8.3.13

Mariquinhas


Neste dia, interessa-me muito menos pensar na esmagadora maioria de mulheres que, através das mais diversas formas (da mais grosseira à mais subtil), ainda são objeto de algum tipo de de discriminação, do que na esmagadora maioria dos homens que, através das mais diversas formas  (da mais grosseira à mais subtil), ainda discriminam as mulheres. É que se é fácil concordar com a existência de discriminação, poucos se reverão no papel de discriminador. Também por esta razão, entendo mal que haja tão poucos homens a dar a cara por este problema. Mariquinhas.

Read later

Para ler, assim que puder, este especial de 36 páginas da revista Time sobre o sistema de saúde americano.

Aperitivo no indispensável Daily Show (vale mesmo a pena ver):


9.5.12

Carreiras na política precisam-se (a bem da democracia)

"A legislative body in which politicians can make careers will be more likely to attract brighter talent than one in which members may spend only one or several terms before moving on to other jobs".


Handbook of national legislatures, a global survey, M. Steven Fish and Matthew Kroenig, 2009

11.4.12

A liberdade de expressão, um princípio de difícil (sem puns intended) aprendizagem

“Eu amo Fidel Castro” vale suspensão ao treinador dos Miami Marlins

Quando ir ao Parlamento significa prestar contas/assumir escolhas/clarificar/confrontar ideias. Sabe bem

A ex-ministra lembrou o "estado de degradação" em que as escolas secundárias se encontravam, indicou que, antes da Parque Escolar, o investimento disponível para obras nas 1400 escolas variou entre 50 e 140 milhões de euros por ano e que as intervenções que então foram feitas provaram que "o barato, por vezes, sai caro".

Confrontada com críticas dos deputados do PSD e do CDS, rejeitou também que se tivesse optado pelo "luxo" e não contestou, por exemplo, que numa das escolas requalificadas o projecto incluísse a compra de 12 candeeiros de Siza Vieira, com um preço unitário de 1700 euros. "Gostamos de ver candeeiros de Siza Vieira na Fundação de Serralves, mas não nas escolas? Considera-se luxo o que não é considerado como luxo noutros espaços?", questionou.

A ex-ministra insistiu também que os relatórios das auditorias da IGF e do TC são unânimes na constatação de que a Parque Escolar "é um exemplo de boa prática de gestão" e considerou que o facto de o Tribunal de Contas ter concluído pela existência de despesas e pagamentos ilegais, num montante superior a 500 milhões de euros, não configura um crime, mas sim "uma irregularidade". "Não foi gravíssimo", frisou.

Quanto ao facto de os projectos de arquitectura terem sido todos eles adjudicados por ajuste directo, um procedimento criticado pelo TC, lembrou que se trata de um mecanismo previsto na lei. "Nem sempre a transparência", garantida pela realização de concursos públicos, "é convergente com o interesse público", acrescentou.

Excertos da notícia do Público, edição impressa de hoje (e hoje é quarta-feira)

5.4.12

Final feliz

Não deixa de ser curioso pensar no desgaste que o anterior governo e o PS sofreram por estarem contra uma iniciativa legislativa que atentava contra a Constituição, contra a liberdade fundamental, a liberdade liberdade, dos cidadãos. Por resistirem ao clamor que se levantou um pouco por todo o lado (pelos partidos políticos, por muita comunicação social, por muitos cravinhos), que exigia esta criminalização, tornada panaceia da luta contra a corrupção instantânea. Não é, pois, de agora esta oposição. Desde 2006, quando o então deputado João Cravinho apresentou pela primeira vez esta iniciativa, foram várias as vezes que este tema esteve na agenda mediática e outras tantas submetido a votação na AR. Em todas estas ocasiões, o PS resistiu ao populismo e ao demagogismo (eu sei, eu sei; mas rima), colhendo com isso, tantas vezes, a insinuação (quando não a acusação) de estar a ser cúmplice dos corruptos. Um partido político, de governo, que reiteradamente não comprometeu ideais fundamentais em troca de popularidade fácil. Também acontece. Se calhar até mais vezes do que se pensa.

2.4.12

Sobre o que está em causa (revisão dos estatutos do PS) pouco conheço ou tenho a dizer...

mas não gosto disto: "O comunicado remata com uma garantia: "Independentemente das suas opções partidárias, os portugueses conhecem o Dr. António José Seguro e sabem que é um cidadão exemplar e um político honesto."

Poucas coisas me incomodam tanto em política (com em qualquer outra área ou ocasião; que me incomoda, ponto) como quando os próprios tentam vender de si a ideia de perfeição e de exemplaridade. Não é que me preocupe que isso seja ou não verdade. O que me inquieta é o lugar a partir do qual se colocam para olhar em redor. No pedestal da virtude, em torno do qual só pode medrar a imperfeição. É um exagero falar disto a propósito desta única declaração, eu sei. Mas as palavras importam. Tal como a pontuação. Embora isto não venha aqui ao caso.



24.2.12

Ainda sobre o carnaval

Em muitos lugares que gosto de frequentar, leio que a não tolerância de ponto foi um fiasco, pois a maior parte do país parece ter ignorado a diretiva governamental. Acho que discordo. Baseando-me nos casos que conheço (sempre um risco), quem não foi trabalhar estes dias teve de pôr férias. Dito de outro modo, com esta não tolerância o Governo ofereceu de mão beijada estes dias de trabalho aos empregadores (empresários e Administração e empresas do Estado). Mais um contributo para a progressiva diminuição dos custos do trabalho, essa panaceia da competitividade nacional. A mim parece-me bem atingido o objetivo do governo.

Vai para umas 72 horas que esta música toca, em agradável modo repeat, dentro da minha cabeça

Acho engraçado

Acho hilariante a forma como este blog me diverte, mesmo nos mais ínfimos detalhes, e passo a citar: "Bom artigo: Excelente artigo de Vítor Gaspar (...)". Acho interessante, isto é, fabuloso como ele faz isto. Quer dizer, é um post razoável, na medida em que o considero espetacular. Não nego que tenha sorrido ao lê-lo, que é como quem diz: atirei-me para o chão a rebolar de riso. Nunca falha, exceto às vezes.


22.2.12

Já isto é, infelizmente, muito sério

Eurocensura (Daniel Oliveira, sobre o afastamento, ainda que temporário, do jornalista da tvi que divulgou a conversa entre Gaspar e o ministro das Finanças alemão).

Os contornos desta sinistra história percebem-se melhor depois da leitura destes dois textos de Estrela Serrano. Este e este.

E sinistro, no sentido em que "causa dano", "ameaça desgraças" ou "indica pavor" ou mesmo que "tem mau aspeto", é o adjetivo adequado, pelas razões que o Daniel Oliveira melhor explica. Estranhando-se apenas a facilidade e o à-vontade com que tudo foi feito e assumido, espelhando uma desvalorização incompreensível pelo que está em causa.