26.1.11
Obamas's cunning plan
"By playing this rope-a-dope, Obama has positioned himself well to push back hard against the conservative agenda. Having refused to offer Republicans the cover they crave for “entitlement reform,” while offering his own modest, reasonable-sounding deficit reduction measures, he’s forcing the GOP to either go after Social Security and Medicare on their own—which is very perilous to a party whose base has become older voters—or demand unprecedented cuts for those popular public investments that were the centerpiece of his speech. Either way, in a reversal of positions from the last two years, Obama looks like he is focused on doing practical things to boost the economy, while it’s Republicans who are talking about everything else. Boring it may have been, but as a positioning device for the next two years, Obama’s speech was a masterpiece."
Aqui.
Aqui.
Como nasceu o mais conhecido festival de BD da Europa
A história contada aqui. Aos quadradinhos, evidentemente. Très cool.
Não ficará para a história mas esta é uma das razões por que gosto (cada vez mais) de Obama
"Several Democrats, speaking on condition of anonymity, expressed disappointment that Obama didn’t capitalize on the good will after his moving memorial speech in Tucson days after a gunman shot Rep. Gabrielle Giffords (D-Ariz.) and killed six bystanders. Obama acknowledged her empty chair but he quickly pivoted to maintaining America’s capacity to compete economically against other countries." (here)
25.1.11
Tenho muito para dizer sobre tanta coisa mas já tantos o disseram antes de mim. Links
Ando há tempos para dizer qualquer coisa sobre o novo Acordo Ortográfico. Qualquer coisa como esta.
Cidadania
A candidatura de Fernando Nobre foi, do meu ponto de vista, um desastre. Demagogia, populismo e arrogância. Julgo que, com isto, terá afastado mais eleitores do que atraído. Mesmo assim, teve 14,1% dos votos, representando quase 600 mil eleitores, que, imagino, procuram soluções políticas (Políticas) que não se esgotem nos partidos políticos. Do meu ponto de vista (ponto de vista 2, na minha opinião zero), a Presidência da República será o cargo electivo onde estas chamadas candidaturas cidadãs, ou independentes, podem fazer mais sentido. E eu até gosto muito de partidos políticos. Concluindo. Se uma candidatura como a de Nobre teve o resultado que teve, só posso imaginar como teria sido com uma candidatura com outra nobreza.
Pelo canto do olho
Ainda no outro dia fazia aqui um apelo à reedição da tradução de "Soldados de Salamina", do incrível Javier Cercas. Hoje, pelo canto do olho, pareceu-me ver na RTPN o escritor João Tordo a fazer-me pirraça com este mesmo livro de Cercas na mão. Tirei o mute e ainda fui a tempo de o ouvir dizer que considerava Javier Cercas o mais fascinante escritor espanhol contemporâneo e que "Soldados de Salamina" foi a obra que mais o marcou nos últimos cinco anos. Fui ao google e vi que João Tordo já falara de Cercas no seu blog, nestes termos. Não ando cá a fazer nada, é o que é.
24.1.11
Mais um insuportável post em que digo como é que acho que a democracia devia ser
Quem se indignou com o que o Governo de Cavaco Silva fez, em 1992, a José Saramago, não pode deixar de pensar o mesmo sobre o que o Governo francês fez a Céline, retirando-o da lista dos autores incluídos nas Celébrations nationales devido ao seu anti-semitismo. Não pretendo sugerir que ser ateu e anti-semita é equiparável. Quer dizer, até estou, se for para dizer que são posições irrelevantes para avaliarmos a arte, ou a ciência, dos opinantes. Ia para dizer que a democracia confronta-nos muitas vezes com dilemas complexos de superar. Mas nem é o caso (embora o seja naturalmente para muitas outras situações). A democracia obriga-nos é, com muita frequência, a fazer determinadas escolhas que, mais do que outra coisa, custam a engolir, moem no estômago, brigam com as nossas próprias convicções ou, até, com valores perfilhados pelo próprio Estado. Mas isto faz parte. Em nome de determinados valores e, à cabeça, da liberdade da opinião. Mas isto sou eu hoje. Ainda no outro dia acho que pensava algo vagamente diferente, como quando James Watson foi afastado do laboratório em que trabalhava por causa de declarações racistas. A coerência é algo tramado.
Parabéns ou talvez não
Caro Porfírio, para ti é o facto de Cavaco ter prolongado «a disputa eleitoral para dentro do estatuto presidencial, recusando objectivamente ser o presidente de todos os portugueses e escolhendo ser apenas o presidente "dos seus"». Para outros, o facto de Cavaco ter sido eleito com base numa imagem que não corresponde à realidade e, assim, num logro. Tal como eu vejo as coisas, felicitar o candidato ganhador é celebrar a democracia e o processo democrático. Nada tem que ver com a pessoa em causa. Não quero parecer um choninhas do género “ai, eu sou tão democrata” mas considero este simbolismo importante como manifestação de respeito por quem pensa de forma diferente da nossa, nomeadamente todos aqueles que, votando em Cavaco, não partilharão da tua opinião acerca da forma tão pouco democrática como Cavaco reagiu à sua vitória. Dito isto, having said that, subscrevo tudo o que dizes acerca de Cavaco em geral, e sobre a sua declaração de vitória em particular. Em bom rigor, e se estivéssemos numa mesa de café, era a altura para dizer, para que não restassem dúvidas: odeio o Cavaco e tudo o que ele representa. Acho que com isto já ninguém me chama choninhas….
Adenda: Discorda-se numas. Concorda-se noutras. Com ipsis e verbis.
Adenda: Discorda-se numas. Concorda-se noutras. Com ipsis e verbis.
22.1.11
Infelizmente, sem link

A Ipsilon conta, na sua edição de ontem, a história de Romain Gary, o único autor a ter recebido por duas vezes (o dobro das permitidas pelo regulamento) o prémio Goncourt. Para isso inventou um pseudónimo, uma história de vida para este e até entrevistas de um primo que se fez passar pelo dito ao Le Monde. Uma maravilha.
21.1.11
Democracia participativa

E a pergunta em que todos estão, provavelmente, a pensar é: como é possível que, estando prevista na lei desde 2003 (dois mil e três!), o Parlamento apenas tenha recebido uma (uma) iniciativa legislativa impulsionada por cidadãos? Iniciativa, aliás, coroada de êxito, tendo culminado na aprovação desta lei. Curioso número, não?
Gente como nós
Li-a apenas por insistência de um amigo. E ainda bem. Esta entrevista ao ex-inspector da Polícia Judiciária António Teixeira. Dele, apenas conheço o que aqui li mas creio que me reconforta pensar que temos pessoas assim na investigação criminal. Assim tão humanas, quero eu dizer.
"Nem gosto de usar a expressão "matar". Farto-me de dizer isto: o matar é um acto que acontece por força das circunstâncias. É um acto humano, quer queiramos, quer não. Todos somos capazes de matar em determinadas circunstâncias, quanto mais não seja para defender alguém ou a nós próprios. Se me disserem que para ser burlão é preciso ter jeito, admito que sim. Mas matar não é uma questão de jeito. A maior parte dos homicidas mata num momento de arrebatamento, não o premedita. Logo os outros nunca o poderiam prever. Estamos a falar do crime mais grave do nosso ordenamento jurídico mas, curiosamente, vamos às cadeias e estes homicidas são presos exemplares. Esgotaram tudo naquele acto.".
"Nem gosto de usar a expressão "matar". Farto-me de dizer isto: o matar é um acto que acontece por força das circunstâncias. É um acto humano, quer queiramos, quer não. Todos somos capazes de matar em determinadas circunstâncias, quanto mais não seja para defender alguém ou a nós próprios. Se me disserem que para ser burlão é preciso ter jeito, admito que sim. Mas matar não é uma questão de jeito. A maior parte dos homicidas mata num momento de arrebatamento, não o premedita. Logo os outros nunca o poderiam prever. Estamos a falar do crime mais grave do nosso ordenamento jurídico mas, curiosamente, vamos às cadeias e estes homicidas são presos exemplares. Esgotaram tudo naquele acto.".
20.1.11
Última hora
Cavaco propõe alteração constitucional, de forma a acolher o princípio já por ele defendido, de que as eleições (presidenciais, legislativas, autárquicas) se devem realizar, em princípio, no final do mandato, se não houver assuntos candentes e mais urgentes a tratar. É o princípio do "não desvio das atenções daquilo que é essencial". A democracia não seria esquecida. Apenas viria em momento mais oportuno.
Talvez valha a pena esmiuçar aquele argumento de Cavaco
"Nós não podemos prolongar esta campanha por mais três semanas. Os custos seriam muito elevados para o país e seriam sentidos pelas empresas, pelas famílias, pelos trabalhadores, desde logo, pela via da contenção do crédito e pela subida das taxas de juro", declarou Cavaco Silva, durante um almoço de campanha em Felgueiras.
"Arrastar esta campanha mais três semanas, por desviar as atenções daquilo que é essencial, lançaria custos acrescidos sobre todos os cidadãos portugueses. E é por isso que tenho apelado aos portugueses para que não fiquem em casa", completou o candidato presidencial apoiado pelo PSD, CDS-PP e MEP.
Tudo, aqui.
"Arrastar esta campanha mais três semanas, por desviar as atenções daquilo que é essencial, lançaria custos acrescidos sobre todos os cidadãos portugueses. E é por isso que tenho apelado aos portugueses para que não fiquem em casa", completou o candidato presidencial apoiado pelo PSD, CDS-PP e MEP.
Tudo, aqui.
Democracias
Eu também fico decepcionado com a democracia portuguesa, quando vejo que produziu líderes de partidos políticos que ficam decepcionados com a democracia quando o processo democrático lhes é desfavorável. Não é lá muito democrático, quer-me parecer.
Sim, confundo deliberadamente cargos executivos e não executivos. Por maioria de razão.
«A Presidência da República precisa de ser ocupada por uma pessoa “com conhecimentos e experiência” que ajude Portugal a encontrar um rumo», defendeu, uma vez mais, Cavaco Silva.
A insistência de Cavaco Silva de que a experiência (governativa e no próprio cargo, presume-se) e os conhecimentos constituem uma quase condição para ocupar o lugar está muito longe de estar demonstrada.
Por economia de espaço, vamos até fingir que nem reparámos que a enorme experiência de Cavaco e os seus sólidos conhecimentos económico-financeiros de nada nos serviram nos últimos cinco anos.
A tese da experiência e dos conhecimentos, dizia eu… Se os eleitores americanos tivessem adoptado este critério através da história, Obama nunca teria sido eleito (e não foi por Hillary não se ter esforçado em atirar-lhe isso à cara). Nem Kennedy. Ou Roosevelt. Muito menos Reagan. Ou Clinton, que quando foi eleito não tinha sido mais do que governador de um pequeno estado como o Arkansas. Se os eleitores franceses tivessem adoptado esse critério, não teria havido Mitterrand. Se os eleitores britânicos tivessem seguido esse critério… bem, os britânicos despediram Churchill quando acharam que ele tinha experiência a mais. Se os portugueses se tivessem orientado por esse critério, o próprio Cavaco nunca teria sido eleito primeiro-ministro...
A insistência de Cavaco Silva de que a experiência (governativa e no próprio cargo, presume-se) e os conhecimentos constituem uma quase condição para ocupar o lugar está muito longe de estar demonstrada.
Por economia de espaço, vamos até fingir que nem reparámos que a enorme experiência de Cavaco e os seus sólidos conhecimentos económico-financeiros de nada nos serviram nos últimos cinco anos.
A tese da experiência e dos conhecimentos, dizia eu… Se os eleitores americanos tivessem adoptado este critério através da história, Obama nunca teria sido eleito (e não foi por Hillary não se ter esforçado em atirar-lhe isso à cara). Nem Kennedy. Ou Roosevelt. Muito menos Reagan. Ou Clinton, que quando foi eleito não tinha sido mais do que governador de um pequeno estado como o Arkansas. Se os eleitores franceses tivessem adoptado esse critério, não teria havido Mitterrand. Se os eleitores britânicos tivessem seguido esse critério… bem, os britânicos despediram Churchill quando acharam que ele tinha experiência a mais. Se os portugueses se tivessem orientado por esse critério, o próprio Cavaco nunca teria sido eleito primeiro-ministro...
19.1.11
A Índia (ou o mundo) a vários tons
Gonçalo M. Tavares:
Na Índia, homens velhos que escutámos
durante horas e julgávamos já eternos,
levantam-se, subitamente, e começam a
urinar em plena rua, para cima do lixo
que cães, segundos antes, tentavam mastigar.
Respeito e nojo coincidem estranhamente
no mesmo homem: o mundo não
é claro e depois escuro, o mundo, cada pedaço dele,
é claro e escuro.
E quando um místico urina com displicência ao nosso lado
ensina-nos isso, e outras coisas.
Uma Viagem à Índia, Canto VII, estrofe 21
Furtado ao Porfírio Silva
Coisas simples
"face à la crise, la droite réagit très simplement : elle remet en question l'Etat-providence, réarme la guerre entre les ayants droit de cet Etat-providence et les autres salariés et, à la mondialisation et à ses peurs, répond par le langage de la peur et un discours sécuritaire." En somme, des réponses simples à des questions complexes, un exercice auquel la gauche ne peut, par essence, céder".
Daniel Cohen, presidente do "conseil d'orientation scientifique de la Fondation Jean-Jaurès", citado neste artigo sobre o impasse em que se encontra actualmente a social-democracia europeia.
Daniel Cohen, presidente do "conseil d'orientation scientifique de la Fondation Jean-Jaurès", citado neste artigo sobre o impasse em que se encontra actualmente a social-democracia europeia.
18.1.11
Javier Cercas

Este livro já foi traduzido em português mas, por razões que desconheço, encontra-se esgotado há vários anos e sem perspectiva de reedição. Isto aborrece-me, pois "À velocidade da luz" e "O Inquilino" são dois livros muito bons. E castelhano é uma língua que me chateia, no sentido em que, se já sou lento a ler na língua materna, "peor, muy peor" é o cenário em língua estrangeira de Espanha. Um dia vi uma pessoa a ler este livro na esplanada do café do Parque da Serafina. E era a edição portuguesa. Mas tive vergonha.
Post sem final feliz
Muitos britânicos começam, finalmente, agora a compreender o legado dos doze anos de Partido Trabalhista, nomeadamente ao nível do Estado Social. Só agora, que o governo de direita se prepara para pôr em causa a generalidade dessas medidas.
É fácil antecipar que, um dia, o mesmo venha a acontecer por cá. Que só quando a direita chegar ao poder e começar a desfazer, tijolo a tijolo, o edifício do Estado Social, é que compreenderemos melhor o legado do actual governo (o tijolo do CSI, o tijolo da escola pública de qualidade para todos, o tijolo da Segurança Social pública, o tijolo do SNS, o tijolo da concertação social, etc.).
Aí tudo ficará mais claro. Mas também será tarde demais para voltar atrás.
É fácil antecipar que, um dia, o mesmo venha a acontecer por cá. Que só quando a direita chegar ao poder e começar a desfazer, tijolo a tijolo, o edifício do Estado Social, é que compreenderemos melhor o legado do actual governo (o tijolo do CSI, o tijolo da escola pública de qualidade para todos, o tijolo da Segurança Social pública, o tijolo do SNS, o tijolo da concertação social, etc.).
Aí tudo ficará mais claro. Mas também será tarde demais para voltar atrás.
14.1.11
Pálidas ideias
Carlos Blanco de Morais, constitucionalista, membro da comissão de honra da candidatura de Cavaco Silva e seu consultor para os assuntos constitucionais em Belém, faz hoje nas páginas do Público uma prelecção sobre direito constitucional, nomeadamente sobre os poderes do chefe de Estado.
Dirige-a aos candidatos presidenciais adversários do actual chefe de Estado, que, reclama, “não fazem a mais pálida ideia sobre o que verdadeiramente é a função presidencial”.
Concretamente em relação a Manuel Alegre, critica-lhe o seguinte:
“Se, pelo contrário, estava a referir-se a leis ordinárias, deveria então também saber que, se as mesmas violassem direitos sociais previstos na Constituição, ele [Alegre] não poderia utilizar o veto político (que não é um instrumento de controlo de constitucionalidade), mas sim o sistema de fiscalização junto do Tribunal Constitucional.”
A inevitável pergunta que nos ocorre é, então, a seguinte: quão pálida é a leitura que Cavaco Silva faz dos poderes presidenciais, nomeadamente quando opta por vetar politicamente um diploma por razões de constitucionalidade, como aconteceu no estatuto político e administrativo dos Açores, algo que justificou (em entrevista ao Público) ter sido para manifestar a sua forte discordância “dando a cara e não através de terceiros*”?
* os terceiros, presume-se, são os juízes do Tribunal Constitucional
Dirige-a aos candidatos presidenciais adversários do actual chefe de Estado, que, reclama, “não fazem a mais pálida ideia sobre o que verdadeiramente é a função presidencial”.
Concretamente em relação a Manuel Alegre, critica-lhe o seguinte:
“Se, pelo contrário, estava a referir-se a leis ordinárias, deveria então também saber que, se as mesmas violassem direitos sociais previstos na Constituição, ele [Alegre] não poderia utilizar o veto político (que não é um instrumento de controlo de constitucionalidade), mas sim o sistema de fiscalização junto do Tribunal Constitucional.”
A inevitável pergunta que nos ocorre é, então, a seguinte: quão pálida é a leitura que Cavaco Silva faz dos poderes presidenciais, nomeadamente quando opta por vetar politicamente um diploma por razões de constitucionalidade, como aconteceu no estatuto político e administrativo dos Açores, algo que justificou (em entrevista ao Público) ter sido para manifestar a sua forte discordância “dando a cara e não através de terceiros*”?
* os terceiros, presume-se, são os juízes do Tribunal Constitucional
13.1.11
Círculo vicioso (ou será ciclo vicioso?)
Foi o cigarro do Lucky Luke. O charuto do Churchill. Do Sartre. Do Malraux. O cachimbo do Tati. Em todos os casos, achar-se que a ignorância é a melhor forma de nos protegermos de influências consideradas (e mesmo que sejam) perniciosas. Agora, este caso, relatado aqui, em que a obra de Mark Twain aparece higienizada, sem "niggers" mas com expressões menos ofensivas, como "slave". Parece que assim se contorna o boicote que à obra é movido em muitas escolas americanas e professores (e também os pais) são dispensados de explicar às crianças a complexidade da vida e da história. Um dia, saberemos tão pouco que nem conseguiremos dizer se o que nos foi ocultado é bom ou mau. E aí recomeçará tudo outra vez, suponho.
Para memória futura
No espaço de uma semana, duas excelentes entrevistas a dois dos nossos melhores. Pedro Magalhães e Rui Tavares, esta num registo sobretudo biográfico.
12.1.11
Accountability
Li, com espanto, que Francisco José Viegas apoia petição do Correio da Manhã a favor da criminalização do enriquecimento ilícito. Pelo menos, assim informava um tweet do Correio da Manhã (é um amigo meu que o segue...). Com espanto, pois, há cerca de um ano e sobre o mesmo tema, FJV escrevia isto:
"O pacote sobre enriquecimento ilícito é muito popular e corre o risco de ser aplaudido, de quatro, pela multidão — uma vez que se inclui a excrescência «ilícito», a que em breve bastará cair o «i» inicial para se entrar na paranóia aguardada."
E isto:
"Com o ataque ao enriquecimento ilícito, um justíssimo combate, vêm a inversão ao ónus da prova, a desconfiança permanente transformada em motor da investigação e a quebra dos sigilos profissionais."
E também isto:
"Com a inversão do ónus da prova, essa grande conquista da democracia (é o povo que a pede, suponho), entraremos num admirável mundo cheio de pessoas honestas ou tendencialmente purificadas, em que não haverá mais financiamento obscuro das campanhas partidárias (prometem?), não haverá mais nomeações sem escrutínio e sabatina (prometem?), não haverá mais empresas favorecidas — politicamente — em concursos (prometem?), não haverá mais «vírgulas» nem contaminações de investigações por suspeitas políticas. Seremos exemplares."
"O pacote sobre enriquecimento ilícito é muito popular e corre o risco de ser aplaudido, de quatro, pela multidão — uma vez que se inclui a excrescência «ilícito», a que em breve bastará cair o «i» inicial para se entrar na paranóia aguardada."
E isto:
"Com o ataque ao enriquecimento ilícito, um justíssimo combate, vêm a inversão ao ónus da prova, a desconfiança permanente transformada em motor da investigação e a quebra dos sigilos profissionais."
E também isto:
"Com a inversão do ónus da prova, essa grande conquista da democracia (é o povo que a pede, suponho), entraremos num admirável mundo cheio de pessoas honestas ou tendencialmente purificadas, em que não haverá mais financiamento obscuro das campanhas partidárias (prometem?), não haverá mais nomeações sem escrutínio e sabatina (prometem?), não haverá mais empresas favorecidas — politicamente — em concursos (prometem?), não haverá mais «vírgulas» nem contaminações de investigações por suspeitas políticas. Seremos exemplares."
11.1.11
10.1.11
E porque anteontem foi sábado...
...foi dia de crónica de Pacheco Pereira no Público. Um excelente texto, sobre "a ascenção da demagogia" nos tempos de hoje, ilustrada por três exemplos políticos da actualidade: Francisco Louçã, a petição do Correio da Manhã a favor da criminalização do eriquecimento ilícito e, finalmente, a sede de poder político dos juízes. A não perder.
Livro de reclamações(inhas)

Se calhar é assim mesmo que estas coisas funcionam mas pergunto-me se faz sentido que a revista Ler deste mês pré-publique um excerto do que foi considerado por muitos como o livro do ano , o "Liberdade", de Jonathan Franzen, e se abstenha de informar os seus leitores desse facto na capa.
5.1.11
Cada país tem o escândalo Lewinsky que merece

"O que não se entende é o lamentável comunicado da PR de 23 de Novembro de 2008 onde Cavaco nega peremptoriamente qualquer relação com o BPN... sabendo ele, tão bem como nós, que as acções que tinha eram da SLN, sociedade que controlava o BPN. Esse é o pecado de Cavaco em todo este processo."
Nicolau Santos, no Expresso, citado aqui (via acolá).
Resumindo, Cavaco não teve qualquer relação com o BPN, assim como Clinton não teve "qualquer relação sexual com aquela mulher". Sendo assim, a SLN é..., precisamente.
Nicolau Santos, no Expresso, citado aqui (via acolá).
Resumindo, Cavaco não teve qualquer relação com o BPN, assim como Clinton não teve "qualquer relação sexual com aquela mulher". Sendo assim, a SLN é..., precisamente.
A citação é apenas para fazer um ponto político mas a entrevista vale pelo que nos ajuda a pensar a crise (alerta: sintaxe desta frase desconhecida)
"(...) a verdade é que as linhas gerais de contenção eram inevitáveis, porque temos um compromisso comunitário e seria impensável não o cumprir. O que é criticável não é o Orçamento apontar para o défice que aponta, mas sim que a UE tenha mudado de repente a sua política económica de uma forma que nunca foi completamente explicada. Parece uma austeridade sem grande justificação."
A Europa estava centrada no investimento público.
"E de repente passou para uma coisa completamente diferente. E isso não se pode fazer. Em política económica não se podem fazer essas mudanças sem uma justificação muito grande. Pode dizer-se que a Europa foi apanhada de surpresa pelas crises da dívida soberana. Talvez. Mas isso não deveria implicar fazer o que fez. "
João Ferreira do Amaral, em entrevista ao "i".
A Europa estava centrada no investimento público.
"E de repente passou para uma coisa completamente diferente. E isso não se pode fazer. Em política económica não se podem fazer essas mudanças sem uma justificação muito grande. Pode dizer-se que a Europa foi apanhada de surpresa pelas crises da dívida soberana. Talvez. Mas isso não deveria implicar fazer o que fez. "
João Ferreira do Amaral, em entrevista ao "i".
4.1.11
Notícias sem informação
“Governo insiste na nomeação de vice-procuradores jubilados”, escreve o Público. À primeira vista, compreende-se a chamada de atenção. O estatuto dos magistrados que o Governo apresentou ao Parlamento volta a propor que os procuradores-gerais adjuntos jubilados possam ser nomeados a "título excepcional". E esta proposta tinha sido rejeitada pela Assembleia da República há uns meses. Acontece que, conforme explica a notícia, na altura a polémica prendia-se com o facto de esta norma permitir a continuação em funções de Mário Gomes Dias como braço-direito de Pinto Monteiro (o actual procurador-geral), que já tinha atingido a idade limite para a reforma. Havendo já uma nova vice-procuradora, esta polémica já não se coloca, pelo que seria de esperar alguma informação na notícia sobre o objectivo pretendido com esta proposta, que até serve de título ao artigo. Mas sobre isto, nada. Total ignorância. Nossa e deles, suponho. Por acaso, até já estou esclarecido, pois acabo de ouvir as explicações que o PGR e a vice-procuradora acabam de dar à primeira comissão do Parlamento. Mas não sou jornalista.
28.12.10
Quem não quer ser monge não lhe veste o hábito
"Esta semana, até ao início do ano, será particularmente activa em movimentações jurídicas. Sindicatos da Função Pública, entre eles Professores, Magistrados e Juízes estão a ultimar pareceres contra a redução salarial imposta pelo Governo."
Notícia daqui.
25.12.10
21.12.10
Aprender a democracia (dueto)
Já aqui fiz referência à antiga juíza do Supremo Tribunal dos EUA Sandra Day O' Connor e ao seu notável trabalho pela aprendizagem da Democracia. Também já aqui prestei homenagem ao gigante do jazz que é Winton Marsalis e ao seu admirável trabalho pela aprendizagem da música. Mas ainda não conhecia isto. Os dois juntos. Em dueto. Preciso de novos adjectivos.
15.12.10
Filho de pais incógnitos
Daniel Oliveira tem aqui um bom texto sobre o ensino e o sistema educativo português, que o último relatório PISA veio evidenciar.
Fala da clareza dos dados.
Fala dos piores resultados da Suécia e da República Checa na Matemática, Ciência e literacia, que imputa (e bem) às políticas da despublicização do ensino.
Dos incríveis (gosto de adjectivos) progressos de Portugal nestes domínios, bem como de sermos dos países onde o sistema educativo melhor corrige as assimetrias socio-económicas, que imputa a... não imputa.
Ao ler o texto de Daniel Oliveira, fico com a sensação que, ao contrário dos resultados da Suécia e da República Checa, os de Portugal são filhos de pais incógnitos. Como se dizia noutros tempos, quando havia embaraço em assumir as reais paternidades.
Fala da clareza dos dados.
Fala dos piores resultados da Suécia e da República Checa na Matemática, Ciência e literacia, que imputa (e bem) às políticas da despublicização do ensino.
Dos incríveis (gosto de adjectivos) progressos de Portugal nestes domínios, bem como de sermos dos países onde o sistema educativo melhor corrige as assimetrias socio-económicas, que imputa a... não imputa.
Ao ler o texto de Daniel Oliveira, fico com a sensação que, ao contrário dos resultados da Suécia e da República Checa, os de Portugal são filhos de pais incógnitos. Como se dizia noutros tempos, quando havia embaraço em assumir as reais paternidades.
Pernicioso costume presidencial?

Entendo que o direito de veto político do Presidente da República apenas deve ser usado em caso de grave discordância política. Quando o decreto ponha, por exemplo, em causa valores e princípios que o PR considere recolherem o consenso da comunidade. Acho bem que utilize o crivo dos valores da comunidade e não dos seus valores pessoais, assim se cumprindo a ideia do presidente de todos os portugueses. Julgo ser também esta a posição mais consentânea com a função de controlo, de árbitro, que o presidente desempenha no nosso sistema político. O poder legislativo compete ao Parlamento e ao Governo, não devendo o PR ser caucionador das opções políticas materializadas em leis.
Ora, quando o Presidente da República introduz nos costumes presidenciais o hábito de promulgar leis sob reserva, exprimindo (até sob a forma de mensagem dirigida à AR) a sua discordância, deixa-nos com a seguinte perplexidade: quer dizer que concorda com todas as leis que promulga sem mensagem? Mas desta forma não se está a co-responsabilizar pelas opções políticas da AR e do Governo, pondo de alguma forma em causa o poder moderador e de controlo que deve exercer sobre estes órgãos de soberania? Dúvidas.
Ora, quando o Presidente da República introduz nos costumes presidenciais o hábito de promulgar leis sob reserva, exprimindo (até sob a forma de mensagem dirigida à AR) a sua discordância, deixa-nos com a seguinte perplexidade: quer dizer que concorda com todas as leis que promulga sem mensagem? Mas desta forma não se está a co-responsabilizar pelas opções políticas da AR e do Governo, pondo de alguma forma em causa o poder moderador e de controlo que deve exercer sobre estes órgãos de soberania? Dúvidas.
14.12.10
Holbrooke

Para quem apenas acompanha a diplomacia pelos media, Richard Holbrooke é uma das figuras marcantes das últimas décadas. O Público faz um bom resumo do que dele se diz na imprensa internacional. Parecia ser uma figura complexa e cheia de qualidades que são defeitos e defeitos que são qualidades. Para muitos, a guerra na ex-jugoslávia foi uma espécie de trauma. Do fim da inocência. A Europa, que vivia sem guerras há 50 anos (um recorde, creio) não iria viver feliz para sempre e mergulhava num conflito assustador, a que a União Europeia e as suas principais potências apenas conseguiam assistir, imobilizados, sem qualquer capacidade (e vontade?) de influenciar. Uma guerra que começara no início da década de 90 e que, à medida que íamos assistindo, em directo na tv, ao tempo a passar (os snipers, os massacres, os êxodos e o ódio, muito ódio), começava a parecer tragicamente irresolúvel. Sérvios, croatas e bósnios. Católicos, ortodoxos e muçulmanos. Peças do mesmo puzzle que pareciam já impossíveis de encaixar. Depois houve a intervenção da NATO. Mas não é isso. Dayton. Com todos os defeitos que já na altura se lhe conheciam, Holbrooke, o enviado da Administração Clinton, conseguiu o que parecia impossível de alcançar: um acordo e trazer a paz àqueles territórios. Visto à distância, parece que foram “apenas” três anos de guerra civil (1992-1995). Mas lembro-me bem demais da sensação de que a Europa estava a caminhar (outra vez) para o abismo. Talvez não seja exactamente assim que a história se conta. Mas foi isto que me lembrei quando soube da morte de Holbrooke. O bulldozer.
Previsões
"As sondagens são previsões, dão conta de sentimentos" (Rogério Santos, director do Centro de Sondagens da Universidade Católica, Público).
Ia jurar que oiço há anos Pedro Magalhães tentar afastar esta ideia de que as sondagens preveêm o que quer que seja. Medem intenções, dão-nos o retrato dessas preferências num determinado período temporal. Mas não pretendem adivinhar o futuro. Quer isto dizer alguma coisa? Não faço ideia. É apenas estranho.
Ia jurar que oiço há anos Pedro Magalhães tentar afastar esta ideia de que as sondagens preveêm o que quer que seja. Medem intenções, dão-nos o retrato dessas preferências num determinado período temporal. Mas não pretendem adivinhar o futuro. Quer isto dizer alguma coisa? Não faço ideia. É apenas estranho.
13.12.10
Os telegramas da embaixada (ei, psst! agora com adenda)
Independentemente do que se possa pensar das leaks da wiki, tenho a dizer que os telegramas da embaixada dos EUA em Portugal são magníficos. Estilo directo e notável poder de síntese, expurgado de qualquer facto acessório ou menos relevante. Só miolo. Quando necessário, análise (informada e perspicaz). Gostava de ler um jornal assim.
Adenda: este post visava sobretudo manifestar a minha reacção à forma e ao estilo (enxuto) dos telegramas. Quanto ao conteúdo, parece-me haver de tudo, inclusivamente coisas destas:
"Both the PCP and BE are poised to gain support in national legislative elections, but are too small to govern. Each party hopes to form a coalition with the PS"
Assim, queiram, por favor, desconsiderar a parte em que refiro análise "informada e perspicaz". Quanto ao resto, mantenho.
Adenda: este post visava sobretudo manifestar a minha reacção à forma e ao estilo (enxuto) dos telegramas. Quanto ao conteúdo, parece-me haver de tudo, inclusivamente coisas destas:
"Both the PCP and BE are poised to gain support in national legislative elections, but are too small to govern. Each party hopes to form a coalition with the PS"
Assim, queiram, por favor, desconsiderar a parte em que refiro análise "informada e perspicaz". Quanto ao resto, mantenho.
10.12.10
Discutir a liberdade de expressão. Gerúndio.
Liu Xiaobao e Julian Assange. Em ambos os casos, a mesma questão: a da liberdade de expressão e os seus limites. No primeiro, encontramo-nos perante o núcleo essencial deste direito, perspectiva que, exceptuando casos patológicos, parece estar consolidada na generalidade das democracias. O segundo convoca-nos para uma dimensão da discussão que está longe de ser consensual, provando que o tema das liberdades essenciais e de como se relacionam entre elas e com outros valores fundamentais da comunidade é um debate in progress. Pessoalmente, sempre que acho que encontrei nesta discussão do wikileaks um ponto onde equilibrar-me, espalho-me. É ir tentando.


7.12.10
6.12.10
Estranho mundo este...
... em que a palavra transparência (dos governos, das administrações, dos decisores) começa a deixar na boca um sabor a fel.
4.12.10
3.12.10
2.12.10
Dúvida metódica
Se a liberalização dos despedimentos surge, segundo os seus indefectíveis, da necessidade de os empregadores melhor poderem adaptar-se às vicissitudes do mercado, despedindo nos momentos difíceis, contratando na bonanza, não seria consequente (e coerente) defender, por exemplo, a proibição das cláusulas de rescisão dos membros de órgãos de administração, frequentemente com valores exorbitantes, que condicionam na mesma medida a capacidade de essas entidades empregadoras se adaptarem às vicissitudes do mercado, substituindo-os por melhores gestores? Recorrendo aos dois exemplos que me vêm à memória, os valores das cláusulas de rescisão de Teixeira Pinto (no BCP) e de Carlos Queiroz (na Selecção Nacional) não terão constituído um espartilho à capacidade destas entidades optarem por melhores profissionais? Ter-me-á escapado o apelo da Comissão Europeia ao fim destas cláusulas indemnizatórias e estou aqui a fazer figura de parvo? Ou estou só a fazer figura de parvo?
Sprechen Sie Deutsch?
Para quem sabe alemão, o Spiegel tem um excelente artigo sobre como a questão alemã começa a ser vista pelas altas esferas governativas europeias e como a opinião pública alemã se começa a aperceber disso. Para quem não sabe (como é o caso de todos os membros deste blog), ainda melhor, pois basta ler o excelente post do Porfírio Silva sobre o tema, que junta a isto uns pozinhos de Financial Times e de comentário mordaz (qb).
Gosto de viver num país assim (e onde os juros da dívida descem e etc.)
"Políticas de imigração de Portugal voltam a ser elogiadas: À semelhança das Nações Unidas, também a Organização Internacional para as Migrações (OIM) decidiu destacar as políticas adoptadas por Portugal com vista ao acolhimento e integração dos imigrantes. No relatório mundial sobre a migração relativo a 2010, publicado na terça-feira, a OIM realça em particular a experiência dos Centros Nacionais de Apoio ao Imigrante (CNAI), existentes em Lisboa, Porto e Faro, frisando que estes constituem "um serviço de informação integrado, exemplo de uma intervenção coordenada e coerente entre várias entidades parceiras".
30.11.10
Para que não subsistam dúvidas
Un panino di tonno e pomodoro e una birra piccola.
* grazie mille per la correzione
* grazie mille per la correzione
Não percebo um boi de italiano (embora saiba pedir uma cerveja e uma sandes de atum e tomate) mas isto não parece nada bom
Mercati, allarme per l'Italianuove tensioni sui BtpLetta: turbolenze rischiose
Disoccupati, record dal 2004
Cresce ancora il differenziale dei titoli di Stato rispetto a quelli tedeschi, al massimo da quando esiste l'euro. E piazza Affari va subito giù, per poi tornare in parità. L'euro resta debole. Disoccupazione all'8,6%. Il commento preoccupato del sottosegretario: "Servirebbe un vaccino"
Disoccupati, record dal 2004
Cresce ancora il differenziale dei titoli di Stato rispetto a quelli tedeschi, al massimo da quando esiste l'euro. E piazza Affari va subito giù, per poi tornare in parità. L'euro resta debole. Disoccupazione all'8,6%. Il commento preoccupato del sottosegretario: "Servirebbe un vaccino"
Monsieur le premier ministre

Ségolêne Royal, que ainda há dias declarava juntar-se ao pacto de não agressão entre a secretária-geral do PSF (Martine Aubry) e o actual líder do FMI, Dominique Strauss-Khan (favorito nas sondagens para uma candidatura presidencial socialista), adiantou-se ontem e veio anunciar que está mesmo na corrida às primárias do PSF para escolher o candidato presidencial, que decorrerão apenas em Novembro do próximo ano. A antecipação de Royal (as candidaturas devem ser formalizadas em Junho) está a ser lida como uma forma de boicotar a candidatura de Strauss-Khan, constrangido por um dever de reserva enquanto estiver à frente do FMI. Nesta sua pré-declaração de candidatura, Royal não resistiu a uma alfinetada a Strauss-Khan, a fazer lembrar os melhores dias de Mitterrand*.
"J'ai dit que le moment venu je verrai avec Dominique [Strauss-Khan] quel est le meilleur 'dispositif gagnant' s'il revient", a-t-elle expliqué, avant d'ajouter... qu'elle le verrait bien en premier ministre si elle est désignée, puis élue : "S'il ne revient pas, il sera de toutes façons indispensable à notre équipe. Il est le meilleur chef de gouvernement que nous pourrions avoir."
*Video do debate entre Mitterrand e Chirac aqui (obrigatório; apenas 1 min.)
29.11.10
Wikileaks
Desde que conheci Lisbeth Salander que estava à espera que acontecesse uma coisa do género.
O fundamental
"Espero que Marinho Pinto tenha conseguido ontem a sua reeleição para bastonário dos advogados portugueses. Porque nunca antes alguém conseguiu, como ele, incomodar a paz podre da Justiça e da advocacia dos interesses e ser, nesta sociedade gravemente doente, uma voz livre, desalinhada, sem medo."
Miguel Sousa Tavares, "Expresso" de sábado passado (via Câmara Corporativa).
Miguel Sousa Tavares, "Expresso" de sábado passado (via Câmara Corporativa).
28.11.10
26.11.10
Post interessantíssimo, de nada
Tenho uma boa relação com a língua portuguesa. Não tenho grandes razões de queixa (embora ela não possa dizer o mesmo de mim). Mas volta e meia há coisas que me desbaratinam, como esta: porque é que Soares era fixe (ainda é) e não fiche? E que raio de palavra é cônjuge? (a continuar)
25.11.10
Ele há coisas
Hoje aconteceu que, a caminho de casa, desse por mim a pensar naquele senhor italiano jurista de formação. Quem diz nele, diz na sua música, que não sou pessoa para pensar noutros homens para além do Chico Buarque. Quer dizer, só se for para reflectir em porque é que não me foi facultada a possibilidade de ser possuidor de um farto bigode como estes (olha, lá está ele, o jurista italiano). Estava eu então a caminho de casa quando ligo o rádio. Não na TSF (1), não na Antena2 (2), não naquela rádio direitista com apreciável jazz (3), mas na Antena 1 (4.º lugar na lista de preferências). Falava um senhor, italiano por sinal, que dissertava sobre o momento que intuia ser o ocaso da era Berlusconi e a quem cabia a esolha da música de encerramento do programa. Conte, disse ele.
24.11.10
Tweet não editado
O jornalista da SICN (Anselmo Crespo, dizem-me) que acompanha o debate do OE é muito estranho: limita-se a relatar os factos mais relevantes; não o enforma com os seus preconceitos; e muito menos emite opiniões. Bizarro.
Greve geral
Mixed feelings. Boa altura para reflectir sobre o momento que atravessamos. Como Rui Tavares faz aqui.
Mais textos sobre a greve geral:
- de Sofia Loureiro dos Santos
Mais textos sobre a greve geral:
- de Sofia Loureiro dos Santos
23.11.10
Com dedicatórria
"Você que inventou o pecado/esqueceu-se de inventar o perdão"
Chico Buarque, Apesar de Você, em escuta numa manifestação perto de si (mim)
Chico Buarque, Apesar de Você, em escuta numa manifestação perto de si (mim)
Uma tragédia portuguesa, com certeza*
Uma tragédia portuguesa, sem dúvida, esta pulsão do PSD para querer ser o autêntico intérprete da realidade, o detentor, o revelador da verdade, da Verdade. Não apenas da sua mas de todos. toda, Toda. A verdade total.

* agora corrigido, depois de um original "concerteza", que ainda há umas poucas horas achávamos correcto mas que já nos envergonha muito. Obrigado ao leitor pela preciosa chamada de atenção.

* agora corrigido, depois de um original "concerteza", que ainda há umas poucas horas achávamos correcto mas que já nos envergonha muito. Obrigado ao leitor pela preciosa chamada de atenção.
22.11.10
Portugal não é a Irlanda. É o Chile.

O chileno Antonio Skármeta veio a Lisboa apresentar o seu novo livro, Um Pai de Filme. Em entrevista à Antena 2, aí pelas 19.30… não, seria um pouco mais tarde, talvez 19.45…esperem… sim, eram mesmo 19.45... ou talvez um pouco mais tarde, mas por aí (desculpem, sempre quis fazer isto), acabou a dizer que achava que o seu Chile natal e Portugal partilhavam algumas características peculiares: pequena dimensão, geograficamente no limite de um continente, ambos tiveram ditaduras, que “passaram para democracias felizes”, e depois “democracias menos felizes”. Finalmente, tanto em Portugal como no Chile, “o Sol põe-se no lado certo”. No lado certo... faz sentido.
Obama ao 60 minutes
60 minutes: Do you get discouraged? Are you discouraged now?
Obama: I do get discouraged, I mean, there are times where I thought the economy would, had gotten better by now. One of the things I think you understand as president is you’re held responsible for everything. But you don’t always have control of everything. Especially an economy this big. There are limited tools to encourage the kind of job growth that we need.
Obama: I do get discouraged, I mean, there are times where I thought the economy would, had gotten better by now. One of the things I think you understand as president is you’re held responsible for everything. But you don’t always have control of everything. Especially an economy this big. There are limited tools to encourage the kind of job growth that we need.
21.11.10
18.11.10
Artes da marinhagem, há quem diga

Parece que vai por aí um alvoroço por causa deste acórdão da Relação, que iliba um militar da GNR da prática do crime de insubordinação, que se resume basicamente ao facto de envolver a palavra caralho*. Não sei detalhes do caso. E não me estava nada a apetecer aprofundar o caso para lá do que vem referido nos jornais. Conhecer as circunstâncias exactas do sucedido. Ler o famigerado artigo que prevê o crime de insubordinação. Enfim, uma trabalheira. Mas estribado na superficialidade da informação que possuo, sempre me digo que. Tenho muitas dúvidas em acompanhar as manifestações de indignação, que imputam a esta maneira de fazer justiça o estado a que ela chegou. A justiça tem muitos e graves problemas, mas não me parece terem nada a ver com isto. É risível a explicação etimológica de caralho, com ares de erudição académica? Sim. Presta-se ao ridículo a contextualização que é feita acerca dos vários usos para o termo caralho? Também me parece. O esforço de uma e de outra poderá ser útil (ou até mesmo fundamental) para sustentar a deliberação? Admito perfeitamente que sim. Mas como em quase tudo o que digo, estou disposto a que outros estudem o assunto e me convençam do contrário.
* Creio que foi Pedro Mexia quem, um dia, notou a facilidade com que na imprensa (e também nos blogs) se deita lama para cima das pessoas, por vezes atingindo a sua dignidade de forma irreparável, mas são sempre tão pudicos a nomear os palavrões.
* Creio que foi Pedro Mexia quem, um dia, notou a facilidade com que na imprensa (e também nos blogs) se deita lama para cima das pessoas, por vezes atingindo a sua dignidade de forma irreparável, mas são sempre tão pudicos a nomear os palavrões.
17.11.10
Em estangeiro* é que a gente se entende
"(...) The eurozone as a whole is in better fiscal shape than other developed economies (notably the US and Japan), and even the most indebted economies could yet dig themselves out of the hole they are in. But the eurozone is still plagued by the contradictions of trying to operate a monetary union without supporting this with a fiscal union.It is becoming clear that these contradictions can only be solved if there is genuine burden sharing inside the eurozone, along with some much tougher budgetary and regulatory rules which prevent this situation ever happening again. (...)
if the EU could wave a magic wand and create a fiscal union tomorrow, its overall budgetary position would be easily the best in the developed world. There would be no “European” sovereign debt crisis. It is very important to remember this, because it shows that the solution to this problem lies in Europe’s own hands.The second point to note is that the peripheral eurozone economies (Portugal, Ireland, Greece and Spain), taken as a group, have quite similar budgetary requirements as the advanced nations as a whole - no better, but no worse either (at least on the latest IMF numbers). In fact, the only country which seems to be a potential outlier is Ireland, and these IMF figures do not take account of the extra tightening of 4 per cent of GDP which is promised in the coming budget. If this is passed, the Irish numbers would suddenly look much better. Based on this, it might seem surprising that this block of countries is in such trouble.(...)
If politicians want to preserve the monetary union (and it appears that everyone still does), they will need to come to an agreement under which there is some further fiscal co-operation between member states while the budgetary tightening takes effect in the periphery. And in exchange for this there will have to be much tougher long term budgetary and regulatory arrangements, so that the financial free riding which occurred in the boom years (and which actually affected private debt, rather than public debt) can never again take place.(...)"
Excerto do artigo de Gavyn Davies, no Financial Times (via Pedro Adão e Silva*, via Pedro Lains)
if the EU could wave a magic wand and create a fiscal union tomorrow, its overall budgetary position would be easily the best in the developed world. There would be no “European” sovereign debt crisis. It is very important to remember this, because it shows that the solution to this problem lies in Europe’s own hands.The second point to note is that the peripheral eurozone economies (Portugal, Ireland, Greece and Spain), taken as a group, have quite similar budgetary requirements as the advanced nations as a whole - no better, but no worse either (at least on the latest IMF numbers). In fact, the only country which seems to be a potential outlier is Ireland, and these IMF figures do not take account of the extra tightening of 4 per cent of GDP which is promised in the coming budget. If this is passed, the Irish numbers would suddenly look much better. Based on this, it might seem surprising that this block of countries is in such trouble.(...)
If politicians want to preserve the monetary union (and it appears that everyone still does), they will need to come to an agreement under which there is some further fiscal co-operation between member states while the budgetary tightening takes effect in the periphery. And in exchange for this there will have to be much tougher long term budgetary and regulatory arrangements, so that the financial free riding which occurred in the boom years (and which actually affected private debt, rather than public debt) can never again take place.(...)"
Excerto do artigo de Gavyn Davies, no Financial Times (via Pedro Adão e Silva*, via Pedro Lains)
Conselhos "free grátis"
Se fosse à CP, depois dos Alfa, a próxima geração de comboios teria a designação de Ómega.
"O mundo a partir de Berlim"
Espécie de fotografia dos desafios que Merkel e a CDU enfrentam internamente.
16.11.10
Fazer a diferença
“Mas depois de recorrente hesitação e não pouca luta, tínhamos finalmente uma seleção: uma tese de doutoramento em biologia computacional que precisava de uma extensão de financiamento para ser acabada; uma investigação antropológica em Cabo Verde que tem uma dimensão de desenvolvimento local; uma biografia muito pormenorizada de Fernando Pessoa - em banda desenhada - que faz lembrar o que Robert Crumb fez com Kafka; um estudo sobre candidaturas independentes na política portuguesa; um estágio no Museu dos Uffizzi, em Florença, para uma historiadora da arte; um apoio para um trabalho de campo doutoral em Angola; e, finalmente, um apoio a um mestrando em genética molecular que investiga uma doença que afeta gado em países mediterrânicos. Os candidatos e bolseiros receberam os resultados esta madrugada (podem ver mais detalhes em ruitavares.net).”
Rui Tavares, na sua crónica do Público de hoje (disponível aqui), sobre os projectos escolhidos para receber a bolsa que o próprio patrocinará (e para os quaisrecolheu, entretanto, o apoio de mais três cidadãos).
Rui Tavares, na sua crónica do Público de hoje (disponível aqui), sobre os projectos escolhidos para receber a bolsa que o próprio patrocinará (e para os quaisrecolheu, entretanto, o apoio de mais três cidadãos).
15.11.10
Pôr os óculos, s.f.f
"Ontem, Merkel disse que compreendia o descontentamento das bases conservadoras ao fim de um ano conturbado de governação, mas defendeu as decisões mais impopulares da coligação, como por exemplo o apoio ao resgate financeiro da Grécia – “cuja crise financeira punha em risco a estabilidade do euro e o futuro da Europa” – ou o prolongamento por mais doze anos da actividade das centrais nucleares da Alemanha, que gerou protestos vigorosos. “O balanço do primeiro ano de governo é respeitável em termos de substância mas não de estilo”, reconheceu Merkel."
"As palavras de Merkel destinavam-se a animar a base do seu partido, que recentemente perdeu o controlo do Bundesrat, a câmara alta do Parlamento, depois de ser afastado do poder no populoso estado da Renânia do Norte-Vestfália. No próximo ano, vão a votos seis dos 16 estados da Alemanha, em eleições regionais que podem determinar o futuro político do governo de coligação."
Aqui.
"As palavras de Merkel destinavam-se a animar a base do seu partido, que recentemente perdeu o controlo do Bundesrat, a câmara alta do Parlamento, depois de ser afastado do poder no populoso estado da Renânia do Norte-Vestfália. No próximo ano, vão a votos seis dos 16 estados da Alemanha, em eleições regionais que podem determinar o futuro político do governo de coligação."
Aqui.
Mais vale prevenir
Informo os meus familiares (do agregado lá de casa ao mais distante na linha colateral), amigos, colegas de trabalho, conhecidos, vizinhos, meros conterrâneos, chefes, ex-chefes, antigos colegas de faculdade, afins, membros do governo, deputados, titulares de órgãos de soberania, chefes de Estado estrangeiros (alguns de países amigos), jornalistas, banqueiros, empresários, figuras públicas de toda a espécie, etc., etc., etc., que, nalgum momento da minha vida, em conversas mais ou menos privadas, já disse mal de cada um de vós. Provavelmente em termos que, se fossem do vosso conhecimento, dificilmente voltariam a olhar-me na cara sem vontade de me maltratar.
Já me queixei da vaidade, ganância, cupidez, arrogância, mau gosto, negligência, indiferença, insensibilidade, sovinice, mesquinhez, irascibilidade, estupidez, insolência, altivez, lerdice, e por aí fora. Ou seja, de muito daquilo que eu, em tantos outros momentos, também poderia ser acusado. E faço-o nas costas, que é o lugar certo para se desabafar sobre estas coisas (vá, por favor não me façam explicar o que são “estas coisas”, tá bem?). Excepto para os sociopatas. Nas costas, pois só aí temos a liberdade da hipérbole, da imponderação, do simplismo. A liberdade de sermos injustos. Nas costas, pois só daí podemos regressar sem consequências, precisamente porque não é suposto haver consequências. A vida não é um palco. Cansado.
Já me queixei da vaidade, ganância, cupidez, arrogância, mau gosto, negligência, indiferença, insensibilidade, sovinice, mesquinhez, irascibilidade, estupidez, insolência, altivez, lerdice, e por aí fora. Ou seja, de muito daquilo que eu, em tantos outros momentos, também poderia ser acusado. E faço-o nas costas, que é o lugar certo para se desabafar sobre estas coisas (vá, por favor não me façam explicar o que são “estas coisas”, tá bem?). Excepto para os sociopatas. Nas costas, pois só aí temos a liberdade da hipérbole, da imponderação, do simplismo. A liberdade de sermos injustos. Nas costas, pois só daí podemos regressar sem consequências, precisamente porque não é suposto haver consequências. A vida não é um palco. Cansado.
Óculos para ver ao longe
Nesta altura já deveríamos ter aprendido que a política continua nacional, mesmo que a economia não: a História do século XX oferece provas abundantes de que, mesmo nas democracias saudáveis, as más escolhas políticas costumam triunfar sobre cálculos económicos “racionais”.
Tony Judt, em excerto publicado na Ler de Novembro de “Um Tratado sobre os Nossos Actuais Descontentamentos”, que espero muito, muito que já esteja na lista de prendas de Natal de… (smile)
Tony Judt, em excerto publicado na Ler de Novembro de “Um Tratado sobre os Nossos Actuais Descontentamentos”, que espero muito, muito que já esteja na lista de prendas de Natal de… (smile)
12.11.10
Da série pi@das de que me vou arrepender
Sei que vou gostar muito de um texto de Miguel Vale de Almeida quando lá não vejo nenhum arroba.
Gosto de democratas assim

(...) "The book may not change the minds of those who disagree with decisions President Bush made, but it will help you to understand better the forces that molded him and the convictions that drove him to make those decisions."
"I hope 'Decision Points' will help my fellow Democrats to see why I like George Bush, in spite of our differences, and will encourage all Americans, whatever our politics, to be more open to listening to and working with those with whom we disagree. America needs that now."
Árvores, florestas, corredores, bastidores. A vida é um palco
A aditora de política da SICN (Paula Santos) está neste momento no ar a explicar a sondagem publicada hoje pelo Expresso/SIC (que mostra o PS a descer e o PSD a subir). A razão para esta oscilação estaria na avaliação dos portugueses sobre as negociações orçamentais. Segundo compreendi, terão percebido que o Governo se mostrava inflexível ao mesmo tempo que dizia querer negociar. Esta era a tese principal, havendo outras nuances relacionadas com o processo negocial que terão também justificado esta sanção dos inquiridos ao partido do Governo.
Que este seja um orçamento de austeridade, surgido da necessidade de fazer face à maior crise económica e financeira internacional dos últimos 80 anos, convocando um esforço inédito em democracia de redução da despesa do Estado, que passa, também, por medidas muito duras (necessárias mas inegavelmente impopulares) sobre os funcionários públicos e sobre a população em geral, parece ser algo de irrelevante para a comentadora. Que os cidadãos expressem neste momento o seu descontentamento por algumas medidas deste orçamento com evidente efeito nas finanças das famílias portuguesas não ocorre à editora política da SIC. Que seja o Governo o principal responsabilizado pelo orçamento também parece algo de excêntrico. Corredores e bastidores. Reduzindo frequentemente a política a estes meandros, os especialistas do comentário político esquecem-se demasiadas vezes de se sentar na plateia e assistir à peça em cena.
(Figas) Também estranharão quando, a manterem-se os bons resultados que a economia portuguesa vai revelando, o país começar a sair, paulatinamente, do espartilho político e financeiro decorrente desta crise, e os portugueses reconhecerem que as medidas adoptadas foram as adequadas. Tal como estranharam durante anos que o Governo mantivesse a sua base de apoio, apesar das reformas que empreendeu.
Que este seja um orçamento de austeridade, surgido da necessidade de fazer face à maior crise económica e financeira internacional dos últimos 80 anos, convocando um esforço inédito em democracia de redução da despesa do Estado, que passa, também, por medidas muito duras (necessárias mas inegavelmente impopulares) sobre os funcionários públicos e sobre a população em geral, parece ser algo de irrelevante para a comentadora. Que os cidadãos expressem neste momento o seu descontentamento por algumas medidas deste orçamento com evidente efeito nas finanças das famílias portuguesas não ocorre à editora política da SIC. Que seja o Governo o principal responsabilizado pelo orçamento também parece algo de excêntrico. Corredores e bastidores. Reduzindo frequentemente a política a estes meandros, os especialistas do comentário político esquecem-se demasiadas vezes de se sentar na plateia e assistir à peça em cena.
(Figas) Também estranharão quando, a manterem-se os bons resultados que a economia portuguesa vai revelando, o país começar a sair, paulatinamente, do espartilho político e financeiro decorrente desta crise, e os portugueses reconhecerem que as medidas adoptadas foram as adequadas. Tal como estranharam durante anos que o Governo mantivesse a sua base de apoio, apesar das reformas que empreendeu.
8.11.10
Dardos (um prémio, um prémio)

O Câmara Corporativa teve a amabilidade de distinguir este blogue com o prémio Dardos, a saber: “O Prémio Dardos é o reconhecimento dos ideiais que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc.... que, em suma, demonstrem a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre as suas letras e as suas palavras. Estes selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.»
Fica, assim, para a história mais um prémio deste que vos escreve (o segundo), vinte e muitos anos depois de, com apenas sete ou oito anos, ter vencido o de melhor máscara de carnaval da escola, com um indisputável Frank ‘N Stein. Segue a lista* dos blogues onde encontro sempre reflexão estimulante, frequentemente original (naquele sentido de não se limitar a repetir o que outros dizem, mesmo que digam o mesmo), e, talvez o mais importante, com profundo sentido democrático (na verdade, não sei bem o que esta última parte queira dizer mas sei que é isto que gosto nestes blogues).
Léxico Familiar
Machina Speculatrix
Pedro Lains
Sound & Vision
Cibertúlia
Economia Política
Banco Corrido
Direitos Outros (para este, deveria pedir escusa, se este fosse um blogue sério. Não é o caso)
*haverá muitos merecedores de nomeação mas só me ocorrem estes oito
Pedro Lains
Sound & Vision
Cibertúlia
Economia Política
Banco Corrido
Direitos Outros (para este, deveria pedir escusa, se este fosse um blogue sério. Não é o caso)
*haverá muitos merecedores de nomeação mas só me ocorrem estes oito
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