4.7.18

É mais do que compreensível (isto é tudo muito novo) mas foi um bocadinho desilusão a entrevista de alexandria ocasio-cortez ao Colbert

Inventado mesmo agora: os "taxistas" que conheço são, por regra, anti taxistas.

... and not glamorous


Da página do facebook da LRB

Ensaio sobre a moderação ou como quando o centro se desloca para um dos lados do eixo até dá a sensação que as ideias que se situam no lado contrário desse espectro são muito radicais, quando são, como é o caso, bastante moderadas, ao mesmo tempo que mitiga a radicalidade das ideias de cujo o centro se aproxima. Enfim, é ler o texto.

Radical Democrats Are Pretty Reasonable

Paul Krugman
Opinion Columnist

27.6.18

Desporto e política. Américas. Que grande texto.

Why the N.F.L. and the N.B.A. Are So Far Apart on Social Justice Stances



(para ler um dia) Jonathan Franzen Is Fine With All of It

https://www.nytimes.com/2018/06/26/magazine/jonathan-franzen-is-fine-with-all-of-it.html?fallback=0&recId=16ayCWvcFRGYIsx6QXxh7iwwFNT&geoContinent=NA&geoRegion=NJ&recAlloc=thompson_sampling&geoCountry=US&blockId=signature-journalism-vi&action=click&module=editorContent&pgtype=Article&region=CompanionColumn&contentCollection=Trending

20.6.18

Bullying. Aquela descompustura, de dimensão planetária, que um chefe de estado deu a um adolescente por este o ter chamado pela alcunha

Tarefas urgentes para antifascistas (crónica de Rui Tavares, Público)

Acabaram-se as crónicas a alertar para a possibilidade de um regresso do fascismo: ele aí está, inconfundível e indesmentível. Quando o governo dos EUA separa crianças dos pais para as encerrar em campos de detenção. Quando o ministro do interior da Itália diz que vai fazer um censo para expulsar todos os ciganos estrangeiros e acrescenta que “infelizmente teremos de ficar com os ciganos italianos porque não os podemos expulsar”. Quando o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, faz um discurso dizendo que “nenhum compromisso europeu será possível em matéria de imigração e asilo” porque “a Hungria é contra a mistura” com povos estrangeiros. Quando tudo isto acontece, o regresso do fascismo já se deu. Sem eufemismos e sem pleonasmos.

Ler o resto aqui. Com armadura.

11.6.18

O magnífico podcast sobre política internacional - e não só

Le Tour du monde des idéesBrice Couturier

Para que os meus filhos compreendam melhor o mundo em que (ainda) cresceram

"Análise dos certos e errados - a sanar - do estilo das estreantes donas das pastas ministeriais". Foi este o subtítulo explicativo que o diário ABC colocou num texto, publicado no sábado, no qual, sob a foto de cada uma das novas 11 ministras, apreciou, como se costuma fazer com a ex princesa (agora rainha) Letícia, "o guarda-roupa das ministras de Pedro Sánchez", fazendo observações sobre respetivo físico, penteado e habitual apresentação, e sugestões de maquilhagem, acessórios e vestimenta, incluindo "saias mais compridas", "menos decotes e menos braços à vela", "mais maquilhagem", "cuidar mais do cabelo" e outros comentários do mesmo jaez, chegando àquele que o também diário Público considerou o pior, sobre Magdalena Valério, com a tutela do Trabalho (nem sequer referida no texto que lhe é dedicado): "Esta natural da Estremadura de bom físico (...) olhos penetrantes e carroçaria de cá te espero sempre soube tomar partido disso." (Fernanda Câncio, DN, 11 de junho de 2018)

30.4.18

Crise da meia idade

Há os que traem as mulheres, trocando-as por outras, mais novas. Também já a tive, a crise. E traí. Vai para cerca de 10 anos. Quando comecei a trocar o Chico, o João e o Vinicius, por Bach, Haydn e Schubert. Dias há em que sou assaltado pelo remorso e pela nostalgia mas, de um modo geral, corre tudo bem. 



Somos todos Michelle Wolf

Link

12.2.18

Que maravilha





Desenhos dos filhos de Darwin ao draft de "A Origem das Espécies". Muitos mais aqui.

Tiago, sobre o grande Darwin, talvez te interesse espreitar aqui o Darwin Manuscripts Project.

5.3.16

Coisas que me divertem

- Pai, conheces alguém que se chame Michael Jackson?
- Hum?
- Para além do cantor.
- Não. Tu conheces?
- Não.

7.12.15

Hipocrisia em política (breve elogio)


Se a hipocrisia em política é proclamar ideias generosas em público contraditórias com as que se pregam em privado. Se é envidar esforços para executar políticas contra as quais se batem no seu íntimo. Se é ter uma dualidade de critérios consoante esteja em causa a sua esfera privada e o espaço de intervenção público. Se é defender a paz em público e a guerra em privado. Se é contribuir para acabar com as discriminações quando o próprio é feito de preconceito (racial, étnico, homofóbico). Se é ser incoerente com algumas das suas piores convições, nestes casos, diria: ainda bem. 

ps: vem isto a propósito das revelações mais recentes sobre o ex-Presidente norte-americano Woodrow Wilson (sim, o pai da sociedade das nações), que parece não ter sido, afinal, pessoa que se recomendasse em matéria de tolerância.

Hein Semke

Descobri este fim de semana no CAM Hein Semke. Um artista alemão (pintor, escultor, ilustrador e outras dores) que se radicou em Portugal nos anos 30 e que veio a morrer aqui em 1995. Nada tem de especial eu nunca ter ouvido falar dele. Outros tantos muitos haverá de quem nunca ouvi falar. Mas uma pessoa não deixa de se interpelar quando descobre algo de que gosta muito e que sempre esteve aí. É isso, gostei muito. Íssimo. Tem duas telas intituladas "Parlamento" (também por aqui, é certo) e pelo menos uma chamada "Debate". As minhas preferidas, talvez. Pensei em fotografar mas depois desisti, lembrando que o google tem tudo e tira sempre melhores fotografias do que eu. Fui lá hoje. E, sobre estas obras, nada. Ou quase nada. Aparentemente, o google anda quase tão distraído como eu.

Caro Scorcese... esquece, não ligues.


Em matéria de filmes, saliento-me pelo saber, não direi enciclopédico (estaria a exagerar), mas aprofundado sobre aqueles que poderíamos chamar, sem desprimor para com os canônes da crítica cinematográfica, de filmes da treta dos anos 80 e 90. Uns bons (filmes da treta) outros bem mauzinhos. Mas todos eles cumprindo com competência o seu fim último: entretem (como diria, e a meu ver bem, o amigo do meu filho mais novo). Para infelicidade dos meus filhos, decidi(mos) partilhar algum deste saber com eles. Eles parecem apreciar. Da trilogia do Regresso ao Futuro, passando pelo Sozinho em Casa ou o Dennis, o Pimentinha. Se tudo correr como previsto, este estágio servirá para criar as bases para, um dia, lhes apresentar o maior dos filmes do género. Refiro-me, como já terão adivinhado, ao grande Jackie Chan. Can't wait.


Resolução para o ano de 2016 (...e seguintes): filmes scorcese

4.12.15

(agora com adenda) Houve muito alarido a propósito da geometria variável de tratamento do atentado de Paris em comparação com outros. E bem. Espicaça-nos. Já vejo menos reflexão sobre o tratamento diferenciado que a imprensa está a dar ao despedimento de muitos jornalistas dos jornais da Newshold (“i” e “Sol”). Não condeno a forma como tem sido tratado. Antes pelo contrário. Mas não deixa de se notar o efeito da proximidade. Provavelmente, era assim que todos os despedimentos deviam ser tratados. Por vezes, o distanciamento parece servir menos o jornalismo do que a proximidade. Dá que pensar.


Adenda: sempre atenta às parvoíces que se escrevem um pouco por todo o mundo (uma espécie de NSA das redes sociais, mas tudo legal e público  - suponho), a Maria João Pires / Shyznogud fez o seguinte reparo: 

" hum, olha q se reparares n houve grande tratamento jornalístico dos despedimentos do i e do sol. houve muitos comentários em parcelas de redes sociais a q pertences, o q é diferente"

Fui confirmar, pois não levo lições sobre bocas de ninguém (sempre quis dizer isto). 

Excepto neste caso, ao que parece. 

Informo que o último mês foi o meu sexto mais produtivo de sempre

...
Há muitos meses que não escrevia tantos posts.

E porque este é um blogue para mostrar, daqui a uns anos, quão totós eram os meus filhos:

- Sabes quem mandou construir isto (o Aqueduto das Águas Livres)?
- Sei, foi o D. João Pinto.

3.12.15

Os cobradores de promessas


Gosto de ler as crónicas de João Miguel Tavares. Por duas razões. Porque têm alguma graça. E porque conseguem a divertida proeza de enunciar um argumento que, frequentemente, é desmentido pelo próprio texto, ou de fabricar carapuças que, no fim, também a ele lhe servem. Hoje não é um desses casos. Mas anda lá perto. Ao explicar-nos que o grande mal deste governo, aquilo que deixa João Miguel Tavares “tão incomodado e tão incapaz de aceitar pacatamente o que aconteceu ao país”, é o messianismo de Costa e a fé nele depositada para mudar o estado das coisas.

É natural que JMT não se reveja no caminho proposto pela esquerda. Mas o facto de não se rever, de achar que “é coisa nenhuma”, não quer dizer que não exista. Até porque se não existisse, se fosse simplesmente mais do mesmo, não se compreenderiam as acusações de radicalismo das escolhas (lá está) deste governo ou as antevisões da desgraça para breve (no défice, no crescimento, no pib, etc.).

Mas mais relevante é a forma como descarta qualquer esperança neste governo com o labéu do messianismo. É o supremo cololário da TINA. Não temos direito a políticas alternativas à austeridade. Nem mesmo à esperança de que isso aconteça. Nem mesmo na hora zero de um novo governo. Se um governo em início de mandato, com o objetivo de inverter uma política que contou ao longo destes anos com a oposição de muitos partidos e setores da sociedade, não deve ser um catalisador de esperança, não sei muito bem quando deva ser. 

Citando o sketch infra embutido dos Gato Fedorento, o messianismo “está mal!”. Mas JMT limita-se a um messianismo de sinal contrário, que é o cinismo político. Não vale a pena. Nada vai mudar. E isto não só "está mal!", como “está errado!”.

Felizmente, a democracia é um caminho e não se esgota com as eleições. Feitas as promessas de que JMT se queixa, são elas que vão servir de bitola para avaliarmos o desempenho do governo (a promessa de algo é, pois, fundamental). Aqui estaremos para isso. No momento próprio. E que começa.... hoje. 

2.12.15

E de tempos a tempos, o inevitável post sobre Sorkin

Uma belíssima crítica de Rui Zink de um filme que não vi mas com a qual concordo inteiramente (sim, é possível). Relativamente à parte inicial, e trazendo à liça as grandes séries televisivas, diria que Aaron Sorkin (Homens do Presidente) está para Spielberg como David Simon (The Wire) está para Coppola. E como esta observação foi tão boa, retiro-me por hoje. Até amanhã.

Isto é ridículo


Mostrar o que se vale dois

O seu currículo era excelente e foi sempre um trunfo valioso para conseguir um bom emprego. Os problemas começavam quando tinha de trabalhar.

Mostrar o que se vale

Há muito, muito tempo atrás, amigos convidaram-me para escrever num blogue coletivo. Foi pura simpatia e um voto de confiança, visto que tinha escrito muito pouco que se visse. Raras vezes contribui e acabei despedido por inatividade (com justíssima causa). Algum tempo depois, começei a escrever aqui. Umas vezes mais, outras menos, outras muito menos. Mas mostrei, finalmente, o que valia.

Nunca mais fui convidado para escrever num blogue.

Escolhos de algumas escolhas

Eu sei que sou eu mas tenho alguma dificuldade em compreender o sentido num editorial do Público de considerações como "E nem se percebe como pode ter havido quaisquer dúvidas sobre o assunto [relativamente à apresentação de uma moção de rejeição do programa de governo pela oposição]". Quanto à interpretação da rejeição, também discordo do entendimento do Público. Mas isso é interpretação dos factos políticos e ainda bem que as há. O que percebo mal são as escolhas políticas vendidas pela imprensa como inevitáveis. Quando não são mais do que estratégias. Boas ou más, mais ou menos eficazes. Mas há sempre uma escolha. Como, aliás, no-lo recordam em geral os filmes, bons ou maus. É porque é assim mesmo. E agora atentem. Maxime, em política.

1.12.15

O fim de outras praxes

Assisti "no outro dia" a uma prova de doutoramento da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Nunca tinha visto nada assim. Ou tão assim, pelo menos. Desta faculdade, que também é a minha. Um júri visivelmente satisfeito com a qualidade do trabalho do candidato. Uma arguição que suscitou interrogações, dúvidas, problemas, esclarecimentos, como lhe competia, mas sem nunca cair, como vi suficientes vezes, na humilhação - pela rasteira, pela desconsideração – gratuita do candidato. Uma academia que celebra aquele que se coloca nos ombros do gigante de Newton (sendo o gigante o conhecimento produzido pelos outros e, assim, o lugar que permite ver mais longe), questionando-o sobre a solidez do seu esteio. Mas já não a academia que adota a canelada como método para ver se o candidato cai do gigante. Claro que são duas formas de testar a robustez do candidato. É fácil imaginar qual seja a preferida dos duxes veteranorum. Parabéns a todos, portanto. 

26.11.15

Posso ser eu mas nunca mais ouvi falar da taxa Tobim. Isto num mundo crescentemente desigual. É estranho. Ou apenas distração.

É provável que esteja a ser injusto. Até porque há muita imprensa que me passa ao lado. Mas não vi ainda nenhum bom enquadramento político sobre o papel que o parlamento deverá ter nesta conjuntura. Será, com certeza, reforçado, o que tem sido abundantemente notado. Em particular sendo o governo sustentado por dois partidos que não estão no Executivo, tornando o Parlamento o principal palco da negociação política. Já vi menos destacar-se o previsível aumento do poder das comissões parlamentares, onde se decide, e aprovam, os detalhes legislativos. Que é, como se sabe, onde está o diabo. E, lá está, o reforço do poder e do papel das comissões constitui um ótimo indicador de um parlamento mais forte e democrático. Como acontece, em geral, nas democracias mais maduras.

Contexto. A pouco e pouco, de acordo com a generalidade dos critérios que a literatura sugere, o parlamento português está a ficar mais crescido, mais forte, mais democrático. Enfim, mais consolidado. Futurologando um pouco, diria que a atual conjuntura política reforçará significativamente este quadro.


Não tenho acesso a informações privilegiadas nem de corredor. Mesmo assim, conheço bem (eu e muita gente) o percurso profissional de alguns membros deste governo. Não deixo por isso de me impressionar com o pouco que os media parecem saber sobre eles. E ainda o tanto que sabem sobre coisas que pouco ou nada interessam. E isto inquieta-me.

23.11.15

Memórias da FIS

A Maria João Pires recorda no facebook o tempo em que a FIS amedrontava muita gente. Particularmente em França (isto na Europa). Datam de meados (início de meados) dos anos 90 alguns dos seus atentados em Paris. Uma cidade onde, nessa altura, era bem visível o patrulhamento policial (na minha memória, eram também militares, mas não sei…). Também associo a esse tempo o fim dos caixotes do lixo em muitas ruas de Paris. Claro que pode não ter nada a ver. O que tem a ver é a seguinte história, para a qual não ganhei para o susto. Meados dos anos 90. Paris patrulhada por militares (pelo menos na minha cabeça), impossível encontrar um caixote do lixo sem estar fechado, recordando, pelo menos a quem tem frequentemente lixo para pôr em caixotes (um guardanapo de um crepe com chocolate, por exemplo), que o medo de atentados está bem presente. Eu adolescente a ir ao cinema. Eu com ar de magrebino na proporção inversa do número de vezes que vou ao barbeiro cortar o cabelo. O filme interrompido subitamente passados poucos minutos do seu início. Polícias (talvez fosse só um mais o segurança) que entram na sala à procura de algo. Eu a temer, por instinto medroso, ser confundido com esse algo. Eu a ser, naturalmente, confundido com esse algo. Pedirem-me, com modos assertivos, se tenho o meu billet. Eu não querendo ser confundido com um terrorista, lançando o meu billet de identidade para as mãos do polícia. Ele a corrigir o óbvio: quer o meu billet do cinema e não a minha carte d’identité. Eu, toldado pelo medo (não sei se já dei a entender que fiquei com algum receio…), demoro a perceber, Eu finalmente a corresponder ao que me é pedido. Ele a observar o meu billet por um segundo, devolvendo-mo de seguida, perante o olhar (desconfiado, prescrutador, interrogativo, etc., olhar) dos restantes espetadores. Eles a irem-se embora. As luzes a voltarem a apagar-se. O filme a recomeçar. Não me recordar de mais nada. Exceto eu ainda a tremer ao sair do cinema e consciente de ter ganho uma história do caraças para contar aos meus amigos. Eu sei que é de umbigo e comezinho mas esta é a primeira coisa de que me lembro quando oiço falar na FIS.


Dilema: se a esquerda oferecer a Cavaco o acordo que ele exigiu, este ver-se-á obrigado a dar posse a um governo que, manifestamente, não quer. Contudo, confirmará assim o entendimento abusivo do PR de que pode condicionar desta maneira um programa de governo, ao arrepio das escolhas da maioria parlamentar.

20.11.15

Primeiro, temeu o estado islâmico. Mostrou a sua indignação. Todos de acordo.

A dada altura, começou também a temer a luta contra o estado islâmico, em nome da qual se atingia a liberdade de muitos inocentes (e sabia que a liberdade dos outros é, naturalmente, a sua), bem como a questionar os efeitos contraproducentes da sua vertente militar. Mostrou as suas reservas. Alguns insultos no facebook. Mas alguns likes também.

Finalmente, e à medida que a guerra ao terror se intensificou, foi, como receava, desistindo a pouco e pouco da sua liberdade, deixando de dizer o que pensava, de tal forma os ânimos se açolaram e o escrutínio securitário do estado transformava a mais genuína dúvida em traição à pátria.


Finalmente, ficou em silêncio. Não com medo dos maus, como no poema de Niemöller. Mas por causa dos seus e dos que deviam protegê-lo.

Bloqueados?

A ideia de que estamos perante um bloqueio constitucional, por não ser permitida a realização de eleições legislativas no curto prazo, é falsa. Falsa. Não existe qualquer bloqueio ou constrangimento constitucional. Existiria, isso sim, se a atual oposição se limitasse a demitir o(s) governo(s) sem viabilizar qualquer outra solução.

A proposta de um governo com o apoio maioritário do parlamento é, assim, nas presentes condições, a atitude mais responsável. Nomeadamente pelo seguinte, que, penso, não tem sido suficientemente enfatizado. Se olharmos para os diferentes enquadramentos legais e constitucionais com relevância paar este caso, verificamos que a condição mais gravosa para o derrube de um governo é precisamente exigir que a oposição apresente condições maioritárias de apoio a um novo governo (a chamada moção de censura construtiva). Esta condição visa obviamente proteger governos minoritários de coligações meramente negativas. Sendo que se considera generalizadamente que esta proteção deixa de ter sentido quando a maioria do parlamento se entende para um novo executivo.

A existir algum bloqueio, este só pode ser imputado à resistência do PR em indigitar um governo apoiado pela maioria recém eleita do parlamento.

Queria desde já agradecer o entendimento à esquerda (e em particular ao BE, que tomou a iniciativa que vai brevemente ser votada na AR) pela perspetiva iminente do fim dos exames do 1.º ciclo. Algo que era, aos meus olhos, tão elementar quanto prioritário. Mas que desconfio que com o PS sozinho não íamos lá (leitura reforçada por estas declarações - "excesso de pudor!" - do líder do PS).

19.11.15

O McCartismo está, afinal, vivo e não se recomenda.

Preconceito e preconceito


Sobressaltamo-nos mais por medo (como por vezes se tenta justificar) ou por desconfiarmos do que é diferente? Teletransportando-nos para a Europa do final dos anos 30 do século passado, mudaríamos de passeio perante a iminência de nos cruzarmos com um branco, loiro, de olhos azúis? É neste tipo de questões que penso quando estou a trabalhar.  

Ainda somos uma vergonha no que à repartição de tarefas entre homens e mulheres diz respeito. E, quanto a isto, não nos podemos desculpar com a troika, a UE, a dívida ou o rigor financeiro. Depende apenas de nós.


Sobre este estudo, que mostra números que deviam continuar a envergonhar-nos todos os dias, três (ok, seis) pequenos comentários:

1 - Estamos a melhorar, o que é melhor do que nada. Mas a mudar demasiado lentamente.

2 - O homem participa um pouco mais na divisão de tarefas mas, convém notar, no chamado (chamado por mim) filet mignon das tarefas domésticas: na cozinha. Limpar casas de banho e tratar da roupa continua a ser monopólio das mulheres.

3 - O grande contributo dos homens é nas reparações. Essa exigente tarefa do dia-a-dia…

4 - Só li esta notícia mas parece-me faltar aquela que é, para mim, a principal desigualdade a este nível: quem se preocupa com estas coisas lá em casa? É que, de acordo com os meus “estudos”, o pouco que os homens fazem depende muito de alguém lhes pedir para agirem. E esta preocupação pela gestão das tarefas é um ónus tão ou mais pesado do que o resto.

5 - Este trabalho foi realizado pelas investigadoras Leonor Rodrigues, Vanessa Cunha e Karin Wal. E a notícia é da jornalista Andreia Sanches. Também há uma disparidade gritante a combater na importância atribuída a estas questões por parte de homens e mulheres.

6 - Agora, tenho de ir ali dar o meu contributo e substituir a lâmpada da cozinha. 

18.11.15

É como as alfaces. Quanto mais frescas, melhores. (eu não escrevi isto).

Que o Presidente da República representa um contraponto de legitimidade democrática à igualmente democrática legitmidade do parlamento é indisputável. Um e outro recebem diretamente dos cidadãos a confiança para o exercício de funções. Que estas legitimidades podem chocar é da natureza do sistema semi-presidencial. Que não é indiferente o momento em que se recebeu essa confiança é algo que parece ser confirmado pelo bom senso (não resisti), pela prática dos sistemas análogos e, diria, pela própria Constituição (quando, por exemplo, retira ao Presidente o poder de dissolução do parlamento no último semestre do seu mandato). 

Que o Presidente da República se considere autorizado para, a escassos meses do fim do seu mandato, disputar um braço de ferro desta magnitude com a recém legitimada maioria parlamentar como se tivesse sido eleito ontem é também um sinal de dessintonia deste presidente. Com os portugueses e com o seu papel no sistema político.

Digo-o sem falsas modéstias. Acredito ser das pessoas – senão mesmo a pessoa – com mais bom senso que conheço. É, pois, raro não reconhecer esta qualidade nas minha opiniões.

Penso também que isto diz tudo acerca da pertinência de chamar o bom senso para o debate público.

14.11.15

Aux larmes, citoyens

Manter a cabeça erguida. Não dobrar. Nem ceder perante a chantagem do medo. Nem comprometer as nossas liberdades em nome desta luta. Mas, antes de tudo o mais, chorar. Pelas vítimas deste massacre. Nossos concidadãos. Aux larmes, citoyens. E depois o resto.

Sem palavras

Nenhuma palavra, nenhuma frase, parece capaz de traduzir fielmente o que vai cá dentro. Nem as palavras dos outros. Nem estas, por mais que sejam as minhas. Porque nem sempre as palavras o conseguem fazer. Mas, sobretudo (acho que é sobretudo), não sendo a primeira vez que o horror acontece, lamentá-lo nos mesmos termos em que o fizemos da última vez tem o estranho sabor da banalização. Somos todos parisiences, franceses, humanos. Mas sinto que devíamos ser mais, muito mais, embora, provavelmente, não haja mais nada para ser. E isto também dói.

11.11.15

O argumento excecional


Fazer paralelismos com o tempo da outra senhora é sempre um exercício arriscado e, interpretado à letra, muitas vezes injusto e de mau gosto Mas sem opinião de risco isto dos blogues e do facebook não tinha qualquer interesse. E, feita a ressalva, só interpreta à letra quem quer. Então é assim. A leitura que muita direita está a fazer do que deveria ser o bom funcionamento da democracia representativa (com contributos, ainda que raros, de alguma esquerda), baseada em tradições peculiares e muito nossas, pede meças ao “orgulhosamente sós” de má memória. É que a democracia representativa existe lá fora e, em sistemas análogos ao nosso, tem corolários que se aplicam em todas as latitudes parlamentares (pelo menos nas democracias mais democráticas). Um deles é que o governo retira a sua legitimidade do parlamento, que lhe pode negar e retirar a confiança. Não existe, a este respeito, qualquer excecionalidade lusa. Apesar de ter visto, nestas últimas semanas, (re)interpretações da nossa democracia excecionalmente engraçadas.

Explicar, para surpresa do filho com meia dúzia de anos, que os muçulmanos não celebram o natal. Olhar de incredulidade, antes de retorquir: "mas festejam, pelo menos, o halloween!?"

À tarde, no carro, ouvindo em direto pela rádio a votação da rejeição do programa de governo, celebrei, com os meus filhos, a queda deste governo. O mesmo filho citado em título desabafou: "espero que o Passos Coelho não vá agora para o Livre!". (não perguntem).

São assim grande parte dos meus dias.

9.11.15

Desafio: encontrar uma única democracia parlamentar em que, havendo uma maioria parlamentar de apoio a um governo, se indigite/mantenha um executivo apoiado por uma minoria de deputados.

09-11-1989. Já alguém terá notado mas celebrar um acordo à esquerda praticamente no dia em que se comemoram (1,2,3...) 26 anos da queda do muro de berlim é bonito, sim senhor.


E pensar que António Barreto, com uma coluna de opinião com este mesmo título ("Sem emenda"), era bem capaz de ser, há mais de 20 anos, o meu colunista preferido na imprensa portuguesa.

Mete, de facto, dó. Tanto reacionarismo.

"A situação actual da Assembleia da República não é totalmente inédita e não data apenas deste último mês. Na verdade, é ponto de chegada de um processo gradual de subalternização e decadência de que há numerosos indícios. Vários foram os sinais dados. Aluga-se o hemiciclo para festas e filmes! Nos Passos Perdidos fazem-se exposições! No rés-do-chão canta-se o fado! Nos claustros, come-se sardinha e bebe-se jeropiga! De vez em quando, crianças das escolas brincam aos deputados! Este Parlamento mete dó!"

António Barreto, DN, 8 de novembro de 2015

Estranhar, entranhar; normalidade

Não me agrada mas não me preocupa sobremaneira o ambiente extremado que se vive perante a perspetiva de um governo com o apoio da esquerda. Daqui a um, dois, três, quatro anos, o que é hoje inesperado será encarado com mais naturalidade. E o que é desconhecido, e que alimenta as acusações de uns e a esperança de outros, estará aí para que possamos julgar. E aí, teremos um país mais normal. 


5.11.15

Mudanças radicais e moderadas

Num inquérito sobre os partidos portugueses, perguntam-me qual a predisposição de cada um para apoiar o sistema e o modelo político e social vigente ou, pelo contrário, propor alterações políticas e institucionais a esse mesmo sistema.

Com um certo sentido de revelação, noto que os partidos radicais de esquerda destacam-se pela defesa do sistema, ao passo que (que bela expressão!) os partidos da direita dita moderada e conservadora têm-se destacado por quererem mudá-lo.

Outra tradição que se perdeu.

O meu problema com "o meu problema com a esquerda" de João Miguel Tavares

João Miguel Tavares tem alguma razão em identificar como um problema a falta de uma graduação comum nas lentes com que a esquerda e a direita vêem a realidade. E que sem esse denominador comum é difícil acordar qualquer resposta à crise. Só claudica num pequeno pormenor. Parecer achar que o problema não é simétrico. À esquerda e à direita. Um exemplo óbvio: a recorrente omissão da direita em relação aos fatores externos na crise portuguesa (do impacto do início da crise financeira ao papel do bce). Outro exemplo óbvio: este artigo do João Miguel Tavares. Ao achar que só a direita enxerga a objetividade dos factos que devem preceder qualquer discussão. Ou seja, o problema da esquerda seria não ver que a direita é que tem razão. Parecendo diferente, isto não anda longe das teses sobre consensos que habitualmente vêm de Belém.


4.11.15

E o melhor de amanhã (verdade o que se diz, uma pessoa sente-se melhor depois de praticar boas ações)


Um jogo bom entreter hoje, a horas de gente decente e sem comprometer o dia de amanhã


O melhor jogo para ver hoje a horas indecentes


Não teria problemas em nomear os livros, os discos, os filmes e os amigos que levaria para uma ilha deserta. Difícil seria escolher livros, discos, filmes e amigos caso saísse desta ilha onde vivo (e, claro, não faltariam cajús).

Um dos legados da troika foi permitir que o PCP venha, em pleno século XXI, dar lições de democracia a muita gente. É obra.

Ainda bem que, pelo menos neste particular, passos coelho está disposto a cumprir a constituição da república portuguesa

“Serei primeiro-ministro até ser substituído, não penso meter baixa, fazer greve, dizer que me vou embora”, afirmou Passos Coelho de acordo com as informações recolhidas pelo PÚBLICO. 

Claro que as eleições se perdem e se ganham. Mas isto é apenas um dos ângulos. É verdade que há aqueles que dizem que ganham sempre. E é verdade também que a razão está do lado deles. Os partidos com representação parlamentar ganham a confiança de muitos portugueses para representarem os seus interesses e as suas angústias. A democracia é mais do que aritmética. É também filosofia.

Caro João Oliveira, em democracia a palavra de uns vale tanto como a palavra de outros. Tem também que ver com aquela coisa da igualdade.

João Oliveira sublinhou que “a palavra de um comunista vale tanto como um papel assinado, nesta circunstância”

Bloguinho, já estava com saudades tuas. E tuas de minhas, imagino. Reconciliemo-nos.

23.10.15

A minha primeira petição...

Desagrado pelas declarações de Cavaco Silva, votando ao ostracismo governativo os partidos da esquerda com base em argumentos anti-democráticos e violadores do mandato constitucional do PR


Para: Exmo. Senhor Presidente da República

A declaração de 22 de outubro de 2015 do Presidente da República, Cavaco Silva, teve dois momentos distintos. Um primeiro, no qual entendeu indigitar Passos Coelho para formar governo, decisão incontroversa do ponto de vista da sua legimitidade, bem como do seu respeito pela Constituição. Um segundo momento, no qual teceu considerações inaceitáveis sobre a possibilidade de um entendimento à esquerda com vista a suportar um eventual governo. É apenas esta última parte que motiva a presente petição.

Nesta, foram dirigidas críticas violentas ao PCP e ao BE e ao seu ideário, circunstância que, no entender de Cavaco Silva, impossibilita que estas forças políticas (hoje com significativa representação parlamentar) negoceiem o seu apoio a eventuais soluções de governo. Deste modo, não se limitou a um juízo sobre um eventual acordo para programa de governo contrariar determinados aspetos considerados por Cavaco Silva estruturantes do nosso regime democrático. Foi muito mais longe. Considerou que qualquer partido que discorde destes pressupostos (NATO, Tratado de Lisboa, Tratado Orçamental, etc.) está impedido, à partida, de participar num governo ou até de negociar o seu apoio a uma solução de governo, mesmo que liderada por um partido que defenda todas ou algumas destas bandeiras, como é o caso do PS. Ou seja, votou à ostracização democrática a representação de milhões de cidadãos ao nível de uma solução de governo.

Esta situação é tanto mais grave quanto a indigitação de Pedro Passos Coelho para primeiro-ministro está, neste momento, longe de garantir que o governo da coligação passe no Parlamento, não estando afastada a possibilidade de a esquerda se reapresentar como alternativa de governo. De acordo com os pressupostos definidos por Cavaco Silva, é legítimo presumir que este não dará posse a um governo com estas características.

Por todas estas razões, consideramos esta declaração do Presidente da República, Cavaco Silva, intolerável do ponto de vista democrático e desrespeitadora da função que a Constituição reserva ao Presidente da República. Mesmo sendo um ator político, o Presidente da República tem funções no sistema político português que só podem ser desempenhadas com um esforço de equidistância e respeito institucional pelos partidos representados na Assembleia da República, o que, claramente, não aconteceu neste caso.

O sistema político português não permite formas de responsabilização política (com consequências jurídicas) do Presidente e, muito menos, a sua destituição, o que é coerente com o modelo semi-presidencialista que temos. Nem mesmo em situações em que o Presidente atua fora dos limites da Constituição, como acreditamos ter sido o caso.

No entanto, esta circunstância não inibe o direito de protesto por parte dos cidadãos. De todos aqueles que, tendo ou não votado nos partidos visados pela declaração de Cavaco Silva, sendo ou não de esquerda, tendo ou não ajudado a eleger Cavaco Silva para Presidente da República, consideram que este agrediu de forma gravosa os limites do seu mandato.

Numa democracia representativa, a voz dos cidadãos faz-se ouvir por diversas formas, nomeadamente pelos partidos que os representam. Mas o primeiro reduto de liberdade do cidadão livre é poder confrontar diretamente o poder político com os seus atos. Não é por isso de estranhar que o direito de petição tenha sido o primeiro direito de participação política reconhecido generalizadamente aos cidadãos, antes mesmo de haver democracias.

Assim, vimos por este meio manifestar o nosso veemente protesto pelas declarações do Presidente da República do passado dia 22 de outubro, nomeadamente quanto às considerações feitas sobre um eventual entendimento de governo à esquerda, por assentarem em fundamentos pouco democráticos e violadores do mandato constitucional do Presidente da República. Deste modo, solicitamos que o Presidente da República, Cavaco Silva, se retrate, garantindo que as regras de formação de governo se pautam pelo respeito das regras da democracia e da Constituição. 
http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT78825

15.6.15

Da vitória final até ao amazing mea culpa em amazing mea culta

An amazing mea culpa from the IMF’s chief economist on austerity

Os sapatos dos outros

Não sei o que me deu para ler isto. Quer dizer, sei (uma filha que acaba de fazer o exame do 4.º ano). E nem é sequer a questão de defender a manutenção dos exames. É - e isto não é um exclusivo da esqueda ou da direita, de gente mais ou menos inteligente - este narcisismo que leva pessoas a defenderem uma ideia, uma política, com base na sua experiência pessoal. Isto parece fazer sentido mas não faz. É como as mulheres que nunca foram nem se sentiram discriminadas e lestas concluem não existirem problemas a este nível; ou aqueles que singraram profissional e academicamente, apesar das desvantagens do contexto, para logo concluírem que estas não condicionam (lembro-me vagamente do caso recente de um articulista do observador); ou ainda aquela inteligente blogger que refutava há não muito tempo a pertinência de uma regulação do piropo, baseando-se largamente no seu percurso pessoal. Não se trata de desvalorizar o eventual mérito ou resiliência destes. Antes pelo contrário. Mas apenas recordar que em qualquer um dos casos apontados a lei devia, em primeiro lugar, proteger os mais fracos. E para este efeito interessam pouco as histórias dos vencedores. 

1.6.15

Afinal, tanto barulho por causa do acordo ortográfico e ninguém fala destes sobressaltos (por mim tudo bem, que até defendo o AO, ou NAO, ou novo acordo ortográfico que data de 1990)


Notar defeitos onde, muito provavelmente, só há virtudes


Criticar é bem mais fácil do que fazer, já dizia uma antiga professora minha. Por isso fico-me, por regra, pela crítica. Este anúncio é querido e a mensagem atual e pertinente. As crianças são crianças e os seus sonhos os seus sonhos (homenagem ao "the wire"), independentemente dos pais. E isso não as distingue entre elas. Não se nota. Bom verbo. E as crianças são crianças e os seus sonhos são os seus sonhos, independentemente das suas diferenças. Umas ciganas, outras de pele branca, outras de pele negra, umas adotadas, outras com vih. E isso também não se nota, como se pergunta retoricamente no final do vídeo. Bom verbo. Mas algumas destas características notam-se, ou podem notar-se. Ao olhar. E é também isso que precisamos de aprender. Que, apesar de se notar, ou de se poder notar, não só não tem qualquer problema como é a nossa maior riqueza. Esta diversidade. E, nesta perspetiva, o tal verbo não me parece brilhante.

Todas as Crianças from Dia de Todas as Crianças on Vimeo.

Caros Media, vocês têm problemas graves. Queixam-se constantemente de coisas das quais são os principais responsáveis.



28.5.15

Quase que nem sei por quem torcer

NBA Finals

Matchup:
(1) Warriors vs. (2) Cavaliers
Series:
Game 1: Thursday, June 4 at Golden State, 9 p.m. ET (ABC)
Game 2: Sunday, June 7 at Golden State, 8 p.m. ET (ABC)
Game 3: Tuesday, June 9 at Cleveland, 9 p.m. ET (ABC)
Game 4: Thursday, June 11 at Cleveland, 9 p.m. ET (ABC)
Game 5: Sunday, June 14 at Golden State, 8 p.m. ET (ABC)*
Game 6: Tuesday, June 16 at Cleveland, 9 p.m. ET (ABC)*
Game 7: Friday, June 19 at Golden State, 9 p.m. ET (ABC)*

27.5.15

26.5.15

Elogio aos candidatos


Já várias vezes manifestei o meu reconhecimento por todos os que, no quadro de um partido político, investem o seu tempo para o que, na grande maioria dos casos, é um esforço com parcas e incertas contrapartidas pessoais (poder, fama, dinheiro). Porém, sem estes não existe nada que se pareça com democracia, nomeadamente o seu momento (ainda hoje) paradigmático: as eleições. Contudo, os candidatos dos partidos já estabelecidos só costumam entrar neste jogo após alguma socialização dentro do próprio partido, cuja dinâmica interna incentiva, de diversas formas legítimas (afinidades, lugares de influência, etc.) este investimento. O que não lhes retira valor. Apenas torna menos surpreendente que o façam.  


Posto isto, comove-me a quantidade de pessoas que vejo disponibilizarem-se para o exercício da democracia partidária e eleitoral através das listas do Livre / Tempo de Avançar. Pessoas que, na minha leitura das páginas das respetivas candidaturas, se agarram à inesperada oportunidade de poderem  concorrer a eleições e convencer os outros da bondade das suas ideias. Que se entregam à improvável hipótese de fazerem a diferença. Disparate. Diferença, começaram a fazer no momento em que se disponibilizaram para serem candidatos a candidatos, mostrando que há muito boa gente por aí com agudo sentido de cidadania e com vontade de contribuir para o bem comum. Tudo qualidades que faltam aos mandriões que se limitam a gozar as vantagens do jogo democrático, sem mostrarem a menor  vontade de penhorar os seus preciosos serões e fins de semana (falo por experiência própria). Saibamos aproveitar esta boa gente.