A LIE AGREED UPON: DAVID MILCH'S DEADWOOD from RogerEbert.com on Vimeo.
Retirado daqui
12.3.14
9.3.14
For the record: planos de férias a longo prazo aos cinco anos de idade
Ir à Austrália.
Se não der para ir à Austrália, ir ao Japão.
Se não der para ir ao Japão, então ir à Roménia.
Se não der para ir à Roménia, pode ser ir ao Minho ou à Serra da Estrela.
Se não der para ir à Austrália, ir ao Japão.
Se não der para ir ao Japão, então ir à Roménia.
Se não der para ir à Roménia, pode ser ir ao Minho ou à Serra da Estrela.
14.2.14
13.2.14
Não percebo uma palavra do que está aqui escrito mas, dizem-me, quer dizer que estamos cada vez mais tramados (Inquérito: maioria dos alemães votaria a favor de uma limitação dos imigrantes, como na Suíça)
DW-Umfrage: Auch Deutsche würden Zuwanderung begrenzen
Als die Schweizer Bevölkerung für eine Begrenzung der Zuwanderung stimmte, war die Häme groß - vor allem bei Deutschen. Eine Umfrage der Deutschen Welle ergab aber: Die Deutschen würden fast genauso abstimmen.
Wenn die Bundesbürger in einer Volksabstimmung über eine Begrenzung der Zuwanderung nach Deutschland abstimmen könnten, würden sich 48 Prozent für eine Begrenzung der Zuwanderung aussprechen. Mit 46 Prozent sind allerdings fast ebenso viele gegen eine Begrenzung des Zuzugs.
Das Meinungsforschungs-Institut infratest dimap hatte im Auftrag der Deutschen Welle in dieser Woche 1.001 erwachsene Deutsche befragt. Drei Prozent der Bundesbürger äußerten, sie hätten zu dem Thema keine Meinung.
Viele AfD-Anhänger gegen Zuzug
Mit 84 Prozent war die Zustimmung zu einer Begrenzung der Zuwanderung bei Anhängern der europakritischen Alternative für Deutschland (AfD) besonders hoch. Die Anhänger von CDU und CSU stimmten zu 51 Prozent für eine Begrenzung. Besonders niedrig fiel die Zustimmung bei Anhängern von Bündnis 90/Grüne aus (29 Prozent).
Auch lässt sich ein Unterschied zwischen Ost und West feststellen: Die Zuwanderung begrenzen wollen 45 Prozent der Westbürger und 56 Prozent der Ostbürger. Die Umfrage wird im TV-Magazin "Politik direkt" der Deutschen Welle präsentiert.
Knappe Mehrheit in der Schweiz
Anlass der Umfrage war die Volksabstimmung in der Schweiz zur Begrenzung der Zuwanderung am vergangenen Sonntag. Die Schweizer hatten sich mit einer knappen Mehrheit für eine Initiative "gegen Masseneinwanderung" ausgesprochen. Die Zuwanderung in dem Land soll nun schrittweise begrenzt werden.
Die Volksbefragung war von der rechtskonservativen und EU-feindlichen Schweizer Volkspartei (SVP) eingereicht worden. Die Schweizer Regierung hat nun drei Jahre lang Zeit, den Beschluss in ein Gesetz zu gießen und umzusetzen. Das Justizministerium in Bern will bis Ende Juni einen ersten Entwurf vorlegen. Bis Ende des Jahres soll ein Gesetzentwurf vorliegen.
Der Unterschied zwischen beiden Staaten: In der Schweiz ist das Referendum für die Regierung bindend. In Deutschland werden solche Themen nur im Parlament behandelt.
Das Meinungsforschungs-Institut infratest dimap hatte im Auftrag der Deutschen Welle in dieser Woche 1.001 erwachsene Deutsche befragt. Drei Prozent der Bundesbürger äußerten, sie hätten zu dem Thema keine Meinung.
Viele AfD-Anhänger gegen Zuzug
Mit 84 Prozent war die Zustimmung zu einer Begrenzung der Zuwanderung bei Anhängern der europakritischen Alternative für Deutschland (AfD) besonders hoch. Die Anhänger von CDU und CSU stimmten zu 51 Prozent für eine Begrenzung. Besonders niedrig fiel die Zustimmung bei Anhängern von Bündnis 90/Grüne aus (29 Prozent).
Auch lässt sich ein Unterschied zwischen Ost und West feststellen: Die Zuwanderung begrenzen wollen 45 Prozent der Westbürger und 56 Prozent der Ostbürger. Die Umfrage wird im TV-Magazin "Politik direkt" der Deutschen Welle präsentiert.
Anlass der Umfrage war die Volksabstimmung in der Schweiz zur Begrenzung der Zuwanderung am vergangenen Sonntag. Die Schweizer hatten sich mit einer knappen Mehrheit für eine Initiative "gegen Masseneinwanderung" ausgesprochen. Die Zuwanderung in dem Land soll nun schrittweise begrenzt werden.
Die Volksbefragung war von der rechtskonservativen und EU-feindlichen Schweizer Volkspartei (SVP) eingereicht worden. Die Schweizer Regierung hat nun drei Jahre lang Zeit, den Beschluss in ein Gesetz zu gießen und umzusetzen. Das Justizministerium in Bern will bis Ende Juni einen ersten Entwurf vorlegen. Bis Ende des Jahres soll ein Gesetzentwurf vorliegen.
Der Unterschied zwischen beiden Staaten: In der Schweiz ist das Referendum für die Regierung bindend. In Deutschland werden solche Themen nur im Parlament behandelt.
Um nojo, o que querem fazer no Kansas. Que sirva para despertar consciências. Se não for com isto, não sei com o quê.
Ainda no outro dia uns colegas de trabalho (um americano, um inglês e um inglês afrancesado - eu sei, isto dá a ideia enganosa de que sou muito cosmopolita, mas não é verdade) franziam a testa de horror e incompreensão com a cultura dominante de discriminação da mulher em países árabes, a fazer lembrar-nos tempos de outros tempos. Longínquos, pressupunha-se. Impelido pela vontade de contrariar, lembrei que, por exemplo, os EUA segregavam de forma não menos discriminatória os negros em alguns dos seus estados. Não na Idade Média (tempo ao qual podemos imputar todas as nossas falhas como se não refletissem também a nossa natureza mas a de outra espécie) mas há meros cinquenta anos. Aquiesceram, mas com ar de quem não está para ouvir banalidades com ar de lição de moral. Não lhes levo a mal. Faria o mesmo no lugar deles. Mas o exemplo foi mal escolhido. A discriminação aos gays é o que nos envergonhará a todos daqui a uns anos. E não é hoje menos do que a segregação racial foi num passado recente. Não exagero. Quando muito desixagero. Enquanto tarda a tomarmos todos consciência disto (e o debate sobre a co-adoção tem muito a ver com isto), convém abrir os olhos e ver, por exemplo, a legislação que se pretende aprovar no estado americano do Kansas (para ler mesmo. é muito impressionante, como diria um ex-primeiro ministro):
"If that sounds overblown, consider the bill itself. When passed, the new law will allow any individual, group, or private business to refuse to serve gay couples if “it would be contrary to their sincerely held religious beliefs.” Private employers can continueto fire gay employees on account of their sexuality. Stores may deny gay couples goods and services because they are gay. Hotels can eject gay couples or deny them entry in the first place. Businesses that provide public accommodations—movie theaters, restaurants—can turn away gay couples at the door. And if a gay couple sues for discrimination, they won’t just lose; they’ll be forced to pay their opponent’s attorney’s fees. As I’ve noted before, anti-gay businesses might as well put out signs alerting gay people that their business isn’t welcome.
"If that sounds overblown, consider the bill itself. When passed, the new law will allow any individual, group, or private business to refuse to serve gay couples if “it would be contrary to their sincerely held religious beliefs.” Private employers can continueto fire gay employees on account of their sexuality. Stores may deny gay couples goods and services because they are gay. Hotels can eject gay couples or deny them entry in the first place. Businesses that provide public accommodations—movie theaters, restaurants—can turn away gay couples at the door. And if a gay couple sues for discrimination, they won’t just lose; they’ll be forced to pay their opponent’s attorney’s fees. As I’ve noted before, anti-gay businesses might as well put out signs alerting gay people that their business isn’t welcome.
But that’s just the tip of the iceberg. In addition to barring all anti-discrimination lawsuits against private employers, the new law permits government employees to deny service to gays in the name of “religious liberty.” This is nothing new, but the sweep of Kansas’ statute is breathtaking. Any government employee is given explicit permission to discriminate against gay couples—not just county clerks and DMV employees, but literally anyone who works for the state of Kansas. If a gay couple calls the police, an officer may refuse to help them if interacting with a gay couple violates his religious principles. State hospitals can turn away gay couples at the door and deny them treatment with impunity. Gay couples can be banned from public parks, public pools, anything that operates under the aegis of the Kansas state government."
O artigo todo aqui (na Slate).
12.2.14
Capuchos há muitos (e eu sou um deles)
A expulsão de Capucho do PSD e a defesa que tantos fazem da
sua justificação tem o principal daquilo que me afasta de militar num partido.
Não
acho óbvio, nem razoável, nem necessário para um saudável funcionamento dos
partidos que se exija que os militantes se abstenham de participar ativamente numa
eleição (um direito fundamental, já agora), mesmo contra o próprio partido, quando
discorde conjunturalmente das lideranças partidárias e das suas escolhas. É
isto o essencial, para mim.
Poderei acrescentar que acho até aviltante e pouco democrático
que se exija esse dever de abstenção. Na
mesma medida que não se defende que os militantes se abstenham de divulgar opiniões
divergentes à dos partidos. Nem percebo o critério por que se admite estas e
não as outras. Mais estragos faz ao PSD a opinião do Pacheco Pereira ou até
de Ferreira Leite do que a candidatura de Capucho (já nem me lembrava).
Sendo as lideranças conjunturais, parece-me absurdo
defender-se a expulsão ou a saída pelo próprio pé. E, volto a dizer (o que não
deveria ser de somenos numa altura em que os partidos estão, mais do que nunca,
em causa), um enorme incentivo a que muitos prefiram não aderir aos partidos.
Lealdade a princípios parece-me bem mais importante do que a lideranças
conjunturais. Mesmo reconhecendo que tem de haver regras. Só que não esta.
E o facto de estar nos estatutos (do PSD, do PS; e de outros
partidos, presumo) não me convence. Não apenas porque em circunstâncias análogas as direções
já tomaram (e bem, a meu ver) a liberdade de não aplicar a sanção. Como a sua existência
promove, se interpretada de forma automática, a desinteligência (embrulha sr.ª
presidente).
E vejo pouco interesse que se venha dizer que Capucho é isto ou aqueloutro, ou que nunca se manifestou antes contra esta regra. O Capucho somos, para este efeito (e só para este mesmo), todos nós.
Opinião bem diferente tenho quanto a quem ocupa lugares em nome
do partido ou do governo por este apoiado. Estes sim, têm um dever de lealdade
em relação a quem o escolheu para prosseguir determinada política. Mas isso é
outra discussão.
7.2.14
"If you pay peanuts, you get monkeys"
Lido aqui, a propósito do que representa a diminuição do financiamento do Estado (é em francês mas tem uns bonecos ótimos): « Explosion » des dépenses publiques : propagande et vrais chiffres
6.2.14
Aaron Sorkin (ex-heroinómano) sobre a morte de Philip Seymour Hoffman
"Phil Hoffman, this kind, decent, magnificent, thunderous actor, who was never outwardly “right” for any role but who completely dominated the real estate upon which every one of his characters walked, did not die from an overdose of heroin — he died from heroin. We should stop implying that if he’d just taken the proper amount then everything would have been fine."
Na Time
Na Time
E 38 anos volvidos, descubro o cachecol... (que quentinho que isto é!)
Em rigor, nada que cause espanto maior, se pensar que ter-me-ei assoado pela primeira vez aí com uns 14 anos.
5.2.14
Pontes de Mostar à esquerda precisam-se
Temos um país a caminhar para o abismo. O sistema político aparece
aos olhos de uma parte crescente da população como o bode expiatório da crise. Mesmo
assim, temos forças na sociedade que se propõem mudar o estados das coisas
através da instituições existentes, nomeadamente criando partidos e movimentos
de convergência à esquerda (cuja falta constitui um autêntico pé boto do nosso
sistema). Felizmente que assim é.
As condições são ideais para o florescimento
de um qualquer beppe grilismo, cujos contornos cada vez mais deprimentes podem
ser vislumbrados na crónica de hoje do Público de Jorge Almeida Fernandes. Ou pior.
Tristemente, os dirigentes dos partidos da esquerda (PCP, BE e PS) não parecem particularmente
interessados em aproveitar esta oportunidade, estribando-se nos habituais
pretextos (a crónica de hoje de André Freire elenca os mais recentes). Pretextos,
sim, pois se algo resulta claro das explicações oferecidas para a falta de
entendimento é que este (já) não radica sobretudo em quaisquer circunstâncias históricas mas no mais puro taticismo. A nuvem do
descontentamento passará e tudo voltará a ser como dantes, parecem acreditar
uns (o PS). Ou a insatisfação com a crise acabará até por reforçar a sua
posição no sistema, parecem acreditar outros (o BE ainda sonhará em tornar-se o
Syriza de cá, apesar de os resultados das últimas duas eleições aconselharem precisamente
o oposto).
Oxalá ainda se vá a tempo de
aproveitar as circunstâncias de mudar as coisas por dentro (do sistema). Se
estes falharem, outros piores acabarão por entrar em cena. Há alturas em que
uma pessoa não consegue dar-se ao luxo de ser otimista.
15.1.14
A desigualdade, quando nasce, não é para todos. Quem é o nosso Robert Reich?
Talvez um pouco desiludido com o documentário de Robert
Reich sobre desigualdade na América. Não porque não adore o Robert Reich. Não
porque não faça um retrato pungente sobre a evolução da desigualdade na América
(os gráficos são elucidativos: ao pico de concentração de riqueza em poucos -
em cada vez menos - seguem-se as grande crises económicas; os períodos de menor desigualdade são também os de maior crescimento; os períodos de maior crescimento
e menor desigualdade são aqueles em que a justiça fiscal é maior, com os mais
ricos a pagar muito mais impostos; o declínio do poder dos sindicatos
corresponde ao declínio do poder de compra da classe média americana; a relação
entre desigualdade de rendimentos e educação). Não porque, quanto ao essencial,
não aponte o dedo ao que está mal e o que deve ser mudado para garantir uma
sociedade mais próspera e justa. Não porque, no final, não retire o corolário
mais importante, embora insuficientemente explorado: quando o dinheiro e, logo, poder, se concentra em tão poucos, a democracia está em
risco. Lá, como cá, por (uma enorme) maioria de razão.
Mas, gostando muito de
Reich, tem demasiado Reich. É demasiado umbiguista. O que se lê com prazer e
proveito sobre as suas experiências pessoais no fantástico "Locked In the
cabinet", ajudando a contextualizar o relato da sua experiência
governativa, ou o que se vê com divertimento no sketch que fez com Conan O'
Brien, torna-se fastidioso num filme desta natureza. É como ver alguém a
olhar-se ao espelho a cada 5 minutos enquanto nos fala da desigualdade. E os
entrevistados, com exceção do excelente (digam em voz alta: exceção do
excelente) bilionário cujo nome me escapa e critica aguerridamente o sistema
que tudo faz para lhe facilitar a vida, com prejuízo para a generalidade dos cidadãos,
são, de um modo geral, fracos, pouco acrescentando ao filme.
Espremido o
que interessa, o filme daria para uns bons 30 (e não 90) minutos. Mas nem por
isso deve deixar de ser visto por cá. Ajuda-nos a compreender (mesmo sem o
fator União Europeia) os fundamentos do sistema perverso em que nos deixámos
enredar e que está a dinamitar a nossa democracia. Mas isto pode ser mudado.
Assim o queiramos. E bem que podíamos começar por ter um Robert Reich à
portuguesa que fizesse uma coisa do género para cá. Ou uma produção
conjunta entre Portugal, Grécia e Espanha, por exemplo. Quem é o nosso Robert
Reich?
8.1.14
Falsas memórias. Ou ainda bem (ou mal) que este post fica aqui registado. Caso contrário juraria um dia nunca o ter escrito
Ainda bem que não sou uma figura pública ou, pecado dos pecados, político. Memórias falsas é comigo. Sobre coisas que, não sendo fundamentais, ou sequer relevantes, têm pelo menos a importância para ficar registadas, ano após ano, na nossa (quer dizer, na minha) memória. Foi assim que andei a espalhar durante anos, a quem estivesse interessado no meu interessante percurso de vida, que sempre fui péssimo aluno a desenho, orgulhando-me de ter tido uma sólida carreira de uns (sim, 1) na mítica disciplina de Educação Visual. Assim constaria da minha biografia oficial se não tivesse tropeçado no outro dia nas minhas avaliações da escola preparatória e secundária. Espanto: vários 5, alguns 4, alguns 3, e um 2 (num primeiro período). Não constam todas as avaliações e ainda sou capaz de jurar que terei tido mais negativas e, inclusive, pelo menos um 1 ("um 1", eheheheh) algures no tempo. Ou talvez o tenha desejado, tal era o horror à disciplina, que exigia técnicas de aprumo ainda hoje estranhas à minha pessoa (como escrever uma página inteira de um caderno sem riscar algo). Não tenho dúvida que a minha memória está cheia de tardes de domingo que foram dias da semana, de estar numa cidade que afinal era outra, de recordar estar com alguém que afinal estava noutro lugar (quantas vezes não jurei ter ido ver um filme ao cinema com alguém que diz ter a certeza de nunca ter visto o mesmo filme, pelo menos comigo"). Mas, no final de contas, não seremos todos mais ou menos assim? Segundo juro que me lembro, há ficção (como esta) e ciência (como esta) a sugerir que sim (mesmo para quem tem uma memória prodigiosa). Pelo menos, acho que sim. Ou talvez não. Estou confuso.
17.12.13
Nem tudo é economia, estúpidos
O Partido Socialista tem esta coisa engraçada. Por um lado,
a Ciência Política coloca-o entre os partidos sociais-democratas mais ao centro
do espectro ideológico, em comparação com os seus congéneres europeus. Por
outro lado, assumiu as principais bandeiras políticas do Bloco de Esquerda (um
partido da esquerda radical), sendo o responsável pela sua aprovação.
Repito, assumiu as principais bandeiras
políticas do Bloco de Esquerda (um
partido da esquerda radical), sendo o responsável pela sua
aprovação. É o caso da descriminalização do aborto, da descriminalização do
consumo de drogas, bem como do casamento gay. Não se trata de uma contradição
nos seus próprios termos (pois os termos são mais abrangentes do que os
referidos) mas não deixa de ser algo contraditória a relativa insignificância das
principais (repito: principais) bandeiras que ajudaram a construir a identidade
de um partido da esquerda radical no posicionamento ideológico do PS. E nem
falo (repito, nem falo) de bandeiras mais pequeninas como a procriação medicamente assistida,
o fim do divórcio litigioso, a lei da paridade; o aumento do salário
mínimo; o complemento solidário para idosos; a legalização de
milhares de cidadãos estrangeiros (por via de uma nova lei da nacionalidade); o
fim do divórcio litigioso; o aprofundamento dos direitos das uniões-de-facto; a valorização da escola pública, etc. Claro que em causa estão sobretudo diferenças em termos de política económica. A ela dedicarei o próximo post, assim aumentando de forma impressionante a média mensal de posts deste blogue.
16.12.13
De resto, o que Reich e Stewart dizem vale tanto lá como cá. Ainda mais, aliás.
Robert Reich é o maior. Mas Jon Stewart não lhe fica atrás. Ao chegar ao minuto 5, Reich explica como tentar sensibilizar um conservador para a
desigualdade de rendimentos: recorrendo ao exemplo do americano que trabalha a
tempo inteiro - e cada vez mais - e que não vê as suas condições de vida
melhorarem, enquanto os mais ricos enriquecem (sem pleonasmo). Mas, tal como tantas vezes Reich faz nos seus escritos e intervenções, Stewart lembra os que não têm
voz. Os desempregados. Os que dependem dos subsídios para sobreviverem. Bem
sei que é apenas um programa humorístico e as perguntas fugazes. Mas o
respeito pela dignidade de todos quantos se encontram, temporária ou
indefinidamente, nesta situação também
passa por pequenos momentos como estes em que não se deixa que, mesmo que por
omissão, se contribua para a sua estigmatização.
14.12.13
Um funegírico
Só hoje me apercebi do fim do blogue de Pedro Lains:
http://pedrolains.typepad.com/. À falta de conhecimentos sólidos (ok,
conhecimentos) em questões económicas, nele encontrei o esteio que precisava para
interpretar o que nos tem estado a acontecer, sobretudo desde o ano de 2010. No
meio do cerco informativo/ideológico que nos oferecia uma interpretação monoteísta
da realidade, o blogue de Pedro Lains conseguia desmontar as falsas evidências,
convocando um raro conhecimento da história económica, explicado com pedagogia
académica. Como académica era também - como o disse inúmeras vezes - a necessidade
de encontrar uma lógica para o que frequentes vezes nos era apresentado pelo
Governo como inevitabilidades avulsas. O não alinhamento com a narrativa das
inevitabilidades fez com que defendesse, muitas vezes, várias das opções do
anterior Governo no que à gestão da crise diz respeito. Governo (ou seria
apenas o primeiro-ministro, não me recordo bem) pelo qual, disse-o várias
vezes, não tinha particular simpatia. Antes pelo contrário. Mais do que
defender, recusou terminantemente uma visão apolítica - ou anti-política - da
crise, que queria (e ainda quer) vender-nos as inevitabilidades como soluções
técnicas para os nossos problemas, contra as quais a política nada podia
contrapor. A democracia oferece sempre alternativas, reclamava. A atrapalhar-me
entre o panegírico e o elogio fúnebre (bem, é verdade que o blogue morreu), acho que queria apenas dizer que gostei muito do blogue e que vai fazer falta.
1.11.13
Por que correm os políticos?
Espreito, por curiosidade, a página do facebook de um
ex-colega com quem trabalhei e por quem tenho estima e simpatia (o Pedro Ramos
de Almeida), que se candidata a presidente da comissão política concelhia de
Oeiras do PS. Para não variar, fico impressionado com a trabalheira que dá
olear a democracia (podia falar aqui do facto poucas vezes apontado de que sem
esta competição não há democracia; talvez outro dia).
Reunião terça à noite;
sessão de esclarecimento na quinta às 19.00; Intervenção no sábado às 11.00;
mais não sei o quê no domingo, na quarta e na sexta. E penso que seria
divertido se os políticos fossem recrutados por anúncio:
Aceitam-se candidatos
a Político, com as seguintes condições: disponibilidade 7 dias por semana, incluindo
feriados, trabalho por turnos (às vezes de dia, às vezes à noite, às
vezes de dia e de noite); Capacidade para falar em público (muitas vezes sem
tempo para preparação); submeter-se ao escrutínio (e muitas vezes mediático) de tudo o
que diz e faz; remuneração improvável nos
primeiros anos de atividade (embora, de tempos a tempos, haja carne assada para
os mais voluntariosos). Bem, imaginei isto mas com graça.
Uns poucos, chegarão um dia ao poder local. Menos ainda, ao
poder nacional. As condições de trabalho só se agravarão (tchau família),
embora tenham, desta vez, uma justa compensação (material e, para quem ligue a
essas coisas, pelo serviço público). A maioria, como os espermatozóides (as
analogias e os parêntesis são o meu ponto fraco), ficarão pelo caminho, dando o
seu contributo indispensável sem receber nada de significativo em troca.
Por que correm eles? Não sei. Sei que comigo não
contam para responder a este anúncio. Tenho uma família (que anseia, naturalmente, por todos os momentos que pode passar com a minha pessoa) e, em geral, coisas melhores com que ocupar o
meu tempo. E vocês?
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