13.2.12

Pó dos Livros

No outro dia – é como quem diz –, dei conta aqui da dificuldade em encontrar este livro. Após longa espera, e duas tentativas frustradas de encomendá-lo, tive de recorrer a medidas extremas. Um mail. Para uma livraria. Sim, leram bem. Livraria. A manifestar o interesse na obra e que se a encontrassem (em primeira ou segunda mão), estaria, naturalmente, interessado. Após menos de 24 horas. Sim, leram bem, menos de 24 horas, responderam ao mail a dizer que… já o tinham. E vivemos felizes para sempre.

Nota do postador: qualquer semelhança entre a primeira pessoa e a minha própria é mera coincidência (exceto o estar mesmo há anos triste, triste por não ter este livro). Na realidade, quem diligenciou. Sim, leram bem. Diligenciou. Para que tudo acontecesse foi a minha terceira pessoa, a quem dedico, assim, um espetacular obrigado.


Para lá de Bagdade

Professor de Direito diz que novo Acordo Ortográfico é “inconstitucional”

10.2.12

Indignações seletivas

Volta e meia, uma parte da indignação comentativa dirige-se para desprezar os percursos profissionais daqueles que, como Passos Coelho, Sócrates ou António José Seguro, só terminaram tardiamente os seus cursos superiores, optando pelo caminho por preferir a atividade política.

Este é apenas mais um dos sintomas desta tragédia nacional (não hiperbolo) que é o preconceito, mais ou menos consciente, contra os que fazem política.

São muitas as atividades que são propensas a desviar as pessoas dos seus percursos universitários: na música, no jornalismo, no showbuiz (eheh), etc.. Nestas atividades, não raro as pessoas singram e são ajudadas mercê de contactos privilegiados no meio. Serão as barreiras da meritocracia num país tão pequeno. Não sei. O que sei é que nada distingue estas situações da dos políticos que atrasam os estudos, que conseguem lugares em empresas, fruto dos conhecimentos oriundos da política.

A política não serve para isto e deve haver um controlo sobre a promiscuidade que o exercício de cargos públicos pode propiciar.

Mas, a meu ver, a este propósito - e descontando esta última questão da promiscuidade -, não existe nada de específico na política que não ocorra em tantas outras atividades. O mais das vezes, o que emerge nestas denúncias é preconceito contra os políticos e uma dose indisfarçável de elitismo (os bons alunos tiram os seus bons cursos na altura certa).

Subserviência

Este artigo de Paulo Ferreira e o vídeo da conversa entre Gaspar e Schauble ilustram de forma cristalina o plano do Governo para nos tirar da crise.

A democracia dos preconceitos

"(...) Sarkozy propõe passar a fazer referendos sobre os benefícios dos desempregados e os direitos dos estrangeiros.

8.2.12

Uma imagem que vale mil imagens





"(...) quando nos lembramos do contexto em que estas pessoas foram parar ao poder, levando um governo a cair (sem apresentar qualquer alternativa) porque «já chega de sacrifícios» e fazendo toda uma campanha eleitoral desonesta reforçando que os sacrifícios exigidos aos portugueses eram excessivos, torna-se particularmente revoltante ver a forma como o país está a pagar a sua ganância, a sua sede de poder."




Texto e imagem de João Vasco, Esquerda Repúblicana

6.2.12

Damn! (Ben Gazzara - 1930-2012)





Por “maridos”, “A morte do apostador chinês” e pelo pai do Vincent Gallo em Buffalo 66. E, claro, pela grande pinta. Além de um bigode à Brassens, não posso jurar que nunca tenha desejado ter a voz rouca de Gazzara.

3.2.12

Onde andas tu, Bona?

É engraçado ler coisas sobre a relevância do eixo Paris-Bona dos anos 80, Bona para aqui e Bona para acolá, de tão importante e influente que era.

O polvo unido jamais será vencido

- Papá, papá, outra palavra que quer dizer duas coisas: polvo de comer e polvo de pessoas.
- Hã?
- Sim, polvo peixe e polvo de nós, das pessoas que estão lá fora, de toda a gente.
- Ahhhh.

Insultos com pinta (o piano é que esteve a beber. eu não)

"mental midget with the I.Q. of a fence post"

30.1.12

Reparações de guerra

É comum atribuir-se às pesadas condições que o Tratado de Versalhes submeteu a Alemanha uma das principais causas para a ascenção de Hitler e do nazismo. Pela humilhação e por ter criado condições para a hiperinflação dos anos 20. Keynes foi um dos porta-vozes desta visão, tendo-se oposto com firmeza às severas reparações de guerra que considerava estarem a ser impostas aos derrotados da I Guerra, nomeadamente à Alemanha. Há quem julgue, porém, que se devia ter ido mais longe, considerando que a Alemanha manteve, apesar de tudo, a sua capacidade tecnológica, industrial e educativa quase intacta, permitindo que se tornasse, em poucos anos, novamente na potência económica hegemónica da região (Europa Central, de Leste e Balcãs). Pergunto-me o que estes últimos historiadores pensariam ao ver as severas "reparações de guerra" agora impostas à Grécia e Portugal. Suprema ironia ou apenas o desejo que a Alemanha fosse pelo menos tão magnânime com os vencidos da guerra das dívidas soberanas quanto os vencedores da I Guerra foram consigo?

28.1.12

Se não acreditam em mim, oiçam este senhor, vocalista de uma respeitável banda de pós-punk rock, o que quer que isso seja

"He [Georges Brassens] is both a national outcast and hero in France, yet most of us don't know him on this side of the Channel. His lyrics were more subversive than Dylan or the Sex Pistols and he wrote better tunes than either."

Alex Kapranos, dos Franz Ferdinand.

27.1.12

Ainda sobre o escrutínio

Há muita gente que pega no incumprimento de promessas para denunciar a podridão do sistema (da democracia). Discordo. É naturalmente legítimo que se aspire a um governo que cumpra o máximo de compromissos eleitorais. Não é isso que está em causa. Mas muito mais preocupante seria não haver escrutínio sobre o que se está a fazer (o que ainda acontece em muitas áreas, por ignorância, opacidade ou puro desinteresse). Através deste controlo, os políticos são chamados a justificar as suas opções, até porque pode haver boas razões para o desvio das promessas. O controlo e o debate sobre o cumprimento dos compromissos eleitorais é uma das formas como a democracia se realiza. A democracia não se esgota no cumprimento cego desses compromissos.

Escrutinar as promessas eleitorais

Ontem, o candidato socialista à presidência francesa veio dizer, a propósito dos seus 60 compromissos eleitorais: "Não prometo aquilo que não sou capaz de cumprir. Tudo o que está dito será feito".

Não digo que não seja inspirador mas a crise de confiança que separa, crescentemente, eleitores dos seus eleitos, se calhar exigia um pouco mais do que as palavras do costume. Proporia algo do género, a ser entregue aos eleitores, que assim o poderiam usar para melhor escrutínio:


26.1.12

Desculpa

Parece que é mas não é

...assim tão difícil compreender o buraco negro em que nos estamos a afundar:

Finalmente, somos a Grécia

"A escassa informação até agora disponibilizada permite concluir que, em 2011, a despesa do Estado terá ficado 1.713 milhões de euros abaixo do orçamentado, um valor duplo do gerado pelo imposto extraordinário sobre o subsídio de Natal.

Caso para nos congratularmos? Bem pelo contrário. A consequência imediata deste sonho húmido de "ir para além da troika" foi uma brusca contração económica que resultou na rápida redução dos impostos cobrados no final do ano. Resultado (previsto por qualquer pessoa racional): não só não se reduziu o défice público como se precipitou o país numa nova recessão que, por sua vez, voltará a fazer baixar as receitas fiscais. o que justificará mais austeridade, e assim sucessivamente."

João Pinto e Castro, ...bl-g- -x-st-