12.7.24

Não é "Ardidas", nem "Rebrock". É um post à Paulo Austero.

Gosto muito do filme "Fumo". É um filme sobre histórias. Várias. Uma delas, ocupa pouco mais de dois minutos. Não, não é a de como se consegue saber o peso do fumo, contada pelo Harvey Keitel. Essa também é boa. Nem as divagações do Jim Jarmuch sobre tudo e mais alguma coisa, antes de ser interrompido pelo vendedor de timexes e rolexes. Nem tenho a certeza de que as divagações de Jarmuch sejam sucedidas pela entrada (ah, isto passa-se numa tabacaria) do vendedor de timexes e rolexes. Ou que esta cena do Jarmuch não se passe apenas na sequela do "Fumo", o "Fumo azul". Mas isso importa pouco (aquilo até estava previsto ser um único filme). Estava a dizer. Sobre histórias. Uma delas, é contada pelo William Hurt. É sobre um jovem pai que vai passear para a montanha e é engolido por uma avalanche. Muitos anos depois, o filho está a caminhar pela montanha e dá de caras com uma versão de si mesmo quando era mais novo. Era o corpo do pai, que se preservara impecavelmente num bloco de gelo. Lembrei-me desta história ontem ao ver fotografias do final dos anos 90. Numa delas, lá estou eu, de t-shirt. E de calções. Os mesmos calções que vestia nesse preciso instante. Mais de um quarto de século depois. The end.

Se quiserem ver isto em bom de escritor e maravilhosamente interpretado pelo William Hurt de roupão, está aqui:

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