12.11.15
11.11.15
O argumento excecional
Fazer paralelismos com o tempo da outra senhora é sempre um exercício arriscado e, interpretado à letra, muitas vezes injusto e de mau gosto Mas sem opinião de risco isto dos blogues e do facebook não tinha qualquer interesse. E, feita a ressalva, só interpreta à letra quem quer. Então é assim. A leitura que muita direita está a fazer do que deveria ser o bom funcionamento da democracia representativa (com contributos, ainda que raros, de alguma esquerda), baseada em tradições peculiares e muito nossas, pede meças ao “orgulhosamente sós” de má memória. É que a democracia representativa existe lá fora e, em sistemas análogos ao nosso, tem corolários que se aplicam em todas as latitudes parlamentares (pelo menos nas democracias mais democráticas). Um deles é que o governo retira a sua legitimidade do parlamento, que lhe pode negar e retirar a confiança. Não existe, a este respeito, qualquer excecionalidade lusa. Apesar de ter visto, nestas últimas semanas, (re)interpretações da nossa democracia excecionalmente engraçadas.
Explicar, para surpresa do filho com meia dúzia de anos, que os muçulmanos não celebram o natal. Olhar de incredulidade, antes de retorquir: "mas festejam, pelo menos, o halloween!?"
À tarde, no carro, ouvindo em direto pela rádio a votação da rejeição do programa de governo, celebrei, com os meus filhos, a queda deste governo. O mesmo filho citado em título desabafou: "espero que o Passos Coelho não vá agora para o Livre!". (não perguntem).
São assim grande parte dos meus dias.
São assim grande parte dos meus dias.
10.11.15
9.11.15
Mete, de facto, dó. Tanto reacionarismo.
"A situação actual da Assembleia da República não é totalmente inédita e não data apenas deste último mês. Na verdade, é ponto de chegada de um processo gradual de subalternização e decadência de que há numerosos indícios. Vários foram os sinais dados. Aluga-se o hemiciclo para festas e filmes! Nos Passos Perdidos fazem-se exposições! No rés-do-chão canta-se o fado! Nos claustros, come-se sardinha e bebe-se jeropiga! De vez em quando, crianças das escolas brincam aos deputados! Este Parlamento mete dó!"
António Barreto, DN, 8 de novembro de 2015
António Barreto, DN, 8 de novembro de 2015
Estranhar, entranhar; normalidade
Não me agrada mas não me preocupa sobremaneira o ambiente extremado
que se vive perante a perspetiva de um governo com o apoio da esquerda. Daqui a
um, dois, três, quatro anos, o que é hoje inesperado será encarado com mais naturalidade.
E o que é desconhecido, e que alimenta as acusações de uns e a esperança de
outros, estará aí para que possamos julgar. E aí, teremos um país mais normal.
6.11.15
O museu Hergé, na Bélgica, tem este estranho trabalho do desenhador. Não estranho por, sem ser aquele personagem que nos vice primeiro ministra, desconhecer outras referências a Portugal do autor. Estranho sim por este trabalho não fazer qualquer alusão ao nosso país. Se alguém tiver a amabilidade de elucidar... Nom Batal para todos.
5.11.15
Mudanças radicais e moderadas
Num inquérito sobre os partidos portugueses, perguntam-me qual a predisposição de cada um para apoiar o sistema e o modelo político e social vigente ou, pelo contrário, propor alterações políticas e institucionais a esse mesmo sistema.
Com um certo sentido de revelação, noto que os partidos radicais de esquerda destacam-se pela defesa do sistema, ao passo que (que bela expressão!) os partidos da direita dita moderada e conservadora têm-se destacado por quererem mudá-lo.
Outra tradição que se perdeu.
Com um certo sentido de revelação, noto que os partidos radicais de esquerda destacam-se pela defesa do sistema, ao passo que (que bela expressão!) os partidos da direita dita moderada e conservadora têm-se destacado por quererem mudá-lo.
Outra tradição que se perdeu.
O meu problema com "o meu problema com a esquerda" de João Miguel Tavares
João Miguel Tavares tem alguma razão em identificar como um problema a falta de uma graduação comum nas lentes com que a esquerda e a direita vêem a realidade. E que sem esse denominador comum é difícil acordar qualquer resposta à crise. Só claudica num pequeno pormenor. Parecer achar que o problema não é simétrico. À esquerda e à direita. Um exemplo óbvio: a recorrente omissão da direita em relação aos fatores externos na crise portuguesa (do impacto do início da crise financeira ao papel do bce). Outro exemplo óbvio: este artigo do João Miguel Tavares. Ao achar que só a direita enxerga a objetividade dos factos que devem preceder qualquer discussão. Ou seja, o problema da esquerda seria não ver que a direita é que tem razão. Parecendo diferente, isto não anda longe das teses sobre consensos que habitualmente vêm de Belém.
4.11.15
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