13.4.11

Ideologia e pragmatismo

"It is first important to realise that ideology is not a pejorative word — it does not need to be attached to fundamentalism, propaganda or totalitarian utopias. An ideology can be seen as simply a set of political ideas organised under an overarching and forward-looking understanding of where we are and where we want to go. Pragmatic governing, being mature and doing deals, is not anathema to a liberal vision, for example; it just means realising it in a measured way."

The Economist

12.4.11

Escrutinar os media

"Na edição online do Jornal de Negócios está um artigo cujo título é Portugal é o terceiro país da OCDE com desemprego mais elevado. Depois uma pessoa vai ler o texto, faz as contas, e percebe que, segundo o próprio texto do Negócios, Portugal é o quinto - e não o terceiro - país com desemprego mais elevado. Mas a coisa piora ainda mais quando se lê a publicação da próprio OCDE, onde se constata que Portugal afinal não é o terceiro, não é o quinto - é o sétimo país da OCDE com a taxa de desemprego mais elevada. À sua frente estão Estónia (14.3%), Grécia (14.1%), Hungria (12%), Irlanda (14,9%), Eslováquia (14%) e Espanha (20%). Não pretendo desvalorizar o problema, que, como é óbvio, é muito grave, mas convinha que quem é pago para fazer estes coisas tivesse um pouco mais de cuidado com o que escreve."

João Galamba, Jugular.

Infelizmente, confirmo. Lá em casa (e eu sou quase espectacular) ou à minha volta. Causas que têm de contrariar a ilusão do seu sucesso

Estudo da OCDE: Portugal é dos países onde as mulheres mais trabalham em casa

8.4.11

A partir do meu caso concreto, arrisco uma teoria

Tentar adormecer uma criança que resiste mais ao sono do que Sócrates ao FMI tem pelo menos uma vantagem colateral: reflectir sobre coisas realmente interessantes. Como em electrodomésticos. E notar - não sem surpresa - que os despertadores devem, com muita probabilidade, ser os melhores e mais duradoiros electrodomésticos que existem. Usados diariamente, dispensam qualquer manutenção. A nossa vida depende deles mas nunca falham. Confiáveis. O meu acompanha-me há coisa de 20 anos e auguro-lhe ainda uma longa vida. Estou bastante satisfeito com esta minha descoberta. E vejo aqui um excelente desbloqueador de conversa. Shiu... já adormeceu, finalmente.

7.4.11

Culpas

Leio, aqui e ali, muitas pessoas a apelar a que o debate eleitoral não se faça com base nas culpas dos partidos e dos seus responsáveis. O que importa agora é olhar para o futuro, alegam. Lamento mas não partilho. Naquilo a que genericamente chamamos "culpa" inclui-se a responsabilidade. Poder-se-á chegar à conclusão de que esta existiu ou não. Se foi grosseira ou mitigada. Mas o momento de apuramento de responsabilidades é um momento nuclear do escrutínio, da prestação de contas, a que nenhum político se pode eximir. Do governo ou da oposição. As eleições servem para isso mesmo. Para caucionar um projecto para o futuro. Mas também para avaliar os actos dos nossos representantes. E as suas consequências.

Especial Informação

O Especial informação de ontem da tvi24 honrou o nome do programa, pois - pasmem - foi especial e teve mesmo informação. Coisa incomum, nos dias que correm. Pedro Lains, João Confraria e António Nogueira Leite. Vale mesmo a pena ver. Aqui.

via Câmara Corporativa

A trágica ironia

Considerando que:

- a actual crise política foi detonada com a rejeição do PEC no Parlamento;

- a crise política é a causa directa do dramático agravamento da crise financeira das últimas semanas;

- a crise política e económica tornaram inevitável este pedido de ajuda externa;

- o recurso ao fundo poderia, muito provavelmente, ter sido evitado com a aprovação do PEC;


- contrariamente à esquerda, a direita, e muito em particular o PSD, sempre desejou este desfecho, que concretiza, assim, a vinda da sua agenda pela mão de terceiros;


Considerando tudo isto, não deixa de ser tragicamente irónico que a esquerda tenha contribuído decisivamente para a rejeição deste PEC e, assim, para a consumação da vinda do FEEF/FMI, que condicionará de modo indelével o país e as políticas públicas dos próximos (demasiados) anos.

A rejeição do PEC por parte da esquerda é uma escolha coerente, se atendermos exclusivamente ao plano das ideias. Contudo, as escolhas políticas têm consequências reais, por vezes contraproducentes, contrárias aos objectivos pretendidos. No lugar da austeridade rejeitada, terão (teremos todos) austeridade XXL. Vezes 2. E as consequências eram por demais conhecidas por todos. Se isto não é uma ironia...

6.4.11

XI legislatura - balanços



Último dia da XI legislatura. Pelo PSD, discursa Mota Amaral, numa intervenção nos antípodas das minhas afinidades. Como tantas outras intervenções do mesmo, aliás. Mas isso não me deve impedir de reconhecer o notável contributo de Mota Amaral para a respirabilidade da democracia portuguesa. Faz agora mais ou menos um ano.

Coisas que me intrigam

Passamos a vida a denunciar o excesso de leis que existe no país, que os problemas do país não se resolvem por via legislativa, que se devia legislar menos e melhor. Mas isso não nos impede de olhar com admiração a produção legislativa dos partidos e dos deputados, sumariamente avaliados com base no número de iniciativas apresentadas. Somos estranhos.

O que é preciso é reestruturar a dívida externa

O maravilhoso príncipe de Trofimova (pare ver de ouvidos bem abertos)



"Le trop petit prince", Zoia Trofimova, Folimage.

4.4.11

A política não é para meninas

Last week's idea, that of installing the new party leader as economics minister -- a position currently occupied by FDP member Rainer Brüderle -- would appear to have been jettisoned. Brüderle indicated late last week that he would not willingly give up the position, saying: "If they want to get rid of me, it will be bloody."

Spiegel online, num texto sobre s sucessão no FDP (parceiro do governo de Merkel), depois do anúncio da saída de Guido Westerwelle

2.4.11

Debater a Constituição

Embora denuncie um predomínio de autores alinhados à direita (a excepção mais óbvia será Andre Freire), valerá a pena explorar esta Constituição Revista, o e-book lançado hoje pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Embora valha a pena explorá-la, valerá a pena reflectir sobre a ausência de um maior equilíbrio ideológico dos autores, sobretudo quando estamos a falar de um texto como a Constituição da República Portuguesa, o documento político mais importante da nossa comunidade.

A linguagem política é dura. Cá, como lá

PM says alternative vote is unBritish and likely to favour extremists as Tory chairwoman is accused of 'Goebbels-like' lies

1.4.11

A matter of trust

“A confiança não se institui por decreto, nem basta proclamá-la. A confiança custa a ganhar e perde-se num ápice. Agora que vamos a eleições, há um pacto de confiança que se esperaria de quem se propõe governar este país. Não se pode um dia dizer uma coisa e no seguinte outra, não se pode fingir que não se previa dias antes o que todos sabíamos que iria acontecer a seguir, não se pode dizer uma coisa e fazer o seu contrário. Não se pode faltar à verdade. E não pode faltar a coragem de a dizer.”

André Barata, Dez notas – não me atrevo a chamar-lhes “teses” – sobre o Problema Português (via Pedro Lains)

31.3.11

O homem invisível

Menos direitos sociais e laborais, salários muito mais baixos, habitações mais precárias, etc. Vivem entre nós, são mesmo os mais vulneráveis à pobreza e à crise, mas a sua situação está totalmente ausente do debate político. Em Espanha. Ou noutro lugar qualquer.

30.3.11

Accountability

Julgo que muito pior do que um político que não cumpre algo a que se comprometera em determinado momento (no programa eleitoral, por exemplo), é um político que não se chega a comprometer com nada em concreto. Ou que se compromete com uma coisa e o seu contrário. O primeiro, permite o escrutínio, o controlo democrático pelos restantes actores políticos e, em geral, pelo povo. Permite a responsabilização política. O outro, omite qualquer critério ou parâmetro a partir do qual se possa realizar este controlo, momento fundamental em democracia. É, politicamente, inimputável.

29.3.11

Tens razão, Pedro...

...não é difícil reconhcer o génio. E que génio, deus meu. Desde o início:

Contradições*

Confesso que, por norma, não faço um juízo muito severo das incoerências e contradições das pessoas ao longo do tempo. Sou, para dizer a verdade, bastante tolerante quanto a este tópico. Se não faço com as pessoas, também não me inclino a fazer isso com os políticos. Justificação. Há, por um lado, a questão pragmática: é inevitável que isto aconteça. Rendo-me ao lugar-comum. Só os burros é que não mudam. E os fanáticos, o que dará no mesmo. Mudamos porque, enquanto seres inteligentes, a nossa posição tende a estar relacionada com a interpretação que fazemos do mundo que nos rodeia. Mudando as circunstâncias, também nós tenderemos a mudar. Muitas vezes muda apenas uma intuição, uma ligeira mudança de ângulo. Felizmente, as pessoas não têm de andar a prestar contas de todas estas mudanças. Não quer dizer que não possa ser, por vezes, um exercício estimulante e enriquecedor, embora outras vezes seja apenas inútil. Gostava de ir à praia. Já não gosto de ir à praia. Contrariamente às pessoas, os políticos têm como principal dever prestar contas. Mudar de posição é, pois, natural, mesmo para os políticos, desde que fundamentem as razões dessa mudança. Parêntesis. Os partidos competem por votos, o que fazem através de ideias, de um projecto, de uma narrativa. Fecha parêntesis. Na ausência de uma explicação que enquadre as posições na narrativa isso não quer dizer verdadeiramente que não haja uma explicação. Há. É eleitoralismo, puro, que é a competição por votos a troco de… nada. Como Isto:


Ou isto, como denuncia Pacheco Pereira:


* a distinção pessoas e políticos era piada. Falhada, mas piada.

É isto!

Às vezes há posts assim. Não terão para muitos nada de especial. Não terão provavelmente mesmo nada de especial. Mas, na forma como o dizem. Na sua simplcidade. No tom e nas palavras com que o dizem, fazem-me ter vontade de me levantar da cadeira e dizer, alto e bom som: é isto!

“Caro José Neves, a resposta é simples: a esquerda que valoriza as declarações de Merkel é a mesma esquerda que, independentemente do juízo que possa fazer sobre as opções políticas da chanceler alemã e sobre a forma como esta tem influenciado a resposta europeia à crise, sabe que não haverá nenhuma solução europeia realista que dispense a Alemanha. Se me perguntarem o que penso das políticas da senhora Merkel, eu direi que são desastrosas e que se arriscam a lançar a Zona Euro numa recessão sem fim. Dizer que devemos 'bater o pé' à senhora Merkel, ou outra qualquer bravata inconsequente desse género, não invalida o facto de essa ser, hoje, a liderança que o país mais poderoso da UE escolheu e que, por isso, as suas posições - boas, más, pessimas, o que for - são, para quem tenha o azar de viver na realidade política que existe, aquelas com que temos de lidar.”

João Galamba, Jugular, num texto já com alguns dias.

Desculpem-me. É só para não me esquecer de ler esta entrevista

Entrevista a Howard Jacobson, I

"Está um dia lindo, o sol brilha e parece que passámos do Inverno directamente para o Verão. Estão 20 graus lá fora, imagine só". Seguem-se descrições da fauna e flora que por estes dias aparece a desabrochar ou a pipilar pelo terraço de Howard Jacobson. Ao telefone a partir da sua casa em Londres, o escritor inglês, 68 anos, está bem disposto apesar de ligeiramente ressacado - "bebi uns copos ontem depois de uma palestra sobre censura". Goza ainda do estado de graça concedido pelo Man Booker Prize, distinção que recebeu em Outubro do ano passado à custa de "A Questão Finkler", livro que saiu na quinta-feira em Portugal. "O prémio fez de mim uma pessoa melhor mas calculo que por pouco tempo. Assim que os efeitos desta vitória se dissiparem vai voltar a amargura". É aproveitar.

Como é que o Booker mudou a sua vida?

Em termos muito práticos, vendo muito mais livros agora do que alguma vez vendi. Por exemplo: a cópia em inglês de "A Questão Finkler" vendeu mais de 400.000 exemplares, um número colossal e que significa que eu em breve terei vendido mais exemplares deste livro do que todos os meus outros 11 romances juntos. É óptimo ter leitores, não tenho de lhe dizer isso a si, certo? E é maravilhoso perceber que há gente a lê-lo no Paquistão e será traduzido para mais de 23 línguas.


Também lhe deve ter aumentado a confiança, certo?


Um alívio enorme. A partir de agora não tenho de me preocupar com ter ou não ter leitores e se posso viver da literatura. Em tempos angustiava-me ter um livro novo, ir a uma livraria e não o encontrar em lado nenhum. Isso agora já não volta a acontecer tão depressa - em Londres vi paredes inteiras forradas a livros meus.


É uma libertação.


E também é uma espécie de ressurreição dos meus livros anteriores. Estão de volta, têm capas novas, estão a ser publicados em mercados onde nunca chegaram, vão ser traduzidos. É como se toda a minha carreira como escritor fosse rejuvenescida. O que também é perigoso.


Perigoso porquê?


Porque me sinto mais jovem do que realmente sou. Esqueço-me de que vou morrer em breve ou de me comportar com a dignidade que se espera de uma pessoa com a minha idade.


E a sua escrita será afectada?


Sou um escritor pessimista. Os meus livros e a minha carreira estão assentes na ideia de que a minha vida é um fracasso, faço a minha arte a partir daí. De agora em diante tenho de fazer o mesmo a partir da sensação de que a minha vida é um sucesso. Se será um problema? Veremos.


A vitória no Booker foi uma surpresa.


Eu também fiquei surpreendido. Naquela noite não achei que fosse ganhar [era a terceira nomeação]. Mas o que mais me surpreendeu foi o "bruaá" de apreço que veio da audiência. Parece que, além de mim, havia mais gente satisfeita.


O "Daily Telegraph" dizia que o Howard era "demasiado divertido para o Booker"?


Muita gente disse isso - eu próprio o disse. Passei anos a ver livros sérios ganhar esse prémio e a achar que aquilo não era para mim. Não percebo esta aversão ao humor na grande literatura, esse afastamento da seriedade. Acho que todos os romances devem ser cómicos.


Como assim?


É para isso que os romances servem. Repare: temos a poesia, temos a tragédia, temos outros géneros para lidar com coisas muito específicas. O romance trata do dia-a-dia, trata da vida. E a nossa vida é bela, feia e absurda. Um romance deve reflectir isso - e deve ter humor.


Acha que o humor é subvalorizado junto da alta cultura?


Sem dúvida. A literatura começou a tornar-se uma coisa tão séria e respeitada que acaba por ser vista quase como uma religião. Inglaterra é um lugar onde a religião organizada está a desaparecer e parece que a arte tomou esse lugar. A literatura deve ser uma coisa solene, silenciosa e a cheirar a igreja - velas, incenso, gente a ler em altares, essas coisas. As pessoas têm medo que, ao abrir um livro com piada, este se lhes rebente nas mãos. E isso é terrível porque em toda a história da literatura há grandes romances que nos fazem rir: "Gargantua e Pantagruel", de Rabelais, "D. Quixote", de Cervantes, são tudo novelas que fazem troça do estado ou da religião. Era para isso que os romances serviam. Mas de há 50 ou 100 anos para cá tudo mudou.


Tem medo de não ser levado a sério?


Não sei como é em Portugal, mas cá os heróis da nossa cultura são comediantes. Adoramo-los. Mas estamos à vontade quando eles estão no seu território - fazem umas piadas e já está. Quando o humor passa para outras áreas aí começam os problemas. As pessoas ficam confusas, não sabem o que pensar, ficam ofendidas. Eu gosto de escrever frases que deixam o leitor na dúvida se é comédia ou tragédia. Gosto de brincar com os leitores: acham que vão rir e eu faço-os chorar, sentem que vem aí uma cena trágica e eu faço-os rir. É uma leitura acrobática.


O humor é considerado por todos uma demonstração de inteligência, porque é que não acontece o mesmo quando chegamos à literatura?


Porque o meio literário está cheio de gente que veio das faculdades e não gosta de ver a inteligência exibida ou desperdiçada no humor. É demasiado rápido para eles. Estão habituados a escrever frases longas e aborrecidas para descrever uma ideia. Eu escrevo para aborrecer e ofender essas pessoas.



(...)

25.3.11

Isto tem de ser dito sem ambiguidades: Eric Idle é o meu Monty Python preferido

Este blog entrou oficialmente em campanha eleitoral

Pedro Duarte, o ministro-sombra do PSD para a área da Educação, acaba de dizer na RTPN que a suspensão da avaliação dos professores (hoje aprovada pela oposição na Assembleia da República) "é uma questão política" e que, por isso, estranha que "o PS venha invocar eventuais ilegalidades e inconstitucionalidades" para pôr em causa "uma escolha política clara do Parlamento". De acordo com Pedro Duarte, suscitar a inconstitucionalidade (neste caso, suponho, com base numa interferência do Parlamento na função administrativa do Governo) é aviltante, porque põe em causa uma escolha clara do Parlamento. Julgo que não darei qualquer novidade ao deputado social-democrata se lhe disser que só se pode suscitar a inconstitucionalidade de um decreto que tenha obtido a maioria clara da Assembleia. É mesmo isto que queremos para o país para os próximos anos?

Nos dias que correm, isto é uma benção

Da confiança: o interesse geral prevalecerá sobre o das corporações

PSD vai aprovar revogação da avaliação dos professores.

Do sentido de responsabilidade

PSD vai aprovar revogação da avaliação dos professores.

Da coragem política

PSD vai aprovar revogação da avaliação dos professores.

24.3.11

Escrutínio democrático

"Os impostos indirectos tratam todos pela mesma medida, tanto pobres como ricos, razão porque são, nesse aspecto, mais injustos. É essa, aliás, a razão porque eu nunca concordei em taxar cada vez mais os impostos indirectos, nomeadamente o IVA. Ele vale 20% para quem tem muito como para quem tem pouco".
Pedro Passos Coelho, no livro "Mudar", editado em 2010.

"Se ainda vier a ser necessário algum ajustamento, a minha garantia é de que seria canalizado para os impostos sobre o consumo, e não para impostos sobre o rendimento das pessoas".
Pedro Passos Coelho, hoje, em Bruxelas.


Elizabete Miranda, Blogue Massa Monetária, Jornal de Negócios

Escrutinar a democracia

Os media, os principais intermediários entre a política e os cidadãos, oscilam frequentemente entre o puro activismo político, adoptando, qual prosélito, pressupostos e pontos de vista que devia apenas relatar, e a noticiação acrítica de contradições. Na política, o escrutínio crítico deve ser uma constante relativamente à acção governativa (em primeiro lugar, pelas suas responsabilidades) mas este princípio deve ser extensível a todos os que actuam no espaço público, nomeadamente aos actores políticos. Os media não cumprem a sua função se se abstiverem de fazer este escrutínio, que deve reconhecer a complexidade da realidade, que é mutável, e respeitar eventuais mudanças de posição, que podem ser compreensíveis. Deve evitar simplificações primárias e crucificações mas tem de exigir explicações.

Straight do the point: o PSD veio hoje dizer que pondera uma subida de IVA como forma de evitar os cortes nas pensões. Ocorrem-me várias coisas para dizer sobre esta posição mas a primeira e mais evidente é: o PSD passou o último ano a acusar o PS de fazer o esforço da austeridade (também) por via da receita (i.e. impostos), quando o correcto seria pelo lado da despesa (os famosos cortes nos consumos intermédios). O PSD passou um ano a repetir diariamente isto. No orçamento, elevou esta preocupação a condição sine qua non para a viabilização do OE 2011. Até aqui tudo bem (vamos esquecer que o PSD se limitava a declarar o seu amor pelos cortes na despesa, sem nunca referir onde).


Hoje (não ontem ou anteontem, quando isto podia ter sido negociado), o PSD apressou-se a declarar que evitaria os cortes nas pensões com o aumento do IVA para 24 ou 25 por cento. Portanto, a única proposta concreta que se ouve do PSD nos últimos tempos é…. um aumento de impostos, da receita. Rematando. O poder fiscalizador dos media não pode limitar-se a divulgar acriticamente uma posição destas, que contraria tudo o que o PSD disse e fez no último ano. Este papel que cumpre à comunicação social é um dos pilares de uma democracia saudável.

Afinal é tudo um logro

Afinal, os downloads nunca prejudicaram a indústria dos conteúdos. Antes pelo contrário. Esta é a Verdade, de acordo com um estudo da London School of Economics. Da London School of Economics, por amor de deus. Aqui.

23.3.11

Morreu Elizabeth Taylor

Para ser sincero, achava que já tinha morrido. Queria agradecer-lhe por ter dado vida um dos melhores filmes de sempre. As interpretações são boas mas nem é isso. Aquele texto, aqueles diálogos, de Tennessee Williams, são magistrais. Uma vez, revi este filme na tv, sem som, incapaz de resistir à intensidade das legendas. Calma. Releio esta última frase e constato que é uma tremenda foleirice. Nada a fazer, foi mesmo assim: incapaz de resistir à intensidade das legendas.

Analyse me

Não é que não seja compreensível mas não deixa de me espantar a quantidade de pessoas que intervém no espaço mediático cujo principal contributo é dizerem "como eu tinha avisado há um ano atrás", "conforme alertei no mês passado"ou "como eu próprio antevi anteontem". Não é que não seja compreensível mas há qualquer coisa de umbiguista nesta obsessão (ou fobia, como diria Bernardino Soares) que me enerva, como se o objecto da sua análise começasse sempre pelos próprios. Claro que na maior parte dos casos são meros profetas do dia seguinte, mas nem é isso que importa. E isto, claro, digo-o há anos.

A frase que impõe respeito

"Em que situação se encontraria o país sem a acção intensa, mas discreta, que exerci no meu mandato? O que seria do país sem os meus alertas durante a crise?"

Em declarações à TSF, Manuel Alegre põe o dedo nas feridas*


Cavaco Silva
«[Cavaco Silva] devia fazer um apelo para que houvesse um diálogo, um consenso e um compromisso», evitando a iminente antecipação das eleições.

Cavaco Silva fez um discurso que «estimulou a crise» na sua tomada de posse.

FMI
«Se este PEC 4 contém medidas duras para os portugueses, a verdade é que a seguir vêm medidas muito mais duras, porque o resgate do FMI [Fundo Monetário Internacional] significa que irão», por exemplo, «baixar o salário mínimo nacional e despedir mais funcionários públicos». Mas também «acabar com o 13.ª mês, mais cortes salariais ou o fim do conceito de justa causa».

Propostas alternativas
«É preciso que os outros partidos, nomeadamente o PSD», apresentem a sua solução alternativa.

Os partidos «tendem a colocar o interesse partidário imediato acima do interesse nacional».

Cultura política
«Esta situação é fruto» da falta de coragem para o diálogo. É preciso «mais coragem para fazer a paz do que para fazer a guerra», a par de um «grande sentimento de responsabilidade nacional».

Eleições antecipadas
O cenário de eleições legislativas antecipadas não vai resolver «coisa nenhuma, mas abrir a porta para que o FMI» entre em Portugal.

PSD
O projecto de revisão constitucional apresentado pelo PSD, «que no fundo é um programa de governo», contém medidas que, conjugadas com a austeridade que é imposta pela Europa, vão tornar muito gravosa a situação dos portugueses».

*Resumo feito a partir do texto da edição online da TSF. Vale, no entanto, a pena ouvir o audio.

21.3.11

Prenhe de razão ou hypersensitive me

Que aquele grupo que ganhou o festival da canção faça uma música com o objectivo de gozar com Miguel Sousa Tavares é coisa que não me perturba. Gozar com alguém é algo que pode ter bastante graça. Isto tem. Isto também. Chamarem-me orelhas, por exemplo, não tem. Não achando graça no passado a estes homens da luta era improvável que achasse agora. Mas o problema da música não é a graça ou a falta dela. Mas uma tentativa de atingir alguém por via de uma ignóbil comparação com o pai. Julgava que isto fosse por demasiado evidente. Parece que não. O que me surpreende não é a música vir de quem vem. Mas que haja tanta gente disposta a ver humor onde apenas parece haver ressentimento e despeito. E tudo isto com o triste patrocínio da comunicação social. Comunicação social que, aliás, no passado fim-de-semana achou bem rerrecorrer à leitura de lábios (é assim que se diz?) para bisbilhotar o que os membros do governo dizem (ou seja, em conversa privada) durante o debate quinzenal no Parlamento. Há crise para além da crise.

Para apreciadores (não sonho mais)

17.3.11

Redes sociais

Recebo um pedido para ser seguido no twitter. O pedido vem apenas identificado com o que parece ser um apelido, que não associo a ninguém. Espreito o perfil do utilizador, que remete para um blog, cujo autor é identificado pelo mesmo nome. Passeio-me durante uns poucos minutos pelo dito. Os minutos alargam-se. Não sei se é muito bom, bom ou mais ou menos. Nem é isso que interessa. Gostei muito de o ler. Senti que olhava para o mundo a partir do mesmo banco de jardim. Bem escrito. Fiquei com vontade de lá voltar. Volto ao princípio. Recebo um pedido para ser seguido no twitter por esta pessoa e não sabia quem ela era. Ao ler o blog, intuo, a dada altura, não sei bem porquê, quem é o seu autor, palpite que (Google) se revela certeiro. O que não deixa de ser curioso dado não saber praticamente nada sobre ele. Curioso não. É absolutamente extraordinário. Pode parecer parvo mas achei engraçado partilhar isto.

"O povo é sereno, os políticos não"

"Senão vejamos. Na quarta-feira passada, o Presidente da República fez o discurso que grande parte do seu eleitorado esperava, mas com alguns anos de atraso. Feito o diagnóstico negro do País, responsabilizou o Governo por isso. Muito bem, está no seu papel. Mas Cavaco iludiu os portugueses ao dizer que é preciso dizer basta à austeridade. Isso é pura demagogia, ainda para mais vindo de um economista. E nunca mencionou o contexto externo em que Portugal se encontra, nem os esforços que têm sido feitos pelo Governo para evitar a ajuda externa. É verdade que Sócrates em 2009 procurou usar a crise internacional como razão e como desculpa. Mas hoje essa acusação é simplesmente facciosa."

(...)

"A maioria dos economistas, da direita à esquerda - de Vítor Bento a Ferreira do Amaral - concordam que um empréstimo como o da Irlanda ou da Grécia seria péssimo para o País. Mas não é só do ponto de vista económico que o exemplo irlandês traz importantes lições para Portugal. Enda Kenny, o novo primeiro-ministro irlandês foi ao último Conselho de Ministros Europeu convencido de que iria renegociar os termos do empréstimo à Irlanda. Não só não conseguiu nada como ainda lhe foi dito que obrigatoriamente a Irlanda tem de subir a taxa de IRC baixíssima de que neste momento as empresas irlandesas beneficiam. Como é evidente, a austeridade agrava-se apesar dos irlandeses terem mudado de governo. "

Marina Costa Lobo, crónica do Jornal de Negócios.

Unwind



SONIA DELAUNAY, RHYTHM, 1938.

16.3.11

Algures no meio deste post está uma ideia que queria transmitir mas não é fácil econtrá-la

Porfírio Silva, em mais um excelente texto, desta feita sobre a entrevista de ontem de José Sócrates.

Concordo genericamente com tudo. Bem, quase tudo. No final, o Porfírio sublinha, e bem, o lugar central que a forma e os procedimentos têm em democracia. “Em democracia, a forma é uma garantia. Ferir a forma não deixa intocado o conteúdo”, escreve. Preciso de pensar um pouco melhor sobre o assunto (em quase todos os assuntos eu preciso de pensar um pouco melhor sobre o assunto… a verdade que eu tenho-me como um moderado mas aquilo que eu sou mesmo é um hesitante profissional) mas julgo que a minha renitência advém de se considerar que os procedimentos informais de relacionamento entre os agentes políticos (seja o Presidente da República, seja o principal partido da oposição) sejam equiparados às regras de forma escritas, normativamente impostas. São estas últimas que sustêm o edifício da democracia e constituem o seu garante. As outras, as tais regras informais (sublinho, regras de forma informais…) fazem parte de outra forma. São politicamente sindicáveis mas não beliscam a democracia.

Isto é tanto mais verdade quando estamos a falar no quadro das relações entre o Governo e um Presidente de um sistema semi-presidencial. Quase por definição, este é um sistema que deixa uma apreciável margem de indefinição nalguns dos poderes destes agentes. Não é por acaso que, contrariamente ao sistema parlamentar puro ou ao presidencial, só se compreendem os poderes dos presidentes nos sistemas semi-presidenciais - e muito em particular os que tangem com a sua relação com os governos - olhando mais para a prática do que para as leis. O Duverger tinha uma expressão sobre isto mas olvida-ma. Ou seja, é um sistema que, no âmbito daquelas relações, permeável à criação de certos hábitos, nomeadamente ao nível de procedimentos (há países com regras semelhantes às nossas que tornaram habitual que o governo auscultasse o Presidente antes escolher o nome de certos ministros, v.g, na Polónia do Presidente Lech Walesa).

Corte abrupto. Fome. Resuma-se: há regras de forma e regras de forma. No caso vertente (ahahah), falamos de regras de forma. Das outras, que espelharão porventura relações de força mas que se situam no campo de discricionariedade política. Que comprometem politicamente mas não juridicamente. Acho que o que queria dizer se resume a esta última frase. Agora, papinha.

15.3.11

Deve ser a isto que chamam escrever direito por linhas tortas



A complacência com que estas declarações (inaceitáveis) de Cavaco Silva estão a ser acolhidas fizeram-me logo lembrar estas palavras:

"É altura dos Portugueses despertarem da letargia"

"A nossa sociedade não pode continuar adormecida"

"É necessário que um sobressalto cívico faça despertar os Portugueses"

No mais, o que há a dizer sobre isto já foi dito neste post de Fernanda Câncio.

Desconstruir o Estado de direito (alerta: post com ligeira manipulação dos factos e de irritante pulsão declamatória)


Uma Conferência "Qualidade do Estado de Direito em Portugal 2005-2010", ICS. Repito, uma conferência sobre a qualidade do Estado de Direito. E não há um único representante da academia jurídica? Sobressaem os sociólogos (muitos), as "autoridades judiciárias" (algumas) e Eduardo Dâmaso, o director-adjunto do Correio da Manhã, esse arauto do respeito pelos direitos dos cidadãos. Claro que o estado de direito é de todos. Nem a visão jurídica que se ensina nas faculdades de direito esgota o tema. Longe disso. Mas a sua ausência não pode deixar de empobrecer qualquer discussão que se pretenda séria (bolas, há muitos anos tinha jurado a mim próprio nunca usar esta expressão, sucedânea das visões Verdadeiras da vida. Damn) sobre o assunto e, pior, parecendo menor, é reveladora de um certo entendimento de Estado de direito que se vai disseminando entre nós. E nem sequer falei da ausência de políticos, os representantes dos cidadãos a quem cabe fazer as escolhas (dentro dos inevitáveis constrangimentos) determinantes da nossa vida colectiva. Um estado de direito a preto e a branco, de virgens e corruptos, de bons e maus, de índios e cowboys. Mas temo que esta seja indignação que já cansa a paciência.

14.3.11

Sejamos mesmo razoáveis

«Un homme de gauche, ce n’est pas nier la réalité. Il faut savoir ce qu’on peut faire. Se donner une ambition un peu au-delà, disserte l’intéressé. Il faut dépasser le possible, mais pas promettre l’impossible

Dominique Strauss-Khan, num artigo que, em bom rigor, é uma boa boste.

Os europeus


Fonte: Guardian ICM poll of Britain, France, Germany, Spain and Poland

11.3.11

Quem põe o dedo no ar?

A propósito deste texto de Rui Herbon no Jugular, alguém devia lançar o seguinte repto (pelos vistos é o que estou a fazer) aos jovens que se revêem nas reivindicações da "geração à rasca" (bolas, por muito que não me identifique com eles, mereciam um epíteto com outra dignidade, vá, com mais estilo): quem teve uma vida mais difícil do que a dos seus pais ponha o dedo no ar. Intuo que sobrariam menos do que os necessários para encher um autocarro. Olho à minha volta e dificilmente encontro, de entre os meus conhecidos e amigos, quem tenha razões para desejar trocar percursos de vida com os seus pais. Claro que isto do meu universo de amigos e conhecidos vale o que vale e, em bom rigor, não deslegitima as suas reivindicações e aspirações. No entanto, retira-a do absurdo guarda-chuva do confronto geracional. Ideia perigosa.

9.3.11

Para mais tarde recordar

Discurso da tomada de posse na integra. Espero que a história faça justiça a este discurso de Cavaco Silva.

Faz mais ou menos dois anos que saí do armário

Calma... bloggicly speacking, claro. "Not that there's anything wrong with that".

Para arrumar as ideias

"Aquilo em Viseu foi um Horror...". Ferreira Fernandes, no Diário de Notícias.

Newsweek

Miguel Esteves Cardoso escreve hoje que a nova Newsweek está melhor do que nunca. Tina Brown explica aqui como já é a nova revista. A explorar quando houver tempo.

Tacticismos

"Podemos gostar mais ou menos da táctica que cada partido assume, considerar que a mesma se adequa mais ou menos ao que o país precisa. Não podemos é considerar que uns agem de forma táctica e outros de forma responsável.", escreve o João Ricardo Vasconcelos, no seu Activismo de Sofá.

Caro Ricardo, colocas bem a questão mas retiras, na minha opinião, a conclusão errada. O juízo de adequação da táctica às necessidades do país é, precisamente, uma das ferramentas fundamentais que temos para avaliar da (ir)responsabilidade da acção partidária. Claro que o que sejam as necessidades do país não será consensual entre os diferentes quadrantes partidários. Mas sempre haverá mínimos denominadores comuns entre todos (eu diria que neste momento a estabilidade governativa devia ser um desses mínimos). Entre as esquerdas, a indesejabilidade de a direita ir para o poder no actual contexto de austeridade, onde não perderia a oportunidade para pôr em prática as suas neosoluções neoliberais, devia ser outro desses mínimos. Se fores capaz de dizer que uma e outra (a estabilidade governativa ou a possibilidade de a direita ser governo nesta altura) te é indiferente, compreendo que não julgues irresponsável a moção de censura do BE. Caso contrário...

25.2.11

Duas ou três coisas vistas da América

Conheço-o apenas há uns poucos dias mas tenho gostado bastante do que tenho lido por aqui, o blog de uma exilada em Washington [mais um(a)]. Textos que acompanham a actualidade noticiosa, com ênfase para a americana, escritos em excelente jornalês. Ou não fosse a pessoa em causa em tempos uma das jornalistas políticas mas famosas do exágono, que abandonou a ribalta do jornalismo político (mas não a carreira) quando (e porque) o seu marido integrou o governo de Lionel Jospin como ministro das Finanças, esse mesmo: monsieur Strauss-Khan, hoje, vocês sabem. Anne Sinclair.

23.2.11

Histórias de coragem: uma das minhas preferidas

"Nataliya Dmytruk is a former sign language interpreter on the Ukrainian state-run channel UT1 news broadcasts. Dmytruk became famous for refusing to translate the official script during a live broadcast on November 24, 2004 that announced Viktor Yanukovych as the winner of the presidential election. Instead of signing the official script, Dmytruk instead signed to viewers "Our president is Victor Yushchenko. Do not trust the results of the central election committee. They are all lies".Dmytruk's act of defiance has been regarded as one of several catalysts for many Ukrainian journalists who subsequently rejected doctored news reports in favour of a more balanced reporting.

Wikipedia

Histórias de coragem

Líbia: Militares despenham 'caça' para não bombardear cidade

Foi há 30 anos. Aqui mesmo ao lado.





A não perder (para arrumar as ideias)

"as revoluções árabes, a diplomacia e a demagogia do parlamentarês "

""Luís Amado acusa Ana Gomes de distorcer as suas declarações sobre a Líbia": Parece inevitável que o debate político se esteja a transformar aceleradamente numa farsa. Uma farsa é uma situação em que uma variedade de planos, que coexistem na realidade-real, são rebatidos num único nível, como se a realidade tivesse uma única camada, como se todos falassem das mesmas coisas, tivessem os mesmos papéis a desempenhar e as mesmas responsabilidades. Uma farsa resulta de os actores falarem como se a realidade fosse assim plana, quando os que observam sabem e compreendem que as coisas não se passam assim."

Ler o resto, s.f.f.

À falta de interlocutores para um diálogo à esquerda, parece-me inevitável

Marques Mendes defende pacto de regime entre PS e PSD em algumas áreas estruturantes para o país.

22.2.11

Sem embargo

A editoria política da Antena 1 tem um novo blog, "Sem embargo". Posts curtos e pertinentes, diria destinados a ajudar na triagem da voragem informativa a que temos direito. Resiste, e ainda bem, à prolixidade tão característica dos canais com vocação informativa. E publicam pela manhã a agenda política do dia. So far so very good.

Descarreguei as fotos do telemóvel: o Outono em Lisboa foi assim





















20.2.11

Filmes que me educaram politicamente



"Missing is a 1982 American drama film directed by Costa Gavras, and starring Jack Lemmon, Sissy Spacek, Melanie Mayron, John Shea and Charles Cioffi. It is based on the true story of American journalist Charles Horman, who disappeared in the bloody aftermath of the US-backed Chilean coup of 1973 that deposed leftist President Salvador Allende."

"The film was banned in Chile during Pinochet's dictatorship, even though neither Chile nor Pinochet are specifically mentioned by name in the film (although the Chilean cities of Viña del Mar and Santiago are)."

"Both the film and Thomas Hauser's book The Execution of Charles Horman were removed from the market, following a lawsuit filed against Costa-Gavras and Universal Pictures's parent company MCA by former Ambassador Nathaniel Davis and two others. A lawsuit against Hauser himself was dismissed because the statute of limitations had passed. Davis and his compatriots lost the lawsuit. After the lawsuit, the film was again released by Universal in 2006"

Wikipedia


Adenda: Não conheço quase ninguém que tenha visto este filme. O que estavam, afinal, todos a fazer naquela tarde de sábado de 1986 em que este filme passou na RTP*?

* Bem sei que foi impressionante mas, como é evidente, ignoro se era sábado, de tarde, ou mesmo 1986. Mas tenho a certeza que era na RTP...

16.2.11

Olvido

"Era já inverno quando os quatro arguidos foram julgados por três juízes e absolvidos. A ausência de prova produzida na audiência foi manifesta. Não houve comunicados. Nem da polícia nem do tribunal. Talvez por ser inverno, a absolvição não foi notícia"

Creio que é também por casos como este que, em Espanha, se tem debatido vivamente a questão do direito ao esquecimento na Net e a tensão entre este e a liberdade de expressão e o direito à informação. A polémica foi reanimada com a decisão da Agência de Protecção de Dados, que se pronunciou favoravelmente a que o gigante Google fosse obrigado a omitir nas suas pesquisas a referência a determinados sites. Seria, porventura, o caso dos quatro cidadãos referidos na citação supra (supra, ahah), presumidamente tidos como autores de um violento incêndio, facto abundantemente noticiado, mas que no final foram absolvidos. Com a habitual discrição. Numa qualquer pesquisa sobre esses cidadãos o mais natural seria que os resultados sugerissem o seu envolvimento naqueles crimes. O que de facto aconteceu num determinado momento mas que conta apenas parte de uma história. E esta meia história pode revelar-se atentatória do bom nome, da imagem, da dignidade dessas pessoas. Vale a pena acompanhar o debate que está a acontecer por lá. Que é o mesmo que cá. E se cá nevasse fazia-se cá esqui.

15.2.11

Eu temo

“A minha concordância com a petição tem a ver com a necessidade de os órgãos políticos e outras entidades que superintendem os destinos deste País poderem surgir com a maior das transparências relativamente à opinião pública. É um pouco aquela ideia de que quem não deve não teme”, afirmou o juiz, referindo-se à petição do Correio da Manhã a favor da criminalização do enriquecimento ilícito.

“A ideia de quem não deve não teme” aplicada à justiça penal (ainda por cima vinda de um magistrado) é das ideias mais perturbadoras para quem tem uma certa ideia do Estado de direito. Um chavão que contém, em si mesmo, a negação de qualquer direito à reserva da vida privada; que nos desprotege da arbitrariedade do poder do Estado em entrar pela nossa porta adentro; que parece ignorar que os efeitos da justiça não se confinam às paredes do tribunal nem tão pouco aos termos da sentença judicial mas começam a produzir-se desde o início do inquérito (ou, talvez mais apropriadamente, desde a primeira notícia sobre o inquérito). “Quem não deve não teme” é próprio de um sistema que pretende realizar a justiça com base em presunções (aliás, “quem não deve não teme” é, ela mesma, uma presunção). Uma justiça assim, transforma o juíz numa espécie de contabilista. Eu temo. Temo, e se algum dia o Estado e a justiça pretenderem dizer que também devo, gostaria de saber que teriam de demonstrá-lo primeiro.

14.2.11

Só ontem vi este filme. Para mim é tão recente quanto o último do Woody Allen. Diálogos e monólogos fascinantes. Não sendo este sequer dos melhores

Já agora...

... um exemplo, um único exemplo de um país que tenha sido afectado pela crise e que esteja a fazer-lhe face com recurso a uma política de não austeridade? Ou significativamente diferente da que tem sido seguida por Portugal nos últimos meses? Hum?

Lá, como cá, como em todo o lado

"Os cortes orçamentais para efeitos da redução do défice público chegaram aos Estados Unidos. Até 2015, a administração promete fazer baixar o défice dos actuais 9,5 para três por cento do produto. Na América, como na maioria dos países europeus, a crise financeira de 2008 obrigou os estados a aumentar os gastos para aquecer a economia ou para mitigar danos sociais e chegou a hora de pagar a factura."

Editorial (link para assinantes) do Público de hoje.

Arriscar ângulos novos

E porque é que a integração profissional dos que têm um diploma universitário deveria ser muito mais fácil ou estável do que a dos que têm menos habilitações? Claro que o investimento que é feito nos estudos tem implícita uma expectativa de um retorno superior. Mas ele verifica-se. Mesmo no actual contexto de crise. Estudar compensa. Nisto, os números são inequívocos (ver references). Melhores salários e mais rápida inserção no mercado laboral. Disto isto, “having said that”, porque é que a estabilidade contratual deveria ser um privilégio dos diplomados. Estes estarão até mais bem equipados para reagir em caso de desemprego, como também o provam os dados sobre o tempo de espera dos licenciados, muito inferior aos restantes desempregados. Assim, arriscaria dizer que até é bastante de esquerda (e eu gosto de dizer coisas de esquerda) verificar que quem mais precisa é quem está contratualmente mais protegido da instabilidade laboral.

Ainda no outro dia estive uma boa parte do almoço a tentar explicar porque é que, apesar de achar a música feia para burro (aquele arraçado de fado…), considero que a letra espelha angústias importantes de parte desta (a minha também) geração. Não raro, sinto-me um autêntico Zelig.

References:

“Francisco Lima, que no ano o passado fez um estudo para o INE sobre a relação entre a qualificação e a rapidez com que se entra no mercado de trabalho, não tem dúvidas. Dois anos após terem terminado o ensino, mais de 40 por cento dos jovens com o básico ainda procuravam emprego e apenas 25 por cento dos licenciados permaneciam nessa situação.”

“O último relatório da OCDE Education at a Glance também é claro quando diz que Portugal é o segundo país da organização, a seguir ao Brasil, onde o prémio salarial dos licenciados que entram no mercado de trabalho é mais elevado. Quem faz uma licenciatura ou um grau mais elevado ganha duas vezes mais do que a média. E comparativamente aos que não foram além do secundário ou de um curso profissional, o ganho é 80 por cento superior."

WCCCB


Também amanhã, planeio demonstrar porque Javier Cercas é do caraças. Do prólogo da Anatomia de um Instante

Acho que amanhã vou escrever um post sobre esta coisa em torno da música dos Deolinda

11.2.11

Somos todos egípcios? Dúvidas

"Somos todos egípcios", lê-se um pouco por todo o lado. A minha pergunta é. Não deveríamos era ter sido egípcios nos últimos 30 anos, quando estavam a sofrer? A nobreza da expressão não reside, precisamente, em manifestar solidariedade para com essa condição ou, pelo menos, a sua iminência ou risco? Não foi essa a mensagem que Kennedy pretendeu transmitir quando disse que éramos todos berlinenses (embora não em português, mas em alemão). “Éramos” eram todos os povos livres, que se solidarizavam com a ameaça à liberdade que pendia sobre os berlinenses ocidentais. Ou estou a ver mal a coisa? E agora vou fazer uma coisa parva, que é lincar um post de Irene Pimentel, em que faz precisamente o que estou a questionar. E isto devia ser o suficiente para meter a viola no saco. Mas aqui estou eu...

Bons tempos para se estar vivo

Em toda a minha existência (cujo início remonta a meados dos anos 70), só assisti a transições para democracias. Nunca o contrário.

Le roi est mort, vive... vive qui?


Hosni Mubarak cede, finalmente, o poder. Mas sabiam que na Noruega os piores criminosos cumprem pena numa ilha-prisão: sem grades, muros ou guardas armados? Tudo, no Spiegel international, em língua inglesa.

10.2.11

Opiniões

"Na minha modesta opinião" é das formas menos modestas que conheço para exprimir uma opinião. Isto, claro, no meu humilde juízo.

9.2.11

Finger, Peter Bofinger


Parece que Axel Weber, o mais forte candidato à sucessão de Trichet à frente do BCE vai desistir da corrida. Não posso dizer que tenha muita pena. Já há alguns nomes a circular para substituto de Weber. Permito-me fazer a minha sugestão a Merkel, no mesmo espírito com que ainda no outro dia a chefe de Governo alemã sugeria uma alteração à Constituição portuguesa.
Peter Bofinger. Wikipedia: Peter Bofinger (born September 18, 1954) is a German economist and member of the German Council of Economic Experts. He is the only proponent of Keynesian economics in this council.

Por mim, não pensava mais no assunto.


Como é que se chama quando se ultrapassa o ultraliberalismo pela direita?

"Até mesmo para uma teoria muito liberal, estas [os défices crónicos das empresas de transporte colectivo) são perdas que têm de ser assumidas". Paulo Rangel, na tv.



Via Câmara Corporativa

As melhores e as piores notícias do dia

Weber desiste da corrida para a sucessão a Trichet no BCE

El Bundesbank confirma que Weber mantiene su candidatura a presidir el BCE.

À suivre

Sempre a aprender com os idosos. Com Roth, Larry David, ou com a velhinha de Northampton

"Ontem, a decadente Northampton aqueceu os corações dos noticiários mundiais. O assunto? O herói improvável. Sigamo-lo por uma câmara, numa esquina da velha Gold Street. De manhã e em dia de trabalho, três scooters e seis jovens investem contra uma joalharia. A loja está blindada, mas os jovens batem com marretas nas montras. Ninguém ousa fazer nada (a não ser o já instintivo filmar de telemóvel...). Mas eis que pela rua vem Ann Timson, septuagenária reformada, casaco vermelho de hussardo. Ela carregava porque não perguntou o que a sua rua podia fazer por ela - sabia que ela tinha de fazer pela sua rua. E até ia enganada: pensava que era altercação de jovens, um atacado por matilha. Em chegando, viu que era assalto. Não importa, era o mesmo, a rua a precisar dela. Ann levantou o saco das compras e espadeirou. Os bandidos tiveram o susto de ver coisa mais rara, hoje, que uma carga de brigada ligeira: um cidadão."

Ferreira Fernandes, claro, na sua coluna de opinião do DN.

O improvável (e maravilhoso) vídeo:

8.2.11

Porque se deve levar a sério a ameaça de moção de censura do PCP

É o que explica aqui, de forma cristalina, Paulo Pedroso. Os seis pontos deste texto são, aliás, uma síntese de quase tudo o que importa saber sobre o que faz correr o PCP. Em 2011. Tal como em 1975. And in between.

7.2.11

Já agora, o que é o Malaui?

Crime, dizem eles (não, não é no Malaui)

"Os professores estão a pensar avançar com uma queixa-crime contra o Estado devido aos cortes salariais."



Vantagens das ditaduras, dizem (entre muitos outros títulos possíveis)

Malaui quer criminalizar flatulência em público


«Chaponda (o ministro da Justiça e Assuntos Constitucionais) considerou que o mau hábito de libertar gases intestinais em público é uma consequência directa da democracia, sendo, em sua opinião, necessário que as pessoas aprendam a “controlar a natureza”.»


«Este hábito não existia nos tempos da ditadura porque os cidadãos temiam as consequências, mas desde que o país abraçou a democracia multipartidária há 16 anos as pessoas começaram a sentir que podem libertar gases em qualquer lado”, referiu o ministro da Justiça, que propôs a criminalização.»

4.2.11

Porque sim?

Porque não? Desculpa lá Domingos mas achei frouxo o argumento que apresentas a favor da redução do número de deputados.

Pelo contrário, vi bem sustentada a tese de que um maior envolvimento dos eleitores na escolha dos seus representantes por via do voto preferencial (com o que também concordo) poderia aproximá-los do processo democrático. A referência que fazes de que a AR funciona mais como um conjunto de grupos parlamentares do que de deputados não conduz necessariamente à bondade da redução de eleitos. Quando muito, remete para uma vaga ideia de eficácia dos trabalhos parlamentares. Mas, a ser verdade, julgo que isso confrontará mais os partidos com as suas práticas (e com a eventual necessidade de as mudar) do que com eventuais debilidades do sistema eleitoral.

E quando falamos de proporcionalidade convém sabermos exactamente do que falamos.

Proporcional à dimensão do país? Mas no que diz respeito ao rácio de número de deputados por habitante estamos abaixo da média europeia, nomeadamente em relação aos países com dimensões semelhante ao nosso (temos 1/43 mil hab, sendo a média de cerca de 1/38 mil; aliás, dos dez países com dimensões semelhantes à nossa, apenas dois têm um rácio mais elevado). Esta seria sempre comprimida com tal medida.

Proporcionalidade como garante de uma maior diversidade partidária no Parlamento, retratando mais fielmente a pluralidade de sensibilidades políticas e ideológicas no nosso país? Dificilmente essa não seria afectada. Pelo menos se não se mexesse significativamente na dimensão dos círculos. Mas aí, ao tornar maiores os círculos, estaríamos a contribuir para afastar os eleitos dos eleitores, ou não?

Proporcionalidade das várias regiões do país? Bem, não sei que dizer relativamente a estas mas intuo que também não seria beneficiada por esta mudança.

Assim, todas estas dimensões parecem-me mais ou menos intensamente afectadas pela redução do número de eleitos. E esta é feita exactamente em nome do quê? Da uma ideia de eficiência, cortando no número de representantes como se fossem membros de um qualquer conselho de administração.

Ora, parece-me que a diminuição do número de deputados sacrifica muito em nome de muito, muito pouco. E, ainda que seja um mero exercício de estilo, “porque não” é o oposto daquilo que seria necessário para fundamentar uma alteração destas. Agrada-me pensar que a inversão do ónus da prova ainda não chegou ao domínio constitucional.

A aquecer os motores para o NAO

Eu sei que há o Egipto, a crise das dívidas soberanas, o aumento do petróleo e das matérias-primas (primas de quem?). O défice, o desemprego, o crescimento. O Estado Social. Há isso e muito mais. Sempre haverá. E é por vos saber concentrados em tão importantes matérias que partilho convosco algo que, não estando no topo das prioridades mais prioritárias, vem fechar um longo e tormentoso percurso de dúvida de origem linguística. Que resumo. Guê ou gê? Guê, claro, respondo intuitivamente. Sem claudicar ou margem para hesitações. E assim seria, se não fosse a GNR... Sempre o raio da GêNR. Ora, parece que vários especialistas (entre os quais não me lembro) consideravam como possível a designação de gê ou guê para a letra G. Aliás, possibilidade análoga admitiam (???) para a letra F (fê ou efe) ou para a letra L (lê ou ele). Parece que era muito útil para as crianças aprenderem o alfabeto nos primeiros anos escolares. Concluamos. O maravilhoso novo acordo ortográfico não foge a esta questão e aceita a dupla designação para a letra G. Quem quiser dizer GuêNR, sinta-se, por isso, à vontade. Acaba, todavia, e para bem das gerações vindouras, com o fê e o lê, aceitando, unicamente, o efe e o ele. Para curtir mais, é só vir aqui.

Por outro lado...

O O' Reily podia estar a confundir Amsterdam com Hamstredam. Deve ser isso.

1.2.11

Meryl Streep

Com orelhas de burro, talvez deva confessar (mas porquê? que idiota!) que, contrariamente ao que dei a entender, me lembrava perfeitamente daquele filme dos ABBA que ela fez recentemente e que, arghhhh..., se inclui entre os filmes que, não obstante e verdadeiramente, se enquadram naqueles que não são excluídos a título de excepção da afirmação genérica de que, genericamente, gostei de todos os filmes da Meryl Streep.

Morte de John Barry...

... o compositor que criou, entre outras, a banda de "África Minha". Aproveito para dizer que nunca vi tal obra. Mas lamento-o. Acho eu. Gosto do Robert Redford. Menos da Meryl Streep (bule um poucocinho com o meu sistema nervoso, embora goste de quase todos os filmes que dela vi, como o "Kramer contra Kramer" e a "Escolha de Sofia", não me lembro de outros, além de que a confundo com alguma frequência com a Kathleen Turner). Também nunca vi o Titanic. Mas tenho grande orgulho nisso. E há outros.

Sem preconceitos




A crónica daquele que foi o director do Expresso durante tantos e tantos anos (bem sei que a pergunta é feita diariamente pelas mais diversas pessoas de bem mas: como foi isto possível?). Que eu desse conta, já foi, muito apropriadamente, evidenciada aqui e aqui. Destacando o parágrafo que, ainda assim, é insuficiente para sintetizar toda a parvoíce que se pode encontrar num único naco de prosa (odeio esta expressão; preguiça...). O destaque vai, muito merecidamente, para este excerto:

"O serviço militar obrigatório acabou sem qualquer debate público, como se fosse uma coisa sem importância nenhuma. Ora, para muita gente, era uma directriz. Havia jovens vindos da província que tomavam na tropa o primeiro banho! E às vezes aprendiam ofícios - como cozinhar ou conduzir - que lhes davam uma ferramenta para a vida, além de regras de disciplina que ficavam pelo tempo fora. Este jovem que estava em Nova Iorque com Carlos Castro - que terrível coincidência a proximidade entre as palavras Castro e castrado - noutra época estaria a cumprir o serviço militar e não teria dado cabo da vida."

Mas a minha parte favorita é esta pequena pérola:

"Observemos agora estes factores um por um, independentemente da opinião que tenhamos sobre eles."

Observemos...

"A família era a primeira rede caso um indivíduo caísse do trapézio. Ora, a família tradicional afundou-se. Repare-se que Renato pertence a uma família desagregada."

"Passemos à escola. Que, inegavelmente, perdeu autoridade. Perdeu autoridade como um todo e os professores perderam autoridade. A bagunça instalou-se"

"Olhando agora para as Forças Armadas, que eram uma reserva da nação , perderam toda a relevância. Por outro lado, o serviço militar obrigatório acabou sem qualquer debate público, como se fosse uma coisa sem importância nenhuma. Ora, para muita gente, era uma directriz"

"A Igreja Católica também contribuía decisivamente para a integração social das pessoas - e para uma certa igualdade. Perante Deus, todos são iguais: o pobre e o rico, o novo e o velho, o doente e o são. E a interiorização dos Dez Mandamentos fornecia um conjunto de princípios de convívio em sociedade: não matarás, não roubarás, não cobiçarás a mulher do próximo, etc."

"O Estado tinha uma imagem forte que foi perdendo (...), consequência da própria democracia, mas também de um abaixamento da qualidade dos políticos e dos governantes, que deixaram de ser pessoas respeitáveis e com qualidades reconhecidas pela sociedade para serem, muitas vezes, carreiristas."

E muito mais... Isto, claro, "independentemente da opinião que tenhamos sobre eles", como diz o ex-arquitecto (baralhei-me). É a"Política a sério", nome da coluna de opinião deste génio. Agora é imaginar como seria a brincar... (três reticências; no limbo.... bolas; ponto final).

26.1.11

Os novos tempos

O individualismo foi, nos dias de hoje, substituído pelo indivirtualismo.

Casamento entre pessoas do mesmo consulado

É sempre surpreendente verificar como é que o senso comum, ou o senso feito do saber comum, pode andar tão distante da verdade. Como tão bem prova este texto de Isabel Moreira. E de repente, o que antes parecia errado, passa a estar certo. E vice-versa. Viva o conhecimento.

Obamas's cunning plan

"By playing this rope-a-dope, Obama has positioned himself well to push back hard against the conservative agenda. Having refused to offer Republicans the cover they crave for “entitlement reform,” while offering his own modest, reasonable-sounding deficit reduction measures, he’s forcing the GOP to either go after Social Security and Medicare on their own—which is very perilous to a party whose base has become older voters—or demand unprecedented cuts for those popular public investments that were the centerpiece of his speech. Either way, in a reversal of positions from the last two years, Obama looks like he is focused on doing practical things to boost the economy, while it’s Republicans who are talking about everything else. Boring it may have been, but as a positioning device for the next two years, Obama’s speech was a masterpiece."

Aqui.

Como nasceu o mais conhecido festival de BD da Europa

A história contada aqui. Aos quadradinhos, evidentemente. Très cool.

Não ficará para a história mas esta é uma das razões por que gosto (cada vez mais) de Obama

"Several Democrats, speaking on condition of anonymity, expressed disappointment that Obama didn’t capitalize on the good will after his moving memorial speech in Tucson days after a gunman shot Rep. Gabrielle Giffords (D-Ariz.) and killed six bystanders. Obama acknowledged her empty chair but he quickly pivoted to maintaining America’s capacity to compete economically against other countries." (here)