8.2.10
5.2.10
Títulos que são todo um programa
Lei das Finanças Regionais
Pois bem, nada de mais natural. Enquanto os primeiros representam e devem prosseguir o interesse regional, os deputados nacionais (e, já agora, o Governo) representam o interesse nacional. É normal. O que já não é normal é ver deputados nacionais a representar os interesses regionais da Madeira.
Não foi isso, aliás, que se exigiu durante os anos em que o PSD esteve no poder? Que colocasse os interesses do país acima dos da R.A da Madeira e refreasse a fúria despesista do seu governo regional? A bem do país e, desejavelmente, em contradição com o PSD regional.
Não deixa de ser curioso...
4.2.10
E agora coisas realmente importantes
Sabemos muito pouco sobre a nossa vida
Gosto desta passagem. Conhecemos sempre apenas uma parte da história. Inclusivamente da nossa própria história. Javier Marias tem um conto maravilhoso, em "Todas as Almas". Com a morte, teríamos finalmente acesso às outras partes da história da nossa vida. Atar as pontas soltas. Conhecer o que estivera na penumbra. As revelações. Outras verdades. Revisitar a nossa versão dos acontecimentos, agora sob uma outra luz. A história da nossa vida é algo a respeito do qual sabemos muito pouco, como diz Roth.
3.2.10
Ainda Mário Crespo
1: M. Crespo está a escrever uma telenovela e não a relatar a realidade. De que outra forma interpretar a omissão à referência a Medina Carreira na crónica acusatória? Os personagens parecem surgir como naqueles seriados escritos na hora, de acordo com os desejos dos telespectadores. "Para uma referência ao Medina Carreira - Prime a tecla 1”; "Para uma referência ao PR - Prime a tecla 2"; "Para outras referências - Prime a tecla 3 e deixe o nome da sua preferência".
2: "Dois problemas [Crespo e Carreira] que precisavam de ser solucionados", pergunta o I? "Sim, presumo que sim", responde Crespo. Andamos a discutir presumos!
Triste Media
2.2.10
Democracia (ou o regresso dos títulos pomposos)
E agora, ninguém liga ao Cravinho?
Calhandrices

Le "rating"
São as entidades reguladoras, stupid!
28.1.10
Raciocínios
Os males da justiça
Mitomanias e outras incertezas
27.1.10
E entretanto, prosseguem os trabalhos na comissão de acompanhamento da corrupção...
«(...) tal como o seu antecessor ouvido na comissão na passada semana, Guilherme d"Oliveira Martins, presidente do Conselho de Prevenção da Corrupção, o provedor de Justiça tivesse pedido aos deputados "menos leis, melhores leis" e acima de tudo uma aposta forte "na prevenção da corrupção".»
A ver TV
24.1.10
Desesperanças
Para quem é do PS e de esquerda, este é um dos traços mais desesperantes do nosso sistema partidário: "A incapacidade de a maioria aritmética de esquerda se traduzir numa coligação política é o mais estrutural dos bloqueios do nosso sistema partidário" (Pedro Adão e Silva)
22.1.10
Coisas estranhas
Revelações, ilusões e desilusões
A propósito do BE e do que diz serem os seus objectivos, fez uma revelação: "Antes das penúltimas legislativas [2005], numa altura em que ninguém pensava que o PS tivesse a maioria absoluta, houve reuniões com BE para saber se, após eleições e não havendo maioria, era susceptível de haver um entendimento como tinha havido entre o SPD e Os Verdes na Alemanha. E eles explicaram bem ao que vinham, não estavam disponíveis nem para ser parceiros".
António Costa, ontem, na Quadratura do Círculo.
21.1.10
60 anos da morte de Orwell
Subscrevo quase integralmente este post
Escutas a Pinto da Costa publicadas no Youtube

Adenda: talvez devesse escrever alegadamente (entre duas vírgulas, s.f.f) algures entre "saber que" e "os nossos magistrados". Sim, definitivamente, é melhor.
20.1.10
19.1.10
18.1.10
Just for the record
16.1.10
"Se foi para desfazer, porque é que fez?"
13.1.10
Paranóias

12.1.10
Também quero dizer algo sobre o Éric Rohmer

8.1.10
Dúvida ou "ich bin ein" o quê?
7.1.10
Despertares

6.1.10
Petição pública
5.1.10
É verdade...
A ver se percebo
31.12.09
30.12.09
Livros: o melhor de 2009

A minha leitura preferida de 2009 foi "Na Praia de Chesil", de Ian McEwan, um livro que, além de pequeno, é de uma (como é que eu hei-de de dizer isto sem parecer um grande mariquinhas. Bem, que se dane) enorme e rara sensibilidade. Como alguém diria, uma obra impressionante.
Música: o melhor de 2009
28.12.09
Diagnósticos e prognósticos (do jogo e do seu fim)
adenda: aqui é aqui.
Pais e filhos; brancos e pretos

Deveras...impressionante
Mas o meu preferido de sempre (já com alguns meses mas já um clássico):
"Fantásticos são, também, os momentos em que Marina Mota chama a atenção, de um modo sublime, para o que passam os cidadãos com limitações físicas graves, as chamadas deficiências. É impressionante." Lindo!
17.12.09
"Papá, vou tirar as tuas músicas. Gosto mais assim com tambores e isso"

No interesse de quem, afinal?
10.12.09
Um comentário (mais um) sobre corrupção
- Ao reconhecimento de que o problema não está na dimensão do Estado e que a privatização não torna este combate mais eficaz;
- À necessidade de “melhorar as regras do jogo e a organização do Estado”. Indico, exemplificativamente, a responsabilidade penal das pessoas colectivas ou a aprovação, para breve, dos códigos de conduta na Administração Pública, na linha do que já vinha sendo feito com outras medidas de prevenção dos riscos de corrupção;
- À necessidade de “mais transparência e informação (…), nomeadamente quanto aos conflitos de interesses entre os políticos”: Foi o que aconteceu, por exemplo, na última reforma do Parlamento, que determinou que o registo de interesses dos deputados fosse disponibilizado na Internet, o que permite um maior controlo não apenas dos cidadãos mas também da Comunicação Social; também foram criadas novas regras sobre conflitos de interesses e incompatibilidade de funções de gestores de empresas públicas e de pessoal que desenvolve acções de investigação, auditoria e controlo;
- À importância de um “maior controlo das instituições públicas por parte de entidades independentes”. Exemplos: controlo público da riqueza dos titulares de cargos políticos, criada pela possibilidade do Ministério Público proceder anualmente à análise das declarações apresentadas após o termo dos mandatos ou de cessação de funções dos respectivos titulares. Também a criação do Conselho de Prevenção da Corrupção deve ser enquadrado aqui;
- À necessidade de “melhorar os poderes de investigação dos órgãos de polícia possivelmente como alternativa à criminalização do enriquecimento ilícito”. Nesta linha, o esforço que tem sido feito no reforço dos meios afectos (técnicos e humanos) ao combate a este fenómeno, compromisso que continua uma prioridade (reafirmada no seu programa) deste governo.
É precisamente neste sentido que se tem caminhado nos últimos anos, conforme é reconhecido por entidades independentes (como, ainda hoje, aqui).
O problema é que, sendo o caminho responsável, tem uma visibilidade reduzida junto da opinião pública. O que se presta a que outros, querendo, venham explorar demagogicamente uma mistificada inacção do Governo nesta matéria e que não resistam a cavalgadas demagógicas, imputando à rejeição da figura do enriquecimento ilícito uma vontade de pactuar com a corrupção (a própria Rose-Ackerman parece privilegiar alternativas a esta criminalização). Sobre isto, também gostaria que o Pedro Lomba tivesse tido oportunidade de conversar com a professora de Yale.
A luta contra a corrupção
"Falo-vos apenas do terceiro domínio - a prevenção. E devo começar por afirmar e reconhecer que os dois últimos anos têm sido muito importantes em Portugal pela adopção efectiva de medidas que, estou certo, produzirão efeitos positivos no futuro próximo. Houve e há medidas concretas, e o Governo e o Parlamento têm-se empenhado activamente no cumprimento das recomendações do Greco, grupo de países do Conselho da Europa contra a corrupção. Portugal está, assim, empenhado na sua efectivação. Há vontade e sinais efectivos, para além das palavras. "
Excerto do artigo de Guilherme D'Oliveira Martins (Presidente do Conselho de Prevenção da Corrupção), no Público de hoje.
7.12.09
Faces da mesma moeda

Curioso, um texto sobre corrupção que não cruxifica ninguém nem reclama qualquer lugar no pódio da luta contra a dita
*de Jean-Luc Bacher e Nicolas Queloz, Traité de sécurité intérieur, 2007, pag.233.
Errare maquina est

- Esperar que uma página da internet carregue: 3min e 38 segundos
- Esperar que atendam o telefone: 5 min e 4 segundos
- Esperar que a água ferva: 5 min e seis segundos
- Esperar por ser servido num restaurante: 8 min e 38 segundos
- Esperar a resposta de um mail: 13 min e 16 segundos
- Esperar por um amigo: 1 min e 10 segundos
- Esperar por ser atendido numa loja: 10 min e 43 segundos.
2.12.09
Piratécnia

29.11.09
Divagação contraditória
Dito isto, não quer dizer que apontar as contradições alheias não tenha graça. Claro que tem. E muita, por vezes. Outras, apenas assim-assim. Como a que eu estava a pensar explanar aqui mas que, em boa hora, verifiquei que nem graça assim-assim tem. E pronto. Fim de post.
27.11.09
Nãããããããããoooooooooooooooooooooooo...
ps: assim que recuperar do choque, espero poder elaborar sobre isto
26.11.09
Pedregulhos

O Governo tem dado nesta legislatura provas de que está disponível para este diálogo. O que tenho dificuldade em compreender é a reacção da oposição a esta abertura. Veja-se o caso do deputado do PSD Agostinho Branquinho, que vê na negociação e no compromisso um sinal de “que o executivo “está confuso”, “vai a reboque” dos acontecimentos e das iniciativas da oposição. Ou de Francisco Louçã, líder do Bloco de Esquerda, para quem “o Governo andou a correr atrás do prejuízo: recuou nos professores, recuou nas taxas moderadoras”.
Esta vontade de transformar a disponibilidade do governo para o diálogo numa derrota política deste é, em si mesmo, um paradoxo, pois a negociação e a concessão estão no código genético da democracia parlamentar. E aproveitar qualquer pretexto para achincalhar este processo, lançando-lhe o anátema, é apenas um mau serviço à democracia que se presta. Mas vai daí e esta até talvez seja uma pedrinha pequenina no sapato da democracia, por onde têm andado uns gigantescos pedregulhos.
25.11.09
Presunções
Natureza Humana
24.11.09
Lícito, ilícito, lícito, ilícito, ai...uma aspirina por favor

“Primeira: levantamento do sigilo bancário. Não deixa de ser extraordinário que sejam os mesmos que tão facilmente aceitam a banalização de escutas telefónicas a mostrar tanto amor ao segredo das contas. Talvez porque o dinheiro nos diga muito mais sobre quem realmente manda neste país.”. Concordo. No further questions.
“Segunda: acabar com a distinção absurda entre corrupção para acto lícito e para acto ilícito. Tudo o que resulta da compra de favores ao Estado é ilícito.”. Fico com a sensação que Daniel Oliveira incorre aqui num equívoco. A nossa lei já considera ilícita a corrupção para acto lícito. É, aliás, crime (art. 373.º do Código Penal). O que a lei faz é distinguir o crime de corrupção para acto lícito do crime de corrupção para acto ilícito. O que justifica a distinção é que, sendo ambos censuráveis social e penalmente, o segundo (corrupção para acto ilícito) causa um dano objectivo para a comunidade muito superior, porquanto o acto praticado (ou a sua omissão) é, em si mesmo, ilícito. Já no crime de corrupção para acto lícito, os comportamentos dos agentes (activo e passivo) são ilícitos e, por isso, objecto de uma sanção penal. No entanto, o acto que é praticado (ou omitido) não agride, objectivamente, a comunidade (e, assim, não colide com os direitos de terceiros). E parece-me que isto deve ser tido em conta na moldura penal para estes crimes, que devem ser diferentes. E isto acontece em muitos crimes. Por exemplo: um homem que dispara sobre outro, que morre, não deve ter a mesma pena daquele que dispara sobre outro homem, que fica apenas ferido. Outra história é se a moldura penal do crime para acto lícito deveria ser agravada, o que admito (sobretudo para a corrupção activa, com pena de prisão até 6 meses ou multa até 60 dias).
“Terceira: criminalização do enriquecimento ilícito. A indignação com a possibilidade da inversão do ónus da prova é sonsa. Não é o que acontece quando somos obrigados a explicar ao fisco de onde vêm os nossos rendimentos? “. Como já se disse muitas vezes, o que se passa é que se não se conseguir explicar ao fisco de onde vêm os nossos rendimentos não vamos parar à prisão. É esta a grande diferença.
“Quarta: mudança das formas de financiamento das autarquias, que são um autêntico convite à corrupção e à promiscuidade.”. A Lei das Finanças Locais aprovada na última legislatura introduziu uma alteração significativa no financiamento municipal. Se um município apresentar um aumento das suas receitas fiscais próprias, como as que resultam do IMI, nesse caso diminui a transferência que lhe é devida em sede de Orçamento do Estado. Ou seja, com este mecanismo desincentivam-se os municípios a procurarem receitas por via da construção imobiliária, pois esse aumento tem como consequência uma diminuição das verbas públicas. Pode não ser perfeito, mas foi um passo importante para diminuir a dependência dos municípios do sector imobiliário.
20.11.09
É simples
Vasco Pulido Valente, Público de hoje.
via Da Literatura
Conselhos

Corromper a lógica das coisas

Negociações
18.11.09
Just for the fun
Ai, ai, que vou fazer uma comparação com os senhores maus

16.11.09
John Adams precisam-se

A HBO tem uma série magnífica sobre o segundo Presidente americano, John Adams. Disso fui lembrado hoje à hora de almoço. As primeiras cenas da série dão-nos a conhecer o carácter do homem, advogado de profissão. Na sequência do massacre de Boston, no qual oficiais britânicos parecem ter assassinado a sangue frio vários manifestantes. O ambiente na cidade é de indignação perante a denunciada barbaridade das forças colonizadoras. Os oficiais envolvidos são levados a julgamento. No entanto, não encontram ninguém disposto a assumir a sua defesa em tribunal. Acabam por pedir a Adams que os represente, invocando a sua imagem de apego à justiça e ao direito, nomeadamente quanto ao facto de ninguém dever ser condenado sem um julgamento justo. Apesar de horrorizado com o massacre (a que assistiu, em parte) e de ser simpatizante da causa dos rebeldes, John Adams aceitou defender os oficiais britânicos. Ainda que consciente do risco de aparecer conotado junto dos seus concidadãos como defensor do colonizador, Adams escolheu a defesa dos valores que lhe eram mais caros: o estado de direito e a justiça.
13.11.09
12.11.09
Tribunal Constitucional
Muitos portugueses não acreditam que os preços estão a cair
Da natureza humana
Angústias da democracia
11.11.09
"Andando", de Hirokazu Koreeda

Coisas que tenho o direito de saber de alguém que se candidata a governar o país
Eu não quero dizer que MFL não respeita a democracia

ps: dúvidas e pedidos de aconselhamento sobre democracia e a sua verdadeira natureza para o mail supra infra ali ao lado.
Para que é que precisamos de deputados se temos o forum da TSF?
Eu não quero dizer que Ferreira Leite está a utilizar rasteiramente o populismo mediático mas...
ps (com adenda): na tribuna parlamentar - onde está neste preciso momento -, Manuela Ferreira Leite continua a cavalgar a mais pura demagogia justicialista. "Não nos devemos imiscuir nos assuntos da justiça mas...". Outro momento alto de MFL aqui.
9.11.09
Não é nada contra o Porto ou o brilho, a cor e a muita animação
Mas este Porto Pride foi mais: treze actuações de transformismo divididas em dois blocos animaram presentes que disfrutaram do trabalho destes artistas que, voluntariamente, levam a este evento brilho e cor, e muita animação. No primeiro bloco tivemos Elsa Martinelli, Nani Petrova (Boys'R'Us), Roberta Kinsky (Boys'R'Us), Lady Slim (Boys'R'Us), Tiago Tib (Miss Porto Pride 2009), Natasha Semmynova e Diana Prince.
STASI

O instinto político de JAS
* via a Pluma Caprichosa, de Clara Ferreira Alves, do último sábado.
5.11.09
Programa do Governo e mistificações
4.11.09
Negociar consigo próprio
Pescadinha de boca no rabo

Numa situação de maioria relativa o parlamento ganha importância. A esta importância não será de todo estranha a possibilidade de poder usar a sua bomba atómica e fazer cair o Governo. Sucede que a queda antecipada de um governo é quase sempre interpretada como um factor de indesejável instabilidade política. Factor de instabilidade que é suprível atribuindo, nas eleições seguintes, uma maioria parlamentar mais sólida (absoluta, no limite) a um dos partidos com vocação de governo. Maioria (maxime, se absoluta) que, por sua vez, relega o Parlamento para um papel mais secundário. Conclusão deste aranzel: o uso da arma mais forte ao dispor de um Parlamento pode, paradoxalmente, conduzir à sua desvalorização no acto eleitoral seguinte. Contradições do parlamentarismo.



