13.10.11
Duas formas de olhar para o mesmo acontecimento político:
- De um blog: A França por vezes ilumina
Isto não implica um juízo sobre a qualidade dos dois textos. Queria apenas notar o contraste entre o texto jornalístico e a opinião registada num blog. É evidente que este contraste é tão natural quanto necessário, atendendo à natureza (um jornalístico, o outro opinativo) de cada um dos textos. O que estranho é que, apesar do relato factual da notícia, senti-me muito mais informado com a apreciação feita pelo Porfírio Silva. Se calhar tem a ver com o tipo de informação que procuro. Mas não excluo que reflicta também um certo jornalismo dominante, nomeadamente no jornalismo político, que enfatiza (e às vezes reduz) a tensão, desvalorizando as pontes, a unidade. Como ilustra na perfeição o título da peça do Público e que, a meu ver, não tem correspondência com o que vem no texto.
12.10.11
"Look at me! I am man! I am you!"
serras, no Serras.
Serras, o problema não é o facto de ele ainda ter credibilidade junto da opinião pública e da comunicação social. Há malucos para tudo. Além disso, isso reflecte as inevitáveis (e desejáveis) diferenças com que cada um de nós interpreta a vida em geral, e os factos e personagens políticos em particular. Algo que foi esquecido vezes demais nos últimos anos, em que não faltaram as vozes a reivindicarem uma unanimidade sobre o carácter de um homem e das suas políticas, ele por acaso primeiro-ministro, a encarnação do político por excelência, por acaso também alguém (ou um cargo) que deveria ser foco obrigatório de discórdia e do dissenso público.
O verdadeiro mistério é, como bem assinalas, a bajulação dedicada a esta personagem e, como notas também (no fundo, já disseste tudo; mas apeteceu-me escrever), a ausência de crítica e de escrutínio à sua persona e actividade política. No fundo, o ódio a Sócrates e a divinização de Cavaco são duas faces da mesma moeda, da mesma má moeda, uma forma de ver, e de exigir que todos vejam, a política e os políticos como unidimensionais. Mas como diria o George Costanza, eles são pessoas. Eles são nós (imaginem por favor vídeo a ilustrar a citação; só arranjei isto).
10.10.11
Fazer minhas as palavras dos outros
Primárias e primários
Socialistas franceses decidem candidatura presidencial com "primárias" abertas a não militantes.
«Pela primeira vez em França, a escolha de um candidato socialista à presidência poderá ser feita por qualquer eleitor que pague um euro e que assine um papel a dizer que partilha "os valores da esquerda e da República". A inovação valeu uma exposição mediática inédita dos candidatos, com audiências televisivas recordes para debates políticos entre candidatos da mesma família política.»
Por cá, foi pena que, na última campanha para a liderança socialista, esta possibilidade de maior osmose entre partidos e cidadãos tenha sido descartada com demasiada facilidade, ainda por cima atropelada por um apelo demagógico contra "a invasão do PS pelos estranhos". Neste ponto concreto, Seguro esteve mal, usando uma receita que não é nova no PS (matar debates para atalhar votações). Espero que um dia, mais cedo do que tarde, a actual liderança do PS faça a Assis a justiça de lhe repegar a proposta e colocá-la a debate, dessa vez com seriedade.
Palavras de Porfírio Silva, no sempre excelente Machina Speculatrix
7.10.11
Espero sinceramente que o meu francês esteja mais enferrujado do que eu penso. Razão tem o João, que sempre denunciou a fraude que é Royal
"Oui 'faire pour les enfants de France ce que je veux pour mes enfants'. On a vu ce que la droite a fait de l'école. Ça ne fait pas rire."
Ségolène Royal, candidata à nomeação do PS francês às presidenciais do próximo ano.
5.10.11
29.9.11
27.9.11
Formar uma opinião é bem mais difícil do que, genericamente, se crê (acho que esta última parte é português. Mas não devia)
Sentido de humor
9.9.11
29.8.11
Lunch break
Hora de almoço. Ir a casa. Estava bom, obrigado. Ligar a televisão. Campeonato do mundo de atletismo (e em directo). Final dos 100m feminina. Reconhecer, por incrível que pareça, uma ou outra cara. A vitória da norte-americana Carmelita Jeter mas isso pouco importa (nem foi uma prova particularmente notável, exceptuando o facto de esta já ter entrado nos 30, embora o que seja isso para quem é do tempo da fabulosa Marlene ottey...). Apanhar um lançamento do peso feminino. O lançamento do peso é uma prova chata. Desde que, claro, não se veja mais do que três minutos. Ao segundo lançamento, já é assim-assim. No terceiro, já sou um candidato a especialista na modalidade. E o terceiro foi mesmo um espectacular ensaio da neo-zelandesa. Depois veio a final dos 110m barreiras. Emocionante q.b. Mas uma pessoa não chega aos trinta e tal sem carregar consigo umas quantas memórias. E se há área em que estas memórias se manifestam é, como se sabe, nos 110m barreiras. O mesmo é dizer: Colin Jackson. Um dos meus atletas preferidos de todos os tempos. Fim da pausa para almoço.
22.8.11
Por outro lado, é tudo uma questão de expectativas
1.8.11
Freguesias do "desassossego", "Camões", "Liberdade"...
26.7.11
Avant de plus
Querido blog:
Não procurarei outros. Ser-te-ei fiel, isso posso garantir-te. Sei que posso esperar o mesmo de ti (até porque sou o único detentor da password. mas sei que não é por isso).
Apenas para que fique claro, querido blog: o problema não és tu, sou eu.
25.7.11
A todos os outros, muitas nuvens e aguaceiros (fracos, que eu não sou pessoa para invejas e desejar o mal dos outros)
29.6.11
Sem ser a parte do "ousadamente imaginativo", é como olhar para o espelho
"A questão Finkler", Howard Jacobson, alguras nas primeiras páginas.
25.6.11
Um país de vips
15.6.11
Estado clínico deste blog
8.6.11
Melhor do que o silêncio só João

7.6.11
2.6.11
Pirraça

Nas nossas mãos
Também está nas nossas mãos contribuirmos para uma sociedade mais participativa e mais exigente; está nas nossas mãos (dos empresários, dos trabalhadores, dos consumidores) a dinamização da economia nacional, com os reflexos que isso pode ter no crescimento e na criação de emprego; está nas nossas mãos sermos menos complacentes para com a corrupção, a fraude e a elisão fiscal; está nas nossas mãos adoptar práticas mais amigas do ambiente e adquirir novos hábitos de consumo energéticos, como é o caso das energias alternativas (que, como se sabe, também tem reflexos económicos importantes, ao diminuir o nosso défice energético). Enfim, os exemplos são inúmeros. A realização do nosso sucesso enquanto país depende, em muita maior medida do que somos muitas vezes tentados a pensar, de nós, tendo o governo um papel muitas vezes residual.
Mas há assuntos que não estão nas nossas mãos. Cuja realização depende, em exclusivo, das escolhas do poder político. São os tais assuntos que deviam reunir um apoio particularmente alargado da comunidade e dos partidos mais representativos dos portugueses.
E é precisamente nessas áreas que o PSD pretende tudo alterar (e não é por acaso que as propostas liberais-radicais de Passos Coelho nunca foram tentadas antes pelo próprio PSD). É o caso do Serviço Nacional de Saúde, é o caso da Escola Pública (assim, com maiúsculas) e é o caso da Segurança Social Pública.
Se mexerem nisto, nada estará nas nossas mãos (nada poderemos fazer para evitar que a Saúde e o Ensino públicos se tornem, a pouco e pouco, serviços cada vez mais pobres, destinados aos mais pobres). E se isso acontecer, nada será como dantes. E depois será tarde demais para se voltar atrás.
1.6.11
Do esforço contínuo que, como dizia (acho que) Mark Twain, temos de fazer para ver aquilo que está mesmo à frente do nosso nariz
Pedro Passos Coelho, no Twitter
O líder do PSD regressa ao tema do 'só havia dinheiro até ao final de Maio', que, para alguns, é prova de qualquer coisa terrível sobre este governo. Ora, o 'não haver dinheiro', anunciado por Teixeira dos Santos, resultou, apenas e só, de que, a partir do momento em que o PEC IV foi chumbado, Portugal ficou de fora dos mercados de divida. É só isto. Qualquer país que tenha necessidades de financiamento líquidas fica 'sem dinheiro para assegurar as funções básicas' se lhe acontecer o mesmo. Sem que isto nos permita fazer qualquer juízo (negativo ou positivo) sobre o comportamento desse mesmo governo.
Da desinformacão, João Galamba
28.5.11
Aceitem um conselho

Na estranha eventualidade de vos parecer engraçado, querido, ou até uma boa ideia, entregarem a vossa cabeça às mãos de uma criança de cinco anos (mesmo que quase seis) com uma máquina destas, deixem-me alertar-vos: não é. Digo-o do alto da minha recém-adquirida (mais ou menos oito horas) autoridade na matéria.
27.5.11
Este post não é sobre Cavaco
Palavras que me fascinam (ou o contrário, não sei bem)
Respeitar os cidadãos
De que falamos quando falamos de cidadãos proporem um referendo? Falamos da possibilidade que a lei oferece a grupos de cidadãos de iniciarem um processo legislativo, por norma reservado aos partidos representados na AR (ou ao governo), que poderá ou não culminar numa proposta de referendo dirigida ao Presidente da República (a quem cabe a decisão final).
Estes são os únicos direitos que assistem aos cidadãos que patrocinem uma iniciativa de referendo: iniciar um procedimento e que o Parlamento tome uma decisão sobre o assunto em causa.
Nunca mas nunca mas nunca têm o direito a que a AR aprove esse referendo. Permitir que 75 mil cidadãos (ou 80, 100, ou 200 mil, etc.) pudessem condicionar a vontade da maioria dos cidadãos, representados no parlamento pelos deputados, eleitos por milhões de pessoas, seria, pense-se um bocadinho, ofender a democracia e o princípio maioritário de forma chocante. Isso sim, seria um desrespeito pelos cidadãos.
Esta á, aliás, uma ideia que volta e meia surge no espaço público, por vezes pela voz de insuspeitos especialistas. Ainda no outro dia, o sociólogo Villaverde Cabral queixava-se na rádio da ineficácia das petições (propriamente ditas), dando como exemplo a petição assinada por mais de 100 mil cidadãos (entre os quais o próprio Villaverde Cabral) que reclamava a revogação do Acordo Ortográfico, cuja pretensão não tinha sido acolhida pela AR. Achar que uma pequena elite de cidadãos mais activos devia condicionar de forma definitiva o Parlamento é que seria uma ofensa grave ao princípio geral de que as escolhas numa democracia são tomadas pela maioria.
Sinto que vos maço.
Um texto sincero e honesto (este, o meu)
i) O costumeiro ódio por José Sócrates e pelo PS, que cega o autor no momento de sustentar posições, estendendo-o inclusive a todos os que tenham o azar de (ainda que circunstancialmente) estarem do outro lado da sua razão;
ii) A ideia - já tantas vezes repetida por pessoas como JMF que começo a acreditar que acreditam mesmo nela – de que certas declarações de Passos Coelho (sobre a
lei do aborto; sobre Educação) não podem ser objecto de crítica porque são fruto da sua sinceridade e honestidade. Mesmo admitindo que são sinceras e honestas (a mim, pareceu-me mais oportunismo político, mudando uma posição de sempre numa tentativa de flirtar com o eleitorado de direita), desde quando é que isto inviabiliza o escrutínio destas ideias? Já pelo menos desde o projecto de revisão constitucional apresentado pelo PSD que isto sucede. Confrontados com as críticas, furtam-se à discussão da substância invocando um argumento moral (a honestidade; sinceridade; verdade). Ora, correndo o risco de desbaratar caracteres a dizer o óbvio, podem dizer-se muitos disparates de forma autêntica. Isso não faz, evidentemente, com que uma ideia estúpida se transforme numa boa ideia.
Repare-se que esta tese está, aliás, subentendida na defesa feita pelo próprio Passos Coelho, que se insurgiu contra as críticas dizendo que “não há tabus”. Pois não. É precisamente por isso que as ideias que Passos colocou em cima da mesma podem ser discutidas e criticadas;
iii) “[Passos] Não defendeu a realização de um referendo, mas foi acusado de o fazer. (…) Defendeu que a Assembleia devia respeitar as petições de grupos de cidadãos e foi acusado de conservadorismo”, diz JMF. Ora, isto toca num assunto que me é particularmente caro, as petições, ainda que não em sentido próprio (as minhas preferidas). Dedico-lhe o próximo post.
26.5.11
Do (des)interesse pela política
A minha dúvida é a seguinte: os 85% dos inquiridos que afirmam não ter lido sequer uma parte dos programas eleitorais de qualquer partido, referidos aqui pelo Pedro Magalhães, quer mesmo dizer que não se interessam pelos programas e pelas ideias de cada partido? É que é evidente que existem outras formas de tomar conhecimento das propostas eleitorais dos partidos, nomeadamente através da intermediação jornalística.
Pensando no meu caso pessoal, acho que só muito recentemente é que li um programa eleitoral de um partido político, tendo votado em quase todas as eleições com base na informação veiculada pelos media. E julgo que votei de forma esclarecida, pelo menos relativamente às questões que considerava fundamentais. Presumo que assim acontecerá com uma parte significativa das pessoas.
Annecy
25.5.11
Não fosse não ser obviamente o caso, diria que sou um valente mariquinhas
A embriaguez da Metamorfose

A política da marcescência

Qualidade, conhecida na botânica por marcescência, que impede a queda da folha caduca enquanto não brota na árvore uma nova promessa de folha. Como a folha que murcha, o governo acusará o desgaste de liderar o país numa conjuntura complexa, de grave crise nacional e, sobretudo, internacional. Mas resistirá à queda enquanto não houver uma alternativa equivalente que o possa substituir.
20.5.11
Dúvidas 2.0
Coisas
ps: esta história é absolutamente deliciosa.
Um escândalo descobrir isto sozinho
17.5.11
É uma coisa que me chateia, imputarem-me motivações
Mas se estas características até podem ser aplaudidas pelos apreciadores do marketing e da comunicação política, estranho é quando são encaradas como qualidades pelo eleitorado. Fará sentido depositar o voto em alguém com uma incrível capacidade de mudar de perfil, de discurso, com uma habilidade grande para se adaptar, para dar a volta e até ludibriar aqueles que o rodeiam? O voto assumido em animais políticos é, a meu ver, um dos fenómenos mais intrigantes do estudo dos comportamentos eleitorais. Se calhar chegámos a uma variante do mítico slogan político brasileiro: “aldraba, mas faz!”" (João Ricardo Vasconcelos, Activismo de Sofá)
Caro Ricardo*, se eu voto assumidamente num animal político, tu votas (presumo, claro) num enorme demagogo, que vende ilusões mas demite-se de apresentar qualquer solução viável no mundo real, ou, melhor dizendo, cujas consequências das suas propostas (se aplicadas) seriam um descalabro sem nome; que reclama uma pretensa superioridade de esquerda, que se diz coerente, mas que não hesitou em aliar-se à direita e à sua agenda, na desafectação de recursos para a escola pública em benefício do ensino privado, apenas pelo calculismo político de pretender cavalgar uma derrota do PS (quando estavam era a derrotar uma certa ideia de escola pública para o país); que, em nome da pureza ideológica, não hesita em correr o risco de entregar o país a um governo de direita (o mais à direita que este país já conheceu em democracia), o que, particularmente nesta conjuntura de crise/austeridade/fmi, pode ser trágico para o nosso modelo de estado social. Trágico e irreversível. Mas que importa isso, quando mantemos a pureza das nossas ideias, marimbando-nos, se for esse o preço a pagar, para o que venha a acontecer à realidade? Imagino que não vejas assim o teu voto nem seja isto que te mobiliza. Compreendo bem. No teu lugar, ficaria no mínimo irritado se alguém descrevesse nestes termos a minha motivação para votar. Agradecia que fizesses o mesmo relativamente a quem pensa de forma diferente de ti.
* Ricardo, reincido nesta espécie de picardia contigo. Mas é por puro gosto pelo debate, como tenho a certeza que sabes. Just in case...
13.5.11
Frases que não me saem da cabeça (repost)
Barack Obama
Via as coisas que ele tem andado a ler
Blogger/Editar mensagens/Rascunhos II:(repost)

Blogger/Editar mensagens/Rascunhos: (repost)
12.5.11
Frases que não me saem da cabeça
Barack Obama
Via as coisas que ele tem andado a ler
9.5.11
Repelências
"Ferro Rodrigues, uma figura absolutamente repelente da vida política portuguesa, acha, tal como Sócrates, que os portugueses são cobardes (eles lá sabem porquê). Por isso tentam ganhar votos gritando aos quatro ventos mentiras inomináveis sobre o programa eleitoral do PSD. Mas, enfim, as coisas são como são." Fernando Martins, Cachimbo de Magritte.
Bússula eleitoral
Rien n'atteste que les personnes qui touchent le RSA soient passives. Au contraire, elles font preuve d'une grande énergie pour surmonter la perte de confiance, éventuellement la honte de cette situation. Effectivement, les discours politiques ont créé une image très négative de personnes qui, dans leur très grande majorité, connaissent des difficultés sociales de différents ordres: manque de ressources, problème de transport, de santé, parfois isolement." Travailler pour «mériter» son RSA: «Une mesure incantatoire», Libération.
"Tributo solidário, através do qual se assegura que os beneficiários de algumas prestações sociais, nomeadamente do Rendimento Social de Inserção, prestam uma “actividade socialmente útil, em entidades públicas ou do sector social”, garantindo assim a manutenção de hábitos de trabalho" Programa do PSD (págs 89-90)
6.5.11
29.4.11
Debater o plafonamento da segurança social num parágrafo. Uau
(...) "Na semana passada foi o plafonamento da segurança social, que o líder do PSD resolveu apresentar como uma medida que visa acabar com as pensões milionárias. Ora, não só já existe uma limitação das pensões (12 IAS), como o plafonamento não é uma medida que visa limitar as pensões. Em bom rigor, o plafonamento pretende retirar do sistema salários acima de x, isto é, limita o valor das pensões, no futuro, e o das contribuições, no futuro e no presente. Independentemente dos juízos sobre a justiça desta proposta, ela tem custos de transição elevadíssimos, pondo em risco a solvabilidade do sistema. Mas o problema não é só que no longo prazo estamos todos mortos, é também o efeito redistributivo desta medida - no curto, no médio e no longo prazo. Dizer que salários a partir de x deixam de contribuir para o sistema de segurança social, implica um enfraquecimento da sua dimensão redistributiva, enfraquecendo a dimensão de solidariedade colectiva, intra e inter geracional, do actual sistema de segurança social. Eu sei que o PSD (e outros) tende a esquecer isto, mas as instituições do Estado Social não são apenas seguros e formas sofisticadas e eficientes de mutualizar riscos. São, acima de tudo, instituições que operacionalizam e dão densidade ao conceito de cidadania, algo que nenhuma análise de cash flows ou cálculo actuarial poderá alguma vez entender. O PS fez uma importantíssima reforma da segurança social. Foi uma reforma elogiada por todas as instiuições financeiras. E Portugal é um dos países onde a questão da solvabilidade da segurança social menos se coloca. Perante tudo isto, o que justifica o plafonamento? Tirando uma preferência ideológica pelo sector privado, nada." (...)
Então o TC declarou inconstitucional "uma escolha política clara do Parlamento"?
Apesar de a inconstitucionalidade ser ofensa mais grave prevista no nosso ordenamento jurídico para uma norma, o mais chocante foi mesmo o oportunismo político desta tentativa de última hora de agrado aos eleitores professores. Porque relativamente ao respeito à Constituição, é absolutamente normal que haja divergências acerca do que pode e não pode o Parlamento fazer.
Porém, o que já não é normal é dizer-se que suscitar dúvidas de constitucionalidade põe em causa a escolha feita pela Assembleia da República. Como se toda o espírito da fiscalização da constitucionalidade não decorresse precisamente da admissão de que o legislador pode aprovar leis que ferem a Constituição. Não é normal mas foi o que aconteceu. Sou forçado a recordar as recentes declarações de Pedro Duarte, competentemente registadas por mim próprio aqui há coisa de umas semanas.
Pedro Duarte, o ministro-sombra do PSD para a área da Educação, acaba de dizer na RTPN que a suspensão da avaliação dos professores (hoje aprovada pela oposição na Assembleia da República) "é uma questão política" e que, por isso, estranha que "o PS venha invocar eventuais ilegalidades e inconstitucionalidades" para pôr em causa "uma escolha política clara do Parlamento".
É também desta incultura democrática que é feito este PSD. Mas reconheço que ao pé das declarações de Miguel Relvas, Pedro Duarte até parece um senador da república.
28.4.11
26.4.11
Viva, viva

20.4.11
O dia em que espetámos os cornos no destino
"isto não acabou assim. No meio, erguemos um serviço nacional de saúde, que com todos os seus defeitos, até está entre os melhores do mundo; alfabetizámos, construímos a escola pública, democratizamos o ensino superior; garantimos uma segurança social universal; acabámos com a censura; deixámos de ter presos políticos; abrimos Portugal ao Mundo; e, para o mal ou para o bem, defendemos sempre a nossa democracia, com liberdade e pluralismo."
Das conquistas mais simbólicas, acrescentaria apenas a diminuição drástica da pobreza. [Longo parêntesis: hoje temos outra pobreza, felizmente muito, muito diferente daquela, visível em praticamente todos os cantos deste país. A miséria é, aliás, das imagens mais impressivas que me ficaram da infância. Da que via pela janela do carro (os bairros de lata), na escola (menos) ou nas muitas histórias que ouvia contar (de pais que poucos anos antes andavam quilómetros para ir à escola, descalços). Estas eram histórias banais na infância lisboeta de alguém que nasceu já depois do 25 de Abril].
E outra vez a liberdade. E outra. Liberdade. Podia ter sido o único ponto do programa do MFA e já teria valido a pena.
Às vezes perguntam-me porque desço a avenida no dia 25 de Abril. É por isto. E para agradecer a todos os que o fizeram (sim, também a ti, Otelo). Antes daquele dia. Naquele dia. Nos dias que se seguiram. E nos que se seguirão. Suponho que cada um tenha o seu 25 de Abril.
19.4.11
O mesmo problema. Duas formas de o enfrentar
- "A nossa margem de autonomia é muito estreita. Mas é por essa margem que os socialistas, mesmo com o FMI, devem afirmar a sua diferença. E a diferença passa por reformas capazes de relançar o investimento e o emprego, mas sobretudo pela capacidade de preservar, defender e valorizar o Estado Social. ". Manuel Alegre, discurso no Congresso do PS em Matosinhos.
18.4.11
Tribunal de Bruxelas decide hoje datas em que “Tintin no Congo” será julgado por racismo (repost)
16.4.11
Ainda a propósito da igualdade de género
14.4.11
Divagação com ponto de interrogação. Algures
Elogio do elogio do confronto
O vício da dúvida
13.4.11
As mentiras da democracia
Ideologia e pragmatismo
The Economist
12.4.11
Escrutinar os media
João Galamba, Jugular.
8.4.11
A partir do meu caso concreto, arrisco uma teoria
7.4.11
Culpas
Especial Informação
A trágica ironia
- a actual crise política foi detonada com a rejeição do PEC no Parlamento;
- a crise política é a causa directa do dramático agravamento da crise financeira das últimas semanas;
- a crise política e económica tornaram inevitável este pedido de ajuda externa;
- o recurso ao fundo poderia, muito provavelmente, ter sido evitado com a aprovação do PEC;
- contrariamente à esquerda, a direita, e muito em particular o PSD, sempre desejou este desfecho, que concretiza, assim, a vinda da sua agenda pela mão de terceiros;
Considerando tudo isto, não deixa de ser tragicamente irónico que a esquerda tenha contribuído decisivamente para a rejeição deste PEC e, assim, para a consumação da vinda do FEEF/FMI, que condicionará de modo indelével o país e as políticas públicas dos próximos (demasiados) anos.
A rejeição do PEC por parte da esquerda é uma escolha coerente, se atendermos exclusivamente ao plano das ideias. Contudo, as escolhas políticas têm consequências reais, por vezes contraproducentes, contrárias aos objectivos pretendidos. No lugar da austeridade rejeitada, terão (teremos todos) austeridade XXL. Vezes 2. E as consequências eram por demais conhecidas por todos. Se isto não é uma ironia...
6.4.11
XI legislatura - balanços
Coisas que me intrigam
O maravilhoso príncipe de Trofimova (pare ver de ouvidos bem abertos)
"Le trop petit prince", Zoia Trofimova, Folimage.
4.4.11
A política não é para meninas
Spiegel online, num texto sobre s sucessão no FDP (parceiro do governo de Merkel), depois do anúncio da saída de Guido Westerwelle
2.4.11
Debater a Constituição
Embora valha a pena explorá-la, valerá a pena reflectir sobre a ausência de um maior equilíbrio ideológico dos autores, sobretudo quando estamos a falar de um texto como a Constituição da República Portuguesa, o documento político mais importante da nossa comunidade.
1.4.11
A matter of trust
André Barata, Dez notas – não me atrevo a chamar-lhes “teses” – sobre o Problema Português (via Pedro Lains)
31.3.11
O homem invisível
30.3.11
Accountability
29.3.11
Contradições*
Ou isto, como denuncia Pacheco Pereira:
* a distinção pessoas e políticos era piada. Falhada, mas piada.
É isto!
“Caro José Neves, a resposta é simples: a esquerda que valoriza as declarações de Merkel é a mesma esquerda que, independentemente do juízo que possa fazer sobre as opções políticas da chanceler alemã e sobre a forma como esta tem influenciado a resposta europeia à crise, sabe que não haverá nenhuma solução europeia realista que dispense a Alemanha. Se me perguntarem o que penso das políticas da senhora Merkel, eu direi que são desastrosas e que se arriscam a lançar a Zona Euro numa recessão sem fim. Dizer que devemos 'bater o pé' à senhora Merkel, ou outra qualquer bravata inconsequente desse género, não invalida o facto de essa ser, hoje, a liderança que o país mais poderoso da UE escolheu e que, por isso, as suas posições - boas, más, pessimas, o que for - são, para quem tenha o azar de viver na realidade política que existe, aquelas com que temos de lidar.”
João Galamba, Jugular, num texto já com alguns dias.
Desculpem-me. É só para não me esquecer de ler esta entrevista
"Está um dia lindo, o sol brilha e parece que passámos do Inverno directamente para o Verão. Estão 20 graus lá fora, imagine só". Seguem-se descrições da fauna e flora que por estes dias aparece a desabrochar ou a pipilar pelo terraço de Howard Jacobson. Ao telefone a partir da sua casa em Londres, o escritor inglês, 68 anos, está bem disposto apesar de ligeiramente ressacado - "bebi uns copos ontem depois de uma palestra sobre censura". Goza ainda do estado de graça concedido pelo Man Booker Prize, distinção que recebeu em Outubro do ano passado à custa de "A Questão Finkler", livro que saiu na quinta-feira em Portugal. "O prémio fez de mim uma pessoa melhor mas calculo que por pouco tempo. Assim que os efeitos desta vitória se dissiparem vai voltar a amargura". É aproveitar.
Como é que o Booker mudou a sua vida?
Em termos muito práticos, vendo muito mais livros agora do que alguma vez vendi. Por exemplo: a cópia em inglês de "A Questão Finkler" vendeu mais de 400.000 exemplares, um número colossal e que significa que eu em breve terei vendido mais exemplares deste livro do que todos os meus outros 11 romances juntos. É óptimo ter leitores, não tenho de lhe dizer isso a si, certo? E é maravilhoso perceber que há gente a lê-lo no Paquistão e será traduzido para mais de 23 línguas.
Também lhe deve ter aumentado a confiança, certo?
Um alívio enorme. A partir de agora não tenho de me preocupar com ter ou não ter leitores e se posso viver da literatura. Em tempos angustiava-me ter um livro novo, ir a uma livraria e não o encontrar em lado nenhum. Isso agora já não volta a acontecer tão depressa - em Londres vi paredes inteiras forradas a livros meus.
É uma libertação.
E também é uma espécie de ressurreição dos meus livros anteriores. Estão de volta, têm capas novas, estão a ser publicados em mercados onde nunca chegaram, vão ser traduzidos. É como se toda a minha carreira como escritor fosse rejuvenescida. O que também é perigoso.
Perigoso porquê?
Porque me sinto mais jovem do que realmente sou. Esqueço-me de que vou morrer em breve ou de me comportar com a dignidade que se espera de uma pessoa com a minha idade.
E a sua escrita será afectada?
Sou um escritor pessimista. Os meus livros e a minha carreira estão assentes na ideia de que a minha vida é um fracasso, faço a minha arte a partir daí. De agora em diante tenho de fazer o mesmo a partir da sensação de que a minha vida é um sucesso. Se será um problema? Veremos.
A vitória no Booker foi uma surpresa.
Eu também fiquei surpreendido. Naquela noite não achei que fosse ganhar [era a terceira nomeação]. Mas o que mais me surpreendeu foi o "bruaá" de apreço que veio da audiência. Parece que, além de mim, havia mais gente satisfeita.
O "Daily Telegraph" dizia que o Howard era "demasiado divertido para o Booker"?
Muita gente disse isso - eu próprio o disse. Passei anos a ver livros sérios ganhar esse prémio e a achar que aquilo não era para mim. Não percebo esta aversão ao humor na grande literatura, esse afastamento da seriedade. Acho que todos os romances devem ser cómicos.
Como assim?
É para isso que os romances servem. Repare: temos a poesia, temos a tragédia, temos outros géneros para lidar com coisas muito específicas. O romance trata do dia-a-dia, trata da vida. E a nossa vida é bela, feia e absurda. Um romance deve reflectir isso - e deve ter humor.
Acha que o humor é subvalorizado junto da alta cultura?
Sem dúvida. A literatura começou a tornar-se uma coisa tão séria e respeitada que acaba por ser vista quase como uma religião. Inglaterra é um lugar onde a religião organizada está a desaparecer e parece que a arte tomou esse lugar. A literatura deve ser uma coisa solene, silenciosa e a cheirar a igreja - velas, incenso, gente a ler em altares, essas coisas. As pessoas têm medo que, ao abrir um livro com piada, este se lhes rebente nas mãos. E isso é terrível porque em toda a história da literatura há grandes romances que nos fazem rir: "Gargantua e Pantagruel", de Rabelais, "D. Quixote", de Cervantes, são tudo novelas que fazem troça do estado ou da religião. Era para isso que os romances serviam. Mas de há 50 ou 100 anos para cá tudo mudou.
Tem medo de não ser levado a sério?
Não sei como é em Portugal, mas cá os heróis da nossa cultura são comediantes. Adoramo-los. Mas estamos à vontade quando eles estão no seu território - fazem umas piadas e já está. Quando o humor passa para outras áreas aí começam os problemas. As pessoas ficam confusas, não sabem o que pensar, ficam ofendidas. Eu gosto de escrever frases que deixam o leitor na dúvida se é comédia ou tragédia. Gosto de brincar com os leitores: acham que vão rir e eu faço-os chorar, sentem que vem aí uma cena trágica e eu faço-os rir. É uma leitura acrobática.
O humor é considerado por todos uma demonstração de inteligência, porque é que não acontece o mesmo quando chegamos à literatura?
Porque o meio literário está cheio de gente que veio das faculdades e não gosta de ver a inteligência exibida ou desperdiçada no humor. É demasiado rápido para eles. Estão habituados a escrever frases longas e aborrecidas para descrever uma ideia. Eu escrevo para aborrecer e ofender essas pessoas.
26.3.11
25.3.11
Este blog entrou oficialmente em campanha eleitoral
24.3.11
Escrutínio democrático
Pedro Passos Coelho, no livro "Mudar", editado em 2010.
"Se ainda vier a ser necessário algum ajustamento, a minha garantia é de que seria canalizado para os impostos sobre o consumo, e não para impostos sobre o rendimento das pessoas".
Pedro Passos Coelho, hoje, em Bruxelas.
Elizabete Miranda, Blogue Massa Monetária, Jornal de Negócios
Escrutinar a democracia
Straight do the point: o PSD veio hoje dizer que pondera uma subida de IVA como forma de evitar os cortes nas pensões. Ocorrem-me várias coisas para dizer sobre esta posição mas a primeira e mais evidente é: o PSD passou o último ano a acusar o PS de fazer o esforço da austeridade (também) por via da receita (i.e. impostos), quando o correcto seria pelo lado da despesa (os famosos cortes nos consumos intermédios). O PSD passou um ano a repetir diariamente isto. No orçamento, elevou esta preocupação a condição sine qua non para a viabilização do OE 2011. Até aqui tudo bem (vamos esquecer que o PSD se limitava a declarar o seu amor pelos cortes na despesa, sem nunca referir onde).
Hoje (não ontem ou anteontem, quando isto podia ter sido negociado), o PSD apressou-se a declarar que evitaria os cortes nas pensões com o aumento do IVA para 24 ou 25 por cento. Portanto, a única proposta concreta que se ouve do PSD nos últimos tempos é…. um aumento de impostos, da receita. Rematando. O poder fiscalizador dos media não pode limitar-se a divulgar acriticamente uma posição destas, que contraria tudo o que o PSD disse e fez no último ano. Este papel que cumpre à comunicação social é um dos pilares de uma democracia saudável.



