12.3.10

A cor das lentes


Esta coisa das sondagens é, naturalmente, passível de tantas leituras quantos forem os interesses em jogo. O meu é, como adivinharão, o de sublinhar a vitória do Partido Socialista, apesar do ataque destemperado de que tem sido alvo (e logo à cabeça o primeiro-ministro) por parte dos partidos da oposição, que, tantas vezes, cavalgam a mais pura demagogia populista.

Assim, é de notar que, de acordo com a última sondagem da Católica, o PS venceria as eleições (se estas se realizassem hoje), com uma distância folgada do PSD e com quase mais 5% do que o resultado obtido nas últimas legislativas.

Aqui nota-se, com razão, que o PSD se encontra numa posição fragilizada, atravessando um conturbado processo de mudança de liderança, sugerindo-se, no fundo, moderação na avaliação destes resultados.

No entanto, o que a mim me pareceu mais surpreendente nesta sondagem (e aqui diz-se que o Expresso divulga amanhã uma da Eurosondagem com resultados semelhantes) foi o baixo resultado dos partidos à esquerda do PS, em particular do BE. Ora, acho este dado particularmente assinalável, pois tenho que este foi um eleitorado crucial que o PS perdeu nas últimas eleições legislativas.

Uma leitura possível destas sondagens seria que este eleitorado não está satisfeito com a forma como estes partidos os têm representado, nomeadamente através de coligações espúrias com a direita parlamentar, com o aparente único objectivo de castigar o PS e o Governo. E que, nestas condições, estariam disponíveis a voltar a votar no PS.

Mas, como dizia no início, isto sou eu e as minhas lentes cor-de-rosa.

Comentário à entrevista de Cavaco

Esta última entrevista ao Presidente da República foi gira, não acha?

9.3.10

Sobre as pressões

"Ao ler declarações de José Eduardo Moniz, hoje, no Parlamento, acusando José Sócrates, António Guterres e António Costa de pressões sobre a TVI, percebi finalmente o conceito de pressão: se telefona um dirigente do PSD ou do CDS, um Durão Barroso, um Paulo Portas, um Santana Lopes, trata-se de um telefonema de amigos, de correligionários políticos que exercem o seu direito a esclarecer uma qualquer notícia coxa, enviesada; mas se o telefonema é de um adversário político, de um qualquer dirigente do PS, por exemplo, o telefonema só pode ser entendido como uma pressão. Havia qualquer coisa que eu não entendia nestas denúncias de pressão sobre jornalistas. O José Eduardo Moniz hoje foi tão claro que eu, finalmente, percebi: o conceito de pressão está associado aos adversários políticos e não aos amigos políticos. Afinal é um conceito simples. Mas Manuela Moura Guedes não foi muito clara. O Moniz sim, explicou bem".

Tomás Vasques, Hoje há conquilhas

And the winner is

A propósito da cerimónia dos óscares, Miguel Esteves Cardoso sugere que "precisamos, para já, de mais categorias. As mais óbvias: melhor comédia; melhor principiante; melhor filme que não custou uma fortuna; melhor filme do ano em que entrou Meryl Streep; melhor actor e actriz em papéis terciários. Esta última, então, está cheia de candidatos". (jornal Público)

Um galardão, portanto, à medida desta reportagem da SIC.

8.3.10

A lição de democracia do ex-presidente da comissão de direitos humanos da Ordem dos Advogados*



*Há dias que ando a tentar postar isto mas, ora o blogger, ora o Youtube, tratam de me boicotar o esforço. Quem é que anda a tentar silenciar-me? Mais uma tentativa frustrada e ia a correr para a gráfica mais próxima do PSD publicar este "Meu último post".

Elis e Jair (que também foram por ali)

Diz que fui por aí (Fernanda Takai)

Crenças muito simples

Ninguém fica, naturalmente, feliz com um PEC destes. Mas quem é de esquerda devia imaginar o que seria um PEC de direita nas mesmas condições. Seguramente, não haveria o fim da isenção das mais-valias mobiliárias nem a introdução de uma taxa acrescida (temporária) de 45% para rendimentos superiores a 150.000 euros. Ou, genericamente, a preocupação de distribuir equitativamente os sacrifícios pela população.

5.3.10

Presidencialismos

A propósito deste oportuno texto (parabéns Público) sobre o nosso sistema de Governo, onde vários especialistas rejeitam e desmontam os argumentos de pulsão presidencialista que têm surgido recentemente. Como se refere no artigo, não existe na Europa qualquer tradição de governos presidencialistas. Pelo contrário, onde o modelo norte-americano foi importado, o resultado foi bastante negativo, democraticly speacking. Como Linz e Valenzuela explicam:

Este blog é meu ou não é?



Tem apenas 0,24 Kg e 23,1x16,2x1 (cm) de altura e acaba de nascer. O pai também está bem, obrigado.

Love at first sight

Balanceamentos


Neste post, toca-se no ponto sensível desta discussão da liberdade de expressão. Não existem direitos absolutos. Nem os direitos fundamentais, que, como se diz no texto, podem colidir entre eles e, desta forma, sofrerem limitações. É nesta relação entre direitos fundamentais que está a chave do problema. A superação do impasse criado pela existência de vários direitos fundamentais conflituantes deve ser feita através da sua ponderação, que permitirá determinar como é que se compatibilizam ou, no limite, qual o direito prevalecente. Como um dos princípios orientadores temos que estes direitos apenas podem ser limitados no estritamente necessário – e não mais do que isso. Na ausência de uma hierarquia que permita apurar automaticamente qual o direito mais valioso, é, pois, natural a existência de opiniões diferentes. Tomemos uma balança como imagem (balança e justiça.. Tiago, és um génio). Cada um terá a sua ideia acerca do peso relativo dos direitos afectados. Mas o que nunca pode suceder é ignorar-se o outro prato da balança. Como, infelizmente, temos visto demasiadas vezes acontecer neste debate.

3.3.10

Elogio da lucidez

Só para avisar que continua disponível na homepage do Público o depoimento de Ferro Rodrigues sobre os 20 anos deste jornal. Para mim, e apesar de tudo (com bold a néon neste apesar), o meu jornal.

27.2.10

Sou apenas um "diletant", como diria J.A. Saraiva

Parece que as Falklands/Malvinas voltaram a animar a política internacional, como se diz aqui. Haverá concerteza um milhão de coisas interessantes para dizer sobre este tema. O meu contributo não vai além disto, a primeira coisa que me vem à cabeça quando oiço falar nas Falklands:



26.2.10

Bocas

Ontem, estava a escrever este post, abandonado em modo de rascunho, à espera sei lá do quê.

“Olho para trás e reparo que, desde há algum tempo, os posts deste blog raramente ultrapassam a meia dúzia de caracteres. Tornei-me, pois, num postador de bocas. Não tem nada de particularmente negativo mas não era bem isto que eu queria. O problema é que este modo de boca é, frequentemente, bastante irresistível. A piadinha e o trocadilho fácil, a inevitável contradição, devidamente achincalhada (…)”

Entretanto, A.R escreve mais este excelente texto (com licença)

“Uma boca histriónica tornou-se numa questão de Estado. Os jornais são bocas em delírio. A RTP justifica o serviço público com as bocas do prós-e-contras. A SIC tem uma boca loura e o ego de uma boca. Na Assembleia da República, a prestação dos deputados mede-se em função das bocas regimentais. O Partido Socialista atura as bocas da deputada internacional Ana Gomes. Não deixa de ser estranho que as oposições gritem a uma só boca. Os polícias cultivam os segredos na boca e os magistrados a boca nos segredos. Não menos relevantes serão as bocas deste blogue. A Ética da Comissão dissolveu-se em bocas. Até a Presidência tremeu com as bocas de Fernando Lima. A única forma segura de nos falarmos é de boca em boca. Depois de tantas bocas, apenas nos restam as bocas das urnas.”

É assim, uns não vêem mais longe do que o seu próprio umbigo e outros, enfim, vêem.

E duques!

"O bom futuro é o que jamais me esperou"

Guri

25.2.10

Tanto charivari e afinal eram todos a favor


Parece que, afinal, o casamento gay foi aprovado por unanimidade (não está online - bolas - mas está na edição de papel - juro, vão à pág 7). Aguardo a qualquer momento o desmentido do CDS-PP e do PSD, sob pena de, conforme ouvi há pouco o jornalista Maia Abreu dizer no Parlamento, isto se convolar em verdade, de acordo com a máxima de que tudo aquilo que não é desmentido é porque é verdade.

Mad, very mad man

França: Campanha publicitária compara tabaco com sexo oral


Definitivamente, compreendo mal o mundo em que vivo.

Textos que ajudam a pensar

Os melhores textos, as reflexões mais claras e interessantes, o ângulo justo sobre o ultra-glosado tema da relação entre o poder político e os media encontra-se aqui. Obrigado João Lopes.

23.2.10

De volta à Tunísia (ah... os ares de África)

A brincar com isto

PORDATA.

Estou na Tunísia (volta daqui a uns minutos)

Como as mentiras, também as verdades devem ser repetidas até que se tornem, mesmo, verdade

"E, por muito que isso possa contrariar certas cassandras muito ouvidas, pode também dizer-se que, do ponto de vista da recuperação da situação económica, Portugal se está a saír melhor do que o simples contexto poderia sugerir.Não apenas a àrea euro inverteu a tendência para a queda, como Portugal a inverteu mais intensamente do que a àrea Euro, a Espanha e a Alemanha."

Paulo Pedroso, Banco Corrido, onde (porque não?) aproveitamos para tirar o esclarecedor gráfico (clicar para ver melhor):


18.2.10

Eu ficava a pintar ovos (desenhava uns olhos e colava lã, assim tipo cabelo) enquanto os meus amigos viam a Galáctica mas não ando por aí a espalhá-lo


Paulo Rangel deu uma entrevista ao I. Disse coisas, à primeira vista, preocupantes, como a ideia de que o ensino (3.ª e 4.ª classe) antes do 25 de Abril é que era bom. À primeira vista, pois à segunda já nem me lembrava disso, tendo em conta o teor das revelações (pelo menos para mim) que mais à frente me aguardavam. Quid revelationes? Estas:

"Sempre fui atento, vivi o 25 de Abril intensamente, aos 10 anos sabia a composição dos governos de cor - enquanto os meus amigos sabiam as equipas de futebol"

Particularmente esta, sobre as suas memórias do 25 de Abril:

"Nessa tarde a minha mãe acabou de bordar um pullover com dois elefantes vermelhos - que ainda guardo.".

Não quero ser injusto para com os outros candidatos mas temo que, com esta do "pullover com dois elefantes vermelhos - que ainda guarda", Rangel já dificilmente perde o título do candidato mais queriducho à liderança do PSD

Blasfemy (por quem sabe)

Blasfemy

A culpa é minha. A favor de todas as evidências, perguntam-me: "mas porque é que perdes o teu tempo a ler aquilo?". Contra as indicações médicas, não resisti a espreitar o primeiro post de José Manuel Fernandes, orgulhosamente anunciado no Twitter. É este, que, por pudor, me escuso reproduzir. Mas deve ser lido (vá, linquem), pois atesta bem a cultura democrática do ex-director o Público e a absurda desproporção das suas reacções. E ajudam, naturalmente, a contextualizar esta sua cruzada.

Crítica literária

O Pedro prova aqui que os clássicos russos são, frequentemente, sobrevalorizados.

E assim vai a nossa democracia de vento em popa...

... com o termo "providência cautelar" a tornar-se anátema: "O que o PS está a fazer é uma espécie de providência cautelar em relação ao que estamos aqui a discutir", disse Agostinho Branquinho, do PSD, ideia que seria mais tarde repetida pelo líder parlamentar, Aguiar-Branco.". Tal como "processo judicial", outro instrumento torpe de silenciamento da comunicação social. Bom bom, são escutas. E insinuações demagógicas e sem sentido, de preferência na primeira página de um jornal, onde o bom nome das pessoas pode ser devida e irreparavelmente enlameado. Tudo em nome de um suposto e totalitário interesse público, onde não há lugar para os direitos e as liberdades dos indivíduos. Eis o verdadeiro encargo que não devíamos querer deixar para as gerações futuras (com o défice e a dívida poderão eles bem).

17.2.10

Olha o que fazem as leis com ideias

Aquisição da nacionalidade portuguesa quadriplica. Sei que andamos mais entretidos com fantasmas mas estas são notícias de um país mais justo, que me deixam particularmente feliz. E a responsabilidade é daquelas leis que, alguns diriam, escondem uma ideologia. Ainda bem.

É mais fácil copiar:

"Anda para aí uma grande indignação, baseada nesta investigação jornalística que consumiu o tempo de três jornalistas, que tiveram de ler mails de uma mailing list (de que aliás eu fazia, faço, parte) que lhes foi devidamente entregue por um sujeito. No fundo, a indignação é um retrato fiel do país. Anda tudo indignado porque, veja-se lá, assessores do governo faziam política. Ou seja, passavam argumentários com informação pública sobre a acção governamental para uma mailing list de que faziam parte bloggers e candidatos a deputados. Tudo durante a campanha eleitoral. Mas onde é que já se viu tal coisa? O que se espera de assessores governamentais é que façam continhas, assinem informações e retirem as mangas de alpaca à hora de regressarem a casa. Política? a minha política é o trabalho e até acho que a política devia ser criminalizada. Pois o meu trabalho é a política e o que me parece que faz falta é exactamente que o Governo faça mais política, que informe mais e que produza mais argumentos, desde logo convincentes. Não é preciso estar muito atento para se perceber que é isso que falta e não o contrário. Pelo meio, fico também com uma certeza: a blogosfera pode revelar-se particularmente útil - representa um meio eficaz para os perturbados mentais fazerem terapia ocupacional e expressarem as suas frustrações. Mesmo se, pelo caminho, violarem correspondência."

Pedro Adão e Silva, aqui, no Léxico Familar

Salta uma petição a favor da liberdade de expressão de Cavaco


Parece que Cavaco Silva disse que nunca façaria comentário público sobre a vida dos partidos. «Há uma coisa que um Presidente da República nunca pode fazer, que é de comentar em público a vida dos partidos políticos. Nunca o fiz, nem faço, nem façarei.» Por uma vez, gostaria de me solidarizar com o actual chefe de Estado. Também tenho um cadastro apreciável de amnésias vocabulares, imediatamente ultrapassadas por um qualquer neologismo inventado à pressão. Um dia, num telefonema de circunstância com uma pessoa com quem não estava particularmente à vontade, informei: "é verdade. o bebé já nasceu... e é raparigo". Como se costuma dizer, falta-me a autoridade para amandar pedras.

adenda: já agora, a ser fiél a transcrição, ninguém se indigna com aquele ", que é de"

12.2.10

É bom ver que nem toda a gente perdeu totalmente a cabeça

"(...) Ontem, por exemplo, a propósito da providência cautelar contra o jornal Sol, foram feitas afirmações ignorantes e afirmações irresponsáveis. Moura Guedes - cujas palavras, dada a sua circunstância, têm um relativo interesse mediático - disse que a providência era a "oficialização da censura". Uma associação de juízes, por seu lado, disse tratar-se de uma forma de condicionamento inaceitável."

"(...) Não nego que o cheiro a napalm logo pela manhã me agrada. No entanto, se a luta política é feita em nome de valores como a liberdade de expressão e a decência, este é um péssimo e perigoso caminho. Na relação entre direitos, eu diria que o de falar livremente pressupõe o de interpor providências cautelares, incluindo providências cautelares para impedir a publicação de notícias (só há liberdade com imputabilidade). "

"Por estes dias, importa não dispersar e manter cabeça fria. Evitar dar cobertura a dilates de personagens circunstanciais, mitigar os danos colaterais de certos voluntarismos, impedir a subversão da luta e a extensão do seu domínio. Para que tudo isto, no futuro, não nos rebente na cara."


Eduardo Nogueira Pinto, no Suction with Valcheck

adenda: o texto não se encontra lincado, pois, aparentemente, foi apagado do blog. Não sei porque razão e nem sei se faz sentido perguntar a alguém porque publica ou deixa de publicar (ou elimina) algo do seu blog. Isso não impede, naturalmente, que tenha ficado curioso...

adenda 2: alertado por um comentário (são tantos os que pululam na minha caixa de comentários que quase não ia dando por ele...), verifico que o texto, afinal, está lá. Aqui.

11.2.10

Direito ao Estado de Direito

Hoje estou em dia não. Sinto que o país está a perder a batalha por uma certa ideia do Estado de Direito que me é cara. O mais recente desses sinais vem com a generalização - alguns diriam crescentemente crescente - de que a justiça constitui um meio de pressão política. Quando o director de um dos principais jornais nacionais considera que uma "providência cautelar constitui um escândalo, que abre a porta à censura prévia", fico preocupado. Recordo que a providência cautelar não é ordenada por um bando de jagunços mas por um juiz, verificados determinados pressupostos (nomeadamente o de um fundado receio de um direito gravemente lesado e dificilmente reparável). Apesar de todos os seus defeitos, a justiça é a última arma que temos para salvaguarda dos nossos direitos e liberdades. Sem ela, resta-nos a justiça privada ou, como tantos parecem desejar, a justiça da praça pública. Apesar de todos os seus defeitos, sem ela sinto-me infinitamente menos seguro. Nem tudo pode ser lido com os óculos da política.

adenda: a questão pode resumir-se assim: os media pensam - e bem - no interesse público mas estão-se marimbando o mais das vezes - e bem, de um modo geral - para os prejuízos, muitas vezes irreparáveis, que a sua acção pode causar nas pessoas objecto das suas notícias. Para estas pessoas (que pode ser qualquer um de nós), a justiça é tudo o que resta.

Um disparate disparatado

Rangel justifica a sua candidatura à liderança do PSD com “o agravamento substancial do agravamento da situação económica e financeira do país”. Embora o PSD já a tenha considerado um mero abalosinho, temos de lembrar de não nos esquecermos do grave agravamento do assinalável agravamento da crescente gravidade da mais grave situação económica internacional desde a Grande Depressão. É , por isso, natural que isto agrave a gravidade do agravamento. Tal como aconteceu em todos os países europeus.

10.2.10

9.2.10

Este texto de João Lopes devia ser estudado na escola

"(...) Dispensemos a discussão sobre que sentido faz pedir isso a um comentador político. O certo é que, mesmo tratando-se de conhecer o ponto de vista do questionado, o discurso está marcado por uma falácia: pressupõe que um ponto de vista (neste caso, sobre a conjuntura política) tem como ponto de fuga uma dicotomia simplista a que, supostamente, todos iremos aquiescer."

"O que é que esta postura televisiva recalca? Três coisas, pelo menos:

1 – os factos são matéria de conhecimento, logo de interpretação, não de razão;

2 – a razão é uma dimensão que só pode nascer de um gigantesco e nunca acabado labor (séculos de filosofia convocam-nos para tal), não da iluminação privilegiada seja de quem for;

3 – a política vive-se na tensão permanente entre diversas razões, tensão potencialmente frutuosa."

João Lopes, Sound + Vision

Uma espécie de alcova (by Monty Python)

Alcova


Alcova. Alcova, alcova, alcova? Alcova! Alcova.

Ainda sobre o post de alcova do Daniel Oliveira

E se, face ao evidente interesse do Paulo nesta história, ele mentiu à Maria sobre o que ouvira? E se ele interpretou mal o que ouvira, não se apercebendo que o marido não chegara, nem tivera intenção se ser infiel? E se o marido estivesse a contar um sonho? E se o marido estivesse a falar de um terceiro? E se? E se? Será que o marido teria alguma vez condições para desfazer o equívoco criado pela calhandrice do Paulo? Contrariamente à minha reacção inicial, as regras de forma protegem tanto as questões de alcova como o estado de direito.

Se para o Daniel Oliveira o Estado de Direito é uma história de alcova, estamos conversados

"O Paulo conta à Maria que o marido dela anda a pular a cerca. O gajo, que é amigo do casal, ouviu telefonemas e conversas que não devia. E o seu interesse na matéria é evidente, já que a Maria, apesar de já não ir para nova, é um… (não sei como se diz em “politicamente correcto”). O Paulo é, portanto, para além de amigo da onça, um alternadíssimo pulha. Não olha a meios para se afiambrar à mulher do próximo. O que diz o infiel apanhado quando é encostado à parede? “Querida, o que ele fez é inaceitável. Não tinha o direito de ouvir as minhas conversas e ainda por cima contar-te. Por isso, vais-me desculpar, mas não te vou dizer nada sobre esse assunto e, se não te importas, continuaremos a viver juntos como se nada se tivesse passado. É a única atitude formalmente correcta. Boa noite.”O que faz a Maria se não for parva?"

O que move Rangel?

1. Paulo Rangel próximo Presidente do PSD? (início a 12-10-2009):


Gráfico do Trocas de Opinião, tirado do Margens de Erro.

Bancos nacionais poderão aumentar "spreads" já durante o mês de Fevereiro...

é o que se noticia aqui. Não parece mas esta é uma boa notícia. Conforme se explica, cristalinamente, no blog de Pedro Lains.

Liberdades

Há qualquer coisa de repugnante nesta iniciativa. Creio que terá algo que ver com o que me parece uma nítida instrumentalização de um valor matricial do Estado de direito para obter ganhos políticos. Faz lembrar aqueles jogadores de futebol que ao mínimo toque (real ou imaginário) se atiram para o chão a fingir uma agressão violentíssima e a clamar pela expulsão do jogador adversário. O problema é que, se não for para fazer humor, com estas coisas não se brinca. Acho, por isso, obscena qualquer tentativa de nos convencer que vivemos num estado limitado em termos de liberdade de expressão. Ou de liberdade de imprensa. Tão obsceno quanto as pessoas que nos querem fazer crer que a Coreia do Norte é uma democracia. Quer isto dizer que não há entorses ou que existem casos em que a liberdade de expressão esteve em causa? Admito que sim. Agora isso é muito diferente de dar a entender que Portugal não é um país livre em matéria de liberdade de expressão. Seria mais ou menos o mesmo que dizer que todos os eurodeputados portugueses parecem mover-se apenas pelos seus interesses partidários, não hesitando em vender uma imagem distorcida do seu país apenas porque lhes dá jeito.

ps: Francisco Assis acaba de fazer no Parlamento a melhor declaração política sobre esta matéria. Aborda todas as questões levantadas por este tema. Clara, simples e recentra o debate nos seus devidos termos. É desta que me faço sócio.

5.2.10

Títulos que são todo um programa

"Governo derrotado na aprovação das alterações à Lei das Finanças Regionais", exulta o site oficial do Bloco de Esquerda. O título não é "Parlamento aprovou lei mais justa para as regiões autónomas" ou "Nova LFR acaba com discriminação da Madeira preconizada pela anterior lei". Não. O grande regozijo é com a derrota do Governo. Não é por isso estranho que uma lei desta natureza recolha o apoio das bancadas da esquerda à direita do hemiciclo. Deve ser isto as leis sem ideias que ainda no outro dia se defendia na abertura do ano judicial.

Lei das Finanças Regionais

Alguns partidos gostam de apontar o que consideram uma incoerência: o facto de os deputados regionais do PS-Madeira terem votado a favor da iniciativa na respectiva assembleia regional, quando os deputados nacionais do mesmo partido a ela se opõem.

Pois bem, nada de mais natural. Enquanto os primeiros representam e devem prosseguir o interesse regional, os deputados nacionais (e, já agora, o Governo) representam o interesse nacional. É normal. O que já não é normal é ver deputados nacionais a representar os interesses regionais da Madeira.

Não foi isso, aliás, que se exigiu durante os anos em que o PSD esteve no poder? Que colocasse os interesses do país acima dos da R.A da Madeira e refreasse a fúria despesista do seu governo regional? A bem do país e, desejavelmente, em contradição com o PSD regional.

Não deixa de ser curioso...

... que sejam os partidos dos extremos do espectro político nacional (BE e CDS) os únicos que manifestam alguma abertura para o diálogo com vista a encontrar uma solução para a polémica da Lei das Finanças Regionais.

4.2.10

E agora coisas realmente importantes

Para quem precise de urgente distracção da Lei das Finanças Regionais, ler esta maravilhosa (dois maravilhosos por dia dá saúde e alegria) entrevista a Urbano Tavares Rodrigues. "Deixo um texto ao meu filho a explicar quem fui", conta o escritor. É engraçado.

Sabemos muito pouco sobre a nossa vida

«É óbvio que não deveria constituir uma surpresa por aí além descobrir que a história da nossa vida incluía um acontecimento, algo de importante, que desconhecemos por completo – que a história da nossa vida é em si mesma, e por si mesma, algo a respeito do qual sabemos muito pouco.» Philip Roth, Casei com um comunista (retirado, com o devido respeito, daqui).

Gosto desta passagem. Conhecemos sempre apenas uma parte da história. Inclusivamente da nossa própria história. Javier Marias tem um conto maravilhoso, em "Todas as Almas". Com a morte, teríamos finalmente acesso às outras partes da história da nossa vida. Atar as pontas soltas. Conhecer o que estivera na penumbra. As revelações. Outras verdades. Revisitar a nossa versão dos acontecimentos, agora sob uma outra luz. A história da nossa vida é algo a respeito do qual sabemos muito pouco, como diz Roth.

3.2.10

Ainda Mário Crespo

Cansaço. Hesito. Cada comentário que tenta desmontar e denunciar o embuste da história de Mário Crespo acaba por dar-lhe a importância que ele tanto parece desejar. Ainda assim, duas brevíssimas notas:

1: M. Crespo está a escrever uma telenovela e não a relatar a realidade. De que outra forma interpretar a omissão à referência a Medina Carreira na crónica acusatória? Os personagens parecem surgir como naqueles seriados escritos na hora, de acordo com os desejos dos telespectadores. "Para uma referência ao Medina Carreira - Prime a tecla 1”; "Para uma referência ao PR - Prime a tecla 2"; "Para outras referências - Prime a tecla 3 e deixe o nome da sua preferência".

2: "Dois problemas [Crespo e Carreira] que precisavam de ser solucionados", pergunta o I? "Sim, presumo que sim", responde Crespo. Andamos a discutir presumos!

Triste Media

Vejo a primeira e última página do DN e pergunto-me se foi apenas esquecimento ou se acharam que a morte de Rosa Lobato Faria não merecia qualquer destaque. É triste, de qualquer das formas.

2.2.10

Democracia (ou o regresso dos títulos pomposos)

Agora esta história do Mário Crespo. Antes as escutas tornadas públicas; ou as escutas ilegais tornadas públicas; ou as conversas privadas tornadas públicas; as teorias conspirativas plantadas em jornais; a publicação de mails privados a pretexto do seu interesse público (quando é que se torna legítimo?); a crítica nos media ao poder político (quais os limites?); a crítica do poder político aos media que o criticam (até onde é que é legítima?); a crítica do poder judicial ao poder político e vice-versa (quais as fronteiras que definem a separação de poderes?); etc.; etc.; etc.. Há uma certa ilusão de que a democracia é um adquirido, cuja aplicação das regras se vai tornando cada vez mais consensuais. No entanto, e como estamos sempre a confirmar, a democracia vive de equilíbrios imperfeitos entre valores e princípios em atracção fatal para o conflito. Equilíbrios que, tantas vezes, consideramos cumprirem insatisfatoriamente a ponderação dos bens em causa. A dúvida, a incerteza e o conflito são, por isso, intrínsecos à sua natureza. Quando muito, o tempo ajuda-nos a lidar melhor com estes elementos.

E agora, ninguém liga ao Cravinho?

Cravinho diz que Governo não pode deixar passar alterações à Lei das Finanças Regionais. Quando critica o Governo as palavras de Cravinho parecem emanadas (acho que isto esgota a minha quota de emanados deste ano) da Providência. Quando defende o Governo, é lido à laia (lido à laia, lido à laia, lido à laia) de nota de rodapé. Curioso número.

Calhandrices


Neste episódio do Mário Crespo, a questão não é se se pode revelar o teor de conversas privadas. O que se passa é que o diz-que-disse é inaceitável como argumento político. Isto parece-me muito simples. Porque, entre muitas outras razões, é indesmentível. Todos os que estão a brandir o diz-que-disse de Mário Crespo em nome da liberdade estão, a meu ver, a comprometê-la e a tolhê-la, pois nada há de menos livre do que carregar o ónus de se defender de um boato, justificar que se disse aquilo e não aqueloutro; que se disse aquilo mas com outra intenção; que se disse aquilo mas a brincar. Este combate nunca se ganha. Por isso, o respeito democrático obriga-nos a não dar crédito à boataria. É difícil, sobretudo quando adere à percepção ou ao preconceito que possamos ter relativamente aos visados. Mas a democracia de um regime também se mede pela sua capacidade de resistir aos processo de intenções. É que os que agora se estão a arvorar em arautos da liberdade parecem esquecer que um dos ataques mais emblemáticos à liberdade foi, precisamente, baseado no rumor. Já sei que não gostam que se lembre mas foi em parte o que aconteceu no caso Dreyfus. Rumor e preconceito. Ninguém está imune a eles mas é uma verdadeira calhandrice (eu gostei) usá-los no combate político.

Le "rating"

Habituados que estamos a desconfiar dos nossos próprios recursos, não raro a informação veiculada por organizações internacionais surge-nos como emanação da verdade. Da OCDE ao FMI, passando pelas prestigiadas organizações não governamentais internacionais como a Transparency International ou a Freedom House, recebemos as suas informações como se de revelações se tratassem. Convém dizer que algumas vezes isso acontecerá. Significativas vezes, se calhar. Mas não deixa de surpreender o amadorismo que muitas revelam. Veja-se, por exemplo, este excerto do relatório (2009) da Freedom House sobre Portugal: "Anibal Cavaco Silva, a center-right candidate (...), won the 2006 presidential election, marking the first time in Portugal’s recent history that the president and prime minister hailed from opposite sides of the political spectrum." (bold meu). Se exceptuarmos a maior parte do tempo (1986-1995 e 2002-2006), portanto... O ponto é que estas imprecisões (por mais desculpáveis que sejam) deixam uma semente de inquietação acerca da forma como estes relatórios são feitos. O que me faz pensar nas agências de rating (e eis que, numa vertiginosa associação de ideias, o termo rating me faz lembrar a expressão francesa para falhanço: rater - curiosa coincidência. Sai um título).

São as entidades reguladoras, stupid!

Em resposta às visões desencantadas com o primeiro ano de mandato de Obama (como aqui ou aqui ) John B. Judis sugere, na TNR, que olhemos para o grande feito desta Administração: as instituições reguladoras.

Mad Men


Primeiras impressões: série imprópria para ex-fumadores.

28.1.10

Raciocínios

Na senda deste brilhante raciocínio, também é legítimo suspeitar que os números do desemprego estão empolados para fazer um brilharete para o ano que vem?

Os males da justiça

Está aqui o discurso de Cavaco Silva na sessão solene de abertura do novo ano judicial. Para guardar e dissecar mais tarde. Para já, uma ideia: i) a culpa do estado em que está a justiça é dos políticos (porque insistem em fazer leis impulsionadas por ideias - políticas e ideológicas) e da lei do divórcio.

Mitomanias e outras incertezas

"Sócrates é um mentiroso compulsivo, como provam declarações ontem à imprensa estrangeira sobre OE e agências de rating", escreve José Manuel Fernandes aqui. Admito que seja ingenuidade de recém-convertido ao Twitter, mas fui ver quais as declarações que sustentavam tão grave acusação. Fui ler e não encontrei nada. Nada que, no limite (e com muito boa vontade), não possa ser reconduzido ao normal dissensso político. Nada que possa, minimamente, justificar o epíteto. E muito agradecia que alguém me explicasse qual o raciocínio do ex-director do Público. Da pessoa que, durante mais de uma década, utilizou o seu fino crivo à frente do que sempre julguei o melhor jornal português. Bem sei que há quem defenda que todos podemos chamar-nos mentirosos uns aos outros sem mais (e se fosse um desses, seria este o momento de chamar mitómano a JMF), mas gostaria mesmo de compreender qual o fundamento da acusação. Alguém quer ter a bondade de me auxiliar?

24.1.10

Desesperanças

Para quem é do PS e de esquerda, este é um dos traços mais desesperantes do nosso sistema partidário: "A incapacidade de a maioria aritmética de esquerda se traduzir numa coligação política é o mais estrutural dos bloqueios do nosso sistema partidário" (Pedro Adão e Silva)

22.1.10

Coisas estranhas

Faz hoje quatro anos que Cavaco chegou a Belém e, dos jornais à blogosfera, quase não se dá por isso.

Revelações, ilusões e desilusões

Sobre o BE confessou que já "quase todos os socialistas tiverem ilusões". O que os distingue é, acrescentou, "os que, mais tarde ou mais cedo, descobriram o que é o BE". "Manuel Alegre foi dos últimos a descobrir o que é BE. E percebeu que toda a acção do BE visa o enfraquecimento e a divisão do PS. Ele explicou isso, tomou as posições que tomou e não sendo candidato apoiou o PS. E teve um papel importante na construção da solução em Lisboa."

A propósito do BE e do que diz serem os seus objectivos, fez uma revelação: "Antes das penúltimas legislativas [2005], numa altura em que ninguém pensava que o PS tivesse a maioria absoluta, houve reuniões com BE para saber se, após eleições e não havendo maioria, era susceptível de haver um entendimento como tinha havido entre o SPD e Os Verdes na Alemanha. E eles explicaram bem ao que vinham, não estavam disponíveis nem para ser parceiros".

António Costa, ontem, na Quadratura do Círculo.

21.1.10

60 anos da morte de Orwell


Nunca é por acaso. De "1984", o que mais me marcou foi a captura que o Estado fez do espaço privado. As habitações, vigiadas por câmaras, não permitiam que o indivíduo fizesse o que quer que seja sem o conhecimento das autoridades. Lembro-me que, a dada altura, o protagonista encontrou um lugar em casa, um certo ângulo que julgou morto para as câmaras e que estaria fora do seu alcance. Ficou imensamente feliz. Por vezes, sinto que temos de procurar os ângulos da nossa intimidade onde podemos ser felizes (a frase saiu abimbalhada mas a ideia não é má; a sério).

Subscrevo quase integralmente este post

"Escutas a Pinto da Costa foram colocadas no Youtube. Há gente no Ministério Público que já há muito tempo que entrou em rota de colisão com o Estado de Direito (recuso ouvir estas escutas, como recuso piratear filmes na internet)". É um comentário certeiro de Tomás Vasques, que julgo denunciar também a hipocrisia de todos os que acham que o respeito pelos procedimentos que nos protegem a todos da devassa alheia se esgota no estrito cumprimento da lei. Do ponto de vista ético, não devíamos aceitar como natural esta cumplicidade com este entorse gravíssimo ao Estado de Direito, e que é, precisamente, alimentado por este voyeurismo. Concordo, contudo, até ao parêntesis, pois não são de natureza análoga os direitos que são atingidos num e noutro caso. Mas falta-me a eloquência para revelar por palavras o que apenas intuo. Um dia (promessa n.º 2), terei mesmo de escrever sobre isto.

Há 5 min. a rir com isto

"O ex-assessor de Cavaco e actual assessor de Cavaco".

Via Câmara Corporativa

Escutas a Pinto da Costa publicadas no Youtube


É bom saber que os nossos magistrados dominam, finalmente, as novas tecnologias. Para quem não sabia, há bem pouco tempo, manusear um simples ficheiro de excell, é de assinalar a evolução.

Adenda: talvez devesse escrever alegadamente (entre duas vírgulas, s.f.f) algures entre "saber que" e "os nossos magistrados". Sim, definitivamente, é melhor.

19.1.10

Change

Fui espreitar o novo site de Pedro Passos Coelho, intitulado "Mudar". Mudar foi, de facto, a primeira coisa que me veio à cabeça ao entrar no site: quis mudar daquela primeira página mas não consegui. Por este andar, esta não será ainda a mudança em que podemos acreditar.

16.1.10

Da série "os juristas que mais alegrias me deram"


Da série "os juristas que mais alegrias me deram"

"Se foi para desfazer, porque é que fez?"

Bem sei que associar o jurista que mais alegrias me deu até hoje ao Pagamento Especial por Conta (PEC) e a Manuela Ferreira Leite roça a blasfémia. Mas não deixa de divertir pensar em todos os vinicianos que, procurando no google novas dimensões do poeta, possam ser confrontados com esta ligação. E a associação - bem puxadinha, reconheço a esta altura do post - é esta. Tal como Vinicius de Moraes perguntava a Deus, eu, mais terreno, pergunto à Dr.ª Manuela: "Se foi para desfazer, porque é que fez?". Voto nela nas próximas eleições se me responder: "Mas não tem nada não, tem o seu violão".

13.1.10

Paranóias


Relativamente ao noticiado cancelamento do Programa de Marcelo Rebelo de Sousa da RTP, na sequência da saída de António Vitorino do painel de comentadores desta estação, admito que se questione a sensatez da decisão do canal público, nomeadamente se o objectivo é o cumprimento daquela esdrúxula decisão a ERC. Dependendo do ângulo de cada um, pode discutir-se a como é que se garante a pluralidade político-partidária nos órgãos de comunicação social e, em particular, no canal público de televisão. O que já me parece raiar o absurdo e querer ver-se nisto uma qualquer tentativa de calar Marcelo Rebelo de Sousa. Mas alguém tem dúvidas que o Professor não vai ficar cinco minutos sem palco, porventura transitando para um com mais audiência? Pretender calar MRS desta forma é o mesmo que tentar desligar o rádio aumentando-lhe o volume. O resultado é o oposto do pretendido e, simplesmente, não faz sentido.

12.1.10

Copo meio cheio

Está um bom dia para galochas.

Também quero dizer algo sobre o Éric Rohmer


Também eu só consegui ver o "Conto de Verão" e "A Princesa e o Duque" no Cinema. Esperem, também acho que vi o "Conto de Outono". Sim, vi. E "Les Rendez-vous de Paris" e o fascinante "Agente Triplo". Bolas, sou quase um rohmerista, De todos gostei. Muito. Tal como o maradona, nem sempre sabendo explicar porquê. Na realidade, isto de gostar de coisas sem saber porquê acontece-me mais frequentemente do que seria de esperar. Na realidade 2, isto também me acontece com as pessoas. Rohmer. Foi o realizador idoso (refiro-me à fase dos filmes supra acima referidos) que mais me tocou. Ou se calhar é preciso ser idoso para filmar a juventude daquela maneira. Nunca vi "Ma nuit chez Maud" mas penso que ainda sobrevive lá em casa uma cassete VHS com o filme. De "A Princesa e o Duque" li, uma vez, que um dia todos os filmes seriam realizados assim. Um exagero notório. Que eu me lembre (se bem "que eu me lembre" não seja um critério minimamente válido, pois actualmente vou tantas vezes ao cinema como ao dentista), nenhum outro filme desde então usou aquela técnica, que parecia inventar uma nova arte entre o cinema e a pintura. O último que vi foi o "Agent triple" (dizer em voz alta, sem carregar no "érre", uma delícia), fascinante exercício de duplicidade e ambiguidade em torno da figura de um espião, da sua mulher e dos seus vizinhos, num triângulo que mistura soviéticos, nazis e comunistas franceses. A seguir ao "Conto de Verão", é o meu preferido.

6.1.10

Petição pública

Queria saudar enfaticamente este texto do Pedro Magalhães, no Margens de Erro, pela proeza de falar sobre a iniciativa de referendo sobre o casamento gay, promovido por um conjunto de cidadãos, sem usar o termo petição. O que não só é correctíssimo como evita uma desnecessária confusão entre o direito de iniciativa de referendo e o meu querido direito de petição. Dir-me-ão: mas não é correcto dizer-se que a iniciativa de referendo contém uma petição, no sentido de um pedido, dirigido ao Parlamento? Concedo. Mas neste sentido o que não falta por aí são petições e não é por isso que (espero) desataremos a peticionar bicas escaldadas ou aquele bolo ali do fundo, cujo nome, após tantos anos, continua a ser um mistério para nós. De todo o modo, peticiono-vos encarecidamente que parem com isso e chamem os bois pelos nomes (elegante e bonita expressão esta).

5.1.10

É verdade...

Bom ano. E face à quantidade de corvos que, ainda 2010 está na incubadora, já lhe estão aos murros e pontapés (esta tem, evidentemente, direitos de autor) e a preparar o seu enterro (esta já é da minha lavra), tenho vontade de antecipar, para surpresa de todos e do meu magnífico público em particular: vai ser um bom ano, que ainda vai surpreender muita gente. Vá, ânimo. Cá estarei para prestar contas no final do ano.

A ver se percebo

Os críticos do casamento gay acusam o Governo e o PS (e a esquerda, em geral) de estarem entretidos com minudências (por oposição aos assuntos verdadeiramente importantes do país) que, segundo defendem, têm o potencial de desfigurar o nosso modelo de sociedade, o que - afirmam - não se deve fazer de ânimo leve. Por outras palavras, querem chamar os portugueses a participarem numa campanha sobre um assunto insignificante (embora com o potencial de destruir o nosso secular modelo de família), distraindo-os dos assuntos verdadeiramente importantes do país, e ainda para mais (esta ofereço eu) com campanhas que consumiriam importantes recursos públicos, que deveriam (já sabemos) ser canalizados para os assuntos verdadeiramente importantes do país. É assim?