29.5.09

Evitar mal-entendidos

Eu não sou este, nem este.

Regresso aos clássicos

 Chico Buarque de Holanda - Teresinha

For the record: eu também não

Deputada do PS Maria de Belém "não se revê" nas declarações de Vital Moreira sobre BPN.

Ainda o Provedor - Final act

O PCP parece ter decidido não apoiar nenhum candidato a Provedor de Justiça. Desta forma, a eleição ainda nesta legislatura parece estar definitivamente comprometida. Conforme tentei chamar a atenção aqui (de forma um pouco desajeitada, reconheço), acredito sinceramente que, face à situação que foi criada, a única solução que ainda podia dignificar a Assembleia da República e evitar danos maiores na sua credibilidade, bem como na figura do Provedor, seria a eleição hoje de um novo Provedor. Jorge Miranda é o único candidato em condições de recolher os dois terços dos votos exigidos e oferece garantias (julgo que a todos os quadrantes políticos) de que iria desempenhar um mandato com a dignidade que o cargo merece. É verdade que a situação a que se assiste hoje não foi criada pelo PCP ou pelos partidos mais pequenos. Foi fundamentalmente pelo PS e PSD, que tinham a obrigação de se entenderem, pois esse é, de algum modo, o pressuposto implícito na exigência desta maioria qualificada. Gorado esse entendimento, os únicos que podiam contribuir para ultrapassar este impasse e evitar o adiamento da eleição para a próxima legislatura eram os partidos mais pequenos. Julgo que o BE compreendeu isto. Os deputados do PCP (e, ainda que em menor medida, os do CDS) preferiram privilegiar os interesses partidários em detrimento do que, a meu ver, era exigido pelo interesse de todos. Em vez de escolherem ser parte da solução preferem o dividendo político imediato (mas necessariamente fugaz) e apontar o dedo pelo falhanço da eleição ao PS e ao PSD, que consideram os verdadeiros responsáveis por esta situação, talvez sem perceber que, desta forma, passaram a ser tão responsáveis por esta situação como aqueles partidos. Com este novo e penoso adiamento para a próxima legislatura, o processo de negociação do próximo Provedor colocar-se-á, julgo que com naturalidade, novamente numa lógica de acordo entre PS e PSD, que é precisamente o que tanto é criticado neste processo pelos outros partidos. No final de contas, todos sairão a perder.

27.5.09

BPN (First Season)



Encaro esta novela do caso BPN como se de um episódio do Dr. House se tratasse. Interesso-me por identificar os actores principais, se são ou não culpados, e, quanto à trama, fico-me pelos highlights, não esquecendo naturalmente aqueles factos que, ocasionalmente, pontuam a narrativa com o objectivo de comic relief, como aquela do outro achar que B.I era Bilhete de Identidade (hilariante). Tudo o resto, serve apenas para dar ritmo à série e não é realmente para compreender. MRI, offshore, lombar punction, imparidade.

Conferência de Copenhaga: contagem decrescente

He said he expected America to act before China in the run-up to the crucial UN climate change talks in Copenhagen in December. "I remain optimistic. The US should act first. Using China as an excuse not to act is no longer [appropriate]. If the US does act, we hope China will follow. The Chinese leadership knows about the consequences of climate change," he said.

But he warned against expecting too much of the US too soon. "We have to make a transition. If one does this very suddenly then there would be huge disruption. You need a lot of incentives, and some regulation. There is not one single policy that will save us."

"He" é Steven Chu, secretário da Energia dos EUA

26.5.09

Offshore it is


Sou só eu ou este enredo do BPN é o escândalo mais xaroposo do mundo?

Sonia Sotomayor


E pronto. Obama escolheu o episódio 15 do West Wing (1.ª série).

Eleições europeias: aprender com os outros

"Ontem, durante uma visita à Academia Portuguesa de História, o Presidente da República pediu aos partidos uma campanha «serena, esclarecedora e que mobilize os portugueses» para as eleições europeias. Sampaio não diria melhor. Do ponto de vista da serenidade, a dormência é de regra. Do lado do esclarecimento, como sempre, zero. As pessoas, a larga maioria das pessoas, não faz a mínima ideia das competências do Parlamento Europeu. Os partidos perdem pouco tempo com tais minudências. Talvez fosse mais útil Cavaco apelar directamente ao sentido cívico da Comissão Nacional de Eleições para que esta promova a difusão, nas rádios e televisões, de spots publicitários, curtos e objectivos, com informação concreta sobre em que medida a Europa interfere com o nosso quotidiano. De outro modo, ninguém percebe o que está em jogo. E metade do país vai mandar o escrutínio às urtigas." Eduardo Pitta, Da Literatura.

Como também já tentei defender aqui, os partidos deveriam ser, assim, os primeiros a querer tornar a mensagem eleitoral mais simples para o eleitorado. E simplicidade não significa tratar com superficialidade as matérias em causa, como demonstra exemplarmente o texto de Miguel Poiares Maduro a que se faz referência no post anterior.

E agora para algo completamente diferente

Miguel Poiares Maduro escreve hoje no i o melhor texto sobre as eleições europeias que li até agora. É estranha e inesperadamente claro, instrutivo, fluido e isento de qualquer espécie de eurocratês, o que, achava eu, violava uma qualquer norma comunitária. Mais importante, fala sobre política. E termina com uma referência - escrita e fotográfica - a Woody Allen. E está disponível online. Aqui.

25.5.09

La pipe reste



Ainda que sujeitas a um cardápio de exigências que ainda me parece um pouco excessivo, as liberdades acabaram, apesar de tudo, por prevalecer.

Cada um tem o seu "Chega de Saudade"

E foi com esta música que um dia João Gilberto chegou até mim e como que me segredou: Tiago, é isto a Bossa Nova. Ainda hoje, quando oiço esta "Doralice", recordo o arrepio da revelação.

Afinal havia mais notícias para além daquele post

Acusaram-me este fim-de-semana de ter aqui no blog uma linha demasiado oficiosa do poder socialista. Não concordo, embora admita que entre a minha percepção e a de quem me lê (escrito sem me rir) possa ir uma distância razoável. Mas só para fazer o gosto a esses leitores (serão dezenas? centenas?) aqui vai uma pequena tentativa deliberada de oficiosismo:

No Arrastão, exultam com a indiferença com que dizem que os media espanhóis trataram a presença de Sócrates no comício com Zapatero. Como isto, suponho:

"José Sócrates, primer ministro de Portugal y secretario general del Partido Socialista de Portugal, amplió el campo de juego. En perfecto castellano [é grande a tentação de pôr a bold esta parte, mas resistirei], Sócrates recordó cómo los socialistas portugueses y españoles siempre apostaron por Europa, por la cohesión, por los derechos sociales. Desde Felipe González y Mario Soares, que firmaron juntos la integración en la Unión Europea en 1985, hasta el momento presente, "con ese gran líder europeo que es Rodríguez Zapatero". Sócrates aportó dimensión global a las elecciones europeas: "Frente a los valores ultraliberales que tanto daño han hecho a Europa y todo el mundo, los socialistas apostamos por una Europa más fuerte, una Europa necesaria para construir un mundo mejor"." (itálico meu)

Deverá ainda dizer-se que, além dá imprensa nacional e espanhola, outros optaram por ignorar a presença do primeiro-ministro português. Como estes:

"Le chef du gouvernement espagnol, José Luis Rodriguez Zapatero, et le premier ministre portugais, José Socrates, ont appelé samedi à voter lors des élections européennes, à l'occasion de deux meetings communs à Valence, en Espagne, et à Coimbra, au Portugal."

que ainda acharam por bem ilustrar a sua indiferença com esta imagem:

Modelo Nórdico

Pela liberdade no uso da Internet. Suécia: Partido Pirata tem quase garantido assento no Parlamento Europeu.

Tal como um bofetão não é o mesmo do que um aperto de mão

IR DE ENCONTRO



é diferente de IR AO ENCONTRO

22.5.09

Provedor de Justiça: tempo de os partidos assumirem as suas responsabilidades


A eleição de um novo Provedor de Justiça poderá estar para breve. Hoje, o Parlamento realizou uma primeira votação, tendo Jorge Miranda sido o candidato mais votado. A segunda volta deverá realizar-se para a semana. E deveria ser do interesse de todos, nomeadamente dos partidos representados no hemiciclo, que este processo fosse encerrado de vez. Até este momento poderá dizer-se que os partidos desempenharam o seu papel, tentando condicionar e influenciar os nomes dos candidatos ao cargo. No caso dos dois maiores partidos até se poderá considerar que terão esticado ao limite a sua margem negocial. Dependendo do ângulo por onde se esteja a avaliar atribuir-se-á maior responsabilidade neste processo, cuja morosidade já ultrapassou os limites do razoável, ao PS ou ao PSD.

Agora, porém, a situação é outra. Os nomes que passaram à segunda volta foram os de Jorge Miranda (indicado pelo PS) e de Maria da Glória Garcia (indicada pelo PSD). O primeiro com 113 votos e a segunda com cerca de metade, 59. Julgo que o tempo de discutir o perfil de um e de outro (ou de qualquer outro) já passou. Foi o tempo que antecedeu a apresentação dos candidatos e o que imediatamente se lhe seguiu e que culminou na audição dos mesmos pelos deputados, uma inovação do actual Regimento com evidentes benefícios em termos de escrutínio público deste processo. Neste momento, o tempo é para a Assembleia da República assumir com responsabilidade e sentido prático quais as alternativas que se lhe colocam: eleger um novo provedor para a semana, ainda que com um ano de atraso relativamente ao termo do mandato do actual Provedor, mas salvando apesar de tudo a dignidade dos envolvidos e, mais importante, da instituição; ou recusar esta solução, a única que poderia conduzir à eleição do Provedor ainda nesta legislatura, e atirar para outros e, pior, para um futuro distante (nunca antes do final de 2009), a resolução desta situação, cujo arrastamento - não é difícil de adivinhar - terá tendência para agravar. Esta última hipótese parece-me insustentável a vários níveis, quer pelo que significa de desresponsabilização dos partidos políticos, quer por conter o enorme perigo de degradar fortemente a figura e a autoridade do Provedor. A meu ver, Jorge Miranda é o candidato ideal para explorar todas as potencialidades deste órgão de defesa dos cidadãos, nomeadamente por esta e esta razão, para além do que ficou bem patente na sua audição parlamentar. Mas tão importante quanto isto neste momento é que, admitindo que se mantêm as votações obtidas pelos dois candidatos na primeira volta, Jorge Miranda parece ser o único candidato em condições de ser eleito para a semana (o mesmo é dizer ainda nesta legislatura) e de recolher o apoio de dois terços dos deputados. Esperemos que os deputados saibam estar à altura das suas responsabilidades.

21.5.09

Os riscos de não ter secções fixas



Foi impressão minha ou o I falhou ontem a notícia da Ida, a extraordinária descoberta do pequeno fóssil com 47 milhões de anos, que revela o elo perdido entre os primatas e animais mais primitivos e que fez a manchete de tantos jornais pelo mundo fora e, por cá, pelo menos do Publico e do DN?

20.5.09

Aviso: post com ponto de exclamação

Apre, que já não aguento ouvir dizer que este senhor foi o primeiro presidente do Parlamento a demitir-se em 300 anos! Também acho que foi o primeiro a pesar 96 kg, com três dentes chumbados e a ter recebido à luz a 3 de Julho de 1945. Em mais de 300 anos! É impressionante, como diria um dos mais afamados políticos/bloggers da nossa praça.

Ah, agora já percebemos o que queriam dizer

Afinal o Nuno Melo (será com um ou dois "éles"?) tinha razões para fazer o aviso. Pelos vistos há quem tenha andado a brincar aos políticos, como se pode ver aqui, aqui ou aqui (em nu integral. Assustaram-se? Pronto, é só integral).

Obama avant la lettre



Na sua obra “A Origem das Espécies”, Darwin dedica um capítulo a enunciar as fragilidades da sua tese, antecipando muitos dos problemas que surgiriam na mente do leitor, problemas que haviam atormentado o próprio Darwin. Este capítulo sobre dificuldades contribuiu em grande medida para que a sua obra fosse bem acolhida, mesmo entre parte dos seus críticos, que viram neste gesto um sinal de honestidade intelectual de Darwin.

Tanto barulho por um pedaço de bacon


Já não é a primeira vez que Vasco Graça Moura (VGM) confunde as suas expectativas (por legítimas que sejam) com a realidade. Disso já tivemos oportunidade de dar conta aqui. Agora e a propósito de uma petição contra o acordo ortográfico que o Parlamento discute hoje, o poeta articulista insiste em vir tecer uma série de considerações que, para dizer o mínimo, revelam um total desconhecimento sobre o instrumento das petições e respectiva tramitação. Em resumo, VGM confunde a posição da comissão parlamentar com a opinião do relator (Feliciano Barreiras Duarte), a qual, ainda que fazendo parte do relatório, não é objecto de votação e, quando muito, vincula apenas o próprio. A única parte do relatório que foi sujeita à votação e que mereceu a unanimidade dos deputados da comissão foi o parecer, que se resume a isto (clicar para aumentar):



A partir daqui VGM escreve coisas como:

Em 8 de Abril, o relatório do deputado Feliciano Barreiras Duarte foi aprovado por unanimidade na reunião daquela Comissão. Para já, esta é uma situação de importantíssimo alcance político, uma vez que "o relator é da opinião que as preocupações e os alertas dos peticionários devem ser tidos em conta, do ponto de vista técnico e político, a curto e a médio prazo" e que essa opinião foi partilhada por todos os membros da Comissão.

Estas e outras confusões estavam hoje de manhã a ser difundidas pela rádio, nomeadamente a delirante consideração de que o relatório vincula a Assembleia da República a rever o Acordo. Isto até poderia ser vagamente cómico, não fosse VGM andar também a divulgar estas coisas lá fora, como aqui (Estadão) ou aqui (BBC Brasil).

Está visto que ainda temos de comer muita papa (eu prefiro choc X) até percebermos isto da coisa pública


Hoje de manhã, no habitual comentário da actualidade no RCP, Luís Osório mostrava-se surpreendido ter sido “por uma ninharia como o mau uso dos dinheiros públicos que [o presidente da Câmara dos Comuns] foi demitido”.

Da série fazer sexo não é o mesmo que comer uma sandes de queijo II

Da série fazer sexo não é o mesmo que comer uma sandes de queijo I

19.5.09

Isto não é um post sobre orgias

Choca imaginar o que terá acontecido realmente nas aulas desta professora. A violência da linguagem, que subentende uma total desconsideração pelos alunos e pelos seus direitos, é muito grave, independentemente da matéria que se estiver a abordar. Estando a falar sobre sexualidade a desadequação da linguagem é particularmente chocante. Importa, contudo, reter que isto nada tem que ver com educação sexual nas escolas mas apenas com uma professora que, no mínimo, não parece estar nas melhores condições psicológicas para desempenhar as funções de docente.

18.5.09

Ninguém é ilegal


Imigração. Admito que seja dos problemas mais complexos para uma comunidade política resolver. E a este nível temo que o meu contributo seja nulo. Porque o meu ponto de partida é absolutamente incompatível com a ideia de qualquer política restritiva de imigração. Porque, para colocar isto em termos muito simples, não me considero com mais direito a viver nesta terra (Portugal), onde por acaso nasci, do que alguém que nasceu num país onde há fome, guerra, ou onde simplesmente não há recursos. Sinto que isto de nascer num ou noutro lugar do mundo é talvez a maior lotaria da nossa existência e que a condiciona de forma indelével. Nascer e poder viver num país onde, em condições normais, temos garantidas condições mínimas de sobrevivência, é, pois, um verdadeiro luxo e uma pura questão de sorte. E o contrário o maior dos azares. Algo sobre o qual não temos a mais pequena responsabilidade. Acho por isso que a circulação de alguém à procura de sustento, que é o que parece constituir a maior parte da imigração, é um direito natural, inato à condição do ser humano, que nenhum Estado devia poder comprimir. Quando um Estado se acha no direito de impedir a entrada de um imigrante apenas devido à sua naturalidade, o que eu interpreto não anda muito longe disto: “tivesses nascido noutro lugar”. Mas isto sou eu, com os meus botões e a cómoda inconsequência das minhas crenças. Reconheço que de um responsável político por esta área exigir-se-á que pense e aja de outra forma, que seja permeável à crueza do pragmatismo. Não lhes invejo este papel.

cópula-a-porter


Oiço, no Fórum da TSF, vários intervenientes a manifestarem o seu desacordo sobre a distribuição gratuita de preservativos na escola. Consideram que o Estado está, por esta via, a incentivar a prática de relações sexuais. Convirá talvez explicar que a distribuição de contraceptivos não inclui um parceiro com quem, digamos, realizar a dita cópula.

Num país a sério


Vale muito a pena assistir ao K.O que Pedro Magalhães faz hoje* ao artigo "Se Portugal fosse um país a sério...", de Pacheco Pereira.
* e que em breve deverá aparecer publicado aqui

17.5.09

Múltipla personalidade

Por vezes, tenho dificuldade em rever-me em posts relativamente aos quais há apenas umas poucas horas atrás me terei dito "ora aí está uma bela ideia para um post" (mas lá que tinha cara de choninhas, tinha).

16.5.09

First impressions


Preparo-me para ler "Da democracia na América" (disseram-me que tinha capítulos pequenos). Primeira impressão: o Tocqueville tinha ar de choninhas.

15.5.09

Este blog está "just" em forma, percebem, forma justa (ah ah ah ah, este Cavaco é demais)


Graças a este, este e este link, este blog tem vindo a consolidar um aumento de visitas nas últimas semanas, tendo atingido hoje o seu máximo histórico e chegado quase à idade da minha avó.

13.5.09

A inveja é uma coisa feia mas porque não tenho eu uma voz como a destes senhores? ou o talento? ou um bigode? A vida não é justa



Gostava mesmo que me esclarecessem sobre isto


Acontece-me sempre o mesmo. Quando preciso de saber algo sobre alguma das competências do Presidente da República vou ao respectivo site oficial e encontro tudo menos o que procuro. Nomeadamente sobre uma das suas competências-chave, a de promulgar os decretos do Parlamento e do Governo e do outro direito que lhe está associado, o do veto. Não encontro nenhuma razão válida para não estarem disponíveis pelo menos os diplomas que o Presidente acaba de promulgar. E mesmo relativamente aos decretos que se encontram para promulgação, julgo que também aí deveria valer um princípio de transparência e ser-nos dado a conhecer, de forma actualizada, quais os diplomas em apreciação. Tal como faria sentido que o site tivesse uma lista dos diplomas vetados, com as respectivas fundamentações. E tocando noutras matérias, como as petições dirigidas ao Presidente da República, não deveria o site prestar informação sobre as petições que lhe são dirigidas, obrigação que é, inclusivamente, exigida pela lei?

Artigo 14.º
Controlo informático e divulgação da tramitação

Os órgãos de soberania, de governo próprio das Regiões Autónomas e das autarquias locais, bem como os departamentos da Administração Pública onde ocorra a entrega de instrumentos do exercício do direito de petição, organizarão sistemas de controlo informático de petições, bem como de divulgação das providências tomadas, nos respectivos sítios da Internet.

Qu'elle est belle la liberté

Desde o fim-de-semana que esta música não me sai da cabeça.

12.5.09

Lei Hadopi aprovada pela Assembleia Nacional francesa (post resgatado dos rascunhos de ontem)

A controversial French bill which could disconnect people caught downloading content illegally three times has been passed by the National Assembly.

Para além dos aspectos mais controversos, esta lei (que ainda terá de passar no Senado) pode estar a abrir a porta a que a pirataria de que hoje a indústria discográfica se queixa passe a ter como alvo os utilizadores da Internet, que poderão ver as suas contas e identidades colonizadas pelos piratas. Desta forma, esta lei pode trazer um acréscimo considerável de insegurança para os cidadãos nas ligações à Internet. Conforme disse o deputado socialista Patrick Bloche, esta lei "é perigosa, inútil, ineficiente e comporta muitos riscos para nós cidadãos". Por vezes, os velhos esquemas argumentativos da reacção fazem todo o sentido*.

* Tenho a certeza que há uma tradução portuguesa desta obra mas o Google está a embirrar comigo e não me dá nada

Onde está um Manuel Alegre quando precisamos dele?



Não há um Manuel Alegre que se indigne com as declarações do Manuel Alegre!

11.5.09

Boas pessoas

Há uns anos, quando estava a acabar a faculdade, foi surpreendido pelo comentário de um amigo que disse achar que ele era, fundamentalmente, uma boa pessoa. Gostou de se ver assim resumido: uma pessoa boa. A partir desse momento passou a avaliar grande parte dos seus actos à luz do que um homem bom faria. Tornou-se num bonzinho fajuto. Os anos passaram e esta tentação encontra-se hoje consideravelmente mitigada. Não sei se ainda será (se é que alguma vez foi) um homem bom. Mas se for o caso, por favor, não lho digam.

Damn you, news

Repudio veementemente esta notícia, que revelou total desconsideração por este blog, nomeadamente por este último post. Se o objectivo era embaraçar-me e reduzir ao ridículo o ponto que tentei aí fazer, obrigadinho. Conseguiram.

8.5.09

Assumir as suas ideias


Mudar de opinião até que é uma coisa saudável, tanto para os homens e mulheres, como para os partidos. Isso não significa que qualquer mudança de opinião seja de saudar. Há, por exemplo, aquelas pessoas que têm o irritante hábito de começar uma conversa a defender uma posição e a meio já estão a dizer o oposto, como se sempre o tivessem feito. Ora, não chegando a este ponto, intriga-me este hábito que o PSD tem vindo a consolidar no que toca a algumas das suas votações no Parlamento, nomeadamente de iniciativas legislativas fundamentais para a democracia portuguesa, como é o caso do financiamento partidário. Num momento o PSD está a votar a iniciativa num determinado sentido, uns dias depois já está a recuar e a querer mexer no seu articulado. Foi também o que aconteceu com a votação do estatuto político-administrativo dos Açores, onde o mesmo PSD que votou favoravelmente o diploma já estava, uns dias passados e perante as críticas do Presidente, a questionar as escolhas feitas. Supondo que o sentido de voto do partido liderado por Ferreira Leite não é fruto do acaso mas sim de reflexão e ponderação, espantam-me estas tergiversações quando chega o momento de, face às críticas, fundamentar as suas escolhas.

Quando a arte antecipa a realidade


A escolha de um juiz para o Supremo Tribunal constitui um dos momentos altos do mandato de um Presidente americano, tendo em conta a influência deste órgão enquanto último intérprete das leis e da Constituição e do legado dos Founding Fathers. A provável saída de David Souter daqui a uns meses permitirá, de forma algo inesperada, que Obama proceda à sua primeira escolha (de duas ou três, no máximo) para o Supremo Tribunal. O Rui Branco já explicou de forma exemplar como o percurso de Obama parece decalcado de um guião do West Wing. Com esta nomeação que se perspectiva, Obama vai poder uma vez mais buscar inspiração na série de Sorkin, Resta saber qual o episódio que escolherá seguir: este ou este?

7.5.09

i já saiu o novo jornal diário

Apraz-me ver que, ainda que por curta margem, os leitores do novo jornal diário i parecem ter mais bom senso do que sindicatos, patrões e Governo, os quais, de acordo com a primeira capa do jornal, estarão todos de acordo quanto a querer menos imigrantes.

Resultados do inquérito
Portugal deve ter menos imigrantes para combater o desemprego?

NÃO: 51%
SIM: 49%

Votos: 325
Período: 06-05-2009 ate 07-05-2009 (às 16.40)

6.5.09

Breves (bem, mais ou menos) comentários às séries da minha vida


Identificadas as séries da minha vida, um ou outros comentários. Les Cités D’Or. As fabulosas aventuras de três amigos (Tao, Esteban e Zia) e o primeiro contacto com o exótico mundo da América sob o domínio de Castela. Adrian Mole foi uma antecipação do que viria a ser a tragicomédia que é a adolescência. Starsky & Hutch e os Soldados da Fortuna: pura adrenalina e, no meu caso, um sabor a transgressão, pois tinha de fingir ir deitar-me para que a minha irmã mais nova não quisesse ficar a assistir ao que se tornara uma prerrogativa de irmão mais velho. Dempsey e Makepeace, bem... Makepeace.

Segunda fase. Com Norte e Sul terei tomado pela primeira vez contacto com a Guerra Civil americana, assim como com os generosos decotes dos espartilhos da época. Hitchcock. Acho que, antes dos filmes, foi com estas séries que conheci as primeiras obras do mestre do suspense, com histórias que ainda hoje dou por mim a perguntar a amigos: “e lembras-te daquela da tentativa de fuga de um prisioneiro que acaba enterrado vivo no caixão?”. All in the family, que achava que tinha um humor esperto, sobretudo na relação entre o magnífico Archie Bunker e o cunhado de origens polacas (que é igualzinho ao Rob Reiner com menos 70 quilos).

Bem, isto já caminha para o aranzel, por isso, abrevio: Family Ties, terno; Yes Minister, inteligente e, juntamente com o Black Adder himself, deu-nos um dos melhores cínicos do seriado televisivo, Humphrey. Black Adder, a última das minhas séries A.S (Antes de Seinfeld). Seinfeld e Larry David, uma espécie de Darwins do humorismo. Nada ficou igual depois deles.

West Wing devia ser dado nas aulas da faculdade sobre o sistema de Governo americano. Também foi a mais empolgante das séries que vi, tendo facilmente sido contagiado pelo seu idealismo. Idealismo que, a meu ver, está exactamente na dose justa. Mais um grama e o copo transbordaria. Acho que foi isso que aconteceu quando tentei ver a seguir o Studio 60 on the Sunset Strip, também do Aaron Sorkin. É um West Wing que, em vez da Casa Branca, passa-se nos bastidores de um estúdio de televisão. E desta vez acho que o copo transbordou.

Estava criado o terreno ideal para o The Wire, uma espécie de negativo do West Wing. Em vez do idealismo deste, temos o desencanto; em vez da nítida distinção entre o bem e o mal, temos uma amálgama de valores, que se reflecte nas personagens, as mais complexas de todas as séries. Partilha com o West Wing o título da melhor série que vi.

Posto isto, passo esta corrente ao A.R, se para isso tiver paciência, e ao Tiago Antunes. Se os conhecesse, passaria ainda a corrente ao Daniel Oliveira, ao Tomás Vasques e ao Eduardo Pitta, os bloggers que, de momento, além do remetente desta corrente, sigo com mais gosto.

Boas notícias (actualizado)

Les députés européens ont confirmé, mercredi 6 mai, leur opposition à toute coupure administrative de l'accès à l'Internet en cas de téléchargements illégaux. Ce vote montre une nouvelle fois l'opposition du Parlement européen au projet de loi Création et Internet, actuellement discuté en France.

Adenda: o voto dos eurodeputados portugueses (retirado daqui)

407 votos a favor

GUE/NGL: Ilda Figueiredo, Miguel Portas, Pedro Guerreiro PPE-DE: Ribeiro e CastroPSE: Ana Gomes, Armando França, Edite Estrela, Elisa Ferreira, Emanuel Jardim Fernandes, Francisco Assis, Jamila Madeira, Joel Hasse Ferreira, Manuel dos Santos, Paulo Casaca

57 votos contra

PPE-DE: Assunção Esteves, João de Deus Pinheiro, Vasco Graça Moura

171 abstenções

PPE-DE: Duarte Freitas, Luís Queiró, Sérgio Marques, Silva Peneda

5.5.09

Séries da minha consistentíssima vida

O Pedro Adão e Silva passou-me uma corrente. E logo sobre séries. Fez o meu dia. Vamos a isso, então. Assim de repente, e reservando um comentário sobre algumas delas para quando despachar o expediente de hoje (bem, todo não, talvez só o mais urgente), aqui vão as 15 séries que, admitindo – sem conceder – que a minha vida tem algo a que se possa chamar consistência, a elas também se deve.

As séries da infância
– Les Mystérieuses Cités d'Or
– Adrian Mole
- Starsky & Hutch
– Os Soldados da Fortuna
- Dempsey e Makepeace

As séries da adolescência
– Norte e Sul
- Hitchcock apresenta
– All in the Family
– Family Ties
- Yes Minister e Prime Minister

As séries da adolescência tardia
– Black Adder
– Seinfeld

As series do presente, seja lá que fase é esta
– Curb your Enthusiasm
– The West Wing
– The Wire

ps: agora vou pensar sobre como vou passar esta corrente a alguém, se não conheço praticamente nenhum blogger.

4.5.09

Olhem quem está de volta: o Chris de blhurc

Enquanto medito nisto e a gripe mexicana está no intervalo (o Prós e Contras, quero eu dizer) e passeio os olhos pelos anúncios em modo mute, não resisto ao apelo para escrever um dos nomes incontornáveis do panorama musical dos anos 80 e, provavelmente, o artista mais mal aconselhado no que à escolha de nomes artísticos diz respeito.

Vasco Granja - 1925-2009 (revisto)

Graças a ele, a generalidade das crianças da minha geração puderam contactar com uma parte do universo do cinema de animação que ía muito além dos personagens da Disney. Lembro-me de gostar dos filmes do Tex Avery e de me aborrecer tremendamente com o cinema de animação checoslovaco - à data, como hoje, um dos expoentes desta arte. O que eu tenho pena é que quando cheguei à idade adulta e me senti finalmente apto a absover os ensinamentos dos Jiri Bartas e dos Jiri Trincas, o Vasco Granja e o seu saber enciclopédico sobre cinema de animação, que parecia viver com um entusiasmo pueril, já não passassem em nenhum canal de televisão. Entusiasmo e generosidade, é o que me fica deste homem, a quem um dia (talvez há uns dez anos) um grupo de amigos, que se iniciava no gosto por esta arte, perguntou se estaria interessado em assistir, em casa de um deles, a uns filmes de animação. Convite ao qual respondeu prontamente que sim e que, infelizmente, acabaria por não acontecer por motivos de saúde do próprio, conforme amavelmente nos explicou na altura a sua mulher. Talvez assim descrito isto não pareça particularmente digno de se registar no dia do seu desaparecimento mas a sua disponibilidade e a alegria com que pareceu fazê-lo deixou em mim a ideia de alguém francamente generoso. E eu gosto de pessoas generosas.

Anacronismos

Bem sei que isto de andar entusiasmado com o blog e querer falar sobre isso faz tanto sentido nos dias que correm como chegar aqui e pôr-me a dissertar sobre as maravilhas da televisão a cores. Dito isto, e depois de um fim-de-semana alargado longe da Internet, queria apenas dizer o seguinte: tive saudades tuas bloguinho.