16.4.09

Back to the basics


O último inquérito Eurobarómetro diz-nos que apenas 34% dos eleitores da UE pretendem votar nas próximas eleições para o Parlamento Europeu. Quanto a Portugal, o desinteresse parece ser ainda maior. Apenas 24% se manifestam dispostos a ir votar. Uma maioria dos inquiridos portugueses (56%) diz “não ter interesse” por esta eleição. Uma esmagadora maioria (71%) confessa “não conhecer razoavelmente o papel do Parlamento Europeu”. E uma igualmente impressiva maioria (72%) considera “não estar suficientemente informado para ir votar”. Na mesma página do Diário de Notícias onde leio esta notícia consta a informação de que o Estado, através do Instituto da Juventude e do Ministério da Administração Interna, pretende, através de SMS, sensibilizar para o voto os 300 mil novos eleitores cujo recenseamento ocorreu automaticamente.

Os dados do Eurobarómetro permitem especular se o principal obstáculo ao exercício do direito de voto nestas eleições não consistirá, em primeira instância, na enorme ignorância sobre o fundamental do que está em causa nestas eleições, a começar pelo papel desempenhado por este órgão na política comunitária. E isto combate-se através de informação, destinada a eleitores que, assumidamente, conhecem muito pouco sobre aquilo que são chamados a votar. Esta componente não devia ser descurada pelas campanhas dos diversos partidos. A discussão em torno do Tratado de Lisboa e da forma como se deve organizar o poder no seio da UE poderia constituir uma boa oportunidade para esta pedagogia. Se esta não for feita, está-se apenas a tentar incentivar as pessoas a irem votar em algo que desconhecem, o que não augura grandes possibilidades de sucesso.

Claro que o melhor era que este trabalho fosse feito, com as devidas adaptações, a este nível (com a devida vénia pelo exemplar trabalho que a ex-juíza do Supremo Tribunal dos EUA tem feito nesta área).

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