26.1.11
Os novos tempos
O individualismo foi, nos dias de hoje, substituído pelo indivirtualismo.
Casamento entre pessoas do mesmo consulado
É sempre surpreendente verificar como é que o senso comum, ou o senso feito do saber comum, pode andar tão distante da verdade. Como tão bem prova este texto de Isabel Moreira. E de repente, o que antes parecia errado, passa a estar certo. E vice-versa. Viva o conhecimento.
Obamas's cunning plan
"By playing this rope-a-dope, Obama has positioned himself well to push back hard against the conservative agenda. Having refused to offer Republicans the cover they crave for “entitlement reform,” while offering his own modest, reasonable-sounding deficit reduction measures, he’s forcing the GOP to either go after Social Security and Medicare on their own—which is very perilous to a party whose base has become older voters—or demand unprecedented cuts for those popular public investments that were the centerpiece of his speech. Either way, in a reversal of positions from the last two years, Obama looks like he is focused on doing practical things to boost the economy, while it’s Republicans who are talking about everything else. Boring it may have been, but as a positioning device for the next two years, Obama’s speech was a masterpiece."
Aqui.
Aqui.
Como nasceu o mais conhecido festival de BD da Europa
A história contada aqui. Aos quadradinhos, evidentemente. Très cool.
Não ficará para a história mas esta é uma das razões por que gosto (cada vez mais) de Obama
"Several Democrats, speaking on condition of anonymity, expressed disappointment that Obama didn’t capitalize on the good will after his moving memorial speech in Tucson days after a gunman shot Rep. Gabrielle Giffords (D-Ariz.) and killed six bystanders. Obama acknowledged her empty chair but he quickly pivoted to maintaining America’s capacity to compete economically against other countries." (here)
25.1.11
Tenho muito para dizer sobre tanta coisa mas já tantos o disseram antes de mim. Links
Ando há tempos para dizer qualquer coisa sobre o novo Acordo Ortográfico. Qualquer coisa como esta.
Cidadania
A candidatura de Fernando Nobre foi, do meu ponto de vista, um desastre. Demagogia, populismo e arrogância. Julgo que, com isto, terá afastado mais eleitores do que atraído. Mesmo assim, teve 14,1% dos votos, representando quase 600 mil eleitores, que, imagino, procuram soluções políticas (Políticas) que não se esgotem nos partidos políticos. Do meu ponto de vista (ponto de vista 2, na minha opinião zero), a Presidência da República será o cargo electivo onde estas chamadas candidaturas cidadãs, ou independentes, podem fazer mais sentido. E eu até gosto muito de partidos políticos. Concluindo. Se uma candidatura como a de Nobre teve o resultado que teve, só posso imaginar como teria sido com uma candidatura com outra nobreza.
Pop
A prova de que a vida não precisa da música pop para nada está nos filmes do Woody Allen.
Pelo canto do olho
Ainda no outro dia fazia aqui um apelo à reedição da tradução de "Soldados de Salamina", do incrível Javier Cercas. Hoje, pelo canto do olho, pareceu-me ver na RTPN o escritor João Tordo a fazer-me pirraça com este mesmo livro de Cercas na mão. Tirei o mute e ainda fui a tempo de o ouvir dizer que considerava Javier Cercas o mais fascinante escritor espanhol contemporâneo e que "Soldados de Salamina" foi a obra que mais o marcou nos últimos cinco anos. Fui ao google e vi que João Tordo já falara de Cercas no seu blog, nestes termos. Não ando cá a fazer nada, é o que é.
24.1.11
Mais um insuportável post em que digo como é que acho que a democracia devia ser
Quem se indignou com o que o Governo de Cavaco Silva fez, em 1992, a José Saramago, não pode deixar de pensar o mesmo sobre o que o Governo francês fez a Céline, retirando-o da lista dos autores incluídos nas Celébrations nationales devido ao seu anti-semitismo. Não pretendo sugerir que ser ateu e anti-semita é equiparável. Quer dizer, até estou, se for para dizer que são posições irrelevantes para avaliarmos a arte, ou a ciência, dos opinantes. Ia para dizer que a democracia confronta-nos muitas vezes com dilemas complexos de superar. Mas nem é o caso (embora o seja naturalmente para muitas outras situações). A democracia obriga-nos é, com muita frequência, a fazer determinadas escolhas que, mais do que outra coisa, custam a engolir, moem no estômago, brigam com as nossas próprias convicções ou, até, com valores perfilhados pelo próprio Estado. Mas isto faz parte. Em nome de determinados valores e, à cabeça, da liberdade da opinião. Mas isto sou eu hoje. Ainda no outro dia acho que pensava algo vagamente diferente, como quando James Watson foi afastado do laboratório em que trabalhava por causa de declarações racistas. A coerência é algo tramado.
Parabéns ou talvez não
Caro Porfírio, para ti é o facto de Cavaco ter prolongado «a disputa eleitoral para dentro do estatuto presidencial, recusando objectivamente ser o presidente de todos os portugueses e escolhendo ser apenas o presidente "dos seus"». Para outros, o facto de Cavaco ter sido eleito com base numa imagem que não corresponde à realidade e, assim, num logro. Tal como eu vejo as coisas, felicitar o candidato ganhador é celebrar a democracia e o processo democrático. Nada tem que ver com a pessoa em causa. Não quero parecer um choninhas do género “ai, eu sou tão democrata” mas considero este simbolismo importante como manifestação de respeito por quem pensa de forma diferente da nossa, nomeadamente todos aqueles que, votando em Cavaco, não partilharão da tua opinião acerca da forma tão pouco democrática como Cavaco reagiu à sua vitória. Dito isto, having said that, subscrevo tudo o que dizes acerca de Cavaco em geral, e sobre a sua declaração de vitória em particular. Em bom rigor, e se estivéssemos numa mesa de café, era a altura para dizer, para que não restassem dúvidas: odeio o Cavaco e tudo o que ele representa. Acho que com isto já ninguém me chama choninhas….
Adenda: Discorda-se numas. Concorda-se noutras. Com ipsis e verbis.
Adenda: Discorda-se numas. Concorda-se noutras. Com ipsis e verbis.
22.1.11
Infelizmente, sem link
A Ipsilon conta, na sua edição de ontem, a história de Romain Gary, o único autor a ter recebido por duas vezes (o dobro das permitidas pelo regulamento) o prémio Goncourt. Para isso inventou um pseudónimo, uma história de vida para este e até entrevistas de um primo que se fez passar pelo dito ao Le Monde. Uma maravilha.
Charada
O dia de reflexão e a reflexão acerca de um post sobre casamentos entre pessoas do mesmo sexo fez-me pensar numa grande piada. Mas não posso contar. Pois é dia de reflexão.
21.1.11
Democracia participativa

E a pergunta em que todos estão, provavelmente, a pensar é: como é possível que, estando prevista na lei desde 2003 (dois mil e três!), o Parlamento apenas tenha recebido uma (uma) iniciativa legislativa impulsionada por cidadãos? Iniciativa, aliás, coroada de êxito, tendo culminado na aprovação desta lei. Curioso número, não?
Gente como nós
Li-a apenas por insistência de um amigo. E ainda bem. Esta entrevista ao ex-inspector da Polícia Judiciária António Teixeira. Dele, apenas conheço o que aqui li mas creio que me reconforta pensar que temos pessoas assim na investigação criminal. Assim tão humanas, quero eu dizer.
"Nem gosto de usar a expressão "matar". Farto-me de dizer isto: o matar é um acto que acontece por força das circunstâncias. É um acto humano, quer queiramos, quer não. Todos somos capazes de matar em determinadas circunstâncias, quanto mais não seja para defender alguém ou a nós próprios. Se me disserem que para ser burlão é preciso ter jeito, admito que sim. Mas matar não é uma questão de jeito. A maior parte dos homicidas mata num momento de arrebatamento, não o premedita. Logo os outros nunca o poderiam prever. Estamos a falar do crime mais grave do nosso ordenamento jurídico mas, curiosamente, vamos às cadeias e estes homicidas são presos exemplares. Esgotaram tudo naquele acto.".
"Nem gosto de usar a expressão "matar". Farto-me de dizer isto: o matar é um acto que acontece por força das circunstâncias. É um acto humano, quer queiramos, quer não. Todos somos capazes de matar em determinadas circunstâncias, quanto mais não seja para defender alguém ou a nós próprios. Se me disserem que para ser burlão é preciso ter jeito, admito que sim. Mas matar não é uma questão de jeito. A maior parte dos homicidas mata num momento de arrebatamento, não o premedita. Logo os outros nunca o poderiam prever. Estamos a falar do crime mais grave do nosso ordenamento jurídico mas, curiosamente, vamos às cadeias e estes homicidas são presos exemplares. Esgotaram tudo naquele acto.".
20.1.11
Última hora
Cavaco propõe alteração constitucional, de forma a acolher o princípio já por ele defendido, de que as eleições (presidenciais, legislativas, autárquicas) se devem realizar, em princípio, no final do mandato, se não houver assuntos candentes e mais urgentes a tratar. É o princípio do "não desvio das atenções daquilo que é essencial". A democracia não seria esquecida. Apenas viria em momento mais oportuno.
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