21.2.12

Isto é, parece-me, filosoficamente evidente

Em bom rigor, dizer-se que “não se pode falar de interferência da tutela” autoriza - embora, jornalisticamente, não devesse - um “não descarta interferência”, pois este admite ainda a possibilidade de esta não ter existido. Já retirar o contrário, como fez a TSF, considerando descartada a interferência a partir da não possibilidade de esta poder ser afirmada é que não é admissível. Precisamente porque conclui algo de definitivo a partir de uma declaração que não o admite.

TSF é fixe mas título claramente abusivo ("descartar interferência da tutela" muito diferente de “não poder falar de interferência”)

Diria antes que a confirmação que o programa “Este Tempo” acabou por causa da crónica de Rosa Mendes não descarta enorme preocupação quanto ao futuro da nossa liberdade de imprensa/informação.


O ex-director adjunto de informação diz que não pode falar de interferência da tutela, mas revela que lhe foi dito que o programa "Este Tempo " acabava por causa da crónica de Rosa Mendes.

Ricardo Alexandre está a ser ouvido na Comissão de Ética.

«O ex-diretor de informação, João Barreiros, disse-me que tinha sido por causa da crónica do Pedro Rosa Mendes sobre Angola», disse hoje Ricardo Alexandre, na Comissão para a Ética, a Cidadania e a Comunicação, na Assmebleia da República, sobre a suspensão do programa "Este Tempo", emitido na Antena 1.

Na crónica em causa, o jornalista Pedro Rosa Mendes lançou fortes críticas ao programa da RTP 1 "Reencontro", emitido no dia 16 de janeiro a partir de Luanda, e que contou com a presença, entre outros, do ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, e do chefe da Casa Civil da Presidência angolana, Carlos Maria Feijó, para além de empresários de grandes empresas portuguesas.

19.2.12

Dar o baile

- Papá, não quero comer mais. Não gosto destas salchichas.
- Porque não as cortas aos bocadinhos e comes junto com a massa.
- Papá, eu quando estou a dormir sou diferente?
- Hã?
- Eu quando estou a dormir sou outra pessoa?
- Hã?
- Eu quando estou a dormir sou...
- Já ouvi o que disseste. Só não percebi o que querias dizer.
- Não sou uma pessoa diferente, pois não? É como as salsichas. Não vão ter um sabor diferente apenas por as ter cortado.

13.2.12

Muito provavelmente, a maior heresia que já admiti publicamente



Excelente testemunho. Pelo exemplo, coragem e dignidade. Pela inspiração e pela muita falta que isto faz na vida pública portuguesa. Pôr, no entanto, as coisas em perspetiva. Se é verdade a falta que este tipo de exemplos faz à vida pública, não me parece menos verdade que a normalidade democrática, com tudo o que tem de bom e maravilhoso, não é terreno propício a heroísmos. Paradoxos que a democracia encerra. Voltando ao ensaio de Mário Soares, é tudo aquilo (mesmo que todos já o soubéssemos) e lê-se de uma penada.

Ficar-me-ia por aqui, não fosse uma pessoa parva, extremamente parva, com inclinação para o ultra-acessório e para o insignificante. Aqui vai: Soares não sabe pôr vírgulas. Exagero: volta e meia, não sabe pôr vírgulas (tenho provas: as folhas dobradas). De uma estranha forma, sinto que isto de criticar um dos grandes, o maior deles todos, ainda por cima por causa de uma coisa tão parva, tem qualquer coisa de extremamente republicano (e porventura de doentio, também). Viva a liberdade. A igualdade. E, já agora, a outra também.

Pó dos Livros

No outro dia – é como quem diz –, dei conta aqui da dificuldade em encontrar este livro. Após longa espera, e duas tentativas frustradas de encomendá-lo, tive de recorrer a medidas extremas. Um mail. Para uma livraria. Sim, leram bem. Livraria. A manifestar o interesse na obra e que se a encontrassem (em primeira ou segunda mão), estaria, naturalmente, interessado. Após menos de 24 horas. Sim, leram bem, menos de 24 horas, responderam ao mail a dizer que… já o tinham. E vivemos felizes para sempre.

Nota do postador: qualquer semelhança entre a primeira pessoa e a minha própria é mera coincidência (exceto o estar mesmo há anos triste, triste por não ter este livro). Na realidade, quem diligenciou. Sim, leram bem. Diligenciou. Para que tudo acontecesse foi a minha terceira pessoa, a quem dedico, assim, um espetacular obrigado.


Para lá de Bagdade

Professor de Direito diz que novo Acordo Ortográfico é “inconstitucional”

10.2.12

Indignações seletivas

Volta e meia, uma parte da indignação comentativa dirige-se para desprezar os percursos profissionais daqueles que, como Passos Coelho, Sócrates ou António José Seguro, só terminaram tardiamente os seus cursos superiores, optando pelo caminho por preferir a atividade política.

Este é apenas mais um dos sintomas desta tragédia nacional (não hiperbolo) que é o preconceito, mais ou menos consciente, contra os que fazem política.

São muitas as atividades que são propensas a desviar as pessoas dos seus percursos universitários: na música, no jornalismo, no showbuiz (eheh), etc.. Nestas atividades, não raro as pessoas singram e são ajudadas mercê de contactos privilegiados no meio. Serão as barreiras da meritocracia num país tão pequeno. Não sei. O que sei é que nada distingue estas situações da dos políticos que atrasam os estudos, que conseguem lugares em empresas, fruto dos conhecimentos oriundos da política.

A política não serve para isto e deve haver um controlo sobre a promiscuidade que o exercício de cargos públicos pode propiciar.

Mas, a meu ver, a este propósito - e descontando esta última questão da promiscuidade -, não existe nada de específico na política que não ocorra em tantas outras atividades. O mais das vezes, o que emerge nestas denúncias é preconceito contra os políticos e uma dose indisfarçável de elitismo (os bons alunos tiram os seus bons cursos na altura certa).

Subserviência

Este artigo de Paulo Ferreira e o vídeo da conversa entre Gaspar e Schauble ilustram de forma cristalina o plano do Governo para nos tirar da crise.

A democracia dos preconceitos

"(...) Sarkozy propõe passar a fazer referendos sobre os benefícios dos desempregados e os direitos dos estrangeiros.

8.2.12

Uma imagem que vale mil imagens





"(...) quando nos lembramos do contexto em que estas pessoas foram parar ao poder, levando um governo a cair (sem apresentar qualquer alternativa) porque «já chega de sacrifícios» e fazendo toda uma campanha eleitoral desonesta reforçando que os sacrifícios exigidos aos portugueses eram excessivos, torna-se particularmente revoltante ver a forma como o país está a pagar a sua ganância, a sua sede de poder."




Texto e imagem de João Vasco, Esquerda Repúblicana

6.2.12

Damn! (Ben Gazzara - 1930-2012)





Por “maridos”, “A morte do apostador chinês” e pelo pai do Vincent Gallo em Buffalo 66. E, claro, pela grande pinta. Além de um bigode à Brassens, não posso jurar que nunca tenha desejado ter a voz rouca de Gazzara.

3.2.12

Onde andas tu, Bona?

É engraçado ler coisas sobre a relevância do eixo Paris-Bona dos anos 80, Bona para aqui e Bona para acolá, de tão importante e influente que era.

O polvo unido jamais será vencido

- Papá, papá, outra palavra que quer dizer duas coisas: polvo de comer e polvo de pessoas.
- Hã?
- Sim, polvo peixe e polvo de nós, das pessoas que estão lá fora, de toda a gente.
- Ahhhh.

Insultos com pinta (o piano é que esteve a beber. eu não)

"mental midget with the I.Q. of a fence post"

30.1.12

Reparações de guerra

É comum atribuir-se às pesadas condições que o Tratado de Versalhes submeteu a Alemanha uma das principais causas para a ascenção de Hitler e do nazismo. Pela humilhação e por ter criado condições para a hiperinflação dos anos 20. Keynes foi um dos porta-vozes desta visão, tendo-se oposto com firmeza às severas reparações de guerra que considerava estarem a ser impostas aos derrotados da I Guerra, nomeadamente à Alemanha. Há quem julgue, porém, que se devia ter ido mais longe, considerando que a Alemanha manteve, apesar de tudo, a sua capacidade tecnológica, industrial e educativa quase intacta, permitindo que se tornasse, em poucos anos, novamente na potência económica hegemónica da região (Europa Central, de Leste e Balcãs). Pergunto-me o que estes últimos historiadores pensariam ao ver as severas "reparações de guerra" agora impostas à Grécia e Portugal. Suprema ironia ou apenas o desejo que a Alemanha fosse pelo menos tão magnânime com os vencidos da guerra das dívidas soberanas quanto os vencedores da I Guerra foram consigo?