23.10.09
Definitivamente, não percebo nada disto
É estranho mas acabo de ouvir dois comentadores, em canais diferentes, dizer que a escolha de Vieira da Silva para a Economia foi uma forma de agradar (ou de piscar o olho) à direita.
O Benfica é que não
Na TSF, o ex.bastonário José Miguel Júdice entra em linha para comentar o novo governo.
TSF: Qual a sua opinião sobre o nome escolhido para a Justiça?
JMJ: Tenho o maior respeito intelectual e moral pelo Dr. Alberto Martins (...) e acredito que poderá ser um bom ministro.
TSF: E quanto aos restantes nomes anunciados?
JMJ: Isso não sei responder. Ainda não prestei atenção. Agora estou a ver o meu benfica. O novo governo pode esperar. O jogo - e o Benfica - é que não.
ps: o meu interesse por ver a bola é o mesmo que tenho pela mais recente polémica em torno do livro de Saramado: muito pouco. Mas não sou insensível ao seu magnetismo. Como um dia disse um senhor num longo e estimulante debate (que vi na TV), e que mais tarde vim a saber chamar-se George Steiner, a cultura e tudo o resto é maravilhoso mas não tem o poder de, como fez Maradona numa final (ou meia, não estou certo) de um mundial, de pôr milhões de pessoas a suster a respiração ao ver um homem percorrer mais de metade do campo para marcar um golo.
TSF: Qual a sua opinião sobre o nome escolhido para a Justiça?
JMJ: Tenho o maior respeito intelectual e moral pelo Dr. Alberto Martins (...) e acredito que poderá ser um bom ministro.
TSF: E quanto aos restantes nomes anunciados?
JMJ: Isso não sei responder. Ainda não prestei atenção. Agora estou a ver o meu benfica. O novo governo pode esperar. O jogo - e o Benfica - é que não.
ps: o meu interesse por ver a bola é o mesmo que tenho pela mais recente polémica em torno do livro de Saramado: muito pouco. Mas não sou insensível ao seu magnetismo. Como um dia disse um senhor num longo e estimulante debate (que vi na TV), e que mais tarde vim a saber chamar-se George Steiner, a cultura e tudo o resto é maravilhoso mas não tem o poder de, como fez Maradona numa final (ou meia, não estou certo) de um mundial, de pôr milhões de pessoas a suster a respiração ao ver um homem percorrer mais de metade do campo para marcar um golo.
22.10.09
Novo governo
Finalmente. Duas impressões, ambas positivas (ou não fosse eu um alinhado). Apesar de tudo e de todas as especulações, o novo governo apresenta mais caras novas do que se estaria à espera. Número de mulheres aumenta, representando cerca de um terço do novo Executivo.
21.10.09
For the record
Apesar do reforço, em número, de todos os grupos parlamentares da oposição, o PSD continua a ser o único partido que pode requerer a fiscalização - quer preventiva (46 deputados), quer abstracta (23 deputados) - da constitucionalidade. E este poder não é assim tão irrelevante, do ponto de vista político. O PCP que o diga, que em tempos foi um ardente suscitador da dúvida constitucional.
Granu salis ou amanhã (ou daqui a umas horas) não estou certo de pensar o contrário disto
É naturalmente um facto digno de se assinalar, a avaliação negativa de um Presidente da República, segundo a sondagem da Aximage encomendada pelo Correio da Manhã. Dizem que é histórico e que nunca aconteceu antes. Acredito, apesar de ter aquela sensação (se calhar injusta) que é daquelas coisas que se repetem sem que ninguém verifique da sua verdade (palavra tão gasta esta, que já sabe mal... blherc). Pois bem, também não vou ser eu a confirmá-lo. Nada me dá mais contentamento do que perceber que os portugueses fizeram uma apreciação negativa da actuação de Cavaco nestes últimos dois meses. Mas acho que, sobretudo aqui à esquerda, se está a embandeirar em arco se se acredita que já se pode celebrar o principio do fim político de Cavaco e da sua reeleição. Não que não acredite na possibilidade da derrotar Cavaco nas próximas eleições presidenciais. Difícil mas possível. Mas temo que este excesso de entusiasmo com a queda sofrida agora pelo PR possa dar o argumento aos cavaquistas para, daqui a alguns meses (quando voltar a ter uma apreciação positiva), virem dizer que os festejos pela sua morte política foram exagerados. Como em quase tudo na vida, granu salis.
20.10.09
Pequeno desabafo sensenso
Três (+1) coisas aparentemente desinterligadas. Aparentemente e não só. Que este bold azul, que pontua nos dois últimos posts, veio mesmo para ficar, directamente plagiado daqui. Que nada me entedia mais neste momento do que a polémica em torno das declarações de Saramago. Que odeio, mas odeio mesmo, fado. Que, apesar de não parecer, até corro bastante rápido.
Capitalismo selvagem
“E sobre Otelo Saraiva de Carvalho, que conheceu na Guiné, Ramalho Eanes não tem dúvidas: não hesitaria em colocar a sua vida nas mãos de Otelo. Não só a vida como também a carteira”.
Ramalho Eanes, em entrevista ao Gato Fedorento de ontem (via DN)
Ramalho Eanes, em entrevista ao Gato Fedorento de ontem (via DN)
Os (maus) polícias de si mesmos

Por regra, os jornalistas não sabem dar notícias em que os próprios estejam envolvidos. Por "os próprios" entendo desde os proprietários do jornal (sendo o caso) até aos seus jornalistas. E, por consequência, o próprio jornal. Tenho, assim, esta profunda convicção. Que o programa Prós e Contras da semana passada se encarregou de confirmar. Falta de distanciamento e de capacidade de auto-crítica, facciosismo e depreciação dos argumentos da outra parte. A propósito do arquivamento (pelo juiz de instrução criminal) do processo que José Sócrates movera contra o jornalista do DN João Miguel Tavares, o mesmo DN tem, hoje, esta peça exemplar(mente lamentável):
«Depois de ter perdido à primeira, com o arquivamento pelo Ministério Público, José Sócrates voltou a carregar sobre João Miguel Tavares, colunista do DN. Mas não teve sorte. Um juiz do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa (TIC) considerou que o artigo "José Sócrates, o Cristo da política portuguesa", apesar de ser uma crítica negativa, traduziu uma "manifestação legítima de uma opinião". (...) Ora, José Sócrates queixou-se. Dizendo que o texto era "calunioso e ofensivo" e punha em causa a sua "integridade moral" (...) Para quem tenha dúvidas sobre o que é o debate no espaço público, o juiz de instrução criminal explica no acórdão: (...) Conclusão, "Sócrates, o Cristo da política portuguesa" é um texto que "se encontra plenamente inserido no exercício da liberdade de expressão". »
Os modernos maquiavéis

"O DN ouviu politólogos sobre o que condicionará a duração da legislatura. Sobreviverá os quatro anos? António Costa Pinto, do ICS (Instituto de Ciências Sociais, da Universidade Nova de Lisboa), resume tudo numa palavra: "sondagens". "Tudo vai depender das análises custo-benefício que a oposição faça." E isso, acrescenta, mede-se com sondagens. Havendo aqui "um complementozinho" analítico que é "muito importante": "O Bloco de Esquerda e o CDS/PP sabem que o eleitorado que conquistaram nas últimas eleições não está consolidado". Dito de outra forma: ultrapassaram ambos a da fasquia do meio milhão de votos (592 mil para o CDS e 558 mil para o BE). Poderão ter tudo a perder se contribuírem para fazer cair o Governo antes de tempo."
19.10.09
Fonte identificada como "o site"
Mais uma notícia plantada por Belém nos meios de comunicação social.
16.10.09
"Regressa a chicana política"
"A notícia de que o Bloco vai apresentar “já” o projecto de casamento é um engodo. É fazer chichi jornalístico. Desde logo porque o Parlamento ainda não está a funcionar plenamente: falta definir comissões, definir presidentes das ditas, colocar as lideranças dos grupos parlamentares a funcionar. Depois de conversas mútuas sobre diálogo e pontes, de vontade de garantir denominadores comuns que permitam alcançar os direitos das pessoas, a golpaça para os jornais a tentar de novo “entalar” o PS, e só isso - e isto depois de o BE não ter conseguido deputados suficientes para pressionar acordos com o PS, depois de rotundos “nãos” a hipóteses de acordos que implicariam cedências mútuas em muitas matérias. Regressa a chicana política, desta feita com o fito de estragar o efeito de novidade de o PS ter o casamento na agenda (reanunciado, aliás, por Sócrates, um dia antes desta “notícia” de hoje). "
Miguel Vale de Almeida, Os Tempos Que Correm
Miguel Vale de Almeida, Os Tempos Que Correm
14.10.09
Marinho Pinto no Gato Fedorento
Foi a melhor entrevista que vi até agora no novo programa dos Gato Fedorento. Independentemente de concordar com o que disse (e concordo com boa parte), Marinho Pinto foi o primeiro convidado que vi que não estava nervoso por estar a ser esmiuçado. Igual a si próprio, não tentou responder com graçolas a Ricardo Araújo Pereira e, sem deixar de demonstrar compreender o humor da pergunta que lhe era dirigida, tentava desmontar os seus pressupostos (como aconteceu quando enquadrou, do seu ponto de vista, o caso Bragaparques e a condenação por corrupção de Domingos Névoa). Das entrevistas que vi, foi a mais interessante e aquela que mais se aproximou do modelo original.
13.10.09
E os nossos filhos, terão saudades do quê?
Doze Anos
Ai, que saudades que eu tenho
Dos meus doze anos
Que saudade ingrata
Dar banda por aí
Fazendo grandes planos
E chutando lata
Trocando figurinha
Matando passarinho
Colecionando minhoca
Jogando muito botão
Rodopiando pião
Fazendo troca-troca
Ai, que saudades que eu tenho
Duma travessura
Um futebol de rua
Sair pulando muro
Olhando fechadura
E vendo mulher nua
Comendo fruta no pé
Chupando picolé
Pé-de-moleque, paçoca
E disputando troféu
Guerra de pipa no céu
Concurso de pipoca
Chico Buarque
Ai, que saudades que eu tenho
Dos meus doze anos
Que saudade ingrata
Dar banda por aí
Fazendo grandes planos
E chutando lata
Trocando figurinha
Matando passarinho
Colecionando minhoca
Jogando muito botão
Rodopiando pião
Fazendo troca-troca
Ai, que saudades que eu tenho
Duma travessura
Um futebol de rua
Sair pulando muro
Olhando fechadura
E vendo mulher nua
Comendo fruta no pé
Chupando picolé
Pé-de-moleque, paçoca
E disputando troféu
Guerra de pipa no céu
Concurso de pipoca
Chico Buarque
Afinal quem quer dialogar?
Noto com curiosidade que os mesmos que têm, ao longo destes últimos anos, exigido que José Sócrates seja mais dialogante, são os mesmos que agora acusam José Sócrates de soar a falso quando se mostra disponível para negociar. Dito de outro modo: faz algum sentido apelar ao diálogo se, quando ele se proprociona, se corre à procura do primeiro pretexto para o despromover? Dito ainda de outro modo: será que os que reclamam diálogo se servem deste apenas como arma de arremesso político ou estão mesmo interessados em sentar-se à mesa e, digamos, conversar?
Os sapatos dos outros

E não foi nada bonito o que aconteceu depois, Pedro. Jornalistas, com responsabilidades directivas nos respectivos órgão de informação, a tentarem desqualificar profissionalmente os outros, como quando o director do Expresso disse que João Marcelino não tinha 30 e tal anos de jornalismo político como ele, insinuando que fora um mero jornalista desportivo (soberba snobeira), tendo este comentário suscitado inclusivamente o uso da palavra pelo Provedor do Telespectador da RTP, que repudiou veementemente esta intervenção de Henrique Monteiro. Um director (JMF) que invocou várias vezes ter sido enganado quanto aos termos em que estava a decorrer o debate. O mesmo director que não conseguia, nem tentava, disfarçar o desprezo que sentia pelo director do DN, não cumprindo o mínimo de cordialidade a que obriga o debate democrático. Por várias vezes imaginei que Marcelino se iria levantar e pedir satisfações a JMF pelo seu inaceitável comportamento, como quando, a dada altura, o quase ex-director do Público disse qualquer coisa como (cito livremente e com quase certeza, pois a hora era longa) "eu não consigo estar aqui a debater com quem tem uma opinião daquelas". Enfim, muito haverá a dizer sobre o que aconteceu ontem. Para mim, foi um espectáculo no limite do grotesco. Ver pessoas que não hesitaram em recorrer à insinuação para salvar a pele. Pessoas que mostraram não saber lidar com o contraditório quando estão envolvidas as suas importantes pessoas. Pessoas que ganham a vida a fazer isso aos outros (e ainda bem, a maioria das vezes) e que são as primeiras a exigir correcção democrática aos visados, em nome da liberdade de informação. Aparentemente, alguns dos presentes não perceberam que ontem estavam do lado de lá. Dos escrutinados.
12.10.09
Resumiria assim a crónica de hoje de Rui Tavares (II)
Que interessa se as pessoas são mais felizes hoje ou se acreditam que o futuro nos reserva um mundo melhor. Obama tem de investir é em mais rotundas.
Resumiria assim a crónica de hoje de Rui Tavares

Sim mas, se excluirmos o facto de ser o "mais multilateralista dos presidentes americanos"; de ter "superado a guerra de civilizações entre o Ocidente e o Islão", tendo ganho um "notável respeito entre muçulmanos de todo o mundo"; de ter iniciado um novo ciclo nas relações com o Rússia que permitirá diminuir em muito o arsenal nuclear de ambos os países"; de ter acabado com o anti-americanismo que existia numa parte da Europa e do resto do mundo; o que é que ele fez para merecer o Nobel?
ps: com a devida vénia à Frente Sionista de Libertação ou Frente Popular de Libertação ou União para a Libertação Sionista, de a Vida de Brian.
ps: com a devida vénia à Frente Sionista de Libertação ou Frente Popular de Libertação ou União para a Libertação Sionista, de a Vida de Brian.
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