https://www.nytimes.com/2018/06/26/magazine/jonathan-franzen-is-fine-with-all-of-it.html?fallback=0&recId=16ayCWvcFRGYIsx6QXxh7iwwFNT&geoContinent=NA&geoRegion=NJ&recAlloc=thompson_sampling&geoCountry=US&blockId=signature-journalism-vi&action=click&module=editorContent&pgtype=Article®ion=CompanionColumn&contentCollection=Trending
27.6.18
20.6.18
Tarefas urgentes para antifascistas (crónica de Rui Tavares, Público)
Acabaram-se as crónicas a alertar para a possibilidade de um regresso do fascismo: ele aí está, inconfundível e indesmentível. Quando o governo dos EUA separa crianças dos pais para as encerrar em campos de detenção. Quando o ministro do interior da Itália diz que vai fazer um censo para expulsar todos os ciganos estrangeiros e acrescenta que “infelizmente teremos de ficar com os ciganos italianos porque não os podemos expulsar”. Quando o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, faz um discurso dizendo que “nenhum compromisso europeu será possível em matéria de imigração e asilo” porque “a Hungria é contra a mistura” com povos estrangeiros. Quando tudo isto acontece, o regresso do fascismo já se deu. Sem eufemismos e sem pleonasmos.
Ler o resto aqui. Com armadura.
Ler o resto aqui. Com armadura.
12.6.18
11.6.18
30.5.18
25.5.18
23.5.18
11.5.18
30.4.18
Crise da meia idade
Há os que traem as mulheres, trocando-as por outras, mais novas. Também já a tive, a crise. E traí. Vai para cerca de 10 anos. Quando comecei a trocar o Chico, o João e o Vinicius, por Bach, Haydn e Schubert. Dias há em que sou assaltado pelo remorso e pela nostalgia mas, de um modo geral, corre tudo bem.
12.2.18
Que maravilha
Desenhos dos filhos de Darwin ao draft de "A Origem das Espécies". Muitos mais aqui.
Tiago, sobre o grande Darwin, talvez te interesse espreitar aqui o Darwin Manuscripts Project.
9.7.16
Não percebo nada de bola mas espanta-me que ninguém esteja a fazer um paralelismo por demais evidente entre o percurso da seleção nacional no Euro e o dos Cleveland Cavaliers nas finais da NBA. Lebron James é o Ronaldo da NBA. Jogaram nos playoffs com equipas bem mais acessíveis do que os rivais GS Worriors. O favoritismo estava predominantemente do lado destes. Dúvidas bastantes sobre a capacidade dos Cavs derrotarem os campões em título, recordistas do maior número de vitórias numa época regular. E não obstante...
5.3.16
Coisas que me divertem
- Pai, conheces alguém que se chame Michael Jackson?
- Hum?
- Para além do cantor.
- Não. Tu conheces?
- Não.
- Hum?
- Para além do cantor.
- Não. Tu conheces?
- Não.
17.12.15
15.12.15
Dois dos meus escritores preferidos da minha geração (ou próximos da minha geração): Jonathan Franzen* e Karl Ove Knausgård. Duas grandes obras: “Liberdade” e “A minha luta” (3.º volume), respetivamente. Duas cenas épicas com… cocó. Não sei (e acho que não quero saber) o que isto possa querer dizer sobre mim. Ou sobre a minha geração.
*Achava que Franzen era um bocadinho mais novo.
9.12.15
7.12.15
Hipocrisia em política (breve elogio)
Se a hipocrisia em política é proclamar ideias generosas em público contraditórias com as que se pregam em privado. Se é envidar esforços para executar políticas contra as quais se batem no seu íntimo. Se é ter uma dualidade de critérios consoante esteja em causa a sua esfera privada e o espaço de intervenção público. Se é defender a paz em público e a guerra em privado. Se é contribuir para acabar com as discriminações quando o próprio é feito de preconceito (racial, étnico, homofóbico). Se é ser incoerente com algumas das suas piores convições, nestes casos, diria: ainda bem.
ps: vem isto a propósito das revelações mais recentes sobre o ex-Presidente norte-americano Woodrow Wilson (sim, o pai da sociedade das nações), que parece não ter sido, afinal, pessoa que se recomendasse em matéria de tolerância.
Hein Semke
Descobri este fim de semana no CAM Hein Semke. Um artista alemão (pintor, escultor, ilustrador e outras dores) que se radicou em Portugal nos anos 30 e que veio a morrer aqui em 1995. Nada tem de especial eu nunca ter ouvido falar dele. Outros tantos muitos haverá de quem nunca ouvi falar. Mas uma pessoa não deixa de se interpelar quando descobre algo de que gosta muito e que sempre esteve aí. É isso, gostei muito. Íssimo. Tem duas telas intituladas "Parlamento" (também por aqui, é certo) e pelo menos uma chamada "Debate". As minhas preferidas, talvez. Pensei em fotografar mas depois desisti, lembrando que o google tem tudo e tira sempre melhores fotografias do que eu. Fui lá hoje. E, sobre estas obras, nada. Ou quase nada. Aparentemente, o google anda quase tão distraído como eu.
Caro Scorcese... esquece, não ligues.
Em matéria de filmes, saliento-me pelo saber, não direi enciclopédico (estaria a exagerar), mas aprofundado sobre aqueles que poderíamos chamar, sem desprimor para com os canônes da crítica cinematográfica, de filmes da treta dos anos 80 e 90. Uns bons (filmes da treta) outros bem mauzinhos. Mas todos eles cumprindo com competência o seu fim último: entretem (como diria, e a meu ver bem, o amigo do meu filho mais novo). Para infelicidade dos meus filhos, decidi(mos) partilhar algum deste saber com eles. Eles parecem apreciar. Da trilogia do Regresso ao Futuro, passando pelo Sozinho em Casa ou o Dennis, o Pimentinha. Se tudo correr como previsto, este estágio servirá para criar as bases para, um dia, lhes apresentar o maior dos filmes do género. Refiro-me, como já terão adivinhado, ao grande Jackie Chan. Can't wait.
4.12.15
(agora com adenda) Houve muito alarido a propósito da geometria variável de tratamento do atentado de Paris em comparação com outros. E bem. Espicaça-nos. Já vejo menos reflexão sobre o tratamento diferenciado que a imprensa está a dar ao despedimento de muitos jornalistas dos jornais da Newshold (“i” e “Sol”). Não condeno a forma como tem sido tratado. Antes pelo contrário. Mas não deixa de se notar o efeito da proximidade. Provavelmente, era assim que todos os despedimentos deviam ser tratados. Por vezes, o distanciamento parece servir menos o jornalismo do que a proximidade. Dá que pensar.
Adenda: sempre atenta às parvoíces que se escrevem um pouco por todo o mundo (uma espécie de NSA das redes sociais, mas tudo legal e público - suponho), a Maria João Pires / Shyznogud fez o seguinte reparo:
" hum, olha q se reparares n houve grande tratamento jornalístico dos despedimentos do i e do sol. houve muitos comentários em parcelas de redes sociais a q pertences, o q é diferente"
Fui confirmar, pois não levo lições sobre bocas de ninguém (sempre quis dizer isto).
Excepto neste caso, ao que parece.
Informo que o último mês foi o meu sexto mais produtivo de sempre
...
Há muitos meses que não escrevia tantos posts.
Há muitos meses que não escrevia tantos posts.
E porque este é um blogue para mostrar, daqui a uns anos, quão totós eram os meus filhos:
- Sabes quem mandou construir isto (o Aqueduto das Águas Livres)?
- Sei, foi o D. João Pinto.
- Sei, foi o D. João Pinto.
3.12.15
Os cobradores de promessas
Gosto de ler as crónicas de João Miguel Tavares. Por duas razões. Porque têm alguma graça. E porque conseguem a divertida proeza de enunciar um argumento que, frequentemente, é desmentido pelo próprio texto, ou de fabricar carapuças que, no fim, também a ele lhe servem. Hoje não é um desses casos. Mas anda lá perto. Ao explicar-nos que o grande mal deste governo, aquilo que deixa João Miguel Tavares “tão incomodado e tão incapaz de aceitar pacatamente o que aconteceu ao país”, é o messianismo de Costa e a fé nele depositada para mudar o estado das coisas.
É natural que JMT não se reveja no caminho proposto pela
esquerda. Mas o facto de não se rever, de achar que “é coisa nenhuma”, não quer
dizer que não exista. Até porque se não existisse, se fosse simplesmente mais
do mesmo, não se compreenderiam as acusações de radicalismo das escolhas (lá
está) deste governo ou as antevisões da desgraça para breve (no défice, no
crescimento, no pib, etc.).
Mas mais relevante é a forma como descarta qualquer
esperança neste governo com o labéu do messianismo. É o supremo cololário da
TINA. Não temos direito a políticas alternativas à austeridade. Nem mesmo à esperança
de que isso aconteça. Nem mesmo na hora zero de um novo governo. Se um governo
em início de mandato, com o objetivo de inverter uma política que contou ao
longo destes anos com a oposição de muitos partidos e setores da sociedade, não
deve ser um catalisador de esperança, não sei muito bem quando deva ser.
Citando o sketch infra embutido dos Gato Fedorento, o
messianismo “está mal!”. Mas JMT limita-se a um messianismo de sinal contrário, que
é o cinismo político. Não vale a pena. Nada vai mudar. E isto não só "está mal!", como “está errado!”.
Felizmente, a democracia é um caminho e não se esgota com as eleições. Feitas as promessas de que JMT se queixa, são elas que vão servir de bitola para avaliarmos o desempenho do governo (a promessa de algo é, pois, fundamental). Aqui estaremos para isso. No momento próprio. E que começa.... hoje.
Felizmente, a democracia é um caminho e não se esgota com as eleições. Feitas as promessas de que JMT se queixa, são elas que vão servir de bitola para avaliarmos o desempenho do governo (a promessa de algo é, pois, fundamental). Aqui estaremos para isso. No momento próprio. E que começa.... hoje.
2.12.15
E de tempos a tempos, o inevitável post sobre Sorkin
Uma belíssima crítica de Rui Zink de um filme que não vi mas com a qual concordo inteiramente (sim, é possível). Relativamente à parte inicial, e trazendo à liça as grandes séries televisivas, diria que Aaron Sorkin (Homens do Presidente) está para Spielberg como David Simon (The Wire) está para Coppola. E como esta observação foi tão boa, retiro-me por hoje. Até amanhã.
Mostrar o que se vale dois
O seu currículo era excelente e foi sempre um trunfo valioso para conseguir um bom emprego. Os problemas começavam quando tinha de trabalhar.
Mostrar o que se vale
Há muito, muito tempo atrás, amigos convidaram-me para escrever num blogue coletivo. Foi pura simpatia e um voto de confiança, visto que tinha escrito muito pouco que se visse. Raras vezes contribui e acabei despedido por inatividade (com justíssima causa). Algum tempo depois, começei a escrever aqui. Umas vezes mais, outras menos, outras muito menos. Mas mostrei, finalmente, o que valia.
Nunca mais fui convidado para escrever num blogue.
Nunca mais fui convidado para escrever num blogue.
Escolhos de algumas escolhas
Eu sei que sou eu mas tenho alguma dificuldade em compreender o sentido num editorial do Público de considerações como "E nem se percebe como pode ter havido quaisquer dúvidas sobre o assunto [relativamente à apresentação de uma moção de rejeição do programa de governo pela oposição]". Quanto à interpretação da rejeição, também discordo do entendimento do Público. Mas isso é interpretação dos factos políticos e ainda bem que as há. O que percebo mal são as escolhas políticas vendidas pela imprensa como inevitáveis. Quando não são mais do que estratégias. Boas ou más, mais ou menos eficazes. Mas há sempre uma escolha. Como, aliás, no-lo recordam em geral os filmes, bons ou maus. É porque é assim mesmo. E agora atentem. Maxime, em política.
1.12.15
O fim de outras praxes
Assisti "no outro dia" a uma prova de
doutoramento da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Nunca tinha
visto nada assim. Ou tão assim, pelo menos. Desta faculdade, que também é a
minha. Um júri visivelmente satisfeito com a qualidade do trabalho do candidato.
Uma arguição que suscitou interrogações, dúvidas, problemas, esclarecimentos,
como lhe competia, mas sem nunca cair, como vi suficientes vezes, na humilhação
- pela rasteira, pela desconsideração – gratuita do candidato. Uma academia que
celebra aquele que se coloca nos ombros do gigante de Newton (sendo o gigante o
conhecimento produzido pelos outros e, assim, o lugar que permite ver mais
longe), questionando-o sobre a solidez do seu esteio. Mas já não a academia que
adota a canelada como método para ver se o candidato cai do gigante. Claro que
são duas formas de testar a robustez do candidato. É fácil imaginar qual seja a
preferida dos duxes veteranorum. Parabéns a todos, portanto.
27.11.15
26.11.15
É provável que esteja a ser injusto. Até porque há muita imprensa que me passa ao lado. Mas não vi ainda nenhum bom enquadramento político sobre o papel que o parlamento deverá ter nesta conjuntura. Será, com certeza, reforçado, o que tem sido abundantemente notado. Em particular sendo o governo sustentado por dois partidos que não estão no Executivo, tornando o Parlamento o principal palco da negociação política. Já vi menos destacar-se o previsível aumento do poder das comissões parlamentares, onde se decide, e aprovam, os detalhes legislativos. Que é, como se sabe, onde está o diabo. E, lá está, o reforço do poder e do papel das comissões constitui um ótimo indicador de um parlamento mais forte e democrático. Como acontece, em geral, nas democracias mais maduras.
Contexto. A pouco e pouco, de acordo com a generalidade dos critérios que a literatura sugere, o parlamento português está a ficar mais crescido, mais forte, mais democrático. Enfim, mais consolidado. Futurologando um pouco, diria que a atual conjuntura política reforçará significativamente este quadro.
Não tenho acesso a informações privilegiadas nem de corredor. Mesmo assim, conheço bem (eu e muita gente) o percurso profissional de alguns membros deste governo. Não deixo por isso de me impressionar com o pouco que os media parecem saber sobre eles. E ainda o tanto que sabem sobre coisas que pouco ou nada interessam. E isto inquieta-me.
23.11.15
Memórias da FIS
A Maria João Pires recorda no facebook o tempo em que a FIS amedrontava
muita gente. Particularmente em França (isto na Europa). Datam de meados (início
de meados) dos anos 90 alguns dos seus atentados em Paris. Uma cidade onde, nessa
altura, era bem visível o patrulhamento policial (na minha memória, eram também militares,
mas não sei…). Também associo a esse tempo o fim dos caixotes do lixo em muitas
ruas de Paris. Claro que pode não ter nada a ver. O que tem a ver é a seguinte
história, para a qual não ganhei para o susto. Meados dos anos 90. Paris
patrulhada por militares (pelo menos na minha cabeça), impossível encontrar um
caixote do lixo sem estar fechado, recordando, pelo menos a quem tem
frequentemente lixo para pôr em caixotes (um guardanapo de um crepe com chocolate,
por exemplo), que o medo de atentados está bem presente. Eu adolescente a ir ao
cinema. Eu com ar de magrebino na proporção inversa do número de vezes que vou
ao barbeiro cortar o cabelo. O filme interrompido subitamente passados poucos
minutos do seu início. Polícias (talvez fosse só um mais o segurança) que
entram na sala à procura de algo. Eu a temer, por instinto medroso, ser
confundido com esse algo. Eu a ser, naturalmente, confundido com esse algo. Pedirem-me,
com modos assertivos, se tenho o meu billet. Eu não querendo ser confundido com
um terrorista, lançando o meu billet
de identidade para as mãos do polícia. Ele a corrigir o óbvio: quer o meu billet do cinema e não a minha carte d’identité. Eu, toldado pelo medo
(não sei se já dei a entender que fiquei com algum receio…), demoro a perceber,
Eu finalmente a corresponder ao que me é pedido. Ele a observar o meu billet por
um segundo, devolvendo-mo de seguida, perante o olhar (desconfiado,
prescrutador, interrogativo, etc., olhar) dos restantes espetadores. Eles a
irem-se embora. As luzes a voltarem a apagar-se. O filme a recomeçar. Não me
recordar de mais nada. Exceto eu ainda a tremer ao sair do cinema e consciente
de ter ganho uma história do caraças para contar aos meus amigos. Eu sei que é de umbigo e comezinho mas esta é a primeira coisa de que me lembro quando oiço falar na FIS.
Dilema: se a esquerda oferecer a Cavaco o acordo que ele exigiu, este ver-se-á obrigado a dar posse a um governo que, manifestamente, não quer. Contudo, confirmará assim o entendimento abusivo do PR de que pode condicionar desta maneira um programa de governo, ao arrepio das escolhas da maioria parlamentar.
20.11.15
Primeiro, temeu o estado islâmico. Mostrou a sua indignação.
Todos de acordo.
A dada altura, começou também a temer a luta contra o estado
islâmico, em nome da qual se atingia a liberdade de muitos inocentes (e sabia
que a liberdade dos outros é, naturalmente, a sua), bem como a questionar os
efeitos contraproducentes da sua vertente militar. Mostrou as suas reservas. Alguns
insultos no facebook. Mas alguns likes também.
Finalmente, e à medida que a guerra ao terror se
intensificou, foi, como receava, desistindo a pouco e pouco da sua liberdade, deixando de dizer o que pensava, de tal forma os ânimos se açolaram
e o escrutínio securitário do estado transformava a mais genuína dúvida em
traição à pátria.
Finalmente, ficou em silêncio. Não com medo dos maus, como
no poema de Niemöller. Mas por causa dos seus e dos que deviam protegê-lo.
Bloqueados?
A ideia de que estamos perante um bloqueio constitucional, por não ser permitida a realização de eleições legislativas no curto prazo, é falsa. Falsa. Não existe qualquer bloqueio ou constrangimento constitucional. Existiria, isso sim, se a atual oposição se limitasse a demitir o(s) governo(s) sem viabilizar qualquer outra solução.
A proposta de um governo com o apoio maioritário do parlamento é, assim, nas presentes condições, a atitude mais responsável. Nomeadamente pelo seguinte, que, penso, não tem sido suficientemente enfatizado. Se olharmos para os diferentes enquadramentos legais e constitucionais com relevância paar este caso, verificamos que a condição mais gravosa para o derrube de um governo é precisamente exigir que a oposição apresente condições maioritárias de apoio a um novo governo (a chamada moção de censura construtiva). Esta condição visa obviamente proteger governos minoritários de coligações meramente negativas. Sendo que se considera generalizadamente que esta proteção deixa de ter sentido quando a maioria do parlamento se entende para um novo executivo.
A existir algum bloqueio, este só pode ser imputado à resistência do PR em indigitar um governo apoiado pela maioria recém eleita do parlamento.
A proposta de um governo com o apoio maioritário do parlamento é, assim, nas presentes condições, a atitude mais responsável. Nomeadamente pelo seguinte, que, penso, não tem sido suficientemente enfatizado. Se olharmos para os diferentes enquadramentos legais e constitucionais com relevância paar este caso, verificamos que a condição mais gravosa para o derrube de um governo é precisamente exigir que a oposição apresente condições maioritárias de apoio a um novo governo (a chamada moção de censura construtiva). Esta condição visa obviamente proteger governos minoritários de coligações meramente negativas. Sendo que se considera generalizadamente que esta proteção deixa de ter sentido quando a maioria do parlamento se entende para um novo executivo.
A existir algum bloqueio, este só pode ser imputado à resistência do PR em indigitar um governo apoiado pela maioria recém eleita do parlamento.
Queria desde já agradecer o entendimento à esquerda (e em particular ao BE, que tomou a iniciativa que vai brevemente ser votada na AR) pela perspetiva iminente do fim dos exames do 1.º ciclo. Algo que era, aos meus olhos, tão elementar quanto prioritário. Mas que desconfio que com o PS sozinho não íamos lá (leitura reforçada por estas declarações - "excesso de pudor!" - do líder do PS).
19.11.15
Preconceito e preconceito
Sobressaltamo-nos mais por medo (como por vezes se tenta
justificar) ou por desconfiarmos do que é diferente? Teletransportando-nos para
a Europa do final dos anos 30 do século passado, mudaríamos de passeio perante
a iminência de nos cruzarmos com um branco, loiro, de olhos azúis? É neste tipo de questões que penso quando estou a trabalhar.
Ainda somos uma vergonha no que à repartição de tarefas entre homens e mulheres diz respeito. E, quanto a isto, não nos podemos desculpar com a troika, a UE, a dívida ou o rigor financeiro. Depende apenas de nós.
Sobre este estudo, que mostra números que deviam continuar a
envergonhar-nos todos os dias, três (ok, seis) pequenos comentários:
1 - Estamos a melhorar, o que é melhor do que nada. Mas a
mudar demasiado lentamente.
2 - O homem participa um pouco mais na divisão de tarefas mas,
convém notar, no chamado (chamado por mim) filet
mignon das tarefas domésticas: na cozinha. Limpar casas de banho e tratar da
roupa continua a ser monopólio das mulheres.
3 - O grande contributo dos homens é nas reparações. Essa
exigente tarefa do dia-a-dia…
4 - Só li esta notícia mas parece-me faltar aquela que é, para
mim, a principal desigualdade a este nível: quem se preocupa com estas coisas
lá em casa? É que, de acordo com os meus “estudos”, o pouco que os homens fazem
depende muito de alguém lhes pedir para agirem. E esta preocupação pela gestão
das tarefas é um ónus tão ou mais pesado do que o resto.
5 - Este trabalho foi realizado pelas investigadoras Leonor
Rodrigues, Vanessa Cunha e Karin Wal. E a notícia é da jornalista Andreia
Sanches. Também há uma disparidade gritante a combater na importância atribuída
a estas questões por parte de homens e mulheres.
6 - Agora, tenho de ir ali dar o meu contributo e substituir a
lâmpada da cozinha.
18.11.15
É como as alfaces. Quanto mais frescas, melhores. (eu não escrevi isto).
Que o Presidente da República representa um contraponto de legitimidade
democrática à igualmente democrática legitmidade do parlamento é indisputável.
Um e outro recebem diretamente dos cidadãos a confiança para o exercício
de funções. Que estas legitimidades podem chocar é da natureza do sistema semi-presidencial.
Que não é indiferente o momento em que se recebeu essa confiança é algo que parece
ser confirmado pelo bom senso (não resisti), pela prática dos sistemas análogos
e, diria, pela própria Constituição (quando, por exemplo, retira ao Presidente
o poder de dissolução do parlamento no último semestre do seu mandato).
Que o
Presidente da República se considere autorizado para, a escassos meses do fim do
seu mandato, disputar um braço de ferro desta magnitude com a recém legitimada maioria
parlamentar como se tivesse sido eleito ontem é também um sinal de dessintonia
deste presidente. Com os portugueses e com o seu papel no sistema político.
Digo-o sem falsas modéstias. Acredito ser das pessoas – senão mesmo a pessoa – com mais bom senso que conheço. É, pois, raro não reconhecer esta qualidade nas minha opiniões.
Penso também que isto diz tudo acerca da pertinência de chamar o bom senso para o debate público.
16.11.15
Como é evidente, todas as ideias, mesmo as chamadas universais, encerram dificuldades, contradições (como é possível reagir diferentemente perante algumas mortes quando é igual a dignidade e o valor da vida humana?). Por isso, não é de estranhar que se apontem falhas, pontos fracos, inconsistências às ideias que alimentam o debate público (que assim se enriquece). Mesmo as mais generosas. O que se deve estranhar, isso sim, é esta espécie de postulado de que a crítica mata a ideia (o esforço que fiz para não usar árvore e floresta).
14.11.15
Aux larmes, citoyens
Manter a cabeça erguida. Não dobrar. Nem ceder perante a chantagem do medo. Nem comprometer as nossas liberdades em nome desta luta. Mas, antes de tudo o mais, chorar. Pelas vítimas deste massacre. Nossos concidadãos. Aux larmes, citoyens. E depois o resto.
Sem palavras
Nenhuma palavra, nenhuma frase, parece capaz de traduzir fielmente o que vai cá dentro. Nem as palavras dos outros. Nem estas, por mais que sejam as minhas. Porque nem sempre as palavras o conseguem fazer. Mas, sobretudo (acho que é sobretudo), não sendo a primeira vez que o horror acontece, lamentá-lo nos mesmos termos em que o fizemos da última vez tem o estranho sabor da banalização. Somos todos parisiences, franceses, humanos. Mas sinto que devíamos ser mais, muito mais, embora, provavelmente, não haja mais nada para ser. E isto também dói.
12.11.15
11.11.15
O argumento excecional
Fazer paralelismos com o tempo da outra senhora é sempre um exercício arriscado e, interpretado à letra, muitas vezes injusto e de mau gosto Mas sem opinião de risco isto dos blogues e do facebook não tinha qualquer interesse. E, feita a ressalva, só interpreta à letra quem quer. Então é assim. A leitura que muita direita está a fazer do que deveria ser o bom funcionamento da democracia representativa (com contributos, ainda que raros, de alguma esquerda), baseada em tradições peculiares e muito nossas, pede meças ao “orgulhosamente sós” de má memória. É que a democracia representativa existe lá fora e, em sistemas análogos ao nosso, tem corolários que se aplicam em todas as latitudes parlamentares (pelo menos nas democracias mais democráticas). Um deles é que o governo retira a sua legitimidade do parlamento, que lhe pode negar e retirar a confiança. Não existe, a este respeito, qualquer excecionalidade lusa. Apesar de ter visto, nestas últimas semanas, (re)interpretações da nossa democracia excecionalmente engraçadas.
Explicar, para surpresa do filho com meia dúzia de anos, que os muçulmanos não celebram o natal. Olhar de incredulidade, antes de retorquir: "mas festejam, pelo menos, o halloween!?"
À tarde, no carro, ouvindo em direto pela rádio a votação da rejeição do programa de governo, celebrei, com os meus filhos, a queda deste governo. O mesmo filho citado em título desabafou: "espero que o Passos Coelho não vá agora para o Livre!". (não perguntem).
São assim grande parte dos meus dias.
São assim grande parte dos meus dias.
10.11.15
9.11.15
Mete, de facto, dó. Tanto reacionarismo.
"A situação actual da Assembleia da República não é totalmente inédita e não data apenas deste último mês. Na verdade, é ponto de chegada de um processo gradual de subalternização e decadência de que há numerosos indícios. Vários foram os sinais dados. Aluga-se o hemiciclo para festas e filmes! Nos Passos Perdidos fazem-se exposições! No rés-do-chão canta-se o fado! Nos claustros, come-se sardinha e bebe-se jeropiga! De vez em quando, crianças das escolas brincam aos deputados! Este Parlamento mete dó!"
António Barreto, DN, 8 de novembro de 2015
António Barreto, DN, 8 de novembro de 2015
Estranhar, entranhar; normalidade
Não me agrada mas não me preocupa sobremaneira o ambiente extremado
que se vive perante a perspetiva de um governo com o apoio da esquerda. Daqui a
um, dois, três, quatro anos, o que é hoje inesperado será encarado com mais naturalidade.
E o que é desconhecido, e que alimenta as acusações de uns e a esperança de
outros, estará aí para que possamos julgar. E aí, teremos um país mais normal.
6.11.15
O museu Hergé, na Bélgica, tem este estranho trabalho do desenhador. Não estranho por, sem ser aquele personagem que nos vice primeiro ministra, desconhecer outras referências a Portugal do autor. Estranho sim por este trabalho não fazer qualquer alusão ao nosso país. Se alguém tiver a amabilidade de elucidar... Nom Batal para todos.
5.11.15
Mudanças radicais e moderadas
Num inquérito sobre os partidos portugueses, perguntam-me qual a predisposição de cada um para apoiar o sistema e o modelo político e social vigente ou, pelo contrário, propor alterações políticas e institucionais a esse mesmo sistema.
Com um certo sentido de revelação, noto que os partidos radicais de esquerda destacam-se pela defesa do sistema, ao passo que (que bela expressão!) os partidos da direita dita moderada e conservadora têm-se destacado por quererem mudá-lo.
Outra tradição que se perdeu.
Com um certo sentido de revelação, noto que os partidos radicais de esquerda destacam-se pela defesa do sistema, ao passo que (que bela expressão!) os partidos da direita dita moderada e conservadora têm-se destacado por quererem mudá-lo.
Outra tradição que se perdeu.
O meu problema com "o meu problema com a esquerda" de João Miguel Tavares
João Miguel Tavares tem alguma razão em identificar como um problema a falta de uma graduação comum nas lentes com que a esquerda e a direita vêem a realidade. E que sem esse denominador comum é difícil acordar qualquer resposta à crise. Só claudica num pequeno pormenor. Parecer achar que o problema não é simétrico. À esquerda e à direita. Um exemplo óbvio: a recorrente omissão da direita em relação aos fatores externos na crise portuguesa (do impacto do início da crise financeira ao papel do bce). Outro exemplo óbvio: este artigo do João Miguel Tavares. Ao achar que só a direita enxerga a objetividade dos factos que devem preceder qualquer discussão. Ou seja, o problema da esquerda seria não ver que a direita é que tem razão. Parecendo diferente, isto não anda longe das teses sobre consensos que habitualmente vêm de Belém.
4.11.15
Claro que as eleições se perdem e se ganham. Mas isto é apenas um dos ângulos. É verdade que há aqueles que dizem que ganham sempre. E é verdade também que a razão está do lado deles. Os partidos com representação parlamentar ganham a confiança de muitos portugueses para representarem os seus interesses e as suas angústias. A democracia é mais do que aritmética. É também filosofia.
23.10.15
A minha primeira petição...
Desagrado pelas declarações de Cavaco Silva, votando ao ostracismo governativo os partidos da esquerda com base em argumentos anti-democráticos e violadores do mandato constitucional do PR
Para: Exmo. Senhor Presidente da República
A declaração de 22 de outubro de 2015 do Presidente da República, Cavaco Silva, teve dois momentos distintos. Um primeiro, no qual entendeu indigitar Passos Coelho para formar governo, decisão incontroversa do ponto de vista da sua legimitidade, bem como do seu respeito pela Constituição. Um segundo momento, no qual teceu considerações inaceitáveis sobre a possibilidade de um entendimento à esquerda com vista a suportar um eventual governo. É apenas esta última parte que motiva a presente petição.
Nesta, foram dirigidas críticas violentas ao PCP e ao BE e ao seu ideário, circunstância que, no entender de Cavaco Silva, impossibilita que estas forças políticas (hoje com significativa representação parlamentar) negoceiem o seu apoio a eventuais soluções de governo. Deste modo, não se limitou a um juízo sobre um eventual acordo para programa de governo contrariar determinados aspetos considerados por Cavaco Silva estruturantes do nosso regime democrático. Foi muito mais longe. Considerou que qualquer partido que discorde destes pressupostos (NATO, Tratado de Lisboa, Tratado Orçamental, etc.) está impedido, à partida, de participar num governo ou até de negociar o seu apoio a uma solução de governo, mesmo que liderada por um partido que defenda todas ou algumas destas bandeiras, como é o caso do PS. Ou seja, votou à ostracização democrática a representação de milhões de cidadãos ao nível de uma solução de governo.
Esta situação é tanto mais grave quanto a indigitação de Pedro Passos Coelho para primeiro-ministro está, neste momento, longe de garantir que o governo da coligação passe no Parlamento, não estando afastada a possibilidade de a esquerda se reapresentar como alternativa de governo. De acordo com os pressupostos definidos por Cavaco Silva, é legítimo presumir que este não dará posse a um governo com estas características.
Por todas estas razões, consideramos esta declaração do Presidente da República, Cavaco Silva, intolerável do ponto de vista democrático e desrespeitadora da função que a Constituição reserva ao Presidente da República. Mesmo sendo um ator político, o Presidente da República tem funções no sistema político português que só podem ser desempenhadas com um esforço de equidistância e respeito institucional pelos partidos representados na Assembleia da República, o que, claramente, não aconteceu neste caso.
O sistema político português não permite formas de responsabilização política (com consequências jurídicas) do Presidente e, muito menos, a sua destituição, o que é coerente com o modelo semi-presidencialista que temos. Nem mesmo em situações em que o Presidente atua fora dos limites da Constituição, como acreditamos ter sido o caso.
No entanto, esta circunstância não inibe o direito de protesto por parte dos cidadãos. De todos aqueles que, tendo ou não votado nos partidos visados pela declaração de Cavaco Silva, sendo ou não de esquerda, tendo ou não ajudado a eleger Cavaco Silva para Presidente da República, consideram que este agrediu de forma gravosa os limites do seu mandato.
Numa democracia representativa, a voz dos cidadãos faz-se ouvir por diversas formas, nomeadamente pelos partidos que os representam. Mas o primeiro reduto de liberdade do cidadão livre é poder confrontar diretamente o poder político com os seus atos. Não é por isso de estranhar que o direito de petição tenha sido o primeiro direito de participação política reconhecido generalizadamente aos cidadãos, antes mesmo de haver democracias.
Assim, vimos por este meio manifestar o nosso veemente protesto pelas declarações do Presidente da República do passado dia 22 de outubro, nomeadamente quanto às considerações feitas sobre um eventual entendimento de governo à esquerda, por assentarem em fundamentos pouco democráticos e violadores do mandato constitucional do Presidente da República. Deste modo, solicitamos que o Presidente da República, Cavaco Silva, se retrate, garantindo que as regras de formação de governo se pautam pelo respeito das regras da democracia e da Constituição.
Nesta, foram dirigidas críticas violentas ao PCP e ao BE e ao seu ideário, circunstância que, no entender de Cavaco Silva, impossibilita que estas forças políticas (hoje com significativa representação parlamentar) negoceiem o seu apoio a eventuais soluções de governo. Deste modo, não se limitou a um juízo sobre um eventual acordo para programa de governo contrariar determinados aspetos considerados por Cavaco Silva estruturantes do nosso regime democrático. Foi muito mais longe. Considerou que qualquer partido que discorde destes pressupostos (NATO, Tratado de Lisboa, Tratado Orçamental, etc.) está impedido, à partida, de participar num governo ou até de negociar o seu apoio a uma solução de governo, mesmo que liderada por um partido que defenda todas ou algumas destas bandeiras, como é o caso do PS. Ou seja, votou à ostracização democrática a representação de milhões de cidadãos ao nível de uma solução de governo.
Esta situação é tanto mais grave quanto a indigitação de Pedro Passos Coelho para primeiro-ministro está, neste momento, longe de garantir que o governo da coligação passe no Parlamento, não estando afastada a possibilidade de a esquerda se reapresentar como alternativa de governo. De acordo com os pressupostos definidos por Cavaco Silva, é legítimo presumir que este não dará posse a um governo com estas características.
Por todas estas razões, consideramos esta declaração do Presidente da República, Cavaco Silva, intolerável do ponto de vista democrático e desrespeitadora da função que a Constituição reserva ao Presidente da República. Mesmo sendo um ator político, o Presidente da República tem funções no sistema político português que só podem ser desempenhadas com um esforço de equidistância e respeito institucional pelos partidos representados na Assembleia da República, o que, claramente, não aconteceu neste caso.
O sistema político português não permite formas de responsabilização política (com consequências jurídicas) do Presidente e, muito menos, a sua destituição, o que é coerente com o modelo semi-presidencialista que temos. Nem mesmo em situações em que o Presidente atua fora dos limites da Constituição, como acreditamos ter sido o caso.
No entanto, esta circunstância não inibe o direito de protesto por parte dos cidadãos. De todos aqueles que, tendo ou não votado nos partidos visados pela declaração de Cavaco Silva, sendo ou não de esquerda, tendo ou não ajudado a eleger Cavaco Silva para Presidente da República, consideram que este agrediu de forma gravosa os limites do seu mandato.
Numa democracia representativa, a voz dos cidadãos faz-se ouvir por diversas formas, nomeadamente pelos partidos que os representam. Mas o primeiro reduto de liberdade do cidadão livre é poder confrontar diretamente o poder político com os seus atos. Não é por isso de estranhar que o direito de petição tenha sido o primeiro direito de participação política reconhecido generalizadamente aos cidadãos, antes mesmo de haver democracias.
Assim, vimos por este meio manifestar o nosso veemente protesto pelas declarações do Presidente da República do passado dia 22 de outubro, nomeadamente quanto às considerações feitas sobre um eventual entendimento de governo à esquerda, por assentarem em fundamentos pouco democráticos e violadores do mandato constitucional do Presidente da República. Deste modo, solicitamos que o Presidente da República, Cavaco Silva, se retrate, garantindo que as regras de formação de governo se pautam pelo respeito das regras da democracia e da Constituição.
http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT78825
15.6.15
Os sapatos dos outros
Não sei o que me deu para ler isto. Quer dizer, sei (uma
filha que acaba de fazer o exame do 4.º ano). E nem é sequer a questão de
defender a manutenção dos exames. É - e isto não é um exclusivo da esqueda ou
da direita, de gente mais ou menos inteligente - este narcisismo que leva
pessoas a defenderem uma ideia, uma política, com base na sua experiência
pessoal. Isto parece fazer sentido mas não faz. É como as mulheres que nunca
foram nem se sentiram discriminadas e lestas concluem não existirem problemas a
este nível; ou aqueles que singraram profissional e academicamente, apesar das desvantagens
do contexto, para logo concluírem que estas não condicionam (lembro-me vagamente
do caso recente de um articulista do observador); ou ainda aquela inteligente blogger que
refutava há não muito tempo a pertinência de uma regulação do piropo, baseando-se
largamente no seu percurso pessoal. Não se trata de desvalorizar o eventual mérito
ou resiliência destes. Antes pelo contrário. Mas apenas recordar que em qualquer
um dos casos apontados a lei devia, em primeiro lugar, proteger os mais fracos.
E para este efeito interessam pouco as histórias dos vencedores.
1.6.15
Notar defeitos onde, muito provavelmente, só há virtudes
Criticar é bem mais fácil do que fazer, já dizia uma antiga professora minha. Por isso fico-me, por regra, pela crítica. Este anúncio é querido e a mensagem atual e pertinente. As crianças são crianças e os seus sonhos os seus sonhos (homenagem ao "the wire"), independentemente dos pais. E isso não as distingue entre elas. Não se nota. Bom verbo. E as crianças são crianças e os seus sonhos são os seus sonhos, independentemente das suas diferenças. Umas ciganas, outras de pele branca, outras de pele negra, umas adotadas, outras com vih. E isso também não se nota, como se pergunta retoricamente no final do vídeo. Bom verbo. Mas algumas destas características notam-se, ou podem notar-se. Ao olhar. E é também isso que precisamos de aprender. Que, apesar de se notar, ou de se poder notar, não só não tem qualquer problema como é a nossa maior riqueza. Esta diversidade. E, nesta perspetiva, o tal verbo não me parece brilhante.
Todas as Crianças from Dia de Todas as Crianças on Vimeo.
28.5.15
Quase que nem sei por quem torcer
NBA Finals



Series:
Game 1: Thursday, June 4 at Golden State, 9 p.m. ET (ABC)
Game 2: Sunday, June 7 at Golden State, 8 p.m. ET (ABC)
Game 3: Tuesday, June 9 at Cleveland, 9 p.m. ET (ABC)
Game 4: Thursday, June 11 at Cleveland, 9 p.m. ET (ABC)
Game 5: Sunday, June 14 at Golden State, 8 p.m. ET (ABC)*
Game 6: Tuesday, June 16 at Cleveland, 9 p.m. ET (ABC)*
Game 7: Friday, June 19 at Golden State, 9 p.m. ET (ABC)*
Game 2: Sunday, June 7 at Golden State, 8 p.m. ET (ABC)
Game 3: Tuesday, June 9 at Cleveland, 9 p.m. ET (ABC)
Game 4: Thursday, June 11 at Cleveland, 9 p.m. ET (ABC)
Game 5: Sunday, June 14 at Golden State, 8 p.m. ET (ABC)*
Game 6: Tuesday, June 16 at Cleveland, 9 p.m. ET (ABC)*
Game 7: Friday, June 19 at Golden State, 9 p.m. ET (ABC)*
27.5.15
26.5.15
Elogio aos candidatos
Já várias vezes manifestei o meu reconhecimento por todos os
que, no quadro de um partido político, investem o seu tempo para o que, na grande
maioria dos casos, é um esforço com parcas e incertas contrapartidas pessoais
(poder, fama, dinheiro). Porém, sem estes não existe nada que se pareça com democracia,
nomeadamente o seu momento (ainda hoje) paradigmático: as eleições. Contudo, os
candidatos dos partidos já estabelecidos só costumam entrar neste jogo após
alguma socialização dentro do próprio partido, cuja dinâmica interna incentiva,
de diversas formas legítimas (afinidades, lugares de influência, etc.) este
investimento. O que não lhes retira valor. Apenas torna menos surpreendente que
o façam.
Posto isto, comove-me a quantidade de pessoas que vejo
disponibilizarem-se para o exercício da democracia partidária e eleitoral
através das listas do Livre / Tempo de Avançar. Pessoas que, na minha leitura das
páginas das respetivas candidaturas, se agarram à inesperada oportunidade de poderem concorrer a eleições e convencer os outros da
bondade das suas ideias. Que se entregam à improvável hipótese de fazerem a
diferença. Disparate. Diferença, começaram a fazer no momento em que se
disponibilizaram para serem candidatos a candidatos, mostrando que há muito boa
gente por aí com agudo sentido de cidadania e com vontade de contribuir para o
bem comum. Tudo qualidades que faltam aos mandriões que se limitam a gozar as
vantagens do jogo democrático, sem mostrarem a menor vontade de penhorar os seus preciosos serões e
fins de semana (falo por experiência própria). Saibamos aproveitar esta boa
gente.
17.5.15
13.5.15
12.5.15
11.5.15
8.5.15
4.5.15
29.4.15
27.4.15
21.4.15
16.4.15
Calendário
EASTERN CONFERENCE - FIRST ROUND
(1) Atlanta Hawks vs. (8) Brooklyn Nets
Game 1 - Sun. April 19, Brooklyn at Atlanta, 5:30 PM, TNT
Game 2 - Wed . April 22, Brooklyn at Atlanta, 7:00 PM, NBA TV
Game 3 - Sat. April 25, Atlanta at Brooklyn, 3:00 PM, TNT
Game 4 - Mon. April 27, Atlanta at Brooklyn, TBD
Game 5 * - Wed. April 29, Brooklyn at Atlanta, TBD
Game 6 *- Fri. May 1, Atlanta at Brooklyn, TBD
Game 7 *- Sun. May 3, Brooklyn at Atlanta, TBD
Game 2 - Wed . April 22, Brooklyn at Atlanta, 7:00 PM, NBA TV
Game 3 - Sat. April 25, Atlanta at Brooklyn, 3:00 PM, TNT
Game 4 - Mon. April 27, Atlanta at Brooklyn, TBD
Game 5 * - Wed. April 29, Brooklyn at Atlanta, TBD
Game 6 *- Fri. May 1, Atlanta at Brooklyn, TBD
Game 7 *- Sun. May 3, Brooklyn at Atlanta, TBD
(2) Cleveland Cavaliers vs. (7) Boston Celtics
Game 1 - Sun. April 19, Boston at Cleveland, 3:00 PM, ABC/R
Game 2 - Tue. April 21, Boston at Cleveland, 7:00 PM, TNT
Game 3 - Thu. April 23, Cleveland at Boston, 7:00 PM, TNT
Game 4 - Sun. April 26, Cleveland at Boston, 1:00 PM, ABC
Game 5 * - Tue. April 28, Boston at Cleveland, TBD
Game 6 * - Thu. April 30, Cleveland at Boston, TBD
Game 7 * - Sat. May 2, Boston at Cleveland , TNT
Game 2 - Tue. April 21, Boston at Cleveland, 7:00 PM, TNT
Game 3 - Thu. April 23, Cleveland at Boston, 7:00 PM, TNT
Game 4 - Sun. April 26, Cleveland at Boston, 1:00 PM, ABC
Game 5 * - Tue. April 28, Boston at Cleveland, TBD
Game 6 * - Thu. April 30, Cleveland at Boston, TBD
Game 7 * - Sat. May 2, Boston at Cleveland , TNT
(3) Chicago Bulls vs. (6) Milwaukee Bucks
Game 1 - Sat. April 18, Milwaukee at Chicago, 7:00 PM, ESPN
Game 2 - Mon. April 20, Milwaukee at Chicago, 8:00 PM, TNT
Game 3 - Thu. April 23, Chicago at Milwaukee, 8:00 PM, NBA TV
Game 4 - Sat . April 25, Chicago at Milwaukee, 5:30 PM, TNT
Game 5 *- Mon. April 27, Milwaukee at Chicago, TBD
Game 6 * - Thu. April 30, Chicago at Milwaukee, TBD
Game 7 * - Sat. May 2, Milwaukee at Chicago, TNT
Game 2 - Mon. April 20, Milwaukee at Chicago, 8:00 PM, TNT
Game 3 - Thu. April 23, Chicago at Milwaukee, 8:00 PM, NBA TV
Game 4 - Sat . April 25, Chicago at Milwaukee, 5:30 PM, TNT
Game 5 *- Mon. April 27, Milwaukee at Chicago, TBD
Game 6 * - Thu. April 30, Chicago at Milwaukee, TBD
Game 7 * - Sat. May 2, Milwaukee at Chicago, TNT
(4) Toronto Raptors vs. (5) Washington Wizards
Game 1 - Sat. April 18, Washington at Toronto, 12:30 PM, ESPN
Game 2 - Tue. April 21, Washington at Toronto, 8:00 PM, NBA TV
Game 3 - Fri. April 24, Toronto at Washington, 8:00 PM, ESPN2
Game 4 - Sun. April 26, Toronto at Washington, 7:00 PM, TNT
Game 5 *- Wed. April 29, Washington at Toronto, TBD
Game 6 * - Fri. May 1 ,Toronto at Washington, TBD
Game 7 * - Sun. May 3, Washington at Toronto, TBD
Game 2 - Tue. April 21, Washington at Toronto, 8:00 PM, NBA TV
Game 3 - Fri. April 24, Toronto at Washington, 8:00 PM, ESPN2
Game 4 - Sun. April 26, Toronto at Washington, 7:00 PM, TNT
Game 5 *- Wed. April 29, Washington at Toronto, TBD
Game 6 * - Fri. May 1 ,Toronto at Washington, TBD
Game 7 * - Sun. May 3, Washington at Toronto, TBD
_________________________
WESTERN CONFERENCE - FIRST ROUND
(1) Golden State Warriors vs. (8) New Orleans Pelicans
Game 1 - Sat. April 18, New Orleans at Golden State, 3:30 PM, ABC/R
Game 2 - Mon. April 20, New Orleans at Golden State, 10:30 PM , TNT
Game 3 - Thu. April 23, Golden State at New Orleans, 9:30 PM, TNT
Game 4 - Sat. April 25, Golden State at New Orleans, 8:00 PM ,ESPN
Game 5 * - Tue. April 28, New Orleans at Golden State, TBD
Game 6 * - Fri. May 1, Golden State at New Orleans, TBD
Game 7 * - Sun. May 3, New Orleans at Golden State, TBD
Game 2 - Mon. April 20, New Orleans at Golden State, 10:30 PM , TNT
Game 3 - Thu. April 23, Golden State at New Orleans, 9:30 PM, TNT
Game 4 - Sat. April 25, Golden State at New Orleans, 8:00 PM ,ESPN
Game 5 * - Tue. April 28, New Orleans at Golden State, TBD
Game 6 * - Fri. May 1, Golden State at New Orleans, TBD
Game 7 * - Sun. May 3, New Orleans at Golden State, TBD
(2) Houston Rockets vs. (7) Dallas Mavericks
Game 1 - Sat. April 18, Dallas at Houston, 9:30 PM, ESPN
Game 2 - Tue. April 21, Dallas at Houston, 9:30 PM, TNT
Game 3 - Fri. April 24, Houston at Dallas, 7:00 PM, ESPN
Game 4 - Sun. April 26, Houston at Dallas, 9:30 PM, TNT
Game 5 * - Tue. April 28, Dallas at Houston, TBD
Game 6 * - Thu. April 30, Houston at Dallas, TBD
Game 7 * - Sat. May 2, Dallas at Houston, TNT
Game 2 - Tue. April 21, Dallas at Houston, 9:30 PM, TNT
Game 3 - Fri. April 24, Houston at Dallas, 7:00 PM, ESPN
Game 4 - Sun. April 26, Houston at Dallas, 9:30 PM, TNT
Game 5 * - Tue. April 28, Dallas at Houston, TBD
Game 6 * - Thu. April 30, Houston at Dallas, TBD
Game 7 * - Sat. May 2, Dallas at Houston, TNT
(3) L.A. Clippers vs. (6) San Antonio Spurs
Game 1 - Sun. April 19, San Antonio at L.A. Clippers, 10:30 PM, TNT
Game 2 - Wed. April 22, San Antonio at L.A. Clippers, 10:30 PM, TNT
Game 3 - Fri. April 24, L.A. Clippers at San Antonio, 9:30 PM, ESPN
Game 4 - Sun. April 26, L.A. Clippers at San Antonio, 3:30 PM, ABC
Game 5 - * Tue. April 28, San Antonio at L.A. Clippers,TBD
Game 6 - * Thu. April 30, L.A. Clippers at San Antonio,TBD
Game 7 - * Sat. May 2, San Antonio at L.A. Clippers, TNT
Game 2 - Wed. April 22, San Antonio at L.A. Clippers, 10:30 PM, TNT
Game 3 - Fri. April 24, L.A. Clippers at San Antonio, 9:30 PM, ESPN
Game 4 - Sun. April 26, L.A. Clippers at San Antonio, 3:30 PM, ABC
Game 5 - * Tue. April 28, San Antonio at L.A. Clippers,TBD
Game 6 - * Thu. April 30, L.A. Clippers at San Antonio,TBD
Game 7 - * Sat. May 2, San Antonio at L.A. Clippers, TNT
(4) Portland Trail Blazers vs. (5) Memphis Grizzlies
Game 1 - Sun. April 19, Portland at Memphis, 8:00 PM, TNT
Game 2 - Wed. April 22, Portland at Memphis, 8:00 PM, TNT
Game 3 - Sat. April 25, Memphis at Portland, 10:30 PM, ESPN
Game 4 - Mon. April 27, Memphis at Portland, 10:30 PM, TNT
Game 5 *- Wed. April 29, Portland at Memphis, TBD
Game 6 * - Fri. May 1, Memphis at Portland, TBD
Game 7 *- Sun. May 3, Portland at Memphis, TBD
Game 2 - Wed. April 22, Portland at Memphis, 8:00 PM, TNT
Game 3 - Sat. April 25, Memphis at Portland, 10:30 PM, ESPN
Game 4 - Mon. April 27, Memphis at Portland, 10:30 PM, TNT
Game 5 *- Wed. April 29, Portland at Memphis, TBD
Game 6 * - Fri. May 1, Memphis at Portland, TBD
Game 7 *- Sun. May 3, Portland at Memphis, TBD
* = if necessary
All times are Eastern
TBD - To Be Determined
R - ESPN Radio
All times are Eastern
TBD - To Be Determined
R - ESPN Radio
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