando no facto de que as competências fundamentais quanto a esta questão são do Governo e não da autarquia, sempre me parece que centrar o debate sobre os problemas axiais de Lisboa em torno da questão da Portela é redutor e ignorante quanto aos verdadeiros problemas que enfrenta a capital e os seus habitantes. É, em grande medida, o que tem procurado fazer a candidatura de Santana Lopes, revelando uma confrangedora incapacidade de planear um futuro para a cidade, sobretudo vindo de alguém que já ocupou a principal cadeira dos Paços do Concelho. É pena que alguma comunicação social, eventualmente na esperança de reeditar um debate sobre o novo aeroporto de Lisboa que já teve o seu momento, caia neste engodo e que um debate como o de ontem à noite seja sintetizado, por exemplo, desta maneira.
7.10.09
Não era tempo de estes senhores perceberem que champanhe é champanhe e conhaque é conhaque?
"(...) neste mandato, em que presidiu à Junta de Freguesia o Dr. Rodrigo Gonçalves, foi mais evidente o Apoio quer à Paróquia, quer nos protocolos existentes entre a Junta de Freguesia e o Centro Social e Paroquial de São Domingos de Benfica (...) estamos muito reconhecidos à Junta de Freguesia e ao Sr. Dr. Rodrigo Gonçalves, por toda a colaboração e ajuda que tem sido manifesta. Esperamos continuar a colaborar para o Futuro!"
Frei Fernando Ferreira, prior da Paróquia de São Domingos de Benfica, no flyer do PSD/CDS-PP/MPT/PPM à Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica.
Frei Fernando Ferreira, prior da Paróquia de São Domingos de Benfica, no flyer do PSD/CDS-PP/MPT/PPM à Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica.
6.10.09
Desconstructing Cavaco
"Cavaco Silva parece bafejado pelos deuses: conseguiu criar uma imagem de rigor por ser hirto, uma imagem de seriedade política por não ter sentido de humor e uma imagem de prudência por se exprimir com o laconismo de um jogador de futebol".
José Vítor Malheiros, Público de hoje
José Vítor Malheiros, Público de hoje
3.10.09
A tradição já não é o que era
Numa reportagem sobre uma acção de campanha do candidato do PSD à Câmara de Lisboa reparo num pormenor que tem passado despercebido à maioria dos analistas: Santana Lopes já não tem cabelinho à Santana Lopes.
2.10.09
Quem diz Haydn diz maradona
Aqui considera-se que ninguém deveria sair da escola sem ouvir Haydn. Eu saí. Tonnerre de Brest! Descubro-o agora, já na casa dos intas, pela mão do excelso, formidável e supra-magnífico Glenn Gould. A vossa atenção, por favor...
1.10.09
A língua das crianças
Enquanto preparo o banho das crianças, a mais velha (4 anos) alerta-me: "Papá, a banheira não pode ficar muito encha. Por causa do maninho!".
Sobe e desce
Bem sei que esta história das avaliações positivas ou negativas feitas pelos jornais é uma ciência obscura e, inevitavelmente, sujeita ao critério subjectivo de quem as faz. No entanto, não deixa de me causar uma certa perplexidade a atribuição, como aparece hoje na última página do Público, de uma seta para baixo a Noronha de Nascimento, por o órgão a que preside ter sido objecto de uma crítica de uma entidade como a associação sindical dos juízes, que acusou o CSM de "vulnerabilidade a pressões políticas". A minha dúvida é saber se aquela seta exprime a adesão do jornalista (ou do jornal, quando não assinado) aos argumentos expendidos por uma das partes, caso em que deveria ser muito mais claro o enquadramento deste espaço como de opinião, afastando-se o logro que é apresentarem-nos este espaço como algo que espelha um daqueles juízos quase incontestados, que quase se confundem com o facto em si (tipo ganhar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos é positivo; ser-se condenado por um crime é negativo); ou se se limita a dar conta da circunstância de esse órgão ter sido alvo de uma crítica, associando-se sempre - e apenas por essa razão - o alvo ou objecto da crítica a um juízo negativo, independemente da sua credibilidade ou sustentação factual. E obrigaria, no exemplo referido da seta negativa de Noronha de Nascimento, a colocá-lo amanhã para cima por ter sido hoje defendido pelo Bastonário da Ordem Advogados. Esta hipótese é, convenhamos, um exercício sem qualquer interesse para os leitores e, no seu automatismo, bastante estúpido. E o que daí acaba por resultar é, demasiadas vezes, uma confusão daqueles planos e passar-se por informação e objectivo aquilo que mais não é do que a opinião dos seus autores. Mas isso imagino que eles saibam.
30.9.09
Bem, pelos vistos às vezes esquecemos (e ainda bem)
Quero dizer, não me lembrava da "fantástica" interpretação deste senhor, que até pelo canto do olho dá para ver que o que ele faz é apenas remotamente semelhante com representar. Não é que não goste dele, até porque esteve em dois dos meus filmes preferidos de guerra. Poderia até dizer que é dos meus piores actores favoritos.
Nunca esquecemos a nossa primeira vez...

cinematograficamente falando, desta vez. Para mim, o filme "Doze indomáveis patifes" (afeiçoo-me quase sempre aos títulos em português e este é, sem dúvida, um granda título, tão bom ou melhor do que o original "Dirty dozen") ficou para sempre associado à primeira vez que vi Donald Sutherland. Um actor do caraças.
Feelings... nothing more than feelings

Havia quem alimentasse a esperança que, face a um governo minoritário, o Presidente da República viesse a desempenhar um papel nevrálgico na construção de pontes e entendimentos com outros partidos com vista à formação das necessárias maiorias. Julgo que o que quer que tenha sido aquilo ontem coloca, muito provavelmente, um ponto final sobre esta possibilidade. Mas é também um pouco da máscara do Presidente árbitro, do presidente moderador que caiu ontem à noite. Nunca se viu um presidente tão abertamente hostil a um governo (ou, melhor dizendo, ao partido do governo). Mais, esta hostilização ocorre num cenário de um provável governo minoritário, condições que podem remeter a coabitação Soares/Cavaco para uma brincadeira de crianças. E se um Presidente pode incomodar um governo de maioria absoluta, pode incomodar muito, muito mais um governo minoritário. Palpita-me que estamos a assistir a um novo capítulo da história do semi-presidencialismo português, que poderá ver, nesta nova coabitação, testados os seus limites.
29.9.09
Mafalda

Mafalda faz hoje 45 anos. Ela, que nos ensina tudo o que quisermos, do bem que faz a sopa (e do mal que sabe), ao mal da burocracia; das inúmeras razões para o pessimismo, à secreta esperança na mudança*. Acho que é isto que eu sinto relativamente aos tempos políticos que se avizinham: inúmeras razões para o pessimismo (excruciantemente enfatizado por todos), à secreta esperança na mudança. Bem, agora já não é assim tão secreta, pois não?
*Mariana Vieira da Silva, País Relativo
Se é assim no modelo nórdico, imagino por cá
A missão do jornalista económico era investigar e denunciar os tubarões da finança capazes de provocar deliberadamente crises bolsistas para lucrar na especulação e malbaratar as poupanças dos pequenos investidores, escrutinar as administrações das empresas com o mesmo implacável zelo com que os jornalistas políticos perseguem os mais pequenos deslizes dos ministros e membros do Parlamento. Não conseguira, por mais que se esforçasse, compreender como podiam tantos jornalistas económicos influentes tratar jovens gestores de terceira categoria como se fossem estrelas de cinema.
Stieg Larsson, "Os homens que odeiam as mulheres" (Millenium 01)
Stieg Larsson, "Os homens que odeiam as mulheres" (Millenium 01)
23.9.09
O longo rabo da verdade
Numa célebre entrevista já com alguns anos, o líder da bancada parlamentar do PCP, Bernardino Soares, disse não estar certo de que a Coreia do Norte não fosse uma democracia. Para muitos, ter-se-ia tratado apenas de um lapso, mas que não deixava de revelar o conceito de democracia para os comunistas portugueses. Na entrevista que Jerónimo de Sousa deu anteontem aos Gato Fedorento, o líder do PCP foi confrontado com esta questão. Preferia viver na Suécia, Noruega ou Coreia do Norte? Depois de um instante hesitativo, Jerónimo chutou para canto, respondendo que preferiria sempre viver em Portugal. Hábil. Mas não o suficiente para esconder o indisfarçável rabo da verdade: que o modelo "democrático" da Coreia do Norte continua a inspirar admiração na Soeiro Pereira Gomes.
Tácticas de marquês de carabazinho

É muito curioso o afã com que Francismo Louçã tem aparecido a decretar o descrédito e a morte da campanha do PSD (Louçã pede «mentiras novas» aos social-democratas ou «Campanha do PSD morreu hoje à noite», afirma Louçã). Afastado o perigo da direita ganhar, os eleitores de esquerda que balançam entre o PS e o BE deixariam de estar pressionados pelo argumento do voto útil. A eleição já estaria ganha pelo PS, estando apenas em jogo a relação de forças entre este partido e o BE. A táctica é boa, só peca por não ter correspondência com a realidade, conforme atestam as sondagens, que continuam a mostrar uma eleição altamente renhida, nomeadamente (e principalmente) para saber quem ganha. Infelizmente (digo eu), o perigo da direita chegar ao poder continua absolutamente real.
Argumentos que fazem a diferença
"Nem que fosse apenas para defender o Serviço Nacional de Saúde já valeria a pena estar nesta batalha".
Manuel Alegre, em entrevista ao DN.
Manuel Alegre, em entrevista ao DN.
22.9.09
A estranha impunidade do Presidente da República

Vivemos numa época em que as instituições-chave da democracia representativa têm, na generalidade das democracias ocidentais, procurado novas formas de os cidadãos se relacionarem com os seus representantes. Este esforço tem implícito o reconhecimento de que, desde há algum tempo a esta parte, a democracia representativa não se esgota na eleição dos representantes e que exige que aquela seja complementada com formas de participação dos cidadãos e de prestação de contas regulares durante o exercício do mandato público dos representantes. Para além dos mecanismos de controlo inter-institucional, é hoje inconcebível que um primeiro-ministro, por exemplo, não esteja disponível para se sujeitar ao controlo de todos nós que é feito através dos media, seja por entrevistas ou sujeitando-se, no dia-a-dia, às perguntas dos jornalistas sobre os temas da actualidade. Por algum mistério insondável (não é assim tão insondável, como já se aflorou de alguma forma aqui), o Presidente da República, que é eleito por sufrágio universal, parece sentir-se desobrigado a este dever. Já aqui se referiu o desapreço que a Presidência revela pelo direito de petição, o único instrumento de participação dos cidadãos que, de acordo com a lei, pode garantir um acesso destes ao PR, exigindo, inclusivamente, uma resposta. Quanto ao resto o que vemos é que o Presidente presta contas apenas quando entende, remetendo-se ao silêncio vezes demais para alguém que é eleito e exerce o seu mandato em nome de todos os portugueses. O mais estranho é, porém, a complacência que a maioria de nós demonstra face a este comportamento.
21.9.09
Especulações pós-eleitorais
Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra rodar
Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços com há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhanca toda despertou;
E foi tanta felicidade que toda cidade enfim se iluminou;
E foram tantos beijos loucos
Tantos gritos roucos como não se ouvia mais...
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz
Chico Buarque - Valsinha
The Wire, a melhor série de todos os tempos
Vampirismo mediático (actualizado, menos no português, que mete tanto nojo quanto a manchete do expresso)
Achei obsceno o chafurdamento noticioso que se fez à volta dos PPR's e outros produtos bolsistas de responsáveis do BE. Mesmo que houvesse qualquer contradição entre o que defende o BE e os factos noticiados (que até entendo que não existe, pois uma coisa é o fim dos benefícios fiscais para estes produtos e outra o fim destes produtos), acho nojento este vasculhar da vida privada dos políticos (pois tudo o que foi noticiado é apenas e estritamente desse foro), como se esta devesse caucionar as suas propostas políticas; como se a vida privada dos políticos devesse estar de acordo com as suas ideias políticas; como se os políticos tivessem de ser puros na sua vida privada e de o atestar publicamente, abrindo as portas das suas casas aos jornalistas. Dos políticos interessa-me apenas que saibam governar, gerir a coisa pública. Esta competência é aferível como na generalidade das profissões: através das suas habilitações, experiência e de outras qualidades directamente ligadas ao exercício do cargo. A diferença principal é que são eleitos para o cargo e há um escrutínio público do seu exercício. Escrutínio que passa, naturalmente, pela necessidade de garantir mecanismos de transparência sobre, por exemplo, alguns aspectos da vida privada dos eleitos (como a obrigatoriedade de declararem património ou participações bolsistas), que servem, fundamentalmente, para garantir a prevalência do interesse público na actuação dos agentes políticos. Não serve para comprovar a coerência das suas ideias. Isso é apenas o kennethstarismo a tomar conta da política portuguesa.
20.9.09
Interesses de esquerda
A ver se percebo. Num cenário pós-eleitoral de maioria relativa do PS, uma parte da esquerda declara que não irá contribuir para qualquer solução governativa, desperdiçando, desta forma, a possibilidade de amarrar a próxima governação à esquerda. A consequência desta recusa é apenas uma: empurrar o PS para os necessários e inevitáveis acordos com a direita (com o PSD ou, dependendo dos resultados eleitorais, eventualmente com o CDS). Esquerdamente falando, isto faz algum sentido? Eu até sei que faz, mas não seguramente para quem gostaria de ver mais esquerda nas políticas governativas.
15.9.09
O toque de Midas de Ferreira Leite
Preguiço na leitura de blogues. Por isso, o mais provável é que alguém já tenha dito o óbvio. Refiro-me à líder do PSD e à sua democrática incapacidade para aguentar uma discussão no plano das ideias e do diferendo de opiniões. Desta vez foi com o TGV. Antes era uma questão essencialmente económica, abordada pelo PSD pelo ponto de vista dos benefícios que, neste momento, um investimento público desta natureza pode trazer, face ao agravamento do endividamento que, segundo sustentava, acarreta. Mas a líder do PSD parece achar insuficiente a troca de argumentos sobre a questão substantiva. Assim, tal como o fez noutras ocasiões, decidiu tentar converter a questão do TGV numa questão de carácter. O primeiro-ministro não defende o TGV por ter uma visão diferente do papel do investimento público numa conjuntura de crise económica ou porque veja vantagens na integração de Portugal na rede de Alta Velocidade mas porque está ao serviço dos interesses espanhóis, em nome dos quais está a promover a realização do TGV, em prejuízo do interesse nacional. É o mundo a preto e branco de Ferreira de Leite, versão lusa da fórmula medideira de patriotismo que W. Bush celebrizou: "ou estão connosco ou contra nós". Ou estão connosco na decisão do TGV ou estão a soldo dos espanhóis. Ou concordam integralmente e sem reservas com o teor deste post ou têm os vossos cérebros sob o controlo de algum maléfico poder alienígena. A sério.
Damn you legislature!
Nestes quadros do Pedro Magalhães, é bem visível que os seis meses adicionais da X Legislatura foram uma espécie de presente (chamo a atenção que eu sou dos que dizem prenda) envenenado para o PS. Como já tínhamos, aliás, aflorado aqui.
10.9.09
8.9.09
7.9.09
16.8.09
2.8.09
Frases que dá gosto ouvir de alguém que se diz de esquerda
"Já percebemos que, mais uma vez, o Estado, quando precisa de dinheiro, vai buscá-lo ao bolso do contribuinte". Clara Ferreira Alves, indignada, no "Eixo do mal", com o "absurdo demagógico" de se taxar mais os agregados com mais de cinco mil euros.
Mas havia de ir buscá-lo aonde?
Mas havia de ir buscá-lo aonde?
1.8.09
A política é um lugar estranho
De acordo com o Barómetro TSF Económico, "em termos de popularidade, Cavaco Silva atinge um dos valores de aprovação mais altos de sempre com quase 70 por cento de opiniões positivas". Uma vez mais, esta sondagem parece confirmar que, contrariamente ao que muitos apostavam, nomeadamente o senso comum, Cavaco Silva atravessa incólume todo o caso BPN, no qual estão envolvidas pessoas politicamente associadas aos governos que liderou e nos quais ocuparam lugares de grande destaque. A política é um lugar estranho. E por vezes ainda bem.
31.7.09
Sou só eu ou isto tem mais de "silly" do que de "season"
A propósito da notícia sobre o “chumbo” do Tribunal Constitucional ao casamento homossexual, diz-se aqui isto: "O programa eleitoral do PS volta a falar do casamento entre homossexuais. Mas o Tribunal Constitucional considerou que a Constituição não o permite. Casamento é exclusivamente para heterossexuais". No noticiário das 10h00, a TSF reproduzia esta mesma ideia e acrescentava que se o PS quiser aprovar a legalização do casamento homossexual terá de alterar antes a Constituição. Ora, não conhecendo o acórdão do TC nem estando particularmente familiarizado com o fundamento do pedido a ele dirigido, arriscaria dizer que o que está em causa é se não será inconstitucional a interpretação da lei segundo a qual o casamento está reservado aos heterossexuais. Ou seja, a questão estará no confronto da actual lei, que exclui os homossexuais do casamento, com a Constituição. Ou seja outra vez, saber se a Constituição proíbe essa discriminação. O que é muito diferente de dizer que a Constituição exige essa discriminação. É quase o contrário.
30.7.09
Sangue!

A discussão está ao rubro. E promete continuar. Mas já fez, pelo menos, um dano colateral. A minha posição sobre o assunto. Era firme e determinada. Agora nem por isso.
post com efeito

Zapatero atribui ataque à ETA e garante prisão perpétua para culpados, noticia o site da TSF. Viciado que me tenho tornado numa espécie de abutrismo das incorrecções e dislates alheios, já me preparava para disparar post acusatório e afirmar a evidência: que o primeiro-ministro espanhol não pode garantir nada isto, pois a Espanha é claramente um estado de direito, onde se respeita a separação de poderes. Em vez disso, opto por afirmar algo não menos evidente. Que a declaração de Zapatero deverá ser justificada no quadro da reacção emotiva de "dor e raiva" sentida por um homem ante o assassínio, ao que tudo indica pela ETA, de dois guardas civis na ilha de Maiorca. Dor e raiva pelos actos bárbaros perpetrados por esta organização terrorista num estado democrático e que nenhum argumento justifica. Dor e raiva que, à minha escala, também a sinto, ao ponto de estar quase, quase a citar Helena Matos (deus me perdoe) e dizer, sem artifícios vocabulares: "cabrões".
O estatuto dos Açores e a estratégia de Cavaco
O Tribunal Constitucional veio declarar inconstitucionais várias normas do Estatuto Politico-administrativo do Açores. Relativamente à questão substantiva, o tribunal deu razão a Cavaco Silva. Saiu derrotada a tese sustentada pelo PS. Para fazer face ao diferendo, funcionaram as instituições. Funcionou o sistema. Bravo. Teríamos era poupado cerca de um ano se, face às legítimas dúvidas de constitucionalidade, o Presidente as tivesse enviado para o órgão apropriado (o Tribunal Constitucional), em vez de recorrer ao veto político, que claramente não era o instrumento adequado para o efeito. Como se viu.
Ferreira Leite não comenta programa eleitoral socialista

E eis que surge mais um valioso contributo para o debate democrático por parte da líder do PSD. Ou uma infantil birra democrática. Não me consigo decidir. Mas inclino-me mais para a primeira, pois esta última é mesmo estúpida.
Cidadania global
A flanar, sem grande critério, pelo programa eleitoral do PS, detenho-me no capítulo intitulado “Modernizar o sistema político, qualificar a democracia”. Entre algumas medidas com vista a reforçar a qualidade da democracia portuguesa - como a alteração do governo das autarquias locais ou revisão da lei eleitoral para a Assembleia da República -, conta-se uma proposta que visa os estrangeiros residentes em Portugal, admitindo-se a possibilidade de apresentarem ao Parlamento petições de interesse geral (que se distinguem das que se esgotam num interesse individual do peticionário), ou seja, petições sobre assuntos políticos, que os afectam exactamente na mesma medida do que aos cidadãos nacionais. O que me interessa relevar aqui é não tanto o alcance da proposta em si mas a referência aos imigrantes como agentes que podem contribuir para qualificar a democracia. Este alargamento dos direitos políticos aos cidadãos não portugueses (independentemente da sua origem) através do direito de petição é, a meu ver, um sinal importante de uma forma diferente de encarar a população imigrante, que já não se esgota na previsão de um conjunto mínimo de mecanismos de protecção social (ainda que esta componente continue, obviamente, a ser fundamental), mas que a aproxima de um espaço global de cidadania.
29.7.09
Diz-me com quem te preocupas num momento de crise, dir-te-ei se és de esquerda ou de direita
Deixem-me simplificar. Se me perguntarem hoje qual a diferença entre uma pessoa de esquerda e outra de direita, eu diria isto: uma pessoa de esquerda dificilmente consideraria como "uma perseguição social dos ricos" a diminuição das deduções à colecta para os agregados familiares com mais de cinco mil euros por mês . Ou que isso constituísse uma "estigmatização dos que auferem maiores rendimentos". Muito menos elevaria esta preocupação numa prioridade, sobretudo no contexto que atravessamos de grave crise económica mundial.
Antes que se ponham com ideias
A propósito da nova proposta do PS para incentivar a natalidade, espero que ninguém se arme em engraçadinho e se lembre de colocar os ilustres e respeitáveis membros da família real portuguesa em poses menos decentes ou indecorosas. Ou que uns senhores cartoonistas obcecados por sexo aproveitem o pretexto para fazer uns desenhitos tipo sensuais e escandalosamente lascivos com os nossos duques e duquezas. Haja um mínimo de respeito. As coisas de que esta gente se lembra!
É que, convenhamos, o fundamental é bem mais importante do que o acessório
Sobre a Blogconf, noto apenas o seguinte: houve quem quisesse fazer (de forma mais ou menos velada) um grande caso em torno de um percalço menor, quando o fundamental foi garantido. E sobre o fundamental peço emprestado este excerto de um post de Luís Novaes Tito, no SIMplex:
"O que importa retirar de ensinamento adquirido resume-se à evidência de termos meios comunicacionais alternativos com força e eficácia para a opinião cidadã. Um actual e previsível futuro Primeiro-Ministro disponível quase quatro horas para ouvir e responder, gente comum com maior ou menor apetência para a intervenção pública em contacto directo e a questionar o poder, como se isso fosse banal. Quem quis publicar on-line, fê-lo. Tiraram-se fotos, fizeram-se filmes, twittou-se, facebookou-se, choveram SMS, em resumo, executou-se rede social, comunicou-se sem barreiras, abriram-se os canais da interactividade, da participação e do envolvimento."
"O que importa retirar de ensinamento adquirido resume-se à evidência de termos meios comunicacionais alternativos com força e eficácia para a opinião cidadã. Um actual e previsível futuro Primeiro-Ministro disponível quase quatro horas para ouvir e responder, gente comum com maior ou menor apetência para a intervenção pública em contacto directo e a questionar o poder, como se isso fosse banal. Quem quis publicar on-line, fê-lo. Tiraram-se fotos, fizeram-se filmes, twittou-se, facebookou-se, choveram SMS, em resumo, executou-se rede social, comunicou-se sem barreiras, abriram-se os canais da interactividade, da participação e do envolvimento."
28.7.09
27.7.09
A democracia segundo Reiquejavique

A Islândia formalizou recentemente a sua candidatura à União Europeia. Se a UE fosse um certo tipo de empresa portuguesa, temo que a candidatura arriscar-se-ia a ser rejeitada por excesso de habilitações.
Agradecimento público

Ao ler a crónica de hoje de Miguel Esteves Cardoso, lembro-me que queria tê-lo feito há mais tempo. Faço-o agora. Um muito, muito obrigado à pessoa que deixou uma beata enterrada na areia da praia da Comporta no fim-de-semana passado. O meu filho de dez meses quase que a conseguia comer por inteiro. Infelizmente para ele (haviam de ver a cara dele quando lhe interrompi o repasto), ficou-se pela metade. Espero é que as beatas não tenham daqueles "és" trezentos e tal ou qualquer substituto de açucar tipo aspartame. Dizem que fazem mal à saúde.
25.7.09
A explicação
Se demoram cinco meses a "pensar", "estruturar" e "amadurecer" um blogue, não admira que precisem de muito mais tempo para "pensar", "estruturar" e "amadurecer" um programa eleitoral.
24.7.09
Cheque ao portador

Eduardo Pitta defende, no SIMplex, que os partidos políticos deviam indicar, antes das eleições, quem gostariam de ver, em caso de vitória, à frente das principais pastas ministeriais. Considera que o "Partido Socialista teria toda a vantagem em dar esse passo em frente" e que "o primeiro comício da campanha eleitoral seria o momento ideal". Em tese, admito que isto poderia ter vantagens, seja porque as mesmas políticas podem ser concretizadas de forma substancialmente diferente consoante quem seja o seu responsável máximo (ministro), seja porque a nomeação de um potencial responsável ministerial poderá permitir a densificação do debate em torno dessa área. Porém, não vejo como é que isso possa acontecer em sistemas eleitorais como o nosso. Ou até desejável. Será aceitável e recomendável em sistemas maioritários em que o vencedor passa a depender apenas de si mesmo para formar governo. Mas acho difícil que num sistema em que um partido não sabe se, em caso de vitória, irá governar sozinho, com o apoio de um, dois ou mais partidos, mais à esquerda ou à direita, que este se possa comprometer com algum nome para o Governo. Dir-se-á que o mesmo raciocínio se poderia aplicar às propostas do programa eleitoral. Que, em caso de necessidade para obter apoio para a viabilização de um governo, estas poderão ser objecto de negociação, caindo (no todo ou em parte) umas, surgindo outras, novas. É, em parte, verdade. Mas a diferença fundamental é que, ao indicar-se um ministro, indica-se alguém para ser responsabilizado pelas políticas nessa área. E isso só faz sentido quando se sabe exactamente qual o programa para essa pasta e, também importante, qual o sentido a imprimir à governação que resulte de uma eventual negociação. Como sublinhava ontem Marina Costa Lobo, “a não haver maioria absoluta, vai ser preciso fazer compromissos, e podemos prever o teor destes comparando o posicionamento dos partidos sobre os temas políticos mais relevantes. Se a coligação se fizer entre PS e PSD, ou entre o PS e o CDS provavelmente os temas fracturantes ficarão na gaveta. Se a coligação for entre o PS e a sua esquerda, serão algumas reformas mais liberalizantes na economia que ficarão esquecidas".
Lisboa, sondagem Intercampus
PS: 46,4%------------------------------ 9 mandatos (inclui presidente)*
PSD/CDS-PP/PPM/MPT: 37,8%--- 7 mandatos*
BE: 8%----------------------------------- 1 mandato*
CDU: 7,8%------------------------------ 0 mandatos*
via: Margens de Erro
* os mandatos foram apurados (por mim) através desta belíssima ferramenta.
PSD/CDS-PP/PPM/MPT: 37,8%--- 7 mandatos*
BE: 8%----------------------------------- 1 mandato*
CDU: 7,8%------------------------------ 0 mandatos*
via: Margens de Erro
* os mandatos foram apurados (por mim) através desta belíssima ferramenta.
Boas notícias
Para quem está convencido que o PS deve apostar em conquistar e recuperar o eleitorado de esquerda que se foi desafeiçoando (e a meu ver injustamente) desta governação. Para quem considera que existe um terreno que é comum a parte das esquerdas, onde os entendimentos são possíveis e desejáveis. Para quem aspirava ver o Partido Socialista dar sinais claros de que, pela sua parte, está empenhado em tornar isto possível. Por tudo isto, esta é sem dúvida uma excelente notícia.
23.7.09
Ainda sobre as diferenças entre o PS e PSD
O artigo de hoje de Marina Costa Lobo no “Jornal de Negócios” questiona a mesma ideia da semelhança entre os dois maiores partidos. E explica muito bem porquê. Destaco as principais passagens:
- “Em Portugal, há quem esteja convicto de que os partidos são todos iguais. (…) Ora, tal discurso, que se ouve com frequência tanto em conversas de café como nos media, não é verdade”;
- “E no contexto de crise em que Portugal se encontra este lugar-comum é talvez ainda menos verdade do que habitualmente”;
- “As respostas à crise económica, desde o investimento público em grandes obras, à descida de impostos dividem os dois grandes partidos”;
- “Também a forma como os privados devem poder desenvolver as suas actividades em áreas como a Educação, a Saúde ou a Segurança Social separa o PS do PSD. Isto só para mencionar alguns dos temas mais relevantes do eixo Esquerda-Direita”;
- “Mas há outros. (…) a descriminalização do aborto ou do consumo de drogas, a procriação medicamente assistida, ou o casamento dos homossexuais tornaram-se parte da agenda política. Mais uma vez, aqui, não há muitas semelhanças entre os dois principais partidos”;
- “Embora o PSD se encontre por vezes dividido em relação a alguns destes temas ditos fracturantes, o seu posicionamento oficial, é contrário à liberalização dos costumes. Assim tem sido nas últimas duas legislaturas”;
- “O PS de Sócrates defendeu e conseguiu uma vitória no referendo ao aborto, promoveu o fim do divórcio litigioso e já se comprometeu em avançar com a legalização do casamento homossexual, caso seja governo depois das eleições”;
- Além destes dois partidos serem distintos, os pequenos partidos do arco parlamentar também o são. (…) A não haver maioria absoluta, vai ser preciso fazer compromissos, e podemos prever o teor destes comparando o posicionamento dos partidos sobre os temas políticos mais relevantes. Se a coligação se fizer entre PS e PSD, ou entre o PS e o CDS provavelmente os temas fracturantes ficarão na gaveta. Se a coligação for entre o PS e a sua esquerda, serão algumas reformas mais liberalizantes na economia que ficarão esquecidas".
- “Em Portugal, há quem esteja convicto de que os partidos são todos iguais. (…) Ora, tal discurso, que se ouve com frequência tanto em conversas de café como nos media, não é verdade”;
- “E no contexto de crise em que Portugal se encontra este lugar-comum é talvez ainda menos verdade do que habitualmente”;
- “As respostas à crise económica, desde o investimento público em grandes obras, à descida de impostos dividem os dois grandes partidos”;
- “Também a forma como os privados devem poder desenvolver as suas actividades em áreas como a Educação, a Saúde ou a Segurança Social separa o PS do PSD. Isto só para mencionar alguns dos temas mais relevantes do eixo Esquerda-Direita”;
- “Mas há outros. (…) a descriminalização do aborto ou do consumo de drogas, a procriação medicamente assistida, ou o casamento dos homossexuais tornaram-se parte da agenda política. Mais uma vez, aqui, não há muitas semelhanças entre os dois principais partidos”;
- “Embora o PSD se encontre por vezes dividido em relação a alguns destes temas ditos fracturantes, o seu posicionamento oficial, é contrário à liberalização dos costumes. Assim tem sido nas últimas duas legislaturas”;
- “O PS de Sócrates defendeu e conseguiu uma vitória no referendo ao aborto, promoveu o fim do divórcio litigioso e já se comprometeu em avançar com a legalização do casamento homossexual, caso seja governo depois das eleições”;
- Além destes dois partidos serem distintos, os pequenos partidos do arco parlamentar também o são. (…) A não haver maioria absoluta, vai ser preciso fazer compromissos, e podemos prever o teor destes comparando o posicionamento dos partidos sobre os temas políticos mais relevantes. Se a coligação se fizer entre PS e PSD, ou entre o PS e o CDS provavelmente os temas fracturantes ficarão na gaveta. Se a coligação for entre o PS e a sua esquerda, serão algumas reformas mais liberalizantes na economia que ficarão esquecidas".
Réplica a Rui Tavares
Miguel Vale de Almeida respondeu no SIMplex ao artigo de ontem de Rui Tavares, subindo a parada. Põe em causa a ideia da similitude entre o PSD e o PS. De acordo com o próprio, a linha política (de ruptura) que importa traçar é entre o PS e a direita e não entre o PS e os partidos à sua esquerda. Mas tira daí consequências, interpelando as pessoas que se revêem neste mesmo espaço político-ideológico fundamental para que estabeleçam pontes e diálogos entre eles. “Eles” serão, em primeira instância, “o PS (há muitos PS, e não só as facções e correntes organizadas, muitas pessoas diferentes) e as muitas e diversas pessoas que se situam politicamente entre o PS e os partidos à sua esquerda - partidos onde também há pessoas e correntes e sensibilidades muito diferentes, parte delas alheias já a essa velha história que medeia entre o 25 de Abril e o 25 de Novembro? Pessoas que criam, pensam, agem, intervêm, opinam, aderem a associações e movimentos sociais, ora simpatizam com certas propostas do Bloco, ora com algumas do PS, mas sempre sentem a frustração de que há uma clivagem velha entre ambos os campos - uma clivagem que não é só de políticas, é também de… “cultura”?”.
Miguel Vale de Almeida diz que gostava “de tentar ajudar a fazer isso”. Eu gostava sinceramente que este apelo fosse correspondido.
Miguel Vale de Almeida diz que gostava “de tentar ajudar a fazer isso”. Eu gostava sinceramente que este apelo fosse correspondido.
22.7.09
Discordo mas concordo
Independentemente de discordar da conclusão do artigo que Rui Tavares escreve hoje no Público, até porque defendo (e pratico aqui no blogue) precisamente a abordagem que ele tanto critica, é um grande texto sobre política. Infelizmente, hoje está apenas disponível para assinantes e pagantes. Mas amanhã deverá estar publicado aqui.
21.7.09
Em nome do interesse público

Baralhando a sabedoria popular, Chico Buarque aconselhava-nos a agirmos duas vezes antes de pensar ou a darmos como provado que quem espera nunca alcança. O certo é que o lógico nem sempre o é. E há verdades que nos parecem tão evidentes que nos dispensamos vezes demais de questionar o seu sentido. É o que julgo que acontece com a ideia que aconselha a que os responsáveis políticos, depois de cessarem funções, devem manter um longo período de nojo relativamente ao mundo empresarial ou, numa visão mais radical, um luto para a eternidade. A verdade é que poucas vezes vi em política uma relação contratual tão escrutinada como a do actual Governo com a Mota-Engil, desde que Jorge Coelho passou a presidir à administração desta última. A Mota-Engil já era, antes de Jorge Coelho, a maior empresa construtora portuguesa, detentora de inúmeras (da maioria, diria eu) concessões do Estado, nomeadamente na área das concessões rodoviárias. A ida de Jorge Coelho para o CA da empresa mais parece ter tido o efeito de um gigantesco holofote sobre as relações desta com o Estado. O que, em última análise, me parece positivo do ponto de vista do interesse público. Legisle-se, pois, para que se obriguem ex-ministros e deputados a ocuparem, no final dos seus mandatos públicos, um lugar no Conselho de Administração de uma qualquer grande empresa. Em nome do interesse público.
20.7.09
Let the games begin
Simplex, um blog onde se junta um grupo de pessoas cujo única afinidade é uma declaração de voto comum: nas próximas eleições legislativas vão todos votar no Partido Socialista. São várias as razões deste voto e elas encontram-se, com clareza e lucidez, identificadas em mais este manifesto, que vale, aliás, muito a pena ler.
19.7.09
Portas
Umas portas fecham-se. Outras abrem-se. Melhor é quando algumas portas que se fecharam voltam a abrir-se. Rebemvindo.
17.7.09
Pacheco Pereira considera que Ferreira Leite merece uma interpretação especial (SICN)
Chico Buarque

Ao ver a capa do "Público" de hoje recordo uma crónica do Luís Fernando Veríssimo, que contava a história de um homem que, como a maioria dos homens, era intransigente quanto a um hipotético adultério da sua mulher: "não admito que a minha mulher me engane com ninguém, ninguém!", declarava, firme. Mas depois acrescentava: "a não ser que fosse com o Chico Buarque, claro. Aí, chegaria ao pé dos meus amigos, vangloriando-me do facto: sabe, minha mulher enganou-me com o Chico Buarque". E eles ficariam mortos de inveja.
15.7.09
Critérios musicais
Dos vários critérios que se podem adoptar para ajudar na escolha do nome para um filho, o meu preferido é o musical. Tivesse eu seguido este critério e o nome da filha seria este:
Oops, we did it again
Não fôssemos estar esquecidos, o PSD de Lisboa fez o favor de nos recordar os melhores tempos das trapalhices santanistas.
O PSD viabilizou por engano na Assembleia Municipal de Lisboa o Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade e Zonas Envolventes (PUALZE), que pretendia chumbar, reconheceu hoje o líder da bancada social-democrata.
O PSD viabilizou por engano na Assembleia Municipal de Lisboa o Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade e Zonas Envolventes (PUALZE), que pretendia chumbar, reconheceu hoje o líder da bancada social-democrata.
14.7.09
De como dizer por mais e piores palavras o que outros já exprimiram com tanta clareza
É minha convicção que, contrariamente ao que tem acontecido nas últimas décadas, as próximas eleições não se vão ganhar ao centro. Pelo menos para o PS. Por um lado, temos a situação anómala que foi evidenciada nos resultados das últimas europeias e de que o Pedro Adão e Silva deu conta em devida altura aqui: a existência (efémera ou nem por isso) de três blocos (PSD+CDS; PS; e BE+PCP), sendo que o PSD não beneficiou quase nada de uma descida sem precedentes do PS e o bloco mais à esquerda a representar cerca de 20% do eleitorado, ultrapassando largamente os melhores resultados do PCP, em redor dos 18% em 1979 e 1983. Ou seja, o potencial de crescimento eleitoral do PS encontra-se, ao invés do que tem sido hábito na nossa democracia, à sua esquerda. Isto leva-nos ao "por outro lado" ou, mais propriamente, a um "acresce que": é que uma parte deste eleitorado é constituído por pessoas que - tal como explicou Miguel Vale de Almeida no seu excelente texto - "no espectro político-partidário, tal como ele se apresenta (e não o que idealizaríamos), se colocam entre o PS e o Bloco". Pessoas que não gostam "do PS-centrão, com políticas neo-liberais no trabalho e na economia, e com um séquito de pessoas predispostas ao tráfico de influências". Mas que gostam "do PS quando se apresenta do lado da igualdade, da liberdade, da modernidade". E que gostam do BE pelas mesmas razões mas que não gostam "quando descai para a demagogia, quando arrebanha as pulsões populistas, ou quando aposta no “correr por fora” desresponsabilizando-se do governo da coisa pública". É este eleitorado que deve, e pode (e não é bom quando estes dois verbos se juntam para este efeito?), dar a vitória ao PS nas próximas legislativas. Este eleitorado, que percebe que só o PS pode impedir que a direita volte, em Setembro, a governar Portugal.
Enfim, o melhor mesmo é ler o texto todo do Miguel Vale de Almeida, de que se deixa aqui um excerto:
"(...) neste momento em que o PS pode (e deve) ver-se obrigado a pensar à esquerda e a pensar em diálogos com muitos cidadãos e cidadãs das várias esquerdas, é o momento de escolher por onde passa a linha divisória entre esquerda e direita. Pessoalmente não acredito que ela passe entre o PS e o Bloco. Acredito que ela passa entre o PSD e o PS. Não quero o regresso do PSD, muito menos do PSD personificado por Manuela Ferreira Leite ou Santana Lopes. Não concordo com várias das políticas deste governo PS que agora termina. Não vi, ainda, o Bloco sair da lógica do “quanto mais dificuldades e tensões sociais melhor”, que o leva a apostar mais no “correr por fora” do que a valorizar as ideias e modos de uma das suas correntes fundadores (a que pertenci), a Política XXI. Mas vejo pela primeira vez, no PS e sobretudo em Sócrates, sinais de um projecto de modernização para o país que se diferencia quer da tentação miserabilista da maior parte da direita, quer da tentação revolucionária da maior parte da esquerda. Justamente num dos piores momentos por que aquele partido passa, e sem qualquer intenção de aderir de novo, enquanto filiado, a um partido, votarei pela primeira vez na vida no PS."
Enfim, o melhor mesmo é ler o texto todo do Miguel Vale de Almeida, de que se deixa aqui um excerto:
"(...) neste momento em que o PS pode (e deve) ver-se obrigado a pensar à esquerda e a pensar em diálogos com muitos cidadãos e cidadãs das várias esquerdas, é o momento de escolher por onde passa a linha divisória entre esquerda e direita. Pessoalmente não acredito que ela passe entre o PS e o Bloco. Acredito que ela passa entre o PSD e o PS. Não quero o regresso do PSD, muito menos do PSD personificado por Manuela Ferreira Leite ou Santana Lopes. Não concordo com várias das políticas deste governo PS que agora termina. Não vi, ainda, o Bloco sair da lógica do “quanto mais dificuldades e tensões sociais melhor”, que o leva a apostar mais no “correr por fora” do que a valorizar as ideias e modos de uma das suas correntes fundadores (a que pertenci), a Política XXI. Mas vejo pela primeira vez, no PS e sobretudo em Sócrates, sinais de um projecto de modernização para o país que se diferencia quer da tentação miserabilista da maior parte da direita, quer da tentação revolucionária da maior parte da esquerda. Justamente num dos piores momentos por que aquele partido passa, e sem qualquer intenção de aderir de novo, enquanto filiado, a um partido, votarei pela primeira vez na vida no PS."
13.7.09
Especulações pós-eleitorais
Em conversa com um amigo no fim-de-semana, este chamou-me a atenção para o programa eleitoral do Bloco de Esquerda. O ponto dele era que, num cenário de maioria relativa do PS na próxima legislatura, o Bloco surgirá como o parceiro natural, de governo (versão hard-core) ou para um entendimento de incidência parlamentar, que permitisse viabilizar os orçamentos e algumas políticas consideradas fundamentais (versão soft, para os mais enfermiços de coração). O I de hoje entrega-se a um exercício interessante: “E se o Bloco de Esquerda fosse governo?”. E nomeia 14 propostas sobre sete áreas fundamentais, que vão da Política Externa à Educação, passando pela Saúde e Segurança Social. Destas políticas, não tenho dificuldade em rever-me em cerca de metade: regionalização, casamento entre pessoas do mesmo sexo, reforço das energias renováveis, aumento do salário mínimo, a aprovação do testamento vital e a legalização da morte assistida. Outras, parecem-me inaceitáveis, como a retirada de Portugal da NATO. Outras, ainda, eu diria que poderão ser repensadas no sentido de convergir com algumas das reivindicações do BE, como a taxação das transacções na bolsa. Num eventual cenário pós-eleitoral de maioria relativa do PS, a possibilidade deste entendimento à esquerda deveria ser explorada até ao seu limite. A alternativa será, intuimo-lo, o bloco central, panaceia última da estabilidade governativa.
Cidadão de mau humor
"(...) É claro que não tenho nada contra os humoristas que nos fazem rir e passar momentos de boa disposição. Mas já tenho muito contra os humoristas que fazem política de uma forma desproporcionada e desonesta. Cidadania e humor são actividades exclusivas: para ter o seu lugar dentro da sociedade, o homem deve desempenhar um papel responsável; para desempenhar o papel de bobo, o homem deve situar-se explicitamente fora dela.
Nuno Lobo, O Cachimbo de Magritte
Nuno Lobo, O Cachimbo de Magritte
11.7.09
Bizarro World II

Ontem, em declarações à agência Lusa, Alegre disse que a “razão principal” para a sua saída da lista de deputados para as próximas legislativas foi a aprovação do Código do Trabalho pelo PS. É bastante irónico que a medida mais negativa deste governo segundo Alegre venha de um dos seus ministros mais à esquerda. Neste caso, Nixon ir à China pode não ter sido suficiente.
9.7.09
A política é um lugar tramado

Ao participar no jantar de despedida a Manuel Pinho, António Chora quis prestar homenagem a alguém que considera que fez muito pela empresa onde trabalha. Fica-lhe bem.
Como é natural, do lado do PS não se deixou passar em branco que um destacado dirigente bloquista (foi deputado e é membro da comissão política) tivesse vindo a terreiro elogiar as políticas e o empenho de um membro do Governo. Fez bem.
Igualmente natural foi a reacção do BE, pela voz de Francisco Louçã, demarcando-se do gesto de um seu dirigente, que, ainda que justificada do ponto de vista pessoal e profissional, constitui, obviamente, um embaraço para o BE e um engulho com que o partido terá de lidar a partir de agora no combate política nesta área. Louçã fez, por isso, bem em demarcar-se do seu colega de partido.
Como é natural, do lado do PS não se deixou passar em branco que um destacado dirigente bloquista (foi deputado e é membro da comissão política) tivesse vindo a terreiro elogiar as políticas e o empenho de um membro do Governo. Fez bem.
Igualmente natural foi a reacção do BE, pela voz de Francisco Louçã, demarcando-se do gesto de um seu dirigente, que, ainda que justificada do ponto de vista pessoal e profissional, constitui, obviamente, um embaraço para o BE e um engulho com que o partido terá de lidar a partir de agora no combate política nesta área. Louçã fez, por isso, bem em demarcar-se do seu colega de partido.
A política é um lugar tramado.
A Zelig* da política portuguesa

"Nós vamos rasgar e romper com todas as soluções que têm estado a ser adoptadas em termos de política económica e social, para que tenhamos resultados diferentes", disse Manuela Ferreira Leite, no dia 25 de Junho, durante um jantar com o grupo parlamentar do PSD.
"Não há nenhuma medida anunciada por este Governo com a qual eu discorde. Eu nunca disse que rasgaria políticas sociais”, disse, hoje, a líder do PSD, em declarações aos jornalistas, a meio de uma sessão do "Fórum Portugal de Verdade".
"Não há nenhuma medida anunciada por este Governo com a qual eu discorde. Eu nunca disse que rasgaria políticas sociais”, disse, hoje, a líder do PSD, em declarações aos jornalistas, a meio de uma sessão do "Fórum Portugal de Verdade".
8.7.09
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