27.9.11

Formar uma opinião é bem mais difícil do que, genericamente, se crê (acho que esta última parte é português. Mas não devia)

Até recentemente, por dever (e prazer) de ofício, tentava acompanhar tudo o que, sobre determinados assuntos, frequentemente os chamados temas quentes da actualidade, se escrevia na imprensa, blogs e micro-blogs. Desta experiência, ficou-me a seguinte convicção: raramente a comunicação social consegue fazer o trabalho de passar os vários lados de uma questão, alimentando, no entanto, a ilusão de que o faz. O que me faz carregar a seguinte angústia: como lidar com o fardo de ter-me tornado um céptico agora que o meu consumo informativo é quase exclusivamente mediado pelo filtro da comunicação social (de um único jornal, aliás)? Como formar uma opinião com base em premissas que, sei-o (…say me), estão incompletas?

Sentido de humor

Apercebo-me, não sem alguma surpresa, que frequentemente revela mais sentido de humor quem se ri das piadas do que quem as conta. Além de que me parece ser uma das supremas formas de generosidade, esta disponibilidade para ouvir o outro, premiando-o com o riso. Era mesmo só isto que vinha aqui dizer.

Continuamos à procura de balas de prata

Programa do Governo ajuda mas não resolve, diz António Saraiva

29.8.11

Lunch break


Hora de almoço. Ir a casa. Estava bom, obrigado. Ligar a televisão. Campeonato do mundo de atletismo (e em directo). Final dos 100m feminina. Reconhecer, por incrível que pareça, uma ou outra cara. A vitória da norte-americana Carmelita Jeter mas isso pouco importa (nem foi uma prova particularmente notável, exceptuando o facto de esta já ter entrado nos 30, embora o que seja isso para quem é do tempo da fabulosa Marlene ottey...). Apanhar um lançamento do peso feminino. O lançamento do peso é uma prova chata. Desde que, claro, não se veja mais do que três minutos. Ao segundo lançamento, já é assim-assim. No terceiro, já sou um candidato a especialista na modalidade. E o terceiro foi mesmo um espectacular ensaio da neo-zelandesa. Depois veio a final dos 110m barreiras. Emocionante q.b. Mas uma pessoa não chega aos trinta e tal sem carregar consigo umas quantas memórias. E se há área em que estas memórias se manifestam é, como se sabe, nos 110m barreiras. O mesmo é dizer: Colin Jackson. Um dos meus atletas preferidos de todos os tempos. Fim da pausa para almoço.

22.8.11

Por outro lado, é tudo uma questão de expectativas

Uma questão com que tenho de lidar com alguma frequência é que, vezes demais, pareço mais esperto do que realmente sou. Não digo que seja esperto. Ou que pareça esperto. Apenas que pareço mais esperto do que, na verdade, julgo ser. Um bom exemplo do que estou a tentar dizer é o meu currículo. Apesar de tudo, dá uma imagem das minhas capacidades bastante lisonjeira. Este problema manifesta-se, naturalmente, tanto nas relações profissionais como nas pessoais. Assim como assim (clap, clap, acabo de me estrear nesta expressão. Acho que não vou repetir), prefiro lidar com as primeiras. Haverá quem lhe chame um complexo de inferioridade. Por mim, tudo bem. Ou melhor, com o tempo, uma pessoa vai-se habituando. E acontece que os complexos, e em especial o de inferioridade, têm um potencial cómico enorme, em particular na modalidade de auto-retrato. E isso é engraçado. Curiosamente, com o humor, acontece precisamente o inverso. Tenho muito mais graça do que, geralmente, consigo dar a entender.

1.8.11

Freguesias do "desassossego", "Camões", "Liberdade"...

Rui Tavares para líder mundial da comissão de toponímia (ou equivalente) das novas freguesias de Lisboa, já. Link só para assinantes.

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Viver e morrer na televisão. Por João Lopes.

26.7.11

Avant de plus

Antes de mais, importa ler aqueles com quem aprendemos, sempre. Mesmo que o parágrafo seja magro e a matéria aparentemente trivial. As aparências enganam. E aprender a trabalhar e brincar com as palavras não é coisa de somenos. Vem, aliás, antes de tudo o resto. Ou antes de mais.

Querido blog:

Acho que devíamos dar um tempo para ver o que realmente sentimos um pelo outro. Sim, eu sei, é precisamente isso que temos (tenho) feito ultimamente. Mas achei que te devia uma explicação.

Não procurarei outros. Ser-te-ei fiel, isso posso garantir-te. Sei que posso esperar o mesmo de ti (até porque sou o único detentor da password. mas sei que não é por isso).

Apenas para que fique claro, querido blog: o problema não és tu, sou eu.

29.6.11

Sem ser a parte do "ousadamente imaginativo", é como olhar para o espelho

"O seu cérebro funcionava a uma temperatura diferente. Demorava mais tempo a tomar uma decisão e, mal o fazia, apetecia-lhe mudar de ideias de novo. Mas, e talvez por esta mesma razão, acreditava que era o mais ousadamente imaginativo dos dois".

"A questão Finkler", Howard Jacobson, alguras nas primeiras páginas.

25.6.11

Um país de vips

Recebido por sms: "Depois de ter sido imediatamente atendida como cidadã comum, fui informada que era vip...fui então para a enorme fila de vips....".

15.6.11

Estado clínico deste blog




Ainda respira, embora apenas com a ajuda de aparelhos. Sinais vitais estáveis. Aguardam-se melhorias para breve.

8.6.11

Melhor do que o silêncio só João



A ver aqui a maravilhosa reportagem sobre joão gilberto (como se sabe, o outro melhor cantor do mundo), visionamento, porém, não isento de dor, chamando à memória aqueles dois bilhetes para um concerto de João Gilberto que já estiveram na minha mão, concerto malogradamente cancelado na véspera (doença, disseram, inconvincentemente). Talvez não saibam mas sei muitas letras do joão gilberto de cor.

2.6.11

Pirraça




Agora que saiu a Ler de Junho, já posso dizer-vos: a edição de Maio tem a melhor auto-entrevista - aquela do sofá - que já lá li (não, não me refiro ao cientista político). É de J. Rentes de Carvalho. E não sou só eu que o digo. Mais à frente, a própria Ler chama-lhe de antologia. Ides tentar comprar a edição do mês passado a ver se conseguem. Ahahah.

Nas nossas mãos

E se fizéssemos alguma coisa sobre o assunto, pergunta-se – e muito bem - aqui? De facto, também está nas nossa mãos tornar a vida pública um lugar melhor. Não depende apenas (e muitas vezes nem sobretudo) do Governo tornarmos o país num lugar melhor.

Também está nas nossas mãos contribuirmos para uma sociedade mais participativa e mais exigente; está nas nossas mãos (dos empresários, dos trabalhadores, dos consumidores) a dinamização da economia nacional, com os reflexos que isso pode ter no crescimento e na criação de emprego; está nas nossas mãos sermos menos complacentes para com a corrupção, a fraude e a elisão fiscal; está nas nossas mãos adoptar práticas mais amigas do ambiente e adquirir novos hábitos de consumo energéticos, como é o caso das energias alternativas (que, como se sabe, também tem reflexos económicos importantes, ao diminuir o nosso défice energético). Enfim, os exemplos são inúmeros. A realização do nosso sucesso enquanto país depende, em muita maior medida do que somos muitas vezes tentados a pensar, de nós, tendo o governo um papel muitas vezes residual.

Mas há assuntos que não estão nas nossas mãos. Cuja realização depende, em exclusivo, das escolhas do poder político. São os tais assuntos que deviam reunir um apoio particularmente alargado da comunidade e dos partidos mais representativos dos portugueses.

E é precisamente nessas áreas que o PSD pretende tudo alterar (e não é por acaso que as propostas liberais-radicais de Passos Coelho nunca foram tentadas antes pelo próprio PSD). É o caso do Serviço Nacional de Saúde, é o caso da Escola Pública (assim, com maiúsculas) e é o caso da Segurança Social Pública.

Se mexerem nisto, nada estará nas nossas mãos (nada poderemos fazer para evitar que a Saúde e o Ensino públicos se tornem, a pouco e pouco, serviços cada vez mais pobres, destinados aos mais pobres). E se isso acontecer, nada será como dantes. E depois será tarde demais para se voltar atrás.

1.6.11

Do esforço contínuo que, como dizia (acho que) Mark Twain, temos de fazer para ver aquilo que está mesmo à frente do nosso nariz

'O Governo do PS pôs em causa a normalidade democrática ao deixar o Estado sem dinheiro para assegurar as funções básicas'
Pedro Passos Coelho, no Twitter

O líder do PSD regressa ao tema do 'só havia dinheiro até ao final de Maio', que, para alguns, é prova de qualquer coisa terrível sobre este governo. Ora, o 'não haver dinheiro', anunciado por Teixeira dos Santos, resultou, apenas e só, de que, a partir do momento em que o PEC IV foi chumbado, Portugal ficou de fora dos mercados de divida. É só isto. Qualquer país que tenha necessidades de financiamento líquidas fica 'sem dinheiro para assegurar as funções básicas' se lhe acontecer o mesmo. Sem que isto nos permita fazer qualquer juízo (negativo ou positivo) sobre o comportamento desse mesmo governo.

Da desinformacão, João Galamba