
12.11.14
(Livros a ler; abrir nova pasta; os 5 melhores livros de ex-presidentes americanos)
De acordo com Ted Widmer, historiador na Brown University, estes são os cinco melhores livros de ex-presidentes americanos que, tal como o artigo do Politico, valem mesmo a pena ler.
- Thomas Jefferson, Notes on the State of Virginia (1785 Paris, 1787 London)
- Ulysses Grant, Personal Memoirs of U.S. Grant (1885)
- Herbert Hoover, Fishing for Fun and to Wash Your Soul (1963)
- Dwight D. Eisenhower, At Ease: Stories I Tell to Friends (1967)
- Jimmy Carter, An Hour Before Daylight: Memories of a Rural Boyhood (2001)
11.11.14
Aviso aos órgãos de comunicação social
Não leio (nem abro) notícias em que o que devia ser um
título não é mais do que um teaser.
10.11.14
Lembrar o presente
O Muro de Berlim caiu há 25 anos. Gosto de efemérides que ainda nos são próximas, e desta em particular. São um bom pretexto para recordarmos o que não devia estar tão esquecido ao longo do ano. Ou dos anos. Mas é precisamente aqui que isto se torna um pouco bizarro. É pouco, muito pouco, estas evocações de números redondos. Que nos recordam, por exemplo, por breves instantes a relação problemática que o PCP tem com a liberdade. Para logo de seguida se amnesiar. Precisamos treinar mais a memória do presente.
6.11.14
Vozinhas
Ver este vídeo de Pires de Lima no Parlamento é deveras constrangedor, o que acaba por ter graça. E por isso digno de partilha, pois é giro rirmo-nos dos outros (e de nós próprios, claro), sobretudo quando é inofensivo. Mas é só isso. Não há quaisquer ilações políticas a tirar.
Já o jornalismo chamar a este exercício uma ironia (cfr. site da sic e num outro que agora me escapa) é que me escandaliza. Ironia vem no dicionário e não é isto. Mesmo dito com aquela vozinha.
Em matéria de vozinhas, voz ao Porta dos Fundos
5.11.14
Sob o véu da independência, este discurso é profundamente anti-democrático, por recusar o que está no centro da democracia: que o poder resulta de escolhas, legitimadas pela maioria dos cidadãos. Governos de filósofos (mesmo que pós-graduados em contabilidade), únicos detentores da razão, ofendem a democracia. E por se insinuar como o contrário, é preciso denunciá-lo (eu sei, há senhores que ocupam certos órgãos de soberania que também se acham detentores da verdade; esses não ofendem menos)
"Se aparecer um projeto independente, com pessoas credíveis do ponto de vista técnico, e com vontade de governar olhando ao interesse do país e não olhando a ideologias e se me disserem 'precisamos de ti', no futuro poderei pensar duas vezes e dizer 'sim, senhor'. Mas nunca nesta conjuntura político-partidária e nunca em algum dos partidos atuais".
Sem papas na língua, José Gomes Ferreira admite, em entrevista ao jornal "i" desta quarta-feira, poder vir a participar num projeto político independente, mesmo garantindo estar sobretudo interessado em continuar a ser jornalista e escrever livros.
(...)
(...)
Mais em José Gomes Ferreira admite entrar na vida política
Enquanto não temos um "Podemos" temos um "Precisamos" (de ti, josé gomes ferreira)
"Se aparecer um projeto independente, com pessoas credíveis do ponto de vista técnico, e com vontade de governar olhando ao interesse do país e não olhando a ideologias e se me disserem 'precisamos de ti', no futuro poderei pensar duas vezes e dizer 'sim, senhor'. Mas nunca nesta conjuntura político-partidária e nunca em algum dos partidos atuais".
Sem papas na língua, José Gomes Ferreira admite, em entrevista ao jornal "i" desta quarta-feira, poder vir a participar num projeto político independente, mesmo garantindo estar sobretudo interessado em continuar a ser jornalista e escrever livros.
(...)
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Mais em José Gomes Ferreira admite entrar na vida política
O que dava para que fosse em frente, ganhasse eleições, governasse quatro anos, convivesse com a democracia e com o escrutínio público. E depois, pudéssemos fazer rewind.
"Se aparecer um projeto independente, com pessoas credíveis do ponto de vista técnico, e com vontade de governar olhando ao interesse do país e não olhando a ideologias e se me disserem 'precisamos de ti', no futuro poderei pensar duas vezes e dizer 'sim, senhor'. Mas nunca nesta conjuntura político-partidária e nunca em algum dos partidos atuais".
Sem papas na língua, José Gomes Ferreira admite, em entrevista ao jornal "i" desta quarta-feira, poder vir a participar num projeto político independente, mesmo garantindo estar sobretudo interessado em continuar a ser jornalista e escrever livros.
(...)
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Mais em José Gomes Ferreira admite entrar na vida política
3.11.14
A pensar nas gerações futuras
Ao confirmar o brilho nos olhos com que as crianças ouvem e
replicam um palavrão (não importa verdadeiramente qual), alimentando-lhes a
imaginação e a vontade de participar, imagino um sistema de ensino que
apostasse na transmissão de conhecimentos (na matemática, na língua portuguesa,
etc) através do uso abundante de palavrões. E antecipo as vantagens, aliás
evidentes: 1) despertar um interesse inaudito por estas matérias; 2) possivelmente,
desmistificar o recurso às palavras proibidas, consabidamente as mais
apetecidas, esvaziando grande parte do seu interesse (a médio prazo, este
efeito teria um impacto negativo sobre o primeiro, altura em que teria de se
repensar o presente modelo); 3) evitar o embaraço académico por decisões motivadas,
na melhor das hipóteses, pelo pudor causado por um palavrão.
Escrutinar o escrutinador
Esta (esta) crónica do Pedro Adão e Silva, no último Expresso, sobre o escrutínio aos media, merecia uma sequela (várias, aliás). Fica ainda demasiado por dizer.
A palavra chave daqui é "bloqueio". Mas qual bloqueio?
"Tem-se falado muito na necessidade de revisão do sistema eleitoral. Não é um bloqueio?
O que é que funciona mal no nosso sistema eleitoral? Ele permite a representação de todos os partidos políticos, mesmo os mais pequenos; não bloqueia a entrada no Parlamento de novos partidos, faz uma representação de todas as correntes, tem permitido a alternância democrática, tem permitido a formação de governos maioritários. O que é funciona mal?"
O que é que funciona mal no nosso sistema eleitoral? Ele permite a representação de todos os partidos políticos, mesmo os mais pequenos; não bloqueia a entrada no Parlamento de novos partidos, faz uma representação de todas as correntes, tem permitido a alternância democrática, tem permitido a formação de governos maioritários. O que é funciona mal?"
Entrevista a Jorge Reis Novais, no Público de hoje
La chute
Fui informado de viva voz,
sem apelo nem agravo. Estou proibido de escolher filmes para ver em casa nos
próximos tempos (presumo que só vigore nos tempos mais próximos...).
Isto magoa uma pessoa. Não
porque tenha a pretensão de ter olho para bons filmes. Não tenho. Mas porque em
tempos fui considerado (por mim próprio, é certo, mas ainda assim) um
especialista na área dos "grandes filmes de merda", normalmente
comédias, que vão desde o divertido Shangai
Noon (dobrado em francês, de preferência), do grande jackie chang, até outros
filmes (mas não todos) do grande jackie chang, passando pelos filmes mais
antigos do dennis quaid (como o micro-herói) ou algumas comédias do nick nolte
(aquele dos fugitivos, não por acaso também com o martin short).
A causa mais próxima desta
pesada sentença foram dois filmes: um com o Mark Ruffalo e a Keira knightley e
outro com o zach braff. Ambos inclementes xaropadas. Mas houve outros.
Com o orgulho ferido,
parece que só vou ver filmes decentes nos próximos tempos. Não me conformo.
31.10.14
Dia das bruxas verdadeiramente assustador
Máscaras de
isildas pegados, césares das neves e josés antónios saraivas por toda a parte.
"Fuck Chicago" ou um filme sobre o que realmente importa
Acontece-me com frequência. Filmes, ou livros, relativamente aos quais
a leitura que deles faço resulta clara e pouco ambígua.
Há bons filmes nesta categoria. E muitos maus. Depois há outros, que fazem
lembrar aquelas caricaturas que vistas de uma forma são uma coisa mas de pernas
para o ar outra completamente diferente. É o caso de Locke, filme recomendado
com entusiasmo por amigos, armadilha sempre perigosa por elevar as expetativas
e, assim, a possível desilusão. Mas não foi o caso. Uma das leituras que fiz do
filme:
Locke é um filme banal. Quer dizer, não é nada banal, é até
muito bom, mas debruça-se sobre a banalidade da vida. Não que a vida seja banal
no sentido de desinteressante. Antes pelo contrário. Porque uma vida banal é
feita de imbanalidades. Como de erros banais, como uma infidelidade (confirmo-o
nos livros, nos filmes, nas telenovelas). "Foi apenas desta vez", confessa
Locke - o personagem principal - à mulher.
Locke, que dito em voz alta remete-nos para a ideia de
prisão, de ficarmos presos aos nossos erros, às nossas ações, circunstância do
homem moral. E que há uma forma moral de enfrentar os erros. É o que Locke
pretende fazer, ao estar presente no nascimento do filho fruto daquela
infidelidade. Para que não faça como o seu pai, que, em circunstâncias
semelhantes, apenas se deu a conhecer quando Locke tinha 22 anos. Porque não se
estará também sempre a tempo de corrigir os erros. "Mais valia que nunca
tivesses aparecido", diz, a certa altura, Locke em voz alta, imaginando o
pai sentado no banco detrás do carro, onde, aliás, toda a ação decorre (no
carro, não especificamente no banco de trás; não é desses filmes). Presos aos
nossos erros mas também aos dos nossos pais, que, de alguma forma, carregamos
connosco.
Qualquer desvio à moral é tramado e pode ter consequências
potencialmente devastadoras. Por mais pequeno que seja. Ou melhor, Locke sabe
que não há desvios pequenos. Como lhe devolve a certa altura a mulher, a
diferença entre não fazer (nunca) e fazer uma só vez é toda a diferença do
mundo. Veja-se como Locke insiste, quase patologicamente, em cumprir o limite
de velocidade na estrada, apesar de o seu mundo estar a desabar e estar
atrasado para o nascimento do filho. No entanto, esta intransigência moral coexiste
com uma enorme humanidade, aquela que permite um olhar compreensivo sobre os
erros dos outros, desde que, no final de contas, o lastro deixado seja
positivo. Uma espécie de tolerância devida aos bons.
O filme passa-se todo no carro, numa viagem de quase uma
hora e meia (a mesma duração do filme), em que ficamos a conhecer, através dos
telefonemas, da linguagem corporal de Locke e dos seus monologos, o drama em
que este se encontra. Isto suscita uma reação curiosa por parte de quem fala do
filme, apressando-se a explicar o feito, aparentemente surpreendente, de podermos
ficar presos a um filme em tão monótono cenário. Mas, na verdade, isso tem
pouco de extraordinário. O turbilhão que é a vida (isso: a morte, o amor, a
família, as escolhas que fazemos, tudo o resto) acontece por regra nos mais entediantes
cenários ou, pelo menos, os do nosso quotidiano, como uma banal viagem de carro.
Não esperam, por norma, por uma visita a Paris ou Buenos Aires.
É, enfim, um filme sobre as coisas que importam na vida, cuja síntese pode ser encontrada na resposta que Locke dá ao ex-patrão: "fuck Chicago".
30.10.14
Divertimento e horror
Noto com divertimento que alguns dos que me acusam de não ser recetivo à música que se faz hoje (ou nas últimas décadas) e de só ouvir música antiga, são os mesmos que se gabam de só ler autores clássicos, cultivando serena impermeabilidade às influências dos vivos.
Também noto com horror a facilidade com que consigo notar com divertimento algo apenas poucos segundos depois de falar do Holocausto.
8.10.14
Voto que é útil
"A única forma de um novo sujeito político à esquerda não ser prejudicado pelo voto útil é mostrando que está genuinamente disponível para governar – sob condição, claro – e que por isso o voto em si nunca será desperdiçado."
Pedro Nuno Santos, no I
Pedro Nuno Santos, no I
3.10.14
Dioptrias ideológicas
A Economist é uma revista assumidamente alinhada com a direita neoliberal. O que não impede que seja também uma boa revista. O que não impede, por sua vez, que, por vezes, sacrifique esta última em nome da primeira. Como neste texto surreal. De cegueira ideológica.
France
The last Valls
Manuel Valls heads the most reformist government France has seen for many years. But might the beneficiaries be Nicolas Sarkozy and Marine Le Pen?

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