12.10.11

"Look at me! I am man! I am you!"

“O modo como Cavaco Silva é bajulado neste país é algo para o qual não encontro explicação. São tantas as incoerências e mentiras, conjugadas numa sonsice sem paralelo ao longo de tanto tempo, que o facto de ainda lhe restar o que quer que seja de credibilidade junto da opinião pública e comunicação social só pode reflectir o quão atrasados estamos em termos de escrutínio público.”

serras, no Serras.

Serras, o problema não é o facto de ele ainda ter credibilidade junto da opinião pública e da comunicação social. Há malucos para tudo. Além disso, isso reflecte as inevitáveis (e desejáveis) diferenças com que cada um de nós interpreta a vida em geral, e os factos e personagens políticos em particular. Algo que foi esquecido vezes demais nos últimos anos, em que não faltaram as vozes a reivindicarem uma unanimidade sobre o carácter de um homem e das suas políticas, ele por acaso primeiro-ministro, a encarnação do político por excelência, por acaso também alguém (ou um cargo) que deveria ser foco obrigatório de discórdia e do dissenso público.

O verdadeiro mistério é, como bem assinalas, a bajulação dedicada a esta personagem e, como notas também (no fundo, já disseste tudo; mas apeteceu-me escrever), a ausência de crítica e de escrutínio à sua persona e actividade política. No fundo, o ódio a Sócrates e a divinização de Cavaco são duas faces da mesma moeda, da mesma má moeda, uma forma de ver, e de exigir que todos vejam, a política e os políticos como unidimensionais. Mas como diria o George Costanza, eles são pessoas. Eles são nós (imaginem por favor vídeo a ilustrar a citação; só arranjei isto).

10.10.11

Fazer minhas as palavras dos outros


Primárias e primários


Socialistas franceses decidem candidatura presidencial com "primárias" abertas a não militantes.

«Pela primeira vez em França, a escolha de um candidato socialista à presidência poderá ser feita por qualquer eleitor que pague um euro e que assine um papel a dizer que partilha "os valores da esquerda e da República". A inovação valeu uma exposição mediática inédita dos candidatos, com audiências televisivas recordes para debates políticos entre candidatos da mesma família política.»

Por cá, foi pena que, na última campanha para a liderança socialista, esta possibilidade de maior osmose entre partidos e cidadãos tenha sido descartada com demasiada facilidade, ainda por cima atropelada por um apelo demagógico contra "a invasão do PS pelos estranhos". Neste ponto concreto, Seguro esteve mal, usando uma receita que não é nova no PS (matar debates para atalhar votações). Espero que um dia, mais cedo do que tarde, a actual liderança do PS faça a Assis a justiça de lhe repegar a proposta e colocá-la a debate, dessa vez com seriedade.

Palavras de Porfírio Silva, no sempre excelente Machina Speculatrix

"Não merecemos o medo com que nos querem obrigar a viver"

Daqui.

27.9.11

Formar uma opinião é bem mais difícil do que, genericamente, se crê (acho que esta última parte é português. Mas não devia)

Até recentemente, por dever (e prazer) de ofício, tentava acompanhar tudo o que, sobre determinados assuntos, frequentemente os chamados temas quentes da actualidade, se escrevia na imprensa, blogs e micro-blogs. Desta experiência, ficou-me a seguinte convicção: raramente a comunicação social consegue fazer o trabalho de passar os vários lados de uma questão, alimentando, no entanto, a ilusão de que o faz. O que me faz carregar a seguinte angústia: como lidar com o fardo de ter-me tornado um céptico agora que o meu consumo informativo é quase exclusivamente mediado pelo filtro da comunicação social (de um único jornal, aliás)? Como formar uma opinião com base em premissas que, sei-o (…say me), estão incompletas?

Sentido de humor

Apercebo-me, não sem alguma surpresa, que frequentemente revela mais sentido de humor quem se ri das piadas do que quem as conta. Além de que me parece ser uma das supremas formas de generosidade, esta disponibilidade para ouvir o outro, premiando-o com o riso. Era mesmo só isto que vinha aqui dizer.

Continuamos à procura de balas de prata

Programa do Governo ajuda mas não resolve, diz António Saraiva

29.8.11

Lunch break


Hora de almoço. Ir a casa. Estava bom, obrigado. Ligar a televisão. Campeonato do mundo de atletismo (e em directo). Final dos 100m feminina. Reconhecer, por incrível que pareça, uma ou outra cara. A vitória da norte-americana Carmelita Jeter mas isso pouco importa (nem foi uma prova particularmente notável, exceptuando o facto de esta já ter entrado nos 30, embora o que seja isso para quem é do tempo da fabulosa Marlene ottey...). Apanhar um lançamento do peso feminino. O lançamento do peso é uma prova chata. Desde que, claro, não se veja mais do que três minutos. Ao segundo lançamento, já é assim-assim. No terceiro, já sou um candidato a especialista na modalidade. E o terceiro foi mesmo um espectacular ensaio da neo-zelandesa. Depois veio a final dos 110m barreiras. Emocionante q.b. Mas uma pessoa não chega aos trinta e tal sem carregar consigo umas quantas memórias. E se há área em que estas memórias se manifestam é, como se sabe, nos 110m barreiras. O mesmo é dizer: Colin Jackson. Um dos meus atletas preferidos de todos os tempos. Fim da pausa para almoço.

22.8.11

Por outro lado, é tudo uma questão de expectativas

Uma questão com que tenho de lidar com alguma frequência é que, vezes demais, pareço mais esperto do que realmente sou. Não digo que seja esperto. Ou que pareça esperto. Apenas que pareço mais esperto do que, na verdade, julgo ser. Um bom exemplo do que estou a tentar dizer é o meu currículo. Apesar de tudo, dá uma imagem das minhas capacidades bastante lisonjeira. Este problema manifesta-se, naturalmente, tanto nas relações profissionais como nas pessoais. Assim como assim (clap, clap, acabo de me estrear nesta expressão. Acho que não vou repetir), prefiro lidar com as primeiras. Haverá quem lhe chame um complexo de inferioridade. Por mim, tudo bem. Ou melhor, com o tempo, uma pessoa vai-se habituando. E acontece que os complexos, e em especial o de inferioridade, têm um potencial cómico enorme, em particular na modalidade de auto-retrato. E isso é engraçado. Curiosamente, com o humor, acontece precisamente o inverso. Tenho muito mais graça do que, geralmente, consigo dar a entender.

26.7.11

Avant de plus

Antes de mais, importa ler aqueles com quem aprendemos, sempre. Mesmo que o parágrafo seja magro e a matéria aparentemente trivial. As aparências enganam. E aprender a trabalhar e brincar com as palavras não é coisa de somenos. Vem, aliás, antes de tudo o resto. Ou antes de mais.

Querido blog:

Acho que devíamos dar um tempo para ver o que realmente sentimos um pelo outro. Sim, eu sei, é precisamente isso que temos (tenho) feito ultimamente. Mas achei que te devia uma explicação.

Não procurarei outros. Ser-te-ei fiel, isso posso garantir-te. Sei que posso esperar o mesmo de ti (até porque sou o único detentor da password. mas sei que não é por isso).

Apenas para que fique claro, querido blog: o problema não és tu, sou eu.

29.6.11

Sem ser a parte do "ousadamente imaginativo", é como olhar para o espelho

"O seu cérebro funcionava a uma temperatura diferente. Demorava mais tempo a tomar uma decisão e, mal o fazia, apetecia-lhe mudar de ideias de novo. Mas, e talvez por esta mesma razão, acreditava que era o mais ousadamente imaginativo dos dois".

"A questão Finkler", Howard Jacobson, alguras nas primeiras páginas.

25.6.11

Um país de vips

Recebido por sms: "Depois de ter sido imediatamente atendida como cidadã comum, fui informada que era vip...fui então para a enorme fila de vips....".

15.6.11

Estado clínico deste blog




Ainda respira, embora apenas com a ajuda de aparelhos. Sinais vitais estáveis. Aguardam-se melhorias para breve.