
Esta coisa das
sondagens é, naturalmente, passível de tantas leituras quantos forem os interesses em jogo. O meu é, como adivinharão, o de sublinhar a vitória do Partido Socialista, apesar do ataque destemperado de que tem sido alvo (e logo à cabeça o primeiro-ministro) por parte dos partidos da oposição, que, tantas vezes, cavalgam a mais pura demagogia populista.
Assim, é de notar que, de acordo com a última sondagem da Católica, o PS venceria as eleições (se estas se realizassem hoje), com uma distância folgada do PSD e com quase mais 5% do que o resultado obtido nas últimas legislativas.
Aqui nota-se, com razão, que o PSD se encontra numa posição fragilizada, atravessando um conturbado processo de mudança de liderança, sugerindo-se, no fundo, moderação na avaliação destes resultados.
No entanto, o que a mim me pareceu mais surpreendente nesta sondagem (e
aqui diz-se que o Expresso divulga amanhã uma da Eurosondagem com resultados semelhantes) foi o baixo resultado dos partidos à esquerda do PS, em particular do BE. Ora, acho este dado particularmente assinalável, pois tenho que este foi um eleitorado crucial que o PS perdeu nas últimas eleições legislativas.
Uma leitura possível destas sondagens seria que este eleitorado não está satisfeito com a forma como estes partidos os têm representado, nomeadamente através de coligações espúrias com a direita parlamentar, com o aparente único objectivo de castigar o PS e o Governo. E que, nestas condições, estariam disponíveis a voltar a votar no PS.
Mas, como dizia no início, isto sou eu e as minhas lentes cor-de-rosa.