23.9.14

Não percebi quase nada do artigo mas parece altamente promissor (salvar o planeta. E de borla).



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This just in: Saving the planet would be cheap; it might even be free. But will anyone believe the good news?
I’ve just been reading two new reports on the economics of fighting climate change: a big study by a blue-ribbon international group, the New Climate Economy Project, and a working paper from the International Monetary Fund. Both claim that strong measures to limit carbon emissions would have hardly any negative effect on economic growth, and might actually lead to faster growth. This may sound too good to be true, but it isn’t. These are serious, careful analyses.
But you know that such assessments will be met with claims that it’s impossible to break the link between economic growth and ever-rising emissions of greenhouse gases, a position I think of as “climate despair.” The most dangerous proponents of climate despair are on the anti-environmentalist right. But they receive aid and comfort from other groups, including some on the left, who have their own reasons for getting it wrong.
Where is the new optimism about climate change and growth coming from? It has long been clear that a well-thought-out strategy of emissions control, in particular one that puts a price on carbon via either an emissions tax or a cap-and-trade scheme, would cost much less than the usual suspects want you to think. But the economics of climate protection look even better now than they did a few years ago.
On one side, there has been dramatic progress in renewable energy technology, with the costs of solar power, in particular, plunging, down by half just since 2010. Renewables have their limitations — basically, the sun doesn’t always shine, and the wind doesn’t always blow — but if you think that an economy getting a lot of its power from wind farms and solar panels is a hippie fantasy, you’re the one out of touch with reality.
On the other side, it turns out that putting a price on carbon would have large “co-benefits” — positive effects over and above the reduction in climate risks — and that these benefits would come fairly quickly. The most important of these co-benefits, according to the I.M.F. paper, would involve public health: burning coal causes many respiratory ailments, which drive up medical costs and reduce productivity.
And thanks to these co-benefits, the paper argues, one argument often made against carbon pricing — that it’s not worth doing unless we can get a global agreement — is wrong. Even without an international agreement, there are ample reasons to take action against the climate threat.
But back to the main point: It’s easier to slash emissions than seemed possible even a few years ago, and reduced emissions would produce large benefits in the short-to-medium run. So saving the planet would be cheap and maybe even come free.


Enter the prophets of climate despair, who wave away all this analysis and declare that the only way to limit carbon emissions is to bring an end to economic growth.
You mostly hear this from people on the right, who normally say that free-market economies are endlessly flexible and creative. But when you propose putting a price on carbon, suddenly they insist that industry will be completely incapable of adapting to changed incentives. Why, it’s almost as if they’re looking for excuses to avoid confronting climate change, and, in particular, to avoid anything that hurts fossil-fuel interests, no matter how beneficial to everyone else.
But climate despair produces some odd bedfellows: Koch-fueled insistence that emission limits would kill economic growth is echoed by some who see this as an argument not against climate action, but against growth. You can find this attitude in the mostly European “degrowth” movement, or in American groups like the Post Carbon Institute; I’ve encountered claims that saving the planet requires an end to growth at left-leaning meetings on “rethinking economics.” To be fair, anti-growth environmentalism is a marginal position even on the left, but it’s widespread enough to call out nonetheless.
And you sometimes see hard scientists making arguments along the same lines, largely (I think) because they don’t understand what economic growth means. They think of it as a crude, physical thing, a matter simply of producing more stuff, and don’t take into account the many choices — about what to consume, about which technologies to use — that go into producing a dollar’s worth of G.D.P.
So here’s what you need to know: Climate despair is all wrong. The idea that economic growth and climate action are incompatible may sound hardheaded and realistic, but it’s actually a fuzzy-minded misconception. If we ever get past the special interests and ideology that have blocked action to save the planet, we’ll find that it’s cheaper and easier than almost anyone imagines.

11.7.14

Andando a ver filmes

Ontem "fui" ver este filme ("Tal pai, tal filho"), há meses à espera de uma oportunidade. É tudo o que o Porfírio Silva escreveu sobre ele, que descaradamente reproduzo aqui em baixo (não vos vá faltar forças para carregar no link). Só não escreveria talvez a parte em que me diria conhecedor dos atuais problemas da sociedade japonesa. Até podia dizer, mas estaria a mentir. Ao contrário do Porfírio. Mas estou a entaramelar. Queria ainda acrescentar duas coisas. Não sei se foi intencional mas a escolha da primeira variação das Variações de Goldberg, triste e contemplativa mas um prenúncio de exultação, deixa entrever um futuro otimista para aquelas famílias e, conhecendo como conheço os atuais debates na sociedade japonesa, do futuro das famílias japonesas. A outra coisa é o que este filme me fez lembrar aquele outro, do mesmo realizador japonês (já com uns anos), Andando, também sobre a família - oriental, ocidental, e tal. E que tem este cartaz maravilhoso.




"Fomos ver "Tal pai, tal filho", do realizador japonês Hirokazu Koreeda. O filme é apresentado como o desenvolvimento dramático de uma troca de bebés à nascença, só esclarecida por volta dos seis anos de idade das crianças envolvidas. Toda a dialéctica entre natureza e cultura está envolvida nas duras opções entre sangue e amor que esta situação coloca em jogo. Já por esse lado o filme valeria a pena, sendo que tudo é tratado com fina sensibilidade, sempre rodeada pelos perigos da delicadeza japonesa (espécime que pode tornar-se cortante facilmente).
Contudo, conhecendo um pouco dos actuais debates e dilemas da sociedade japonesa, nota-se que o verdadeiro tema do filme é outro: o desequilíbrio das relações familiares, com os homens a tornarem-se estranhos às suas famílias, especialmente aos seus filhos, em nome da carreira e do sucesso. Apesar de uma certa "preocupação burocrática" não desarmar, dando a ideia de que os pais continuam a ser (bons) pais mesmo assim. O filme é, para o Japão do momento, um verdadeiro filme de intervenção: um grito pela humanidade da família, "pais, precisam-se". Desse ponto de vista, o episódio narrado não é uma curiosidade, é antes uma questão para todos. Também por cá.
O único enviesamento grave do filme é fazer de conta que esta dificuldade só conta para os homens, quando ela é cada vez mais um factor decisivo no estatuto social da mulher e nas relações entre homens e mulheres no país do sol nascente.
Um filme a ver. Com olhos de ver,  não com olhos de crítico apressado."

Porfírio Silva, aqui

eu, que não primo pela qualidade das minhas metáforas - e não é por falta de esforço - acho esta comparação simplesmente abjeta (que é uma outra forma de dizer nojo)


"O engenheiro Sócrates é muito responsabilizado, e não há ninguém que o responsabilize mais do que eu, mas eu vejo-o como aquele egípcio que tomou os comandos do Boeing que se precipitou sobre as Torres Gémeas", comparou Daniel Bessa.

Daniel Bessa disse que "já o Boeing ia a caminho das Torres Gémeas e ele [José Sócrates], no cumprimento de um guião qualquer, sentou-se ao comando, acelerou quanto pôde e, connosco lá dentro, enfiou-se contra as Tores Gémeas". "É um destino, não tem nada de mal, cada um cumpre a sua função na vida e portanto ficará para a história por isso"

Público de hoje

10.7.14

Ver o mundo a cores (ou a preto e branco)


Filho de 5 anos, ao ver passar na TV os jogadores da Holanda:
- Bhec , não gosto deste preto. Odeio preto.

Pai horrorizado (seguido de incredulidade e de breve paralisação):
- Blá, blá, blá (preleção...).

Filho de 5 anos (não particularmente impressionado):
- Não é isso, não gosto do equipamento do guarda-redes. É preto. E eu odeio preto.

Pai um pouco menos horrorizado (mas ainda agitado):
- Ahh, pensei que... (blá, blá, blá, nova preleção...)

Filho de 5 anos:
- Nãããão, esse é castanho. E eu gosto de castanho.

Pai hesita, optando por avançar, desanimadamente, para novo discurso, mas não sem antes entrever pelo canto do olho o divertido gozo com que filha mais velha observa o desnorte do pai.

9.7.14

Jornalismosaço

Ao ver as capas dos jornais e as reportagens na televisão após a derrota histórica do Brasil face à Alemanha, concluo isto: os jornalistas estão mais humilhados, destroçados, vexameados (e toda uma panóplia mais de adjetivos tonitruantes) do que a generalidade dos restantes mortais, incluindo os mortais brasileiros.

Ainda a propósito do cumprimento das promessas eleitorais, recordo que um dia inventei uma app que permite o controlo do cumprimento destas promessas

Mas lá que dava uma bela app dava.

Este pequeno vídeo é qq coisa. É verdade que tem uma pessoa desajustadamente de gravata. Mas tem pedagogia. O valor da crítica (dos pares). E um sobressalto: aquelas meninas podiam estar assim vestidas numa escola francesa?


Austin's Butterfly: Building Excellence in Student Work - Models, Critique, and Descriptive Feedback from Expeditionary Learning on Vimeo.

Políticos portugueses são dos que mais cumprem as suas promessas eleitorais,

conclui um estudo internacional, como se pode ler aqui.

Ainda no outro dia recordava isso mesmo aqui



A venerar o líder três vezes por dia

"On my block, a lot of people walk their dogs and I always see them walking along with their little poop bags. 

This, to me, is the lowest activity in human life. Following a dog with a little scooper. Waiting for him to go so you can walk down the street with it in your bag. 

If aliens are watching this through telescopes, they're going to think the dogs are the leaders of the planet. 

If you see two life forms, one of them's making a poop, the other one's carrying it for him, who would you assume is in charge?"

Seinfeld

5.7.14

Cavaco, um grão de areia no oceano


Não posso com Cavaco nem pintado às bolinhas. Mas dizer que toda a nossa desgraça começou com Cavaco é, por paradoxal que possa parecer, cair no engodo da narrativa da direita de que a crise em que estamos metidos tem origem interna.

Houve muita coisa mal feita nos governos que conduzem Portugal desde o 25 de abril? Seguramente. Eu acho que o pior veio da direita (uns governos piores do que outros). Outros acharão que veio da esquerda (uns piores do que outros).

Mas entendamo-nos. Aquilo por que estamos a passar tem origem numa crise internacional e, depois, nas respostas políticas que Bruxelas (leia-se, Berlim, em primeira instância) e, depois, Lisboa (leia-se, São Bento), continuam a defender (leia-se, a austeridade). E tudo isto veio pôr a nu e exacerbar as fragilidades que pelos vistos a moeda única tinha (para as economias mais frágeis) mas que poucos estavam dispostos a reconhecer. 

Meter Cavaco (exceto na medida da sua inépcia em desempenhar o seu papel de árbitro nesta crise, que, entretanto, se convolou também, nalguma medida, em crise política) e os seus governos nisto é ajudar a direita a atirar-nos areia para os olhos. Que, como se sabe, é fácil lá ir parar mas tramado como tudo para nos vermos livres dela. A areia.

4.7.14

Dilemas ecológicos na cidade


Apanhar o cocó do meu cão (há formas mais polidas de dizer isto mas perdem em realismo) com saco de plástico? Sim.

Mas não devia evitar usar sacos de plástico, particularmente nocivos para o ambiente? Sim.

Apanhar então o cocó do meu cão com panfleto publicitário de papel (sempre à mão), material esse altamente biodegradável? Sim.

Mas não devia evitar que os cidadãos que vasculham diariamente os caixotes da minha rua apanhem, inadvertidamente, com o cocó do meu cão, utilizando, para o efeito, um saco de plástico? Sim.

Por enquanto, apanhar o cocó do meu cão (há formas mais polidas de dizer isto mas perdem em realismo) com saco de plástico? Sim.

3.7.14

O total desinteresse dos deputados europeus portugueses pela Comissão de Petições é uma coisa que me chateia


Perguntava no outro dia se nesta legislatura a Comissão de Petições do Parlamento Europeu contaria, contrariamente ao que aconteceu nos últimos anos, com algum deputado português.

Não quero sugerir que as petições europeias têm mais importância do que realmente têm (quer dizer, na verdade estou). Mas ignorar pura e simplesmente o seu papel, quando um dos grandes desafios com que a UE se defronta é o seu afastamento em relação aos cidadãos europeus, é, no mínimo, um bocado parvo.

É que este é, para todos os efeitos, o único meio ao dispor dos cidadãos europeus (o que ainda resta desse vínculo hoje em dia) para, fora dos ciclos eleitorais, propor ou contestar diretamente uma iniciativa comunitária ou nacional (com incidência nas competências da UE), tendo direito a que seja elaborado um relatório sobre o pedido e até, nalgumas circunstâncias, ser ouvido pelos deputados europeus (com custos pagos).

Ontem foram escolhidos os seus 53 membros (suponho que suplentes e efetivos), voltando a não haver qualquer português, o que é bastante triste. Há comissões mais importantes, claro que há. E temos poucos deputados, claro que temos. Mas a verdade é que há muitos deputados de outros países que investem nesta comissão. Como se pode ver no quadro abaixo* (ou aqui):


*Portugal tem 21 deputados no PE e zero deputados na Comissão de Petições. A Grécia, com o mesmo número de deputados, tem 4 membros na Comissão de Petições.

26.6.14

A melhor música de mundial de sempre

Infografia constitucional

New York Times

Fotos em alemão da I Grande Guerra


No Spiegel online.

A política é mesmo um lugar tramado

E isso confirma-se uma vez mais, aos meus olhos, quando assisto à ironia de ver aqueles que denunciam fundadamente as canalhices dos outros a contribuírem, involuntária e injustamente, para uma certa irrespirabilidade que estas permanentes acusações também causam. Correndo o risco de se parecerem mais iguais do que ao que são. Sempre repudiei as analogias entre política e contextos domésticos. Mas todos teremos um pouco de Frei Tomás [também sempre repudiei analogias com recurso a ditados populares. Mas, afinal, todos teremos um pouco de Frei Tomás...(!)]. Analogias domésticas. Os meus filhos pequenos. À vigésima recriminação do outro, desinteresso-me de saber quem tem ou não tem razão (mesmo que seja quase sempre o mesmo) e quero é que não me cansem. Quanto mais a discussão política for feita com base nas propostas e, porque não, nos diferentes estilos de fazer política, mais evidente se tornará a melhor escolha. 

24.6.14

A urgência da urgência


Excelente artigo de José Vítor Malheiros que, de tão simples e certeiro que é, até dói. Claro que "acabar com a pobreza", "já", é um programa destinado a ser incumprido e, inevitavelmente, a criar insatisfação entre os seus apoiantes. Mas o combate à pobreza exige insatisfação e indignação, o verdadeiro motor de qualquer mudança neste sentido.

Calma, mas "acabar com a pobreza, e já", não é mera retórica utópica, desligada dos constrangimentos políticos reais? Nada disso. Basta pensar no que aconteceu com a Saúde e a Educação no Portugal democrático (não por acaso áreas tangentes à questão da pobreza). 

Claro que ainda existem pessoas a quem faltam os adequados cuidados de saúde ou que não cumpriram a escolaridade obrigatória. No entanto, foi a sua ambição universal, a ser cumprido "já" (ambição que encontra tradução jurídica na força que a Constituição lhes dá como direitos fundamentais), que permitiu o extraordinário avanço na saúde e na educação dos portugueses desde o 25 de abril.


Universalizemos, pois, também a não pobreza. Sabendo que, na saúde, na educação ou no combate à pobreza, nunca nos podemos dar por satisfeitos. Ou nunca aqui teríamos chegado (e, mesmo apesar destes últimos anos de austeridade demente, temos de admitir que já andámos muito se olharmos para trás).

16.6.14

Estamos onde estamos também porque, a certa altura, nos esquecemos de explicar de onde vem e para onde vai o dinheiro. Plágio bom

O Guardian testa os conhecimentos dos seus eleitores acerca do sistema fiscal britânico. Vale a pena fazer o teste, nem que seja para concluir o que começa a ser, cada vez menos, uma surpresa: que, em vez de corrigir, o sistema agrava as desigualdades (ver texto do jornal britânico que se reproduz abaixo). E por cá, não há edições online de jornais com vontade de plagiar a ideia?

"Nearly seven in ten people – 68% – of the 1,036 adults polled by The Equality Trust and Ipsos MORI, dramatically underestimate what the poorest pay in tax and wrongly believe the richest face the biggest tax burden.

In reality, households in the lowest 10% income group pay 43% of their income in tax, while average households and those in the highest 10% both pay just 35% – 8 percentage points less than those in the lowest 10%. Since 1986, the bottom 10% of households have paid a greater proportion of their income in tax than the middle and the top 10%.

People's inaccurate understanding of the tax system can be attributed to people's tendency to disproportionately focus on income tax, finds the report from the Equality Trust. Yet income tax constitutes only a small portion of the tax the bottom 10% pay.

The largest tax that affects households in the bottom 10% is VAT. The bottom 10% of households pay 11.6% of their total income in VAT, almost double the proportion of the average household and almost three times that paid by the top 10%.

Council tax affects the bottom 10% substantially more than the top 10%. These households pay over twice as much of their income in council tax as the average household and more than four times as much as the top 10%.

When asked about how to make the tax system fairer, on average, people said the poorest 10% should be taxed just 15% of their income, or 28% percentage points less than they currently are. They believe the richest 10% should be taxed 39%, or 4 percentage points more than now."

9.6.14

A difícil aprendizagem da democracia (um comentário idiota é um comentário idiota. mesmo que do outro lado esteja um le pen)


Matt Stenglass é o correspondente da "The Economist" na Holanda.

Mesmo não sendo camarada, tão pouco tenho vergonha...

... para além de muito do que aqui vem referido, da descriminalização do consumo de drogas, da procriação medicamente assistida ou do casamento gay; tão pouco tenho vergonha do aprofundamento dos direitos das uniões-de-facto, do fim do divórcio litigioso ou da lei da paridade; muito menos tenho vergonha da legalização de milhares de cidadãos estrangeiros (por via de uma nova lei da nacionalidade), do reforço dos direitos dos consumidores ou da limitação de mandatos. 

Nem todas as medidas são motivo de orgulho. Algumas são generosas mas terão sido mal implementadas (ainda hoje tenho dúvidas se será o caso da avaliação de professores). Outras já nem as subscreveria (como os hospitais PPP nos moldes em que foram lançados) e outras ainda sempre me contrariaram. E, claro, tantas medidas ficaram por tomar, nomeadamente ao nível da regulamentação e tributação do setor financeiro. 

Mas lacunas, omissões e erros encontraremos, inevitavelmente, em todos os governos. Na minha avaliação, poucos governos do Portugal democrático se podem orgulhar de ter concretizado uma agenda tão ambiciosa de modernização e combate às desigualdades como a que foi feita nos governos Sócrates. 

Serei, naturalmente, sempre suspeito por ter colaborado, à minha insignificante escala, com este programa (sim, num tempo que cultiva a descrença nos políticos, é bom lembrar que muitas destas medidas decorreram de compromissos eleitorais). Quanto a isso, nada posso fazer. A não ser assumir que também disso não tenho vergonha. Muito pelo contrário. 

5.6.14

Escrutínio constitucional


Desde 2007, os candidatos a juízes do Tribunal Constitucional são sujeitos à audição prévia do Parlamento. Ou seja, dos deputados da nação. De todos os partidos aí representados. Não conheço melhor - e mais democrático - escrutínio que este.

Qual é coisa qual é ela que foi promovida pelo PS, apoiada pelo primeiro-ministro José Sócrates e coordenada por Seguro?


A introdução do seguinte artigo no Regimento da Assembleia da República

3.6.14

Pinta geek


À venda aqui

O acórdão não presta para nada mas é o acórdão (hipótese académica). É como este Governo ( )

É absolutamente normal e saudável que as decisões do Tribunal Constitucional sejam criticadas. Não gosto do argumento que, face às críticas, atira com "mas o que o Tribunal Constitucional está a fazer é meramente a zelar pelo cumprimento da Constituição". Em si, este argumento mata qualquer possibilidade de discordância quanto ao mérito do acórdão.

Há várias maneiras de interpretar a Constituição, todas com estribo jurídico. E nem a quase unanimidade, quando exista, inibe a crítica. Mal seria. Concedo facilmente que o próprio Governo considere que as normas do orçamento eram conformes à Constituição, na interpretação que dela fazem. E não faltam constitucionalistas, no Governo e fora dele, a caucionar este entendimento, embora sejam, assim em jeito de golpe de vista, claramente minoritários.

A mim, nem me choca particularmente que este seja o vigésimo quarto (atiro ao ar) chumbo do TC a uma iniciativa legislativa deste Governo. Uma das maravilhas da democracia é dar-nos instrumentos para dirimir estes conflitos, que serão, numa sociedade pluralista (e o pluralismo existe igualmente na ciência jurídica), relativamente banais.

Dito isto, para que isto funcione (e isto é a democracia, com tudo o que comporta, como a separação de poderes e o estado direito), o que não se pode fazer, pois mina as regras do jogo, é um dos órgãos de soberania (e à cabeça o Governo) pôr em causa a legitimidade e o papel dos restantes órgãos de soberania. Isto é inaceitável, porque anti-democrático.

Perante isto, como era bom que tivéssemos um outro órgão de soberania (assim que funcionasse como uma espécie de árbitro), que, no cumprimento do seu papel constitucional, pudesse dizer alguma coisa sobre o assunto. Podia chamar-se assim tipo Presidente do País ou coisa do género. E também podia servir para receber os jogadores da seleção nacional antes de participarem em eventos desportivos, tipo mundial. Deviam pensar nisto.

Imagino que seja sobretudo uma questão de não estar para aí virado quando...

... tantos que gostam do mesmo que eu dizem que um filme ou um livro é espetacular e eu acho apenas medíocre. É justamente o que se passa com a crónica de Ferreira Fernandes de hoje, também para mim o mais entusiasmante cronista da imprensa portuguesa. Dizem que é genial. Pareceu-me sobretudo confusa, embora o final seja engraçado. Dias.

2.6.14

Fartura: mais uma boa notícia para o futuro da Europa

Potential consequences of lowering voting age to 16 have been discussed in recent scientific and public debates. This article examines turnout of young voters aged 16 to 17 in Austria, the first European country that lowered the general voting age to 16. For this purpose we use unique data taken from electoral lists of two recent Austrian regional elections. The results support the idea that the so-called “first-time voting boost” is even stronger among the youngest voters as turnout was (a) higher compared to 18- to 20-year-old first-time voters and (b) not substantially lower than the average turnout rate. We conclude that our findings are encouraging for the idea of lowering voting age as a means to establish higher turnout rates in the future.

EVA ZEGLOVITS & JULIAN AICHHOLZER
University of Vienna, Austria
Journal of Elections, Public Opinion and Parties, 2014

Bugalho: "Lentilha que se introduz na fístula para excitar a supuração" (www.priberam.pt/dlpo)

Excelente mesmo, este artigo de Krugman, ainda sobre a desigualdade e Piketty. E muito instrutivo. Duas coisas que ainda não tinha percebido. Primeira: desde o corte fiscal para os mais ricos nos anos 70 (nos EUA), a desigualdade é ainda maior depois dos impostos (triste). Segunda: em inglês, comparar alhos com bugalhos diz-se "apples-to-oranges comparison". Ganha-se em clareza (ainda hoje não sei o que sejam bugalhos) mas perde-se em estilo.

Uma boa notícia para o futuro da Europa

Britain is becoming less racist. And the youngest are the least prejudiced of all


28.5.14

Aprender a participar

Os desafios que enfrentamos nos próximos tempos são propícios ao surgimento  de messias. O que é trágico, na medida em que não há messias que salve isto. Como, aliás, costuma acontecer quando há problemas. Vai ser preciso muita perseverança, temperança, determinança. E a colaboração de muitos para que algo mude (era, por isso, espetacular que qualquer nova liderança partidária não começasse por ostracizar, precisamente, os que lhe são mais próximos). A colaboração de muitos e, já agora, dos cidadãos.

Acho (quer dizer, achamos todos) mais do que preocupante o nível de alheamento que estes mostram relativamente às instituições políticas. São chamados a votar de quando em vez e, depois, participam, quando muito, na amostra de uma sondagem. Participar noutras instâncias da vida da comunidade também (ou sobretudo) nos educa para a complexidade dos problemas - e respetivas escolhas - com que se defrontam os poderes políticos.

Penso que um contributo valioso que os partidos - e muitos do que têm palco para promover a pedagogia política - podiam dar era informar, apelar e promover a participação política dos cidadãos para além do voto.

A participação em partidos políticos, em sindicatos, em associações de defesa do património, do consumidor ou da mariquita azul. A escrever uma petição à Assembleia da República, a iniciar uma proposta legislativa com um grupo de eleitores. A propor um referendo. A apresentar uma queixa ao Provedor de Justiça, a exigir o direito à informação à Administração Pública, a recorrer à Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos se for o caso (custa muito menos do que se pensa). A ir a manifestações. A escrever a um político ou a um órgão de comunicação social. Etc.

Existem muitas formas de participação na vida pública. Umas obrigam-nos a lidar com a angústia das escolhas, outras ensinam-nos o valor da representação, outras pedem apenas que organizemos as nossas ideias, outras ainda exigem respostas e explicações das instituições.

Campanhas a apelar à participação entre eleições faz tanto sentido como os apelos para os cidadãos irem às urnas a que já nos habituámos, contribuindo positivamente para a vida democrática do país. A apelar e a ensinar como se faz, que isto de saber participar não nasce com as pessoas, tal como a matemática ou a língua portuguesa.


Cidadãos que participam serão também menos suscetíveis aos populismos que por aí medram. Parecendo que não, diria que isto tem muito a ver com a crise que vivemos.

27.5.14

Apelo moderado à radicalização dos moderados

Os ponderados tenderão a não se entregar ao pessimismo, confiando viver numa europa de cidadãos e governantes democratas, que saberão, com inevitável naturalidade, reencontrar o caminho da esperança e da prosperidade (não apenas económica, claro está). Recomendarão, pois, democrática calma face aos apelos cada vez mais audíveis para a necessidade de se fazer algo. Antes que seja tarde. Sob pena de.  Os apelantes, denunciadores dos perigos, passarão por loucos ou, no mínimo, por incorrerem em incauto alarmismo. Tendo para a moderação desde que me conheço. Mesmo em mais jovem -  que, segundo alguns, é o tempo dos radicalismos - estive sempre agrilhoado à moderação. Dois dramas. O primeiro é que um moderado dificilmente percebe quando chega o momento que exige formas mais enérgicas de ação política (o drama chamberlainesco). Não falo evidentemente de qualquer espécie violência. Falo de ruturas necessárias (com consensos internos - com os grandes empresários e os meios financeiros - ou semi-externos - a começar pelo tratado orçamental da UE) para procurar outros consensos. O segundo drama é que, assim sendo, um moderado de pouco servirá em momentos em que o perigo passe de um alerta amarelo para vermelho, dando obrigatoriamente espaço a quem represente e reivindique estas angústias. Só concebo a política governativa por via da moderação, pelo que me parece urgente a radicalização dos nossos moderados.

22.5.14

Isto é genial, penso eu de que


O último livro do Roth é de génio. O último livro do Roth não é o último. É de 1988 mas só agora foi traduzido na língua que me dá menos trabalho ler. É uma autobiografia. Escrita quando tinha 55 anos (mais ou menos). O livro lê-se com agrado por mais de 2/3 das páginas. E depois acontece o resto. Não sei se é assim tão raro dizer que algo é brilhante mas, se porventura o faço, não é com este sentido. Isto, sim, é brilhante (como acontece a Roth ser com mais frequência do que aos restantes mortais). Apenas a lamentar a quantidade de "de ques" que afloram com irritante regularidade, por vezes aos pares por página. Logo à noite, até penso fazer uma daquelas fotos com muita pinta de uma das melhores páginas do livro, com o meu polegar bem visível ao centro. Brinco, não penso fazer nada disso.

23.4.14

Sonhar (ou nem isso) acordado

Ver todos aqueles que se revêm no modelo de sociedade inspirado no 25 de Abril e na Constituição de 76 dar as mãos e descer a Avenida da Liberdade no dia em que se comemoram os 40 anos da Revolução. Juntos, em defesa deste autêntico mínimo denominador comum político-social que vigorou até 2011. Juntos, contra esta política insana que vem minando todos os fundamentos de uma sociedade mais justa e desenvolvida. Juntos, para mudar mesmo alguma coisa.

10.4.14

A justa remuneração dos anjos


Que a lei deve prever regras que salvaguardem a separação de poderes e a independência dos juízes, parece-me pacífico. 

Que para justificar este princípio incontroverso os juízes precisem de construir de si uma imagem de escol, roçando por vezes a messianização do seu papel, parece-me ridículo. 

Que achem justificável eximirem-se desta austeridade, invocando este seu estatuto, parece-me apenas grosseiro. 

Que a austeridade é insana, creio-o evidente. 

Que esta seja levada a cabo de forma iníqua, atingindo sistematicamente os mais desfavorecidos, torna-a ainda mais repugnável.

Isto a propósito deste texto: Os salários dos juízes, de Nuno Coelho.

A política, essa coisa blherc

Peticionários assumem que manifesto dos 74 “tem significado político”


Que título mais parvo. Então uma petição dirigida ao Parlamento, solicitando uma recomendação ao Governo, sobre um assunto que diz respeito a todos nós (os que estão e os que hão de vir) e ao modelo de sociedade que queremos, que depende de opções políticas, havia de ter um significado quê? Parece-me que o que foi admitido é que a petição não tem significado partidário, o que é muito diferente. A denegrição (figas para que exista) da política passa muito por isto.

3.4.14

"Quando a voz do dinheiro se faz ouvir tão alto, a dos cidadãos torna-se inaudível"

Mais uma francofilia, desta vez sobre os Estados Unidos e a deliberação do Supremo Tribunal de acabar com quaisquer limites às doações que os particulares podem fazer para as campanhas eleitorais. A supra cena é do juiz Stephen Breyer (que votou contra, naturalmente).

À lire: http://rue89.nouvelobs.com/2014/04/03/quand-cour-supreme-americaine-mine-democratie-251203

To read: http://www.huffingtonpost.com/2014/04/02/mccutcheon-v-fec_n_5076518.html

Fonte: palmada daqui

Voilà une idée qu'elle est bonne

"Moi ministre délégué au Numérique, j’exigerai que chacun de mes collègues qui propose qu’une autorité puisse couper l’accès à Internet à quelqu’un pour une raison ou un autre, j’exigerai que ce collègue soit privé d’Internet pendant une semaine."

Ici

1.4.14

“I’m very proud of not having a Ph.D. I think the Ph.D. system is an abomination. (...) People waste years of their lives"

You became a professor at Cornell without ever having received a Ph.D. You seem almost proud of that fact.

Oh, yes. I’m very proud of not having a Ph.D. I think the Ph.D. system is an abomination. It was invented as a system for educating German professors in the 19th century, and it works well under those conditions. It’s good for a very small number of people who are going to spend their lives being professors. But it has become now a kind of union card that you have to have in order to have a job, whether it’s being a professor or other things, and it’s quite inappropriate for that. It forces people to waste years and years of their lives sort of pretending to do research for which they’re not at all well-suited. In the end, they have this piece of paper which says they’re qualified, but it really doesn’t mean anything. The Ph.D. takes far too long and discourages women from becoming scientists, which I consider a great tragedy. So I have opposed it all my life without any success at all.

How is it that you were able to escape that requirement?

I was lucky because I got educated in World War II and everything was screwed up so that I could get through without a Ph.D. and finish up as a professor. Now that’s quite impossible. So, I’m very proud that I don’t have a Ph.D. and I raised six children and none of them has a Ph.D., so that’s my contribution.

(...)

Freeman Dyson, sobre o qual podem saber mais aqui (via o ainda muito espetacular Arts and Letters daily)

Corrente da sorte: se assinar e enviar esta petição a 10 pessoas nos próximos 30 minutos, pode ser que um dia venhamos a ter mais sorte

Petição “Preparar a reestruturação da dívida para crescer sustentadamente”

9.3.14

For the record: planos de férias a longo prazo aos cinco anos de idade

Ir à Austrália.
Se não der para ir à Austrália, ir ao Japão.
Se não der para ir ao Japão, então ir à Roménia.
Se não der para ir à Roménia, pode ser ir ao Minho ou à Serra da Estrela.

13.2.14

Não percebo uma palavra do que está aqui escrito mas, dizem-me, quer dizer que estamos cada vez mais tramados (Inquérito: maioria dos alemães votaria a favor de uma limitação dos imigrantes, como na Suíça)

DW-Umfrage: Auch Deutsche würden Zuwanderung begrenzen

Als die Schweizer Bevölkerung für eine Begrenzung der Zuwanderung stimmte, war die Häme groß - vor allem bei Deutschen. Eine Umfrage der Deutschen Welle ergab aber: Die Deutschen würden fast genauso abstimmen.


So ticken die Deutschen

Wenn die Bundesbürger in einer Volksabstimmung über eine Begrenzung der Zuwanderung nach Deutschland abstimmen könnten, würden sich 48 Prozent für eine Begrenzung der Zuwanderung aussprechen. Mit 46 Prozent sind allerdings fast ebenso viele gegen eine Begrenzung des Zuzugs.
Das Meinungsforschungs-Institut infratest dimap hatte im Auftrag der Deutschen Welle in dieser Woche 1.001 erwachsene Deutsche befragt. Drei Prozent der Bundesbürger äußerten, sie hätten zu dem Thema keine Meinung.

Viele AfD-Anhänger gegen Zuzug
Mit 84 Prozent war die Zustimmung zu einer Begrenzung der Zuwanderung bei Anhängern der europakritischen Alternative für Deutschland (AfD) besonders hoch. Die Anhänger von CDU und CSU stimmten zu 51 Prozent für eine Begrenzung. Besonders niedrig fiel die Zustimmung bei Anhängern von Bündnis 90/Grüne aus (29 Prozent).
Auch lässt sich ein Unterschied zwischen Ost und West feststellen: Die Zuwanderung begrenzen wollen 45 Prozent der Westbürger und 56 Prozent der Ostbürger. Die Umfrage wird im TV-Magazin "Politik direkt" der Deutschen Welle präsentiert.


Knappe Mehrheit in der Schweiz
Anlass der Umfrage war die Volksabstimmung in der Schweiz zur Begrenzung der Zuwanderung am vergangenen Sonntag. Die Schweizer hatten sich mit einer knappen Mehrheit für eine Initiative "gegen Masseneinwanderung" ausgesprochen. Die Zuwanderung in dem Land soll nun schrittweise begrenzt werden.
Die Volksbefragung war von der rechtskonservativen und EU-feindlichen Schweizer Volkspartei (SVP) eingereicht worden. Die Schweizer Regierung hat nun drei Jahre lang Zeit, den Beschluss in ein Gesetz zu gießen und umzusetzen. Das Justizministerium in Bern will bis Ende Juni einen ersten Entwurf vorlegen. Bis Ende des Jahres soll ein Gesetzentwurf vorliegen.
Der Unterschied zwischen beiden Staaten: In der Schweiz ist das Referendum für die Regierung bindend. In Deutschland werden solche Themen nur im Parlament behandelt.

Um nojo, o que querem fazer no Kansas. Que sirva para despertar consciências. Se não for com isto, não sei com o quê.

Ainda no outro dia uns colegas de trabalho (um americano, um inglês e um inglês afrancesado - eu sei, isto dá a ideia enganosa de que sou muito cosmopolita, mas não é verdade) franziam a testa de horror e incompreensão com a cultura dominante de discriminação da mulher em países árabes, a fazer lembrar-nos tempos de outros tempos. Longínquos, pressupunha-se. Impelido pela vontade de contrariar, lembrei que, por exemplo, os EUA segregavam de forma não menos discriminatória os negros em alguns dos seus estados. Não na Idade Média (tempo ao qual podemos imputar todas as nossas falhas como se não refletissem também a nossa natureza mas a de outra espécie) mas há meros cinquenta anos. Aquiesceram, mas com ar de quem não está para ouvir banalidades com ar de lição de moral. Não lhes levo a mal. Faria o mesmo no lugar deles. Mas o exemplo foi mal escolhido. A discriminação aos gays é o que nos envergonhará a todos daqui a uns anos. E não é hoje menos do que a segregação racial foi num passado recente. Não exagero. Quando muito desixagero. Enquanto tarda a tomarmos todos consciência disto (e o debate sobre a co-adoção tem muito a ver com isto), convém abrir os olhos e ver, por exemplo, a legislação que se pretende aprovar no estado americano do Kansas (para ler mesmo. é muito impressionante, como diria um ex-primeiro ministro):

"If that sounds overblown, consider the bill itself. When passed, the new law will allow any individual, group, or private business to refuse to serve gay couples if “it would be contrary to their sincerely held religious beliefs.” Private employers can continueto fire gay employees on account of their sexuality. Stores may deny gay couples goods and services because they are gay. Hotels can eject gay couples or deny them entry in the first place. Businesses that provide public accommodations—movie theaters, restaurants—can turn away gay couples at the door. And if a gay couple sues for discrimination, they won’t just lose; they’ll be forced to pay their opponent’s attorney’s fees. As I’ve noted before, anti-gay businesses might as well put out signs alerting gay people that their business isn’t welcome.
But that’s just the tip of the iceberg. In addition to barring all anti-discrimination lawsuits against private employers, the new law permits government employees to deny service to gays in the name of “religious liberty.” This is nothing new, but the sweep of Kansas’ statute is breathtaking. Any government employee is given explicit permission to discriminate against gay couples—not just county clerks and DMV employees, but literally anyone who works for the state of Kansas. If a gay couple calls the police, an officer may refuse to help them if interacting with a gay couple violates his religious principles. State hospitals can turn away gay couples at the door and deny them treatment with impunity. Gay couples can be banned from public parks, public pools, anything that operates under the aegis of the Kansas state government."
O artigo todo aqui (na Slate). 

12.2.14

Capuchos há muitos (e eu sou um deles)

A expulsão de Capucho do PSD e a defesa que tantos fazem da sua justificação tem o principal daquilo que me afasta de militar num partido. 

Não acho óbvio, nem razoável, nem necessário para um saudável funcionamento dos partidos que se exija que os militantes se abstenham de participar ativamente numa eleição (um direito fundamental, já agora), mesmo contra o próprio partido, quando discorde conjunturalmente das lideranças partidárias e das suas escolhas. É isto o essencial, para mim.

Poderei acrescentar que acho até aviltante e pouco democrático que se exija esse dever de abstenção.  Na mesma medida que não se defende que os militantes se abstenham de divulgar opiniões divergentes à dos partidos. Nem percebo o critério por que se admite estas e não as outras. Mais estragos faz ao PSD a opinião do Pacheco Pereira ou até de Ferreira Leite do que a candidatura de Capucho (já nem me lembrava).

Sendo as lideranças conjunturais, parece-me absurdo defender-se a expulsão ou a saída pelo próprio pé. E, volto a dizer (o que não deveria ser de somenos numa altura em que os partidos estão, mais do que nunca, em causa), um enorme incentivo a que muitos prefiram não aderir aos partidos. Lealdade a princípios parece-me bem mais importante do que a lideranças conjunturais. Mesmo reconhecendo que tem de haver regras. Só que não esta.

E o facto de estar nos estatutos (do PSD, do PS; e de outros partidos, presumo) não me convence. Não apenas porque em circunstâncias análogas as direções já tomaram (e bem, a meu ver) a liberdade de não aplicar a sanção. Como a sua existência promove, se interpretada de forma automática, a desinteligência (embrulha sr.ª presidente).

E vejo pouco interesse que se venha dizer que Capucho é isto ou aqueloutro, ou que nunca se manifestou antes contra esta regra. O Capucho somos, para este efeito (e só para este mesmo), todos nós. 

Opinião bem diferente tenho quanto a quem ocupa lugares em nome do partido ou do governo por este apoiado. Estes sim, têm um dever de lealdade em relação a quem o escolheu para prosseguir determinada política. Mas isso é outra discussão.