15.4.15
Não há democracia sem promessas eleitorais
Detenho-me neste título da crónica de José Manuel Fernandes. O que, deve dizer-se, é muito mais do que estou normalmente disposto a ler de José Manuel Fernandes. O título: "Os políticos deviam ser proibidos de fazer promessas". Ora, as promessas são essenciais para o escrutínio dos políticos. Desejavelmente, aspiramos a políticos que cumpram o máximo de compromissos eleitorais. Mas a ausência de promessas inviabiliza uma parte fundamental do controlo democrático, através do qual os políticos são chamados a justificarem as suas opções, nomeadamente quando se desviam dos compromissos eleitorais. O controlo e o debate sobre o (in)cumprimento das promessas constituem, assim, uma forma fundamental de realização da democracia pelos cidadãos.
14.4.15
Não é paul auster quem quer
Descobrir que Thomas Jefferson e John Adams, dois dos mais inspiradores fundadores da democracia americana, morreram no mesmo dia, 4 julho de 1826, precisamente o dia em que se celebravam 50 anos da declaração da independência, declaração redigida pelo próprio Jefferson, por iniciativa de Adams.
Constatar que, no espaço de uma semana, avariaram-se não um, não dois mas três estores cá em casa.
Dois acasos. Um, cheio de simbolismo histórico. Outro, destaca-se apenas pela trabalheira que me vai dar a resolver.
Que se juntam, em primeira mão, neste post.
13.4.15
O Estado, esse angariador de clientes para negócios privados
Para acabar de vez com este flagelo
10.4.15
Ser conservador
Nunca tirei uma selfie*
Nunca usei um smile
* excepto uma vez, que, para o efeito, peço que ignorem
Nunca usei um smile
* excepto uma vez, que, para o efeito, peço que ignorem
9.4.15
O bom cidadão
Não tenho a certeza se o Miguel Esteves Cardoso já o disse.
Se não foi o caso, penso que poderia ter sido. É sobre civismo. E piaçabas
(também conhecido como piaçás ou piaçavas). E uma tese. E a tese é esta: existirão
poucos atos que revelem tanto o respeito de alguém pelos seus concidadãos como o
de usar o piaçaba numa casa de banho pública (quando justificado, naturalmente).
O seu não uso tem garantida a impunidade e, se o usares, ninguém saberá, ninguém
te agradecerá (nem quererias que o fizessem). Não há heróis nesta
história. Só cada um e a sua consciência.
8.4.15
A vida social
Desconfio das citações das páginas iniciais dos livros. Acho
que por dar ideia que o leitor pode não ter passado dali. O que não tem mal
nenhum nem prejudica a citação. São embirrações. Paradoxalmente, e é esta a
minha experiência, estou muito mais recetivo a uma determinada passagem
nas primeiras páginas de um livro, antes de ser contaminado pelo todo. Dobro, por isso, algumas páginas no
início dos livros e raramente no final. De "A morte do pai", de Karl
Ove Knausgård, tenho dobrada a página 27:
"Além de alguns pais no infantário de Vanja e Heidi,
não conhecemos ninguém aqui. O que não é uma desvantagem, pelo menos para mim,
a vida social não me faz falta. Nunca digo o que realmente penso, o que
realmente quero dizer, mas concordo sempre mais ou menos com a pessoa com quem
estou a falar, finjo que o que dizem me interessa (...)."
26.3.15
A relatividade do tempo
Isto das idades é uma coisa estranha. Não vou falar de continuar
a sentir-me um adolescente e de, contrariamente a todas as evidências que me
apontam, permanecer convicto de que passaria despercebido em qualquer turma de
universitários. Não vou falar disso. Mas desta coisa bizarra que é ficarmos da
mesma idade de pessoas que, há uns anos, eram muito mais velhas do que nós. Por
exemplo, estava eu nos primeiros anos da faculdade, ainda a descobrir revistas
e jornais, e já a Anabela Mota Ribeiro era uma consagrada entrevistadora. Ou o
facto de a maioria dos desportistas da minha adolescência ter, hoje, poucos
mais anos do que eu. Por outro lado, o contrário também tem que se lhe diga. Tenho um primo e um
irmão que nasceram já eu era quase adulto e hoje temos praticamente a mesma
idade. Lemos, ouvimos e rimos do mesmo. Embora ache que seja o único que sabe
jogar à bola. Parece que, em momento diferentes das nossas vidas,
apanhamos todos aquele autocarro do Einstein que anda à velocidade da luz, dentro
do qual o tempo decorre mais lentamente do que no seu exterior, nivelando a
idade de uns e afastando a de outros. Outra situação. Quando tinha 18 anos tinha
a sensibilidade de um idoso ao tentar entrar na água do mar. Hoje, sou praticamente
um jovem homem da atlântida. Para meu próprio bem, é melhor ficar por aqui.
25.3.15
24.3.15
23.3.15
O próprio seria o primeiro a concordar que não é fácil conviver com o george costanza que há em cada um de nós
Cinco dias depois daquela apresentação na escola da tua filha em que falaram das várias coisas que importam nesta vida (mesmo), incluindo esta coisa fantástica que é vivermos em liberdade e em democracia, ocorre-te o comentário perfeito, instrutivo, acessível, pedagógico, divertido. E sabes que nunca terás novamente aquela oportunidade. E consolas-te com o facto de saberes estar a exagerar e a dar-te demasiada importância. Um mero comentário, sobre um pormenor, numa apresentação de textos de crianças do 4.º ano. Mas é em vão que tentas enganar-te, pois o george que mora em ti está apenas a um pretexto de tomar conta de ti. E decides que vais escrever uma carta para a sala da tua filha, que alinhará desconfiada neste teu propósito.
O homem é o lobo do homem. Ou pode ser apenas o seu coiote.
Politicamente, interessam-me especialmente as histórias das pessoas que não têm as oportunidades para melhorar a sua vida e a dos seus filhos. Nos filmes e nos livros, entretêm-me as histórias dos que, não tendo à partida oportunidades, conseguem criá-las, quase do nada, reescrevendo o final do guião que lhes estava destinado. Mas, também (era até mesmo capaz de usar aqui um sobretudo), as histórias daqueles que, tendo oportunidades, criando essas oportunidades, não conseguiram aproveitá-las inteiramente. A sua tragédia (a haver alguma) é a de colocarem sucessivamente a fasquia alta de mais, de alimentarem a ilusão de conseguirem fazer mais do que realmente são capazes. Uma espécie de coiotes do road runner, em que o beep beep é a vida que gostariam de ter.
Não costumo fazer estas coisas mas como sei que este é um assunto que sobressalta muitos de vós, partilho-o aqui:
A inquitação
Porque raio se diz que "cair que nem sopa no mel" (um nojo, sob todos os pontos de vista por que se olhe) é uma coisa boa?
A desinquietação
"Reinaldo Pimenta dá a seguinte explicação no seu livro A Casa da Mãe Joana – Curiosidades nas Origens das Palavras, Frases e Marcas (Editora Campus, Rio de Janeiro):
«Sopa no mel. É alguma coisa que vem a calhar, que é muito conveniente. Mas quando é que a sopa no mel deixa de ser uma grande e repugnante lambança e vira algo apropriado?
A palavra sopa vem do germânico "suppa", pedaço de pão embebido num líquido, sentido, pouco usual, com que existe também em português. Daí o verbo ensopar, embeber em líquido. (Quando uma pessoa volta de uma caminhada sob um temporal e diz que está ensopada, todo o mundo entende que ela está muito molhada. Ninguém pensa que ela escapou de morrer afogada numa tigela de sopa.)
Depois é que a palavra sopa passou a designar o caldo em que se punham pedaços de pão e outros ingredientes. O sentido se ampliou para qualquer caldo de carne, massa, legumes ou outras substâncias, muito raramente com os pedaçosde pão que apareciam nas primeiras sopas.
Na expressão sopa no mel, sopa é o pedaço de pão embebido em água fervida com carnes e legumes. Mergulhado no mel, ele ganharia ainda mais sabor e teor nutritivo.»
Retirado do magnífico Ciberdúvidas
19.3.15
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