28.1.10

Raciocínios

Na senda deste brilhante raciocínio, também é legítimo suspeitar que os números do desemprego estão empolados para fazer um brilharete para o ano que vem?

Os males da justiça

Está aqui o discurso de Cavaco Silva na sessão solene de abertura do novo ano judicial. Para guardar e dissecar mais tarde. Para já, uma ideia: i) a culpa do estado em que está a justiça é dos políticos (porque insistem em fazer leis impulsionadas por ideias - políticas e ideológicas) e da lei do divórcio.

Mitomanias e outras incertezas

"Sócrates é um mentiroso compulsivo, como provam declarações ontem à imprensa estrangeira sobre OE e agências de rating", escreve José Manuel Fernandes aqui. Admito que seja ingenuidade de recém-convertido ao Twitter, mas fui ver quais as declarações que sustentavam tão grave acusação. Fui ler e não encontrei nada. Nada que, no limite (e com muito boa vontade), não possa ser reconduzido ao normal dissensso político. Nada que possa, minimamente, justificar o epíteto. E muito agradecia que alguém me explicasse qual o raciocínio do ex-director do Público. Da pessoa que, durante mais de uma década, utilizou o seu fino crivo à frente do que sempre julguei o melhor jornal português. Bem sei que há quem defenda que todos podemos chamar-nos mentirosos uns aos outros sem mais (e se fosse um desses, seria este o momento de chamar mitómano a JMF), mas gostaria mesmo de compreender qual o fundamento da acusação. Alguém quer ter a bondade de me auxiliar?

24.1.10

Desesperanças

Para quem é do PS e de esquerda, este é um dos traços mais desesperantes do nosso sistema partidário: "A incapacidade de a maioria aritmética de esquerda se traduzir numa coligação política é o mais estrutural dos bloqueios do nosso sistema partidário" (Pedro Adão e Silva)

22.1.10

Coisas estranhas

Faz hoje quatro anos que Cavaco chegou a Belém e, dos jornais à blogosfera, quase não se dá por isso.

Revelações, ilusões e desilusões

Sobre o BE confessou que já "quase todos os socialistas tiverem ilusões". O que os distingue é, acrescentou, "os que, mais tarde ou mais cedo, descobriram o que é o BE". "Manuel Alegre foi dos últimos a descobrir o que é BE. E percebeu que toda a acção do BE visa o enfraquecimento e a divisão do PS. Ele explicou isso, tomou as posições que tomou e não sendo candidato apoiou o PS. E teve um papel importante na construção da solução em Lisboa."

A propósito do BE e do que diz serem os seus objectivos, fez uma revelação: "Antes das penúltimas legislativas [2005], numa altura em que ninguém pensava que o PS tivesse a maioria absoluta, houve reuniões com BE para saber se, após eleições e não havendo maioria, era susceptível de haver um entendimento como tinha havido entre o SPD e Os Verdes na Alemanha. E eles explicaram bem ao que vinham, não estavam disponíveis nem para ser parceiros".

António Costa, ontem, na Quadratura do Círculo.

21.1.10

60 anos da morte de Orwell


Nunca é por acaso. De "1984", o que mais me marcou foi a captura que o Estado fez do espaço privado. As habitações, vigiadas por câmaras, não permitiam que o indivíduo fizesse o que quer que seja sem o conhecimento das autoridades. Lembro-me que, a dada altura, o protagonista encontrou um lugar em casa, um certo ângulo que julgou morto para as câmaras e que estaria fora do seu alcance. Ficou imensamente feliz. Por vezes, sinto que temos de procurar os ângulos da nossa intimidade onde podemos ser felizes (a frase saiu abimbalhada mas a ideia não é má; a sério).

Subscrevo quase integralmente este post

"Escutas a Pinto da Costa foram colocadas no Youtube. Há gente no Ministério Público que já há muito tempo que entrou em rota de colisão com o Estado de Direito (recuso ouvir estas escutas, como recuso piratear filmes na internet)". É um comentário certeiro de Tomás Vasques, que julgo denunciar também a hipocrisia de todos os que acham que o respeito pelos procedimentos que nos protegem a todos da devassa alheia se esgota no estrito cumprimento da lei. Do ponto de vista ético, não devíamos aceitar como natural esta cumplicidade com este entorse gravíssimo ao Estado de Direito, e que é, precisamente, alimentado por este voyeurismo. Concordo, contudo, até ao parêntesis, pois não são de natureza análoga os direitos que são atingidos num e noutro caso. Mas falta-me a eloquência para revelar por palavras o que apenas intuo. Um dia (promessa n.º 2), terei mesmo de escrever sobre isto.

Há 5 min. a rir com isto

"O ex-assessor de Cavaco e actual assessor de Cavaco".

Via Câmara Corporativa

Escutas a Pinto da Costa publicadas no Youtube


É bom saber que os nossos magistrados dominam, finalmente, as novas tecnologias. Para quem não sabia, há bem pouco tempo, manusear um simples ficheiro de excell, é de assinalar a evolução.

Adenda: talvez devesse escrever alegadamente (entre duas vírgulas, s.f.f) algures entre "saber que" e "os nossos magistrados". Sim, definitivamente, é melhor.

19.1.10

Change

Fui espreitar o novo site de Pedro Passos Coelho, intitulado "Mudar". Mudar foi, de facto, a primeira coisa que me veio à cabeça ao entrar no site: quis mudar daquela primeira página mas não consegui. Por este andar, esta não será ainda a mudança em que podemos acreditar.

16.1.10

Da série "os juristas que mais alegrias me deram"


Da série "os juristas que mais alegrias me deram"

"Se foi para desfazer, porque é que fez?"

Bem sei que associar o jurista que mais alegrias me deu até hoje ao Pagamento Especial por Conta (PEC) e a Manuela Ferreira Leite roça a blasfémia. Mas não deixa de divertir pensar em todos os vinicianos que, procurando no google novas dimensões do poeta, possam ser confrontados com esta ligação. E a associação - bem puxadinha, reconheço a esta altura do post - é esta. Tal como Vinicius de Moraes perguntava a Deus, eu, mais terreno, pergunto à Dr.ª Manuela: "Se foi para desfazer, porque é que fez?". Voto nela nas próximas eleições se me responder: "Mas não tem nada não, tem o seu violão".

13.1.10

Paranóias


Relativamente ao noticiado cancelamento do Programa de Marcelo Rebelo de Sousa da RTP, na sequência da saída de António Vitorino do painel de comentadores desta estação, admito que se questione a sensatez da decisão do canal público, nomeadamente se o objectivo é o cumprimento daquela esdrúxula decisão a ERC. Dependendo do ângulo de cada um, pode discutir-se a como é que se garante a pluralidade político-partidária nos órgãos de comunicação social e, em particular, no canal público de televisão. O que já me parece raiar o absurdo e querer ver-se nisto uma qualquer tentativa de calar Marcelo Rebelo de Sousa. Mas alguém tem dúvidas que o Professor não vai ficar cinco minutos sem palco, porventura transitando para um com mais audiência? Pretender calar MRS desta forma é o mesmo que tentar desligar o rádio aumentando-lhe o volume. O resultado é o oposto do pretendido e, simplesmente, não faz sentido.

12.1.10

Copo meio cheio

Está um bom dia para galochas.

Também quero dizer algo sobre o Éric Rohmer


Também eu só consegui ver o "Conto de Verão" e "A Princesa e o Duque" no Cinema. Esperem, também acho que vi o "Conto de Outono". Sim, vi. E "Les Rendez-vous de Paris" e o fascinante "Agente Triplo". Bolas, sou quase um rohmerista, De todos gostei. Muito. Tal como o maradona, nem sempre sabendo explicar porquê. Na realidade, isto de gostar de coisas sem saber porquê acontece-me mais frequentemente do que seria de esperar. Na realidade 2, isto também me acontece com as pessoas. Rohmer. Foi o realizador idoso (refiro-me à fase dos filmes supra acima referidos) que mais me tocou. Ou se calhar é preciso ser idoso para filmar a juventude daquela maneira. Nunca vi "Ma nuit chez Maud" mas penso que ainda sobrevive lá em casa uma cassete VHS com o filme. De "A Princesa e o Duque" li, uma vez, que um dia todos os filmes seriam realizados assim. Um exagero notório. Que eu me lembre (se bem "que eu me lembre" não seja um critério minimamente válido, pois actualmente vou tantas vezes ao cinema como ao dentista), nenhum outro filme desde então usou aquela técnica, que parecia inventar uma nova arte entre o cinema e a pintura. O último que vi foi o "Agent triple" (dizer em voz alta, sem carregar no "érre", uma delícia), fascinante exercício de duplicidade e ambiguidade em torno da figura de um espião, da sua mulher e dos seus vizinhos, num triângulo que mistura soviéticos, nazis e comunistas franceses. A seguir ao "Conto de Verão", é o meu preferido.

6.1.10

Petição pública

Queria saudar enfaticamente este texto do Pedro Magalhães, no Margens de Erro, pela proeza de falar sobre a iniciativa de referendo sobre o casamento gay, promovido por um conjunto de cidadãos, sem usar o termo petição. O que não só é correctíssimo como evita uma desnecessária confusão entre o direito de iniciativa de referendo e o meu querido direito de petição. Dir-me-ão: mas não é correcto dizer-se que a iniciativa de referendo contém uma petição, no sentido de um pedido, dirigido ao Parlamento? Concedo. Mas neste sentido o que não falta por aí são petições e não é por isso que (espero) desataremos a peticionar bicas escaldadas ou aquele bolo ali do fundo, cujo nome, após tantos anos, continua a ser um mistério para nós. De todo o modo, peticiono-vos encarecidamente que parem com isso e chamem os bois pelos nomes (elegante e bonita expressão esta).

5.1.10

É verdade...

Bom ano. E face à quantidade de corvos que, ainda 2010 está na incubadora, já lhe estão aos murros e pontapés (esta tem, evidentemente, direitos de autor) e a preparar o seu enterro (esta já é da minha lavra), tenho vontade de antecipar, para surpresa de todos e do meu magnífico público em particular: vai ser um bom ano, que ainda vai surpreender muita gente. Vá, ânimo. Cá estarei para prestar contas no final do ano.

A ver se percebo

Os críticos do casamento gay acusam o Governo e o PS (e a esquerda, em geral) de estarem entretidos com minudências (por oposição aos assuntos verdadeiramente importantes do país) que, segundo defendem, têm o potencial de desfigurar o nosso modelo de sociedade, o que - afirmam - não se deve fazer de ânimo leve. Por outras palavras, querem chamar os portugueses a participarem numa campanha sobre um assunto insignificante (embora com o potencial de destruir o nosso secular modelo de família), distraindo-os dos assuntos verdadeiramente importantes do país, e ainda para mais (esta ofereço eu) com campanhas que consumiriam importantes recursos públicos, que deveriam (já sabemos) ser canalizados para os assuntos verdadeiramente importantes do país. É assim?