27.5.14

Apelo moderado à radicalização dos moderados

Os ponderados tenderão a não se entregar ao pessimismo, confiando viver numa europa de cidadãos e governantes democratas, que saberão, com inevitável naturalidade, reencontrar o caminho da esperança e da prosperidade (não apenas económica, claro está). Recomendarão, pois, democrática calma face aos apelos cada vez mais audíveis para a necessidade de se fazer algo. Antes que seja tarde. Sob pena de.  Os apelantes, denunciadores dos perigos, passarão por loucos ou, no mínimo, por incorrerem em incauto alarmismo. Tendo para a moderação desde que me conheço. Mesmo em mais jovem -  que, segundo alguns, é o tempo dos radicalismos - estive sempre agrilhoado à moderação. Dois dramas. O primeiro é que um moderado dificilmente percebe quando chega o momento que exige formas mais enérgicas de ação política (o drama chamberlainesco). Não falo evidentemente de qualquer espécie violência. Falo de ruturas necessárias (com consensos internos - com os grandes empresários e os meios financeiros - ou semi-externos - a começar pelo tratado orçamental da UE) para procurar outros consensos. O segundo drama é que, assim sendo, um moderado de pouco servirá em momentos em que o perigo passe de um alerta amarelo para vermelho, dando obrigatoriamente espaço a quem represente e reivindique estas angústias. Só concebo a política governativa por via da moderação, pelo que me parece urgente a radicalização dos nossos moderados.

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